O problema maior não é o barulho do aspirador, da enceradeira ou de todas as torneiras dos dois banheiros abertas jorrando água doidamente porque os dois têm que ficar de molho com muito sabão em pó e mais água sanitária e toda a espécie de detergente líquido ou em pó que possa existir no supermercado, ou ainda dos pedreiros arrebentando a fachada do prédio e retirando todo o reboco numa chuvarada de pastilhas e pedras que parecem estar caindo na minha cabeça enquanto a broca que eles usam entra pela janela até o interior dos meus miolos, mas sim o fato de que como ela vem somente de quinze em quinze dias são praticamente duas semanas em que fatos palpitantes aconteceram na vida dela, e é preciso que ela reporte tudo, tintim por tintim, para alguém que mostre o menor interesse em conhecer todos os detalhes da complicada cirurgia por que a filha dela teve que passar e cujo nome ela não se lembra bem - apenas que começou de manhã e terminou quase de noitinha, e o médico disse que em dois dias ela se levantava mas em menos de 12 horas a filha dela, que é muito forte porque comeu tutano cru quando era criança, levantou e começou a arrumar a casa - ou quem sabe tomar conhecimento da labuta e o peso que é agora que o cunhado morreu cuidar do sobrinho do irmão da sogra da ex-cunhada, que deixou escrito que queria que ela ficasse com o guri - que, na verdade, não vale nada e dorme o dia inteirinho quando não está grudado na televisão ou brigando com o Fernando, que agora voltou pra casa porque se separou da Sônia que não valia nada, porque pegou dinheiro emprestado do pai e não pagou nada porque usou para pagar as dívidas do amante e não tem mais onde dormir porque o garoto tomou posse do quarto que agora está novo em folha porque o marceneiro foi lá e deu um jeito nas camas, mas não cobrou nada a mais do que tinha pedido depois que perdeu a madeira que tinha comprado no churrasco que a Rosa resolveu dar mesmo com todo mundo dizendo que ia chover muito - mas a Rosa não escutblábláblá e hfiyeke djfehqpudf hjfhfakd,ofifjweww ddfudpsfod...
Dia de faxineira.
terça-feira, novembro 13, 2007
segunda-feira, novembro 12, 2007
All your love in your eyes
...

Eu tenho esse blog faz bastante tempo. Aqui eu compartilhei minhas dores e alegrias, dividi conquistas e perdas. Fiz bons amigos e é a eles que eu peço ajuda. Eu tenho um vício que, no começo, não era bem um vício porque não me custava tanto dinheiro mas que agora está destruindo, aos poucos, a minha saúde, minhas noites de sono. Fui apresentada a ele quando estava frágil, ainda doída pelo divórcio e pela pedreira de responsabilidades, compromissos e dívidas que eu teria que enfrentar todos os dias.
Quem me introduziu nele foi uma grande amiga, também separada, quatro filhos, jornada de trabalho de 18 horas por dia. No princípio era somente nos fins de semana, quando eu estava sozinha. Depois, passou a ser quase semanal, senão diário.
A primeira vez em que, perto da meia-noite, me vi sem aquele pó branco mágico fiquei em pânico. As meninas dormiam, e eu nervosa, já suando o desespero que estava por vir. Liguei para uma outra amiga (viciada como eu) e pedi um pouquinho só. Pode mandar de táxi? Eu te pago sem falta amanhã. Claro, ela disse, me perguntando se eu estava bem. Eu ficaria.
A segunda vez foi pior, porque chovia muito, e não havia como ir numa daquelas biroscas do Morro dos Prazeres para conseguir pó. Liguei para outra amiga (a que me introduziu nesse vício maldito) e pedi pelo amor de Deus que me mandasse uma dose só. Ela só tinha um pouco, o suficiente para uma única vez. Mas foi a salvação: quando abri a caixinha e vi o pó branco no fundo só consegui respirar fundo e antecipar o prazer que viria, aquela transformação mágica de que só ele é capaz - fazer do mundo num lugar mais quente, cheiroso, acolhedor.
Ontem, plena madrugada, acordei para uma insônia cortante onde eu ouvia, ao fundo, o vício me chamando. Sem pó em casa - não, não vou ligar pra ninguém. Me enrolei num cobertor, antevendo os tremores e a paranóia que viria.
Chega. Não vou pedir pra mais ninguém que me mande fermento de táxi. E amanhã prometo procurar um Cozinheiros Notívagos Anônimos. Porque eu preciso largar esse vício maldito de fazer bolo no meio da noite de qualquer maneira.
quinta-feira, novembro 08, 2007
...
O pior sentimento que existe, maior do que a injustiça, a humilhação, o desrespeito, é a impotência.
terça-feira, novembro 06, 2007
Eu odeio...

Quem não tem a menor educação quando fala ao celular - dentro do elevador lotado, na mesa do restaurante, no teatro infantil (porque criança é de suma irrelevância, não é?), no cinema.
Quem acha que dar a alguém o número do seu celular faz desse ser o sócio majoritário da sua vida; ou seja, ele pode ligar a qualquer hora do dia e da noite se quiser. Ele não entende um "Agora não posso falar" - não consta no seu dicionário de alertas de simancol (se é que ele tem um).
segunda-feira, novembro 05, 2007
...
Essa história ainda não tem final feliz.
Um dia esbarrei sem querer numa moça muito franzina, com um bebê no colo. Não consegui esconder a cara de horror ao ver o rostinho desfigurado da menina, com uma fenda tão incrivelmente monstruosa que imediatamente pensei "Como ela consegue comer?". Ali surgiu uma amizade entre nós duas - e, depois, entre nós três. A mãe, uma baiana lutadora, conseguiu energia, força e dinheiro para operar a filha vezes sem conta. A filha, essa conseguiu energia, força e alegria em dose mais do que suficiente para se transformar numa adolescente feliz, de bem com a vida, estudiosa e sonhadora. Mesmo sem que quase ninguém entendesse o que ela fala, mesmo sorrindo um sorriso torto.
Virei madrinha dela. Temos as mesmas paixões, alguns gostos musicais em comum, a mesma mania de reclusão quando algo espeta demais, incomoda em demasia, dói além da conta. Quando vinha ao Rio, ela se hospedava comigo. "Vestibular" é a única idéia que está em sua cabeça - mais do que Carlos Henrique, o namorado que vê naquela boca cheia de cicatrizes a fonte das coisas mais bonitas e doces que uma jovem pode dizer.
Carolina é o nome dela. Carol está internada numa UTI de um hospital de Salvador desde sábado, quando teve uma parada cardíaca durante sua milésima cirurgia para correção da boca.
Carol é lutadora, e eu sei que ela vai sair dessa.
Um dia esbarrei sem querer numa moça muito franzina, com um bebê no colo. Não consegui esconder a cara de horror ao ver o rostinho desfigurado da menina, com uma fenda tão incrivelmente monstruosa que imediatamente pensei "Como ela consegue comer?". Ali surgiu uma amizade entre nós duas - e, depois, entre nós três. A mãe, uma baiana lutadora, conseguiu energia, força e dinheiro para operar a filha vezes sem conta. A filha, essa conseguiu energia, força e alegria em dose mais do que suficiente para se transformar numa adolescente feliz, de bem com a vida, estudiosa e sonhadora. Mesmo sem que quase ninguém entendesse o que ela fala, mesmo sorrindo um sorriso torto.
Virei madrinha dela. Temos as mesmas paixões, alguns gostos musicais em comum, a mesma mania de reclusão quando algo espeta demais, incomoda em demasia, dói além da conta. Quando vinha ao Rio, ela se hospedava comigo. "Vestibular" é a única idéia que está em sua cabeça - mais do que Carlos Henrique, o namorado que vê naquela boca cheia de cicatrizes a fonte das coisas mais bonitas e doces que uma jovem pode dizer.
Carolina é o nome dela. Carol está internada numa UTI de um hospital de Salvador desde sábado, quando teve uma parada cardíaca durante sua milésima cirurgia para correção da boca.
Carol é lutadora, e eu sei que ela vai sair dessa.
quinta-feira, novembro 01, 2007
quarta-feira, outubro 31, 2007
Rio 354626374888,7 graus
Hum... Com licença... Oi?
Deus?
Dá pra fazer um pouco mais de calor? Sabe o que é, eu usei henna faz dois dias e como no começo ela escorre quando o cabelo está molhado... Bem, eu estou suando marrom dourado-avermelhado mas até agora só pingou atrás das orelhas. E ninguém está vendo. Dá pra aumentar a fornalha? Aí o suor escorre da testa e todo mundo pode ver a mulher que sua - ops, transpira. A mulher (Educada. Fina. Fashion. Essa sou eu.) que transpira colorido.
E dá pra ser pra hoje?
Valeu.
Deus?
Dá pra fazer um pouco mais de calor? Sabe o que é, eu usei henna faz dois dias e como no começo ela escorre quando o cabelo está molhado... Bem, eu estou suando marrom dourado-avermelhado mas até agora só pingou atrás das orelhas. E ninguém está vendo. Dá pra aumentar a fornalha? Aí o suor escorre da testa e todo mundo pode ver a mulher que sua - ops, transpira. A mulher (Educada. Fina. Fashion. Essa sou eu.) que transpira colorido.
E dá pra ser pra hoje?
Valeu.
segunda-feira, outubro 29, 2007
Mais um dia
O encontro era megaüberplusimportante. Então, acordei de madrugada pra tomar um belo banho, escolher a roupa com cuidado (atenção para a blusa com ares japoneses adquirida num brechó "sou-antenada-sou-chique-E-sou-pão-dura" de cetim fosco verde), dar um upgrade na fachada e arrumar o cabelo - que está comprido o suficiente pra eu finalmente usar meu palito de laca vermelha pra prender um coque. No escuro consegui me arrumar e arrumar as meninas. Saímos amanhecendo de casa. Despejei meus tesouros sonolentos na escola e rumei pro Recreio.
O motorista do táxi me olhava pelo retrovisor de tempos em tempos, e minha auto-estima ia às alturas. "Puxa vida, tô bonita, tô maquiada, tô penteada e tô cheirosinha. Resumindo, tô podendo."
Saltei do carro, chequei a montação (nada esburacado, nada manchado de pasta de dentes, nada com fio puxado, nada do avesso, nenhuma bola-de-rímel-no-canto-do-olhos, dentes ok) e fui confiante. Atravessei uma enorme praça, entrei no prédio, esperei na fila do elevador e adentrei o dito de queixo em pé.
Meu andar era o último - o 28º. Sozinha, me virei para dar uma última ajeitada nas sobrancelhas - e descobri que estava com um pincel das meninas, de cabo vermelho e ainda grudado de tinta, a prender meu coque estiloso.
O motorista do táxi me olhava pelo retrovisor de tempos em tempos, e minha auto-estima ia às alturas. "Puxa vida, tô bonita, tô maquiada, tô penteada e tô cheirosinha. Resumindo, tô podendo."
Saltei do carro, chequei a montação (nada esburacado, nada manchado de pasta de dentes, nada com fio puxado, nada do avesso, nenhuma bola-de-rímel-no-canto-do-olhos, dentes ok) e fui confiante. Atravessei uma enorme praça, entrei no prédio, esperei na fila do elevador e adentrei o dito de queixo em pé.
Meu andar era o último - o 28º. Sozinha, me virei para dar uma última ajeitada nas sobrancelhas - e descobri que estava com um pincel das meninas, de cabo vermelho e ainda grudado de tinta, a prender meu coque estiloso.
quinta-feira, outubro 25, 2007
quarta-feira, outubro 24, 2007
Pensamentos despenteados para dias de temporal*
Odeio luz artificial. Quando chove torrencialmente e não há santo que mande o sol faço tudo na penumbra. Têm coisas, momentos, dias que a gente não deve estragar com insignificâncias civilizadas, como luz elétrica.
Redescobrir músicas que não achávamos assim grande coisa (ouvíamos sem entendê-la) é a afirmação inegável que nos tornamos melhor com o passar dos anos (com raríssimas exceções, reconheço).
Eu tenho uma blusa (uma bata, para ser mais exata) que eu visto quando acho - acho, não tenho certeza - que engordei. É batata: é entrar no vagão do metrô e alguém dar lugar pra grávida. Assim sendo, há duas semanas azeitei esteira, halteres, supinos & remos. Eu, que nunca tive barriga, sinto-me frontalmente (com trocadilho e redundância) afrontada.
Descobrir livros de que ninguém ouviu falar é a afirmação inegável que a gente se torna mais seletivo com o passar dos anos (com raríssimas exceções, reconheço).
De todas as coisas boas que um bom namoro traz, uma única me faz uma falta atroz: aquele momento, milésimos de nanossegundos, que antecede um beijo terno.
Principalmente em dias assim, de temporal.
* Thanks, Nemo ;o)
Redescobrir músicas que não achávamos assim grande coisa (ouvíamos sem entendê-la) é a afirmação inegável que nos tornamos melhor com o passar dos anos (com raríssimas exceções, reconheço).
Eu tenho uma blusa (uma bata, para ser mais exata) que eu visto quando acho - acho, não tenho certeza - que engordei. É batata: é entrar no vagão do metrô e alguém dar lugar pra grávida. Assim sendo, há duas semanas azeitei esteira, halteres, supinos & remos. Eu, que nunca tive barriga, sinto-me frontalmente (com trocadilho e redundância) afrontada.
Descobrir livros de que ninguém ouviu falar é a afirmação inegável que a gente se torna mais seletivo com o passar dos anos (com raríssimas exceções, reconheço).
De todas as coisas boas que um bom namoro traz, uma única me faz uma falta atroz: aquele momento, milésimos de nanossegundos, que antecede um beijo terno.
Principalmente em dias assim, de temporal.
* Thanks, Nemo ;o)
terça-feira, outubro 23, 2007
Fúria e folia
Na praça aberta sou um colar de livres pensamentos...
Eu trabalho para o nada espalhado pelo chão.
Eu trabalho para o nada espalhado pelo chão.
I love rock 'n' roll

I saw him dancin' there by the record machine
I knew he must a been about seventeen
The beat was goin' strong
Playin' my favorite song
An' I could tell it wouldn't be long
Till he was with me, yeah me, singin'
I love rock n' roll
So put another dime in the jukebox, baby
I love rock n' roll
So come an' take your time an' dance with me
He smiled so I got up and' asked for his name
That don't matter, he said,
'Cause it's all the same
Said can I take you home where we can be alone
An' next we were movin' on
He was with me, yeah me
Next we were movin' on
He was with me, yeah me, singin'
I love rock n' roll
So put another dime in the jukebox, baby
I love rock n' roll
So come an' take your time an' dance with me
Said can I take you home where we can be alone
An we'll be movin' on
An' singin' that same old song
Yeah with me, singin'
I love rock n' roll
So put another dime in the jukebox, baby
I love rock n' roll
So come an' take your time an' dance with me
* Estou te esperando :o)
Spam nosso de cada dia*
Um dia quiseram ver quem era o melhor: o MacGyver, o Jack Bauer ou o Capitão Nascimento.
Chegaram pro MacGyver e falaram: "A gente soltou um coelho nessa floresta. Encontre-o mais rápido que os outros e você será considerado o melhor!" MacGyver pegou uma moeda de 5 centavos no chão, um graveto e uma pedra e entrou na floresta. Demorou 2 dias pra construir um detector de coelhos na floresta e voltou no terceiro dia com o coelho.
Daí chegaram pro Jack Bauer e falaram a mesma coisa. Ele entrou correndo na floresta, e 24 horas depois apareceu com o coelho. Durante a operação, desarmou 5 bombas nucleares, recuperou 10 armas químicas, escapou de um navio cargueiro e foi pra China matar 100 terroristas.
Pediram então para o Capitão Nascimento ir buscar o coelho. Se ele demorasse menos de 24 horas, seria o melhor. E ele respondeu:
- Tá de sacanagem comigo, 05? Ce tá de sacanagem comigo? Você acha que eu tenho um dia inteiro a perder com essa porra de coelho, 05? Tu é um mo-le-que! MO-LE-QUE, 05!!!
Virou para a floresta e gritou:
- Pede pra sair! Pede pra sair, cambada!
Em menos de cinco segundos, já tinham saído da floresta 300 coelhos, 20 jaguatiricas, 50 jacarés, Robin Hood, 1000 paca-tatu-cotia-não, o Shrek e uma preguiça correndo a 40 km por hora.
Daí ele gritou:
- 02, tem gente com medinho de sair da floresta, 02! Tem gente com medinho de sair da floresta, 02!!! 07, traz a "ponto 30".
Nisso, o Bin Laden saiu da floresta. Chorando.
* Peguei no blog da Rê que, junto com outra Re(nata), consegue espantar meu mau humor - porque, rapaz, nem eu estou me agüentando mais.
Chegaram pro MacGyver e falaram: "A gente soltou um coelho nessa floresta. Encontre-o mais rápido que os outros e você será considerado o melhor!" MacGyver pegou uma moeda de 5 centavos no chão, um graveto e uma pedra e entrou na floresta. Demorou 2 dias pra construir um detector de coelhos na floresta e voltou no terceiro dia com o coelho.
Daí chegaram pro Jack Bauer e falaram a mesma coisa. Ele entrou correndo na floresta, e 24 horas depois apareceu com o coelho. Durante a operação, desarmou 5 bombas nucleares, recuperou 10 armas químicas, escapou de um navio cargueiro e foi pra China matar 100 terroristas.
Pediram então para o Capitão Nascimento ir buscar o coelho. Se ele demorasse menos de 24 horas, seria o melhor. E ele respondeu:
- Tá de sacanagem comigo, 05? Ce tá de sacanagem comigo? Você acha que eu tenho um dia inteiro a perder com essa porra de coelho, 05? Tu é um mo-le-que! MO-LE-QUE, 05!!!
Virou para a floresta e gritou:
- Pede pra sair! Pede pra sair, cambada!
Em menos de cinco segundos, já tinham saído da floresta 300 coelhos, 20 jaguatiricas, 50 jacarés, Robin Hood, 1000 paca-tatu-cotia-não, o Shrek e uma preguiça correndo a 40 km por hora.
Daí ele gritou:
- 02, tem gente com medinho de sair da floresta, 02! Tem gente com medinho de sair da floresta, 02!!! 07, traz a "ponto 30".
Nisso, o Bin Laden saiu da floresta. Chorando.
* Peguei no blog da Rê que, junto com outra Re(nata), consegue espantar meu mau humor - porque, rapaz, nem eu estou me agüentando mais.
segunda-feira, outubro 22, 2007
...
Antigamente, planos profissionais frustrados botavam lenha na fogueira do meu empenho - um "não rolou" era suficiente para me fazer trabalhar em dobro e conquistar em triplo.
Hoje, um "não" me paralisa. E eu me vejo em pé, no meio do fogo, sem saber o que fazer - esperando que caia do céu a chuva providencial que, obviamente, não virá.
Hoje, um "não" me paralisa. E eu me vejo em pé, no meio do fogo, sem saber o que fazer - esperando que caia do céu a chuva providencial que, obviamente, não virá.
sexta-feira, outubro 19, 2007
...
Meu advogado ligou pra avisar que na primeira semana se novembro é a audiência de julgamento da pensão de alimentos para as meninas.
Sabe, é como um processo criminal, em que você conta, fala, narra o que aconteceu, conta mais uma vez, explica e tira centenas de cópias e elabora uma dúzia de dossiês provando que 2.654.384.647.897.004 despesas x 83.987.888.789.980 contas não dará jamais os R$ 300 pagos de pensão para duas meninas.
Cansa, desgasta, tira o sono e acaba gerando aquela vontade de jogar tudo pro alto e dizer "Já banquei até hoje, continuo bancando". Mas aí vem a lembrança dos fins de semana trabalhando feito uma condenada, os sapos engolidos a seco, os pagamentos atrasados (como já virou costume todos os meses, longe ficou o teórico dia 5 para o fictício recebimento da nota), os programas não realizados, as roupas não compradas, os livros e CDs deixados de lado. Os dias de andar até em casa, as mentirinhas contadas para as meninas quando a falta de dinheiro adia até mesmo o picolé na esquina. Eu lembro disso tudo e vejo o relógio novo no pulso, a calça diferente, o carro novo, as novidades que as meninas contam sobre a casa nova do pai no condomínio perto da praia.
Vingança e ressentimento jamais deveriam servir de incentivo para nada nem ninguém.
Sabe, é como um processo criminal, em que você conta, fala, narra o que aconteceu, conta mais uma vez, explica e tira centenas de cópias e elabora uma dúzia de dossiês provando que 2.654.384.647.897.004 despesas x 83.987.888.789.980 contas não dará jamais os R$ 300 pagos de pensão para duas meninas.
Cansa, desgasta, tira o sono e acaba gerando aquela vontade de jogar tudo pro alto e dizer "Já banquei até hoje, continuo bancando". Mas aí vem a lembrança dos fins de semana trabalhando feito uma condenada, os sapos engolidos a seco, os pagamentos atrasados (como já virou costume todos os meses, longe ficou o teórico dia 5 para o fictício recebimento da nota), os programas não realizados, as roupas não compradas, os livros e CDs deixados de lado. Os dias de andar até em casa, as mentirinhas contadas para as meninas quando a falta de dinheiro adia até mesmo o picolé na esquina. Eu lembro disso tudo e vejo o relógio novo no pulso, a calça diferente, o carro novo, as novidades que as meninas contam sobre a casa nova do pai no condomínio perto da praia.
Vingança e ressentimento jamais deveriam servir de incentivo para nada nem ninguém.
terça-feira, outubro 16, 2007
Eu odeio...
... publicidade em geral e publicitários em particular. Não tudo e todos, é óbvio. Mas não sei porque, sempre tenho a impressão que todos se consideram semideuses que sabem o que é melhor pra mim. Acreditando piamente que o que eles bolam é original e, pior, condizente com o mundo em que vivemos. E não, não estou falando das mulheres e homens maravilhosos dos sempre-iguais anúncios de perfumes Givenchy/Chloé/Carolina Herrera & similares.

Estou falando do Bernard chegando em casa e dizendo "A minha família não é diferente da sua: a gente também faz compras." Eu queria saber em que supermercado, porque sacolas de papel não são usadas no Brasil há 20 anos (aliás, personagens de anúncios que vão ao supermercado têm um que é só deles; ninguém chega em casa carregando sacolinhas de plástico vagabundo que de tão finas são usadas umas dentro das outras).

Estou falando daquela mãe que assiste, impávido colosso, o filho detonar uma camiseta pra fazer uma bandagem no pé enlameado da pobre menina que torceu o pé - se acontecesse na vida real, ela ia descer a encosta descabelada gritando "Mas que diabos ('diabos' se ela fosse uma mãe controlada; se mais normal fosse era 'merda', mesmo) você está fazendo com a sua camiseta?!??!??".

Estou falando de anúncios que não tem pé nem cabeça quando o assunto é o cliente, mas a assinatura da agência é de grife - e a gente faz um malabarismo mental pra ligar a história da lágrima com o cartão de crédito: a pessoa chora quando vai ao teatro e a lágrima só apareceu porque a pessoa conseguiu comprar o ingresso com o cartão de crédito?

Estou falando dos anúncios que mostram a mulher (leeenda) acordando e fazendo compras e passeando com a filha e indo pro trabalho (pasmem, ela é médica - e de hospital) e malhando numa esteira e saindo à noite pra jantar e emendando numa festa e chegando em casa ma-ra-vi-lho-sa porque toma a suplemento vitamínico X. O dia dela também deve tomar, porque ali não tem nem morta 24 horas. Pelo menos, não terrestres.
Só pra ficarmos em TV.
E se você vier me falar de conceito juro que bloqueio o seu IP!
As imagens eu peguei aqui - um blog muito legal onde você pode ver boa propaganda - sim, ela existe.

Estou falando do Bernard chegando em casa e dizendo "A minha família não é diferente da sua: a gente também faz compras." Eu queria saber em que supermercado, porque sacolas de papel não são usadas no Brasil há 20 anos (aliás, personagens de anúncios que vão ao supermercado têm um que é só deles; ninguém chega em casa carregando sacolinhas de plástico vagabundo que de tão finas são usadas umas dentro das outras).

Estou falando daquela mãe que assiste, impávido colosso, o filho detonar uma camiseta pra fazer uma bandagem no pé enlameado da pobre menina que torceu o pé - se acontecesse na vida real, ela ia descer a encosta descabelada gritando "Mas que diabos ('diabos' se ela fosse uma mãe controlada; se mais normal fosse era 'merda', mesmo) você está fazendo com a sua camiseta?!??!??".

Estou falando de anúncios que não tem pé nem cabeça quando o assunto é o cliente, mas a assinatura da agência é de grife - e a gente faz um malabarismo mental pra ligar a história da lágrima com o cartão de crédito: a pessoa chora quando vai ao teatro e a lágrima só apareceu porque a pessoa conseguiu comprar o ingresso com o cartão de crédito?

Estou falando dos anúncios que mostram a mulher (leeenda) acordando e fazendo compras e passeando com a filha e indo pro trabalho (pasmem, ela é médica - e de hospital) e malhando numa esteira e saindo à noite pra jantar e emendando numa festa e chegando em casa ma-ra-vi-lho-sa porque toma a suplemento vitamínico X. O dia dela também deve tomar, porque ali não tem nem morta 24 horas. Pelo menos, não terrestres.
Só pra ficarmos em TV.
E se você vier me falar de conceito juro que bloqueio o seu IP!
As imagens eu peguei aqui - um blog muito legal onde você pode ver boa propaganda - sim, ela existe.
quinta-feira, outubro 11, 2007
Farra de madrugada
Quando criança, era esperar Papai Noel.
Quando pré-adolescente, era assistir è entrega do Oscar escondido.
Jovem, resumia-se a experimentar um barzinho novo a cada noite, usando a roupa comprada numa Yes, Brazil da vida pela manhã (Fórum de Ipanema, ever)
Adulta, era transar horas, tomar café da manhã e ir trabalhar sentindo que a calçada era a passarela da Victoria's Secret - cabelos e pele na capa da Vogue inglesa.
Hoje, é assar e confeitar dois bolos de chocolate até as quatro da manhã - e dormir em cima do teclado do computador.
Decadência, acho, é a palavra perfeita para esta ocasião.
Quando pré-adolescente, era assistir è entrega do Oscar escondido.
Jovem, resumia-se a experimentar um barzinho novo a cada noite, usando a roupa comprada numa Yes, Brazil da vida pela manhã (Fórum de Ipanema, ever)
Adulta, era transar horas, tomar café da manhã e ir trabalhar sentindo que a calçada era a passarela da Victoria's Secret - cabelos e pele na capa da Vogue inglesa.
Hoje, é assar e confeitar dois bolos de chocolate até as quatro da manhã - e dormir em cima do teclado do computador.
Decadência, acho, é a palavra perfeita para esta ocasião.
Destino

"Todas nós somos princesas", disse Catatau
"E quando crescemos viramos rainhas", acrescentou Zé Colméia.
"E quando ficamos velhas?", perguntei eu.
"Aí seremos fadas", explicou uma. "Ou bruxas", completou a outra.
Espero que nada disso se perca (apenas fique guardado com carinho dentro delas) quando minhas filhas forem adolescentes de calças de cintura baixa, esmalte de uma cor inexistente na natureza e viciadas em algum cantor.
quarta-feira, outubro 10, 2007
Só um instante
Eu sempre te ouvi, sempre te amei. Sempre estive aí.
Mas, apesar de meu coração se recusar a admitir, eu nunca serei grande o bastante.
Isso é tudo o que tenho e te dou.
Mas para você, serei sempre seu antigo e pequeno,
Jamais amor.
Perdido nos meus guardados. É engraçado como doeu escrever isso - e aí você se lembra o quanto gostou dessa pessoa, mas alguma coisa se perdeu, acabou, ficou pelo caminho. Foi-se.
E é bom que assim seja.
Mas, apesar de meu coração se recusar a admitir, eu nunca serei grande o bastante.
Isso é tudo o que tenho e te dou.
Mas para você, serei sempre seu antigo e pequeno,
Jamais amor.
Perdido nos meus guardados. É engraçado como doeu escrever isso - e aí você se lembra o quanto gostou dessa pessoa, mas alguma coisa se perdeu, acabou, ficou pelo caminho. Foi-se.
E é bom que assim seja.
segunda-feira, outubro 08, 2007
Logo ali

Uma das coisas que eu mais amava fazer era andar debaixo de temporais, principalmente para pensar num problema aparentemente sem solução (porque, como minha avó dizia, "sem solução, solucionado está"). E descobri que adoro ouvir músicas em que se pode ouvir o barulho da chuva caindo.
Ah, é. O fim do ano está chegando.
É.
N'alma

(Hoje de manhã) "Mãe, já te disse hoje que te amo demais?"
(Sábado, pelo telefone)"Nossa, quando te vi na rua... Jamais imaginei que você ia conseguir ficar mais bonita do que já era."
(Semana passada)"Pelos seus exames, seus pulmões estão ok. Mas olha lá, hein?"
(Por e-mail, há alguns meses)"Eu só queria dizer que, naquele dia, eu devia ter ficado. Terminar com você foi a maior merda que eu poderia ter feito na minha vida. Por causa do que eu fiz perdi você e a reboque, meus amigos e tudo de bom que eu vivi na faculdade. Poderia ter sido tudo diferente, não é? Um arrependimento que eu vou levar pro resto da vida."
quinta-feira, outubro 04, 2007
Eu confesso que...

... apaixonada®, usava uma twin-lens Rolleiflex 6x6 com filme Ilford 100 ASA pra fotografar a respiração dele nos momentos em que ele se perdia no mundo e se ausentava sem me perceber.
Copyright ® Elesbão
quarta-feira, outubro 03, 2007
Se você quer emocionar alguém...

... escreva uma carta (Australia Post)
Porque ainda existe (muita) vida inteligente no mundo da publicidade que consegue vender de maneira tão delicada um conceito antiquado como escrever cartas.
Ah, eu escrevo. Principalmente para as minhas filhas - elas têm sua própria caixa de correio, pregada na casinha de madeira na varanda.
Peguei aqui.
Eu odeio...
Inspirada na Cris e insuflada pelo meu mau humor, inauguro aqui a série "Eu odeio":
... velhinhas que atrapalham a passagem. Esse seria o nome da minha banda de rock, se eu formasse uma. Sabe? Imagina: a velhinha, ainda sacudida e fofinha, entra no ônibus cheia de sacolas de todos os tamanhos (e sempre tem uma de O Boticário, pode reparar. Nova ou usada, sempre tem uma). Inúmeros cavalheiros e cavalheiras oferecem o lugar. Ela não quer: "Vou saltar logo!" E sorri e se ajeita perto da porta com um milhar de sacolinhas pelos pés, caindo pelo corredor, por sobre o pobre que está no banco onde ela se segura. Ah, a velhinha é gordinha. Não goooorda: fofa.
Bom, ela fica ali, o ônibus vai enchendo e ela atrapalhando quem entra e quem sai - todo mundo se espremendo pra não amassar a Velhinha & seus Pacotes (ótimo nome pra outra banda de rock. Mangue beat. Anota aí.). Aí ela pede ao gentil jovem cheio de cadernos e livros e mochila pesada & precariamente equilibrado ao lado dela que ele puxe a cordinha do sinal que ela vai descer. Vai andando, pedindo licencinha entre sorrisos - atrás dela tem um mooonte de gente também se preparando pra descer, naquele movimento de troca de lugar das massas em ônibus cheio. Ela faz que desce mas não desce, se vira pro motorista e pergunta: "Tem um ponto mais perto do lugar tal?" O motorista responde: "Tem, sim". "Ah, então eu vou descer lá."
E volta pro lugar, e o motorista fecha a porta e já começa a partir antes de ouvir os gritos da turba que quer descer mas não pode - porque no caminho tem uma Velhinha que Atrapalha a Passagem.
Eu odeio Velhinhas que Atrapalham a Passagem.
... velhinhas que atrapalham a passagem. Esse seria o nome da minha banda de rock, se eu formasse uma. Sabe? Imagina: a velhinha, ainda sacudida e fofinha, entra no ônibus cheia de sacolas de todos os tamanhos (e sempre tem uma de O Boticário, pode reparar. Nova ou usada, sempre tem uma). Inúmeros cavalheiros e cavalheiras oferecem o lugar. Ela não quer: "Vou saltar logo!" E sorri e se ajeita perto da porta com um milhar de sacolinhas pelos pés, caindo pelo corredor, por sobre o pobre que está no banco onde ela se segura. Ah, a velhinha é gordinha. Não goooorda: fofa.
Bom, ela fica ali, o ônibus vai enchendo e ela atrapalhando quem entra e quem sai - todo mundo se espremendo pra não amassar a Velhinha & seus Pacotes (ótimo nome pra outra banda de rock. Mangue beat. Anota aí.). Aí ela pede ao gentil jovem cheio de cadernos e livros e mochila pesada & precariamente equilibrado ao lado dela que ele puxe a cordinha do sinal que ela vai descer. Vai andando, pedindo licencinha entre sorrisos - atrás dela tem um mooonte de gente também se preparando pra descer, naquele movimento de troca de lugar das massas em ônibus cheio. Ela faz que desce mas não desce, se vira pro motorista e pergunta: "Tem um ponto mais perto do lugar tal?" O motorista responde: "Tem, sim". "Ah, então eu vou descer lá."
E volta pro lugar, e o motorista fecha a porta e já começa a partir antes de ouvir os gritos da turba que quer descer mas não pode - porque no caminho tem uma Velhinha que Atrapalha a Passagem.
Eu odeio Velhinhas que Atrapalham a Passagem.
sexta-feira, setembro 28, 2007
Solidão
Lendo um dos posts que a Renata escreveu - que fala das pessoas que escrevem para colunas de orientação médica e legal que todo jornal tem - fiquei, como dizer? - triste em ver como todos os comentários riam disso. Ah, sim, o texto é engraçado, e os comentários refletem a dúvida (quase uma piada) que a Renata expôs no fim: "Por que as pessoas continuam escrevendo esse tipo de carta para os jornais, se a resposta sempre é 'procure o seu médico'?"
Eu respondi: "As cartas não são falsas. Elas chegam naqueles envelopes aéreos, escritas a caneta (os mais caprichosos batem à maquina) e com a letra meio torta. Muitas com erros de português.
Sabe, desculpe, mas não é engraçado. O jornal publica apenas o essencial, mas quando você lê a carta toda nota que dali se desprende uma imensa solidão. São pessoas de meia-idade que não querem se mostrar dependentes dos filhos, vão ao médico sozinhas e ouvem um "vamos ver depois dos exames" que não explica o porquê da visão dupla, da dor no pescoço, dos vômitos constantes.
É o cara que fez a duras penas o Primeiro Grau, tem um emprego e um plano de saúde meia-boca cujo médico tem que atender muita gente, R$ 24 por cabeça.
As respostas às cartas são, na verdade, uma maneira de clarear a visão que o leitor tem de sua doença. Mas houve casos em que o médico me ligou e disse: 'Essa pessoa que escreveu essa carta está com câncer no estômago. E, pelos sintomas, é terminal. Como o médico dela não explicou nada?' E o que você faz?
É triste - uma pessoa que tem que recorrer à seção de um jornal para que alguém diga, finalmente, de que maneira ela poderá viver nos próximos meses."
Altas horas da noite ou naqueles momentos mortos do fim de semana, todo repórter de plantão já recebeu uma ligação de uma velhinha que quer comentar alguma notícia, ou perguntar o que vai ser a capa do jornal no dia seguinte. Me lembro de uma em particular que dizia que tinha sido "namoradinha" (palavras dela) do Roberto Marinho. Uma vez a seção do jornal em que eu trabalhava recebeu uma carta de uma moça de São Gonçalo endereçada à editora. Ela pedia apenas que minha editora respondesse "porque eu não tenho ninguém com quem conversar e preciso disso muito." Gente que não tem dinheiro pra pagar advogado ou um especialista e já enfrentou a humilhação de ficar horas à espera de um estagiário que acha tão divertido tirar duas horas de almoço. Ou é tratado feito incapacitado pelos filhos, ou tem vergonha de contar àquele médico tão cheio de pose que o remédio de R$ 200 não funcionou.
E você sempre se sente culpado porque simplesmente não pode resolver o problema que realmente está nas entrelinhas daquelas cartas.
Eu respondi: "As cartas não são falsas. Elas chegam naqueles envelopes aéreos, escritas a caneta (os mais caprichosos batem à maquina) e com a letra meio torta. Muitas com erros de português.
Sabe, desculpe, mas não é engraçado. O jornal publica apenas o essencial, mas quando você lê a carta toda nota que dali se desprende uma imensa solidão. São pessoas de meia-idade que não querem se mostrar dependentes dos filhos, vão ao médico sozinhas e ouvem um "vamos ver depois dos exames" que não explica o porquê da visão dupla, da dor no pescoço, dos vômitos constantes.
É o cara que fez a duras penas o Primeiro Grau, tem um emprego e um plano de saúde meia-boca cujo médico tem que atender muita gente, R$ 24 por cabeça.
As respostas às cartas são, na verdade, uma maneira de clarear a visão que o leitor tem de sua doença. Mas houve casos em que o médico me ligou e disse: 'Essa pessoa que escreveu essa carta está com câncer no estômago. E, pelos sintomas, é terminal. Como o médico dela não explicou nada?' E o que você faz?
É triste - uma pessoa que tem que recorrer à seção de um jornal para que alguém diga, finalmente, de que maneira ela poderá viver nos próximos meses."
Altas horas da noite ou naqueles momentos mortos do fim de semana, todo repórter de plantão já recebeu uma ligação de uma velhinha que quer comentar alguma notícia, ou perguntar o que vai ser a capa do jornal no dia seguinte. Me lembro de uma em particular que dizia que tinha sido "namoradinha" (palavras dela) do Roberto Marinho. Uma vez a seção do jornal em que eu trabalhava recebeu uma carta de uma moça de São Gonçalo endereçada à editora. Ela pedia apenas que minha editora respondesse "porque eu não tenho ninguém com quem conversar e preciso disso muito." Gente que não tem dinheiro pra pagar advogado ou um especialista e já enfrentou a humilhação de ficar horas à espera de um estagiário que acha tão divertido tirar duas horas de almoço. Ou é tratado feito incapacitado pelos filhos, ou tem vergonha de contar àquele médico tão cheio de pose que o remédio de R$ 200 não funcionou.
E você sempre se sente culpado porque simplesmente não pode resolver o problema que realmente está nas entrelinhas daquelas cartas.
quinta-feira, setembro 27, 2007
Eu confesso que...
... chegando altas horas da noite em casa, a difícil escolha entre comer ou tomar banho é resolvida rapidamente: dormir sem nem escovar os dentes.
Mais mistérios inexplicáveis do sobrenatural
O autor do livro é português. O diretor é brasileiro. Entre os muitos colaboradores há uma produtora brasileira. Boa parte do filme será rodada em São Paulo. Metade da equipe é de brasileiros.
Alguém pode me dizer por que todo mundo chama o filme de "Blindness" (até o Fernando Meirelles no seu blog, que está sendo escrito em português) e não "Ensaio sobre a cegueira"? E não me venha com essa história de que "é uma produção internacional". Antes de estrear aqui todo mundo já falava de "O jardineiro fiel". O livro em que esse filme é baseado é de um inglês (John le Carré), e nem por isso você dizia que ia ver a "The constant gardener".
Velhice, rabugice etc. É, tô sabendo.
Alguém pode me dizer por que todo mundo chama o filme de "Blindness" (até o Fernando Meirelles no seu blog, que está sendo escrito em português) e não "Ensaio sobre a cegueira"? E não me venha com essa história de que "é uma produção internacional". Antes de estrear aqui todo mundo já falava de "O jardineiro fiel". O livro em que esse filme é baseado é de um inglês (John le Carré), e nem por isso você dizia que ia ver a "The constant gardener".
Velhice, rabugice etc. É, tô sabendo.
terça-feira, setembro 25, 2007
Mistérios inexplicáveis do sobrenatural
Eu tenho uma agenda e dois cadernos de anotações. Checo meus e-mails pelo celular. Na geladeira tenho, escrita em duas folhas de papel A4, a rotina das crianças - que sabem de cor endereços e telefones de emergência e dos parentes, além de terem decorado as dosagens e os nomes dos remédios que mais usam.
Mantenho atualizado um cadastro de serviços de entrega em domicílio (incluindo 24 horas), cooperativas de táxi e moto, entregas expressas (municipais, estaduais e nacionais), agências de viagens, colaboradores (babás, cozinheiras, faxineiras, motoristas) etc.
Todo o material necessário para o meu trabalho pode ser acessado através de qualquer computador.
Todo e qualquer documento referente à minha saúde, à saúde das meninas e à saúde dos cachorros (receitas, cadernetas de vacinação) estão guardados em pastas.
Então por que tudo acaba ficando para os 48 minutos do segundo tempo da prorrogação da final?
Mantenho atualizado um cadastro de serviços de entrega em domicílio (incluindo 24 horas), cooperativas de táxi e moto, entregas expressas (municipais, estaduais e nacionais), agências de viagens, colaboradores (babás, cozinheiras, faxineiras, motoristas) etc.
Todo o material necessário para o meu trabalho pode ser acessado através de qualquer computador.
Todo e qualquer documento referente à minha saúde, à saúde das meninas e à saúde dos cachorros (receitas, cadernetas de vacinação) estão guardados em pastas.
Então por que tudo acaba ficando para os 48 minutos do segundo tempo da prorrogação da final?
quinta-feira, setembro 20, 2007
...
Mistérios inexplicáveis do sobrenatural
Por que o cabelo de toda demonstradora de tintura é tenebrosamente mal pintado, seco e sem corte?
Por que toda atendente de salão de cabeleireiro responsável pela depilação de sobrancelhas tem as suas medonhamente desenhadas?
Por que toda atendente de salão de cabeleireiro responsável pela depilação de sobrancelhas tem as suas medonhamente desenhadas?
quarta-feira, setembro 19, 2007
Imaginemos...
... que você pega o elevador na garagem. Entra, aperta o seu número e fica ali encostada no fundo. Aí de repente entra um dos pedreiros que estão fazendo obras no telhado do edifício. O cara tá imundo, com aquelas roupas esfarrapadas de pedreiro. Tá um calor danado e ele não está cheirando exatamente a jasmim recém-colhido. Ele vem carregando um montão de coisas (incluindo um saco de cimento branco debaixo do braço) e você, educada, pergunta: "Vai para o último andar?". E olha pra ele. E ele é lindo.
Lindo.
E ele diz um "É, o último." E sorri. E, pasmem, o sorriso também é lindo.
Lindo.
Eu desci também no último andar. É o andar do apartamento dos meus pais.
E então, imaginemos... Sei lá o que imaginemos. Tô passada até agora.
Lindo.
E ele diz um "É, o último." E sorri. E, pasmem, o sorriso também é lindo.
Lindo.
Eu desci também no último andar. É o andar do apartamento dos meus pais.
E então, imaginemos... Sei lá o que imaginemos. Tô passada até agora.
segunda-feira, setembro 17, 2007
UK rocks!

Um dia a Cris me perguntou quem era Helen Mirren - essa atriz que eu conheci numa das primeiras temporadas de "Prime suspect". Eu sempre achei que, tirando meu ex-marido, a audiência dessa série inglesa no Brasil fosse inexistente. Continuo sem saber se tem mais gente que prefere esse estilo mais seco e humano de errar dos ingleses ao salto alto da polícia americana.
Porque os ingleses erram a lot. Hoje eu sou viciada em "Life on Mars" - e estou desoladérrima em saber que a série só tem duas temporadas. Não por falta de audiência, mas porque, acredito eu, o tema central se perderia se a série tivesse oito temporadas. No meio do caminho ia ter gente perguntando "Mas como ele foi parar aí, mesmo?". A primeira temporada terminou agora, e como eu perdi alguns episódios vou começar a perguntar na locadora se eles vão comprar a caixa da primeira temporada.
Séries policiais inglesas são melhores do que as americanas por um fator fundamental: o policial que tem cara de fodão (desculpem o palavrão mas é essa a cara de um policial americano - AKA Horatio Caine em "CSI: Miami") é tããããão sacaneado! Coitado. Porque policiais ingleses são homens torturados, cheios de conflitos porque têm que ser certinhos em nome de Sua Majestade e, ao mesmo tempo, sabem ser muito, mas muito fdp - mais do que os americanos (e olha que eu assisto também "The Shield", com os policiais mais fdp da TV).
Tomemos "Criminal minds". Eu já eviscerei a net buscando o nome do seriado inglês* que passava num Hallmark Channel da vida que tinha essa premissa: um cara que ajudava a polícia buscando pensar como o assassino (eram sempre assassinos, cada um mais doidão que o outro). Ele ficava no meio do departamento de polícia, escrevendo num imenso quadro. Enquanto os policiais corriam fazendo o trabalho braçal, ele ia anotando as pistas nesse quadro e, depois, se sentava em frente a ele e ficava somente... pensando. E muitas vezes ele deduzia alguma coisa que se mostrava, depois, muito, MUITO errada. No primeiro episódio a gente sabe que ele, antes de começar a fazer esse trabalho para a polícia, estava trancado num manicômio (não me lembro o porquê).
Bem, isso pra dizer que ele não tinha aquele ar de "minha mente fervilha de pensamentos obscuros" que aquele policial de "Criminal minds" tem. Não tinha equipe tecnologicamente up nem ninguém usava seus celulares de maneira tão frenética. Mas era viciante. Porque a gente sabia que o cara que estava analisando a mente do criminoso estava tentando (a palavra é essa: tentando) interpretar as pistas e sinais que o assassino largava pelo caminho - e, dessa maneira, ficar um passo à frente dele. A capitã, chefe de polícia, às vezes concordava, às vezes discordava, às vezes entrava bem (um dos erros do psicólogo quase fez milady falecer no banheiro, com a garganta cortada). Os policiais muitas vezes levavam na galhofa o que ele achava, muitas vezes não diziam nenhuma palavra: levantavam e iam seguir a pista que ele indicava.
Agora que "Life on Mars" acabou, vou ter que começar a procurar outro policial inglês pra me viciar.
* Update: A Solange me deu o nome dessa série: é "Wire in the blood", já vai entrar na quinta temporada e agora passa na HBO. Aqui você vê o thriller de estréia. Eu te amo, Solange :o).
Também quero!
![]() | My Peculiar Aristocratic Title is: Lady Madame Suzana the Omnipresent of Pigotts Sty Get your Peculiar Aristocratic Title |
Eu sou madame, você não é, eu sou madame, você não éééé!!!
quinta-feira, setembro 13, 2007
terça-feira, setembro 11, 2007
Oh my God, oh my God, oh my God, it's him!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Eu já falei aqui que gosto muito de um cantor anos 70/80/90 que, para mim, é uma das mais belas vozes que eu já ouvi. Então. Eu freqüento algumas comunidades sobre ele (o que eu também já falei aqui) e a discussão agora é "Deixem o cara em paz, porque ele quer garantir sua privacidade". Ok, concordo. Não estou interessada na marca de macarrão que ele gosta, se ele tem uma filha ou o que a mãe disse antes de morrer nos braços dele - mas quem começou a discussão ainda acrescentou "DJs, repórteres, mídia em geral, parem de perguntar se ele vai voltar para a banda."
E aí vamos por partes. Os fãs continuam comprando os "Greatest hits" que a Sony lança a cada ano (o próximo é um "Hits Plus" que deve sair até o fim do ano) - só um deles vende 500 mil cópias anuais, sem contar os "Essencial", "Best Balladas" and "Special box" da vida. Existem comunidades no Orkut, fóruns em profusão, sites para troca de músicas e fotos e todo aquele yadda yadda de fã.
O sonho de todos os fãs da banda é ver seu vocalista-mór de volta. Fãs que se metem em batalhas sangrentas por músicas não-lançadas, por fotos antigas (nooossa, essa briga é de lascar; todo mundo pega fotos nos sites & blogs de todo mundo, mas uns e outros acham que uma vez achado não é roubado e tascam um "Property of XXX" na foto e ai de quem reclamar), por shows inéditos. Tópicos são lacrados quando a baixaria rola (e muitas vezes rola mesmo). E quando este ano a banda despede seu vocalista atual nenhum jornalista vai correr lá e perguntar "Mister, agora você volta?"?
O sentimento que eu tenho é que ser fã é uma coisa muito louca. Todos são mais reais que o próprio rei. Não se pode falar em absoluto sobre a vida pessoal da reverenda criatura, mas todas se sentem à vontade para comentar, com desenvoltura e nos mínimos detalhes, o que ele tem dentro das calças e fazer fotomontagens da joalheria do moço, carinhosamente apelidada de "Lefty" (o "moço" hoje soma 58 anos and a half).
Ele é meu e ninguém tasca - "Eu estudei com ele e ele me pedia para jamais cortar meus louros e longos cabelos"; "Eu fui apresentada a ele por um amigo há 15 anos", "Eu o vi tomando café da manhã e ele é sooooooooooooooooo cute!"... Os fóruns são aldeias medievais sempre em guerra umas com as outras. São precisos codinomes, senhas, identidades duplas, comportamento de agente secreto numa Alemanha dividida pelo Muro se você quiser sobreviver neles (e, se conseguir, parabéns: uma vez lá dentro é muuuuito divertido ver como o mundo, mesmo com a alardeada globalização, tem tantas e profundas diferenças culturais). Eu, por exemplo (junto com outra fã brasileira), sou alvo de inveja profunda por falar português - o dito é de família portuguesa.
E o homem continua, impávido colosso, assinando fotos e encartes de CDs onde aparece jovem, com sua camiseta característica, seus cabelos longos, em pleno ato de alcançar aquelas notas maravilhosas.
Se ele volta? I hope so.
E aí vamos por partes. Os fãs continuam comprando os "Greatest hits" que a Sony lança a cada ano (o próximo é um "Hits Plus" que deve sair até o fim do ano) - só um deles vende 500 mil cópias anuais, sem contar os "Essencial", "Best Balladas" and "Special box" da vida. Existem comunidades no Orkut, fóruns em profusão, sites para troca de músicas e fotos e todo aquele yadda yadda de fã.
O sonho de todos os fãs da banda é ver seu vocalista-mór de volta. Fãs que se metem em batalhas sangrentas por músicas não-lançadas, por fotos antigas (nooossa, essa briga é de lascar; todo mundo pega fotos nos sites & blogs de todo mundo, mas uns e outros acham que uma vez achado não é roubado e tascam um "Property of XXX" na foto e ai de quem reclamar), por shows inéditos. Tópicos são lacrados quando a baixaria rola (e muitas vezes rola mesmo). E quando este ano a banda despede seu vocalista atual nenhum jornalista vai correr lá e perguntar "Mister, agora você volta?"?
O sentimento que eu tenho é que ser fã é uma coisa muito louca. Todos são mais reais que o próprio rei. Não se pode falar em absoluto sobre a vida pessoal da reverenda criatura, mas todas se sentem à vontade para comentar, com desenvoltura e nos mínimos detalhes, o que ele tem dentro das calças e fazer fotomontagens da joalheria do moço, carinhosamente apelidada de "Lefty" (o "moço" hoje soma 58 anos and a half).
Ele é meu e ninguém tasca - "Eu estudei com ele e ele me pedia para jamais cortar meus louros e longos cabelos"; "Eu fui apresentada a ele por um amigo há 15 anos", "Eu o vi tomando café da manhã e ele é sooooooooooooooooo cute!"... Os fóruns são aldeias medievais sempre em guerra umas com as outras. São precisos codinomes, senhas, identidades duplas, comportamento de agente secreto numa Alemanha dividida pelo Muro se você quiser sobreviver neles (e, se conseguir, parabéns: uma vez lá dentro é muuuuito divertido ver como o mundo, mesmo com a alardeada globalização, tem tantas e profundas diferenças culturais). Eu, por exemplo (junto com outra fã brasileira), sou alvo de inveja profunda por falar português - o dito é de família portuguesa.
E o homem continua, impávido colosso, assinando fotos e encartes de CDs onde aparece jovem, com sua camiseta característica, seus cabelos longos, em pleno ato de alcançar aquelas notas maravilhosas.
Se ele volta? I hope so.
segunda-feira, setembro 10, 2007
Sim
Eles não estão em "Nova Noiva"; não precisam de buquês artísticos nem foram feitos por fashion designers de Nova York. Eles são apenas lindos, antigos - e parecem recém-saídos de uma caixa, desembrulhados de uma nuvem de lavanda e papel de seda.

Ivory taffeta, organdy and satin, circa 1870

Charmeuse e pearl beaded lace, circa 1910

Lace with peplum and train, circa 1935

Deco patterned lace and satin, circa 1935

Beaded and embroidered voile, circa 1965
Mais vestidos aqui.
Meu sonho desde menina era me casar vestida de noiva. Podia servir qualquer vestido de noiva. Aí eu cresci e meu desejo era me casar com o vestido de noiva da minha mãe.
Eu me casei grávida, com um vestido marrom e branco, no cartório. Meu casamento faliu, mas eu ainda guardo, no fundo das minhas lembranças amareladas, o desejo - agora convertido em capricho - de me casar com um vestido de noiva antigo.

Ivory taffeta, organdy and satin, circa 1870

Charmeuse e pearl beaded lace, circa 1910

Lace with peplum and train, circa 1935

Deco patterned lace and satin, circa 1935

Beaded and embroidered voile, circa 1965
Mais vestidos aqui.
Meu sonho desde menina era me casar vestida de noiva. Podia servir qualquer vestido de noiva. Aí eu cresci e meu desejo era me casar com o vestido de noiva da minha mãe.
Eu me casei grávida, com um vestido marrom e branco, no cartório. Meu casamento faliu, mas eu ainda guardo, no fundo das minhas lembranças amareladas, o desejo - agora convertido em capricho - de me casar com um vestido de noiva antigo.
sábado, setembro 08, 2007
... para sempre
- Oi, queria saber a que horas eu posso pegar as meninas.
- Não sei, estou na emergência do hospital, a [...] quebrou o dedo mindinho do pé.
- Bom, então quando acabar aí me avisa.
Paternidade - que piada.
- Não sei, estou na emergência do hospital, a [...] quebrou o dedo mindinho do pé.
- Bom, então quando acabar aí me avisa.
Paternidade - que piada.
quarta-feira, setembro 05, 2007
Cegueira branca
(E quer saber? Se numa cena destas alguém ficar olhando para o fundo da sala para procurar erro de continuidade, merece encontrar. Um baita esforço deste para nêgo vir dizer que não gostou do filme porque o barbudinho atrás da Julianne desapareceu no segundo contraplano? Give me a break!).
"Ensaio sobre a cegueira" foi o primeiro livro que eu li do Saramago - e carrega uma fieira de simbolismos em minha vida. E não falo da escrita.
Foi minha introdução ao mundo português guiada por meu ex-marido. Tal como no título e carregando no clichê, estava eu reclinada em flores, uma recèm-casada plena de alegrias, esperanças e ilusões. Me lembro de estar terrivelmente grávida, uma barriga gigantesca andando loucamente atrás do Saramago na Bienal do Rio.
Além de marcar o início do meu casamento, "Ensaio sobre a cegueira" me traz a imagem da encosta de uma colina, por onde Saramago suavemente começou a descer em sua carreira literária - caminhando devagar, aproveitando um sol de primavera e uma brisa morna. Sem pressa, sem trauma. Apenas... caminhou verde encosta abaixo. Cada vez menos gostei do que ele escreveu depois desse livro estupendo.
O que me chamou atenção, mais do que a cena do fogo-fátuo no depósito do supermercado, foi o cão das lágrimas. Assim como o cão das escadarias de São Crispim em "História do Cerco de Lisboa", sempre aquela sombra, sempre aquela figura que, quando menos se espera, está ali.
Sua grandeza e sua importância se resumem a isso: ele sempre só está... ali.
"Ensaio sobre a cegueira" foi o primeiro livro que eu li do Saramago - e carrega uma fieira de simbolismos em minha vida. E não falo da escrita.
Foi minha introdução ao mundo português guiada por meu ex-marido. Tal como no título e carregando no clichê, estava eu reclinada em flores, uma recèm-casada plena de alegrias, esperanças e ilusões. Me lembro de estar terrivelmente grávida, uma barriga gigantesca andando loucamente atrás do Saramago na Bienal do Rio.
Além de marcar o início do meu casamento, "Ensaio sobre a cegueira" me traz a imagem da encosta de uma colina, por onde Saramago suavemente começou a descer em sua carreira literária - caminhando devagar, aproveitando um sol de primavera e uma brisa morna. Sem pressa, sem trauma. Apenas... caminhou verde encosta abaixo. Cada vez menos gostei do que ele escreveu depois desse livro estupendo.
O que me chamou atenção, mais do que a cena do fogo-fátuo no depósito do supermercado, foi o cão das lágrimas. Assim como o cão das escadarias de São Crispim em "História do Cerco de Lisboa", sempre aquela sombra, sempre aquela figura que, quando menos se espera, está ali.
Sua grandeza e sua importância se resumem a isso: ele sempre só está... ali.
segunda-feira, setembro 03, 2007
É pra acabar
Assim: se você quer terminar aquele relacionamento mas não sabe como (a gente sempre tem aquelas coisas de "não ferir os sentimentos dele" e outros surtos incuráveis) nem gosta de armar brigas homéricas, aqui vão umas dicas gastronômicas inestimáveis (pensadas na fila do banco):
- Coma bastante manga. Daquelas cujo apelido é "fiapo". Não esqueça do sorriso "Mozinho eu te amo" depois.
- Jabuticabas, note bem, devem ser mordidas com a boca entreaberta para garantir que a maior parte do sumo seja expelida à velocidade da luz no olho do amado.
- Se a opção é fast food, bata pé e vá de Bob's. Não se esqueça de pedir Bob's Burguer (e exija uma porção extra do molho verde para garantir que, na primeira mordida, o tomate caia no seu colo, a alface descambe à esquerda e a carne voe direto à frente, na camisa dele.)
- Peixe é sempre uma excelente opção. Quanto mais espinhas, melhor. É uma visão inesquecível observar o ser adorado vasculhando o interior da boca à procura daquela espinha inconveniente.
Update: Já mandaram um "Mas e o alho?" Alho é muito óbvio; você pode comer doses industriais mas NÃO NA FRENTE DELE. Porque aí fica óbvio o que você quer - e você é tudo menos óbvia, não é? Então. Coma muito, mas MUITO alho - jamais na frente dele. E não se preocupe que a ação alhística se fará sentir no doce aroma de meias não lavadas com queijo mofado que emanará de você quando começar a transpirar (porque você não sua, meu bem. Você transpira). Uma fungada no seu cangote porá nocaute o amado-mas-nem-tanto sem noção.
- Coma bastante manga. Daquelas cujo apelido é "fiapo". Não esqueça do sorriso "Mozinho eu te amo" depois.
- Jabuticabas, note bem, devem ser mordidas com a boca entreaberta para garantir que a maior parte do sumo seja expelida à velocidade da luz no olho do amado.
- Se a opção é fast food, bata pé e vá de Bob's. Não se esqueça de pedir Bob's Burguer (e exija uma porção extra do molho verde para garantir que, na primeira mordida, o tomate caia no seu colo, a alface descambe à esquerda e a carne voe direto à frente, na camisa dele.)
- Peixe é sempre uma excelente opção. Quanto mais espinhas, melhor. É uma visão inesquecível observar o ser adorado vasculhando o interior da boca à procura daquela espinha inconveniente.
Update: Já mandaram um "Mas e o alho?" Alho é muito óbvio; você pode comer doses industriais mas NÃO NA FRENTE DELE. Porque aí fica óbvio o que você quer - e você é tudo menos óbvia, não é? Então. Coma muito, mas MUITO alho - jamais na frente dele. E não se preocupe que a ação alhística se fará sentir no doce aroma de meias não lavadas com queijo mofado que emanará de você quando começar a transpirar (porque você não sua, meu bem. Você transpira). Uma fungada no seu cangote porá nocaute o amado-mas-nem-tanto sem noção.
sexta-feira, agosto 31, 2007
Até que a morte...
Estava eu contando para uma amiga que, nos dias em que a faxineira vem ao apartamento dos meus pais eu não consigo trabalhar porque ela fala sem parar. E disse a ela que estava com saudades dos meus pais se engalfinhando em silêncio. "Ah? Explica, amiga". Então:
Minha mãe tá costurando na sala com tudo espalhado na mesa. Vem meu pai, estica o braço e empurra tudo prum canto só. Ela pára, olha e empurra de volta. Ele pega coisa por coisa e vai botando num canto. Ela vai botando de volta no lugar. Ele suspira, levanta e vai na cozinha. Ela volta a costurar. Ele acende um cigarro sabendo que a fumaça vai pra sala. Ela levanta com cara de nojo e abre a janela. Ele volta e abre o jornal por cima das coisas dela. Ela rapidamente começa a tirar as coisas de debaixo do jornal e vai botando num canto da mesa. Ele vai pegando e botando de volta no lugar onde estavam. Ela suspira, deixa a costura na mesa e vai pra outra sala. Ele abre o jornal todo pra ler em cima da mesa. Ela abre o janelão da sala. O vento carrega o jornal dele. Ele desiste e dobra o jornal e vai ler no quarto.
Só quem treina quase 50 anos consegue começar e terminar uma briga cheia de picuinhas e implicâncias no mais absoluto silêncio.
Minha mãe tá costurando na sala com tudo espalhado na mesa. Vem meu pai, estica o braço e empurra tudo prum canto só. Ela pára, olha e empurra de volta. Ele pega coisa por coisa e vai botando num canto. Ela vai botando de volta no lugar. Ele suspira, levanta e vai na cozinha. Ela volta a costurar. Ele acende um cigarro sabendo que a fumaça vai pra sala. Ela levanta com cara de nojo e abre a janela. Ele volta e abre o jornal por cima das coisas dela. Ela rapidamente começa a tirar as coisas de debaixo do jornal e vai botando num canto da mesa. Ele vai pegando e botando de volta no lugar onde estavam. Ela suspira, deixa a costura na mesa e vai pra outra sala. Ele abre o jornal todo pra ler em cima da mesa. Ela abre o janelão da sala. O vento carrega o jornal dele. Ele desiste e dobra o jornal e vai ler no quarto.
Só quem treina quase 50 anos consegue começar e terminar uma briga cheia de picuinhas e implicâncias no mais absoluto silêncio.
Em outra dimensão do tempo/espaço
Da Folha Online:
"Antonio Fagundes, que não queria fazer novela tão cedo, foi convencido pela Globo a entrar em "Duas Caras", que substituirá "Paraíso Tropical". De bigode e com tatuagem (falsa) no braço, o ator será líder de uma favela."
"Antonio Fagundes, que não queria fazer novela tão cedo, foi convencido pela Globo a entrar em "Duas Caras", que substituirá "Paraíso Tropical". De bigode e com tatuagem (falsa) no braço, o ator será líder de uma favela."
terça-feira, agosto 28, 2007
...
Poucas das minhas virgindades deixaram saudades - mas uma me faz uma falta danada: a do meu cabelo.
sexta-feira, agosto 24, 2007
Terceira infância
- Pra que você tirou da mesa? Eu disse que ia usar!
- Disse nada! Não falou nada disso!
- Falei, sim! Falei, sim!
- ...
- Carácoles, vocês não podem ficar um minuto sem discutir e brigar?
- Não tenho nada pra fazer.
- Vai ler um livro - tem tantos aqui...
- Ah, não quero. Eu tô é com vontade de comer um doce, um chocolate...
- Mas não encheu o chocolate depois do almoço? Não dá pra comer toda hora, né?
- Mas eu não tenho nada pra fazer...
- Mas criatura pra que você mexeu nisso? Eu acabei - A-CA-BEI! - de arrumar!
- Mas eu não estava achando as minhas revistas...
- Sabe, eu PRECISO trabalhar e não dá pra ficar arrumando essa mesa toda santa hora!
As meninas? Ah, tão na escola. Mas meus pais não sossegam UM MINUTO!
- Disse nada! Não falou nada disso!
- Falei, sim! Falei, sim!
- ...
- Carácoles, vocês não podem ficar um minuto sem discutir e brigar?
- Não tenho nada pra fazer.
- Vai ler um livro - tem tantos aqui...
- Ah, não quero. Eu tô é com vontade de comer um doce, um chocolate...
- Mas não encheu o chocolate depois do almoço? Não dá pra comer toda hora, né?
- Mas eu não tenho nada pra fazer...
- Mas criatura pra que você mexeu nisso? Eu acabei - A-CA-BEI! - de arrumar!
- Mas eu não estava achando as minhas revistas...
- Sabe, eu PRECISO trabalhar e não dá pra ficar arrumando essa mesa toda santa hora!
As meninas? Ah, tão na escola. Mas meus pais não sossegam UM MINUTO!
Nelson Rodrigues ever
Se inveja matasse seria um sururu ali na Glória, por volta das 18h, quando eu caísse preta e dura no meio das mesinhas do Amarelinho.
Sem dar um pio. Sem nem um ai. É ver as tulipas suando e póf!
Morri.
Sem dar um pio. Sem nem um ai. É ver as tulipas suando e póf!
Morri.
...
É impressionante como as pessoas são doces ao telefone quando querem um contato importante - e com que rapidez batem o telefone na sua cara quando finalmente você fornece o número.
Voltando
Hoje eu botei uma das minhas 54.638.575.837.575 saias e uma blusinha branca basiquinha. Aí tô eu no elevador subindo e reparando o quão descabelada eu ando pela rua quando notei. Lá, debaixo do sutiã. Ele. O pneu, a dobra maldita, o acolchoado do demo.
E me peguei pensando no tempo em que eu lavava, à falta de xampu esquecido de ser reposto, meu cabelo com o ODD maçã verde da pia da cozinha e como minhas melenas ficavam macias e ma-ra-vi-lho-sas. Quando eu ensaboava o rosto com sabonete vagabundo do banheiro da faculdade e minha cútis brilhava sedosamente digna de um comercial da Clinique. Quando eu fumava, comia gordura, açúcar, refinados, dormia sem escovar os dentes às cinco da manhã vinda da noite em algum antro, tomava sol feito uma demente e era a gostosa do Posto 9 em Ipanema.
E me olhando ali, de frente ao espelho do elevador, 41 anos na cara e no corpo, só consegui ouvir a voz do Marlin, em "Procurando Nemo": "Você acha que pode fazer todas essas coisas mas você NÃO PODE, Nemo!"
Adeus, banana com Nescau.
E me peguei pensando no tempo em que eu lavava, à falta de xampu esquecido de ser reposto, meu cabelo com o ODD maçã verde da pia da cozinha e como minhas melenas ficavam macias e ma-ra-vi-lho-sas. Quando eu ensaboava o rosto com sabonete vagabundo do banheiro da faculdade e minha cútis brilhava sedosamente digna de um comercial da Clinique. Quando eu fumava, comia gordura, açúcar, refinados, dormia sem escovar os dentes às cinco da manhã vinda da noite em algum antro, tomava sol feito uma demente e era a gostosa do Posto 9 em Ipanema.
E me olhando ali, de frente ao espelho do elevador, 41 anos na cara e no corpo, só consegui ouvir a voz do Marlin, em "Procurando Nemo": "Você acha que pode fazer todas essas coisas mas você NÃO PODE, Nemo!"
Adeus, banana com Nescau.
quarta-feira, agosto 15, 2007
Por aí
Como eu não recebi, parei de trabalhar. Achei um pacote de Miojo (validade: janeiro 2007 - pelo menos é deste ano) e estou navegando pela net enquanto o Financeiro não me liga pra dizer que o depósito doi feito.
Ontem à noite, já com aquela megainsônia instalada e sem computador em casa, o jeito foi passear via controle remoto. E não é que você encontra umas coisas assim, super? Então:
- O cara mais macho naquele clipe de "Bad" é o Michael Jackson. Palavra.
- Tudo de delicious ver filmes velhos, como "Cinco dias de um verão", com o "o-asilo-de-idosos-é-aqui-em-casa" Sean Connery ou filmes desconhecidos, como "Relatives Values", com o Colin Firth e a Julie Andrews.
- Não se deixe enganar em "Caçadores de fantasmas", no SciFi. Eles trabalham no Roto-Rooters (sim, no primeiro, único e legítimo Roto-Rooters!) de manhã, mas à noite eles integram a Taps (não sei o que quer dizer a sigla), caçando fantasmas, manifestações paranormais & que tais com a aparelhagem mais modernosa que eu já vi. Ontem o chefão tava reclamando que um técnico perdeu um dos tripés de uma das quatro câmeras - reclamava e guardava os laptops da equipe (só num dos casos eles eram oito). Então tá.
- Gentem, clipe do Eurythmics com participação especial do John Malkovich e do Hugh Laurie é muito pro meu coraçãozinho.
- Gene Simmons. Em "Rock School" o homem ensinou meia dúzia de inglesinhos, alunos de uma escola de música eruditérrima, a formarem uma banda heavy metal (e ele ainda diz no começo que usa mais maquiagem e saltos mais altos que sua mamy :o). E "Family Jewels" é de cho-rar de rir. Muito.
- O canal FoxFashion é o mais longo e chato desfile de moda que eu já assisti. Ninguém fala, ninguém comenta, ninguém nada. Entre um desfile e outro, anúncio de cruzeiros marítimos com uma mulher sussurrando ao fundo. Mas eu aprendi quem é RoccoBarocco. As roupas dele são leeeendas - não todas. As da coleção do próximo verão. Que eu só vou poder vestir numa próxima encarnação.
- As legendas do canal Multipremier são com uma fonte parecida com as de uma máquina de escrever. Corpo 6. Pra assistir só com leitura dinâmica e nariz colado no visor.
- A sobremesa: o que foi Robert Downley, Jr no "Inside the Actor's Studio"? Foi ....................... (preencham vocês. O moço falou de tudo: das drogas que cheirou/injetou/comeu/queimou/passou no cabelo até ao que é interpretar. Póf, morri, Dita).
Ontem à noite, já com aquela megainsônia instalada e sem computador em casa, o jeito foi passear via controle remoto. E não é que você encontra umas coisas assim, super? Então:
- O cara mais macho naquele clipe de "Bad" é o Michael Jackson. Palavra.
- Tudo de delicious ver filmes velhos, como "Cinco dias de um verão", com o "o-asilo-de-idosos-é-aqui-em-casa" Sean Connery ou filmes desconhecidos, como "Relatives Values", com o Colin Firth e a Julie Andrews.
- Não se deixe enganar em "Caçadores de fantasmas", no SciFi. Eles trabalham no Roto-Rooters (sim, no primeiro, único e legítimo Roto-Rooters!) de manhã, mas à noite eles integram a Taps (não sei o que quer dizer a sigla), caçando fantasmas, manifestações paranormais & que tais com a aparelhagem mais modernosa que eu já vi. Ontem o chefão tava reclamando que um técnico perdeu um dos tripés de uma das quatro câmeras - reclamava e guardava os laptops da equipe (só num dos casos eles eram oito). Então tá.
- Gentem, clipe do Eurythmics com participação especial do John Malkovich e do Hugh Laurie é muito pro meu coraçãozinho.
- Gene Simmons. Em "Rock School" o homem ensinou meia dúzia de inglesinhos, alunos de uma escola de música eruditérrima, a formarem uma banda heavy metal (e ele ainda diz no começo que usa mais maquiagem e saltos mais altos que sua mamy :o). E "Family Jewels" é de cho-rar de rir. Muito.
- O canal FoxFashion é o mais longo e chato desfile de moda que eu já assisti. Ninguém fala, ninguém comenta, ninguém nada. Entre um desfile e outro, anúncio de cruzeiros marítimos com uma mulher sussurrando ao fundo. Mas eu aprendi quem é RoccoBarocco. As roupas dele são leeeendas - não todas. As da coleção do próximo verão. Que eu só vou poder vestir numa próxima encarnação.
- As legendas do canal Multipremier são com uma fonte parecida com as de uma máquina de escrever. Corpo 6. Pra assistir só com leitura dinâmica e nariz colado no visor.
- A sobremesa: o que foi Robert Downley, Jr no "Inside the Actor's Studio"? Foi ....................... (preencham vocês. O moço falou de tudo: das drogas que cheirou/injetou/comeu/queimou/passou no cabelo até ao que é interpretar. Póf, morri, Dita).
terça-feira, agosto 14, 2007
...
Você é chamada pra fazer um trabalho por quatro meses, superbacana. Manda a proposta, a criatura regateia, você tira mil reais, ele topa, você manda de novo, e lá tá bem claro: "mais encargos".
A data de pagamento é dia 5. No dia 10, o cara te chama pra mais uma reunião, te enche de pedidos, e você discretamente pede que ele acerte (depois de fazer isso por e-mail umas três vezes). Então ele manda um e-mail pro cara do financeiro, que não responde até que você liga pra ele - e ele não acerta seu nome nem por decreto.
Depois de mandar uma ficha pra você preencher num PDF que você não pode mexer e finalmente dizer que você pode mandar o recibo via fax (que está permanentemente ocupado) você manda sua RPA devidamente preenchida, com o líquido indicando o que você combinou - o X mais encargos. Aí você descobre que não é nada disso, que não havia "encargos" e, pior, você não pode receber porque você é pessoa física, não pessoa jurídica, e como o trabalho é tocado via patrocínio pessoas físicas não podem ser contratadas - e pagas. Somente pessoas jurídicas.
Enquanto isso você recebe todos os avisos possíveis e imaginários de corte de serviços, sua empregada está em casa com a filha sem fraldas, você está übergripada e economizando suas quatro aspirinas porque sua carteira avisou que R$ 4,85 é tudo o que você tem no momento.
Alguém tem um emprego sobrando por aí? Porque, na boa, não agüento mais me humilhar pra receber o que eu suo tanto por merecer.
A data de pagamento é dia 5. No dia 10, o cara te chama pra mais uma reunião, te enche de pedidos, e você discretamente pede que ele acerte (depois de fazer isso por e-mail umas três vezes). Então ele manda um e-mail pro cara do financeiro, que não responde até que você liga pra ele - e ele não acerta seu nome nem por decreto.
Depois de mandar uma ficha pra você preencher num PDF que você não pode mexer e finalmente dizer que você pode mandar o recibo via fax (que está permanentemente ocupado) você manda sua RPA devidamente preenchida, com o líquido indicando o que você combinou - o X mais encargos. Aí você descobre que não é nada disso, que não havia "encargos" e, pior, você não pode receber porque você é pessoa física, não pessoa jurídica, e como o trabalho é tocado via patrocínio pessoas físicas não podem ser contratadas - e pagas. Somente pessoas jurídicas.
Enquanto isso você recebe todos os avisos possíveis e imaginários de corte de serviços, sua empregada está em casa com a filha sem fraldas, você está übergripada e economizando suas quatro aspirinas porque sua carteira avisou que R$ 4,85 é tudo o que você tem no momento.
Alguém tem um emprego sobrando por aí? Porque, na boa, não agüento mais me humilhar pra receber o que eu suo tanto por merecer.
segunda-feira, agosto 13, 2007
Berço
É nessas horas de febre, garganta inflamada, dores nas costas e nas juntas, que eu quero minha mamãe.
segunda-feira, agosto 06, 2007
Eu confesso que...
Depois que as meninas dormem eu vou pra cozinha, escondida, comer banana com Nescau - enfiando a dita na lata do cujo.
Mais ogro, impossível.
Mais ogro, impossível.
quarta-feira, agosto 01, 2007
Página 35, duas linhas
Um dos blogs que eu freqüento é o do Mizarela. Lendo este post comecei a pensar numa prática muito comum em jornais e revistas como saída para o "E se não foi assim?".
Tipo: você acompanha a PM numa Operação Asfixia (que é como eles chamam aquela presepada de cercar a favela e subir o morro atirando). Então. Você vai, fica lá esperando o tiroteio terminar (porque quem tem que ir lá são os fotógrafos e cinegrafistas). Aí depois que a fumaça desce você cola no comandante do batalhão (aprende aí: quando entrar em morro depois de invasão da PM vira a sombra do tenente-coronel ou do coronel: traficantes não atiram nessa figura. Dá muita merda depois, se fizerem o moço de alvo).
Enfim, você cola nele e acompanha quando vem os PMs darem relatório. "Pegaram quantos?" "Uns oito, coronel. Tudo traficante, avião." E aí vêm descendo os soldados do Bope (pra quem não sabe, Batalhão de Operações Especiais - aquela divisão da PM que tem como símbolo uma caveira com uma adaga enterrada bem em cima) carregando os corpos, trilhas de sangue pra tudo quanto é lado, fuzil pra cima.
A família chora, você conversa com eles e começa a ouvir coisas do tipo "Ele tava na laje fumando escondido de mim, porque sabe que eu não gosto, a polícia chegou gritando "Perdeu! Perdeu!" e ele nem teve tempo de dizer nada: tava agachado, levantou, levou um tiro no meio do peito. Mas olha aqui a carteira dele: ele trabalha, estuda!" E coisas do tipo.
E você volta e bate a matéria, falando dos dois lados. E no dia seguinte abre e tá lá: "Segundo a PM, os mortos SERIAM traficantes a mando do gerente Fulano. Eles TERIAM atirado contra a polícia. Eles ESTARIAM envolvidos numa disputa por áreas de drogas." Sobre o que as famílias disseram, nem uma palavra.
Se não for traficante a família vai processar? Não. Alguma ONG? Quem sabe? "Mas o jornal não escreveu que era certeza; eles SERIAM traficantes". Do começo ao fim, futuro do pretérito: não apenas o tempo verbal, mas uma certeza, se não tivesse ficado pra sempre no passado: "Morto durante a invasão da favela pela polícia, estava estudando para fazer o vestibular e tentar uma vaga numa faculdade"; "Tinha começado a trabalhar num escritório como contínuo, mas queria mesmo era estagiar na área de informática".
Você lê isso no dia seguinte, nos jornais?
Eu nunca li.
Tipo: você acompanha a PM numa Operação Asfixia (que é como eles chamam aquela presepada de cercar a favela e subir o morro atirando). Então. Você vai, fica lá esperando o tiroteio terminar (porque quem tem que ir lá são os fotógrafos e cinegrafistas). Aí depois que a fumaça desce você cola no comandante do batalhão (aprende aí: quando entrar em morro depois de invasão da PM vira a sombra do tenente-coronel ou do coronel: traficantes não atiram nessa figura. Dá muita merda depois, se fizerem o moço de alvo).
Enfim, você cola nele e acompanha quando vem os PMs darem relatório. "Pegaram quantos?" "Uns oito, coronel. Tudo traficante, avião." E aí vêm descendo os soldados do Bope (pra quem não sabe, Batalhão de Operações Especiais - aquela divisão da PM que tem como símbolo uma caveira com uma adaga enterrada bem em cima) carregando os corpos, trilhas de sangue pra tudo quanto é lado, fuzil pra cima.
A família chora, você conversa com eles e começa a ouvir coisas do tipo "Ele tava na laje fumando escondido de mim, porque sabe que eu não gosto, a polícia chegou gritando "Perdeu! Perdeu!" e ele nem teve tempo de dizer nada: tava agachado, levantou, levou um tiro no meio do peito. Mas olha aqui a carteira dele: ele trabalha, estuda!" E coisas do tipo.
E você volta e bate a matéria, falando dos dois lados. E no dia seguinte abre e tá lá: "Segundo a PM, os mortos SERIAM traficantes a mando do gerente Fulano. Eles TERIAM atirado contra a polícia. Eles ESTARIAM envolvidos numa disputa por áreas de drogas." Sobre o que as famílias disseram, nem uma palavra.
Se não for traficante a família vai processar? Não. Alguma ONG? Quem sabe? "Mas o jornal não escreveu que era certeza; eles SERIAM traficantes". Do começo ao fim, futuro do pretérito: não apenas o tempo verbal, mas uma certeza, se não tivesse ficado pra sempre no passado: "Morto durante a invasão da favela pela polícia, estava estudando para fazer o vestibular e tentar uma vaga numa faculdade"; "Tinha começado a trabalhar num escritório como contínuo, mas queria mesmo era estagiar na área de informática".
Você lê isso no dia seguinte, nos jornais?
Eu nunca li.
terça-feira, julho 31, 2007
Eu confesso que...
Com esse frio o que eu tenho comido de chocolate é, obviamente, obsceno. Se fizer exame o médico me manda internar numa clínica de viciados em sexo - o nível de sei-lá-o-quê no sangue deve estar igualzinho.
Uniforme
No frio, pra você ser gata prest'enção: botas, calça jeans de cintura baixa, blusa de manga comprida (ATENÇÃO: TEM QUE FICAR UNS TRÊS DEDOS DE BARRIGA APARECENDO, OK?), jaqueta curta de brim e cachecol. Rabo-de-cavalo, brinco de argola e óculos escuros. Captou?
Então.
Pra você, gato: tênis sem meia, bermudão Richard's, blusa de mangas compridas, mochila nas costas e óculos escuros.
Eu me sinto uma velha na rua...
Então.
Pra você, gato: tênis sem meia, bermudão Richard's, blusa de mangas compridas, mochila nas costas e óculos escuros.
Eu me sinto uma velha na rua...
sábado, julho 28, 2007
Conflito nº 12764949/23e
Credo, que mochilas i-mun-das. O que é isso, chocolate? Meu Deus... Bom, vamos ver como se lava isso. Peraí... Na etiqueta tá escrito... Como assim? "Não lavar"? Não lavar COMO? Como alguém fabrica uma mochila pra crianças e manda NÃO LAVAR?
E agora? E se eu botar de molho só em água? Mas e se for justamente a água que estraga a mochila? Será que tem que lavar a seco? Mas que coisa idiota: não chove? E isso aqui é nylon - isso não é lavável a seco.
E se eu lavar só as alças? Mas e esse LAGO de chocolate na mochila da Catatau? Eow, isso é brigadeiro. Ela SENTOU numa bandeja de brigadeiros? R$ 200 em mochilas... E se estragar? Lavo ou não? Eu vou mergulhar quase R$ 200 em mochilas nessa água com sabão e Vanish? Vou ou não vou? Vou ou não vou? Vou ou não vou? Foda-se: vou.
Acho, do fundo da minha alminha atormentada de mãe, que resolver conflitos no Oriente Médio deve dar menos dor de cabeça que isso.
E agora? E se eu botar de molho só em água? Mas e se for justamente a água que estraga a mochila? Será que tem que lavar a seco? Mas que coisa idiota: não chove? E isso aqui é nylon - isso não é lavável a seco.
E se eu lavar só as alças? Mas e esse LAGO de chocolate na mochila da Catatau? Eow, isso é brigadeiro. Ela SENTOU numa bandeja de brigadeiros? R$ 200 em mochilas... E se estragar? Lavo ou não? Eu vou mergulhar quase R$ 200 em mochilas nessa água com sabão e Vanish? Vou ou não vou? Vou ou não vou? Vou ou não vou? Foda-se: vou.
Acho, do fundo da minha alminha atormentada de mãe, que resolver conflitos no Oriente Médio deve dar menos dor de cabeça que isso.
sexta-feira, julho 27, 2007
Arroubos
Eu queria alguém com quem discutir, até o beiço dobrar o corredor e chegar à cozinha, se Richie Sambora é melhor guitarrista que Neil Schon, Syd Barrett ou Glenn Frey - e ganhar juras de ódio eterno quando citar o nome de Carlos Santana.
Eu queria alguém a quem cutucar às duas da madrugada pra contar que "Rapaz, Peter Singer consegue fazer a gente achar infanticídio uma prática razoável! Escuta esse trecho aqui... Escuta!!!!!"
Eu queria alguém pra roubar o último gole de vinho - e lamber a borda antes de ser pega no flagra.
Eu queria alguém pra quem guardar a última fatia de bolo.
Eu queria alguém pra desvirar o colarinho da camisa e arrumar o que o vento descabelou.
Eu queria alguém pra servir o macarrão segurando os talheres que nem garçom, destrinchar o frango que nem o homem da padaria.
Eu queria alguém com quem brigar pelo controle remoto da televisão - e decidir democraticamente que a midseason tá uma merda e melhor mesmo a gente se beijar até dar cãimbra e transar nesse frio, né?
Eu queria alguém pra compartilhar meu amor pelos livros e meu orgulho pelo que eu conquisto.
Eu queria alguém pra presentear com os CDs e DVDs piratas que eu aprendi a baixar da internet.
Eu queria alguém - modo intransitivo do verbo "não tenho".
Eu queria alguém a quem cutucar às duas da madrugada pra contar que "Rapaz, Peter Singer consegue fazer a gente achar infanticídio uma prática razoável! Escuta esse trecho aqui... Escuta!!!!!"
Eu queria alguém pra roubar o último gole de vinho - e lamber a borda antes de ser pega no flagra.
Eu queria alguém pra quem guardar a última fatia de bolo.
Eu queria alguém pra desvirar o colarinho da camisa e arrumar o que o vento descabelou.
Eu queria alguém pra servir o macarrão segurando os talheres que nem garçom, destrinchar o frango que nem o homem da padaria.
Eu queria alguém com quem brigar pelo controle remoto da televisão - e decidir democraticamente que a midseason tá uma merda e melhor mesmo a gente se beijar até dar cãimbra e transar nesse frio, né?
Eu queria alguém pra compartilhar meu amor pelos livros e meu orgulho pelo que eu conquisto.
Eu queria alguém pra presentear com os CDs e DVDs piratas que eu aprendi a baixar da internet.
Eu queria alguém - modo intransitivo do verbo "não tenho".
quinta-feira, julho 26, 2007
A vida secreta dos blogs
Eu tenho uma vida secreta. Quer dizer, tenho uma vida secreta dentro da minha vida secreta.
Sou Suzana porque meu ex não alcança o universo da Suzana - e para mim é ter um jardim secreto. Mas como uns e outros resolveram espiar por uma rachadura no muro que cerca esse meu jardim, criei outra vida secreta, em inglês - e ela acaba de ser incluída num site que mostra os bastidores dos melhores e mais interessantes blogs & blogueiros da web.
Se eu estou orgulhosa?
Claro, né - que pergunta boba :o)
Sou Suzana porque meu ex não alcança o universo da Suzana - e para mim é ter um jardim secreto. Mas como uns e outros resolveram espiar por uma rachadura no muro que cerca esse meu jardim, criei outra vida secreta, em inglês - e ela acaba de ser incluída num site que mostra os bastidores dos melhores e mais interessantes blogs & blogueiros da web.
Se eu estou orgulhosa?
Claro, né - que pergunta boba :o)
Ai, listas...
Que livro você está lendo?
Três ao mesmo tempo: "Vida ética", Peter Singer; "Exortação aos crocodilos", António Lobo Antunes; "O negócio dos livros - Como as grandes corporações decidem o que você lê", André Schiffrin.
Lembra do seu primeiro livro?
Falando em livro de verdade - capa legal, miolo idem - e que eu tenha lido sozinha, sem mamãe ou papai ajudando nas palavras difíceis:: "Reinações de Narizinho" & Cia Monteiro Lobato; "Contos e lendas dos irmãos Grimm"; e "Os reis malditos" (trancada no banheiro, depois que me pai botou os seis volumes dessa coleção láááá em cima da estante porque ele dizia que aquilo não era "literatura pra criança").
No Brasil, sabemos que a leitura não é um hábito da população em geral. Quantos livros, em média, você lê por mês?
Dois por semana.
Você tem um gênero favorito? Qual?
Não-ficção, principalmente o que envolva a História de civilizações.
Alguns escritores, além de grandes artistas, são vistos como “seres superiores” por alguns leitores. Você tem ídolos escritores?
Não tiveram a delicadeza de se manterem vivos para que eu os conhecesse: Julio Cortázar, Ítalo Calvino, George Duby.
Você distingue o escritor pelo gênero - poesia, conto, romance, etc - ou acredita que escritor é escritor e ponto?
Escritor é, num modo bem clichê, artesão da palavra. Sabe escrever de lista de supermercado à história do seu país - romanceada ou não.
A internet pode se transformar em uma ameaça para a leitura de livros?
Internet não transmite o cheiro do livro.
Se você pudesse, como acabaria com o analfabetismo no Brasil e como implantaria o hábito de leitura?
Aprendi que o livro é só um objeto inanimado, mas se você apresenta à criança uma pessoa e diz "Olha, ele escreveu esse livro" ou "Sabe quem é essa? Ela desenhou essas ilustrações" o livro passa a ser um ser vivo que cresceu com a ajuda de muitos: alguém PENSOU a história, alguém IMAGINOU as ilustrações. Alguém COSTUROU o livro, DESENHOU a capa. O livro é um quebra-cabeças, um trabalho em equipe, um livro é uma história que não está contada entre a capa e a contracapa. E as crianças aprendem a amar seus livros pela vida que eles têm - assim como têm vida seus carrinhos e suas bonecas.
José Saramago declarou recentemente que sempre será comunista, embora saiba que este é um assunto ultrapassado. Um escritor deve manter para sempre seus valores, ou pode mudar de opinião?
[Faço minhas as palavras da Cris] Ué, ele pode ser o que quiser. Aliás, ele e qualquer um. Eu já mudei de religião umas dez vezes na vida. Já mudei de marido [eu ainda não, Crisolda. Tô na entressafra]. Só o Saramago é que tem que morrer comunista? Coitado.
Uma frase para o Dia do Escritor:
"Acariciai longamente tua frase e ela terminará por sorrir" (Alfred de Musset)
Três ao mesmo tempo: "Vida ética", Peter Singer; "Exortação aos crocodilos", António Lobo Antunes; "O negócio dos livros - Como as grandes corporações decidem o que você lê", André Schiffrin.
Lembra do seu primeiro livro?
Falando em livro de verdade - capa legal, miolo idem - e que eu tenha lido sozinha, sem mamãe ou papai ajudando nas palavras difíceis:: "Reinações de Narizinho" & Cia Monteiro Lobato; "Contos e lendas dos irmãos Grimm"; e "Os reis malditos" (trancada no banheiro, depois que me pai botou os seis volumes dessa coleção láááá em cima da estante porque ele dizia que aquilo não era "literatura pra criança").
No Brasil, sabemos que a leitura não é um hábito da população em geral. Quantos livros, em média, você lê por mês?
Dois por semana.
Você tem um gênero favorito? Qual?
Não-ficção, principalmente o que envolva a História de civilizações.
Alguns escritores, além de grandes artistas, são vistos como “seres superiores” por alguns leitores. Você tem ídolos escritores?
Não tiveram a delicadeza de se manterem vivos para que eu os conhecesse: Julio Cortázar, Ítalo Calvino, George Duby.
Você distingue o escritor pelo gênero - poesia, conto, romance, etc - ou acredita que escritor é escritor e ponto?
Escritor é, num modo bem clichê, artesão da palavra. Sabe escrever de lista de supermercado à história do seu país - romanceada ou não.
A internet pode se transformar em uma ameaça para a leitura de livros?
Internet não transmite o cheiro do livro.
Se você pudesse, como acabaria com o analfabetismo no Brasil e como implantaria o hábito de leitura?
Aprendi que o livro é só um objeto inanimado, mas se você apresenta à criança uma pessoa e diz "Olha, ele escreveu esse livro" ou "Sabe quem é essa? Ela desenhou essas ilustrações" o livro passa a ser um ser vivo que cresceu com a ajuda de muitos: alguém PENSOU a história, alguém IMAGINOU as ilustrações. Alguém COSTUROU o livro, DESENHOU a capa. O livro é um quebra-cabeças, um trabalho em equipe, um livro é uma história que não está contada entre a capa e a contracapa. E as crianças aprendem a amar seus livros pela vida que eles têm - assim como têm vida seus carrinhos e suas bonecas.
José Saramago declarou recentemente que sempre será comunista, embora saiba que este é um assunto ultrapassado. Um escritor deve manter para sempre seus valores, ou pode mudar de opinião?
[Faço minhas as palavras da Cris] Ué, ele pode ser o que quiser. Aliás, ele e qualquer um. Eu já mudei de religião umas dez vezes na vida. Já mudei de marido [eu ainda não, Crisolda. Tô na entressafra]. Só o Saramago é que tem que morrer comunista? Coitado.
Uma frase para o Dia do Escritor:
"Acariciai longamente tua frase e ela terminará por sorrir" (Alfred de Musset)
segunda-feira, julho 23, 2007
...
Na semana passada eu perdi um amigo que viajava no avião que se espatifou em Congonhas. Eu o conhecia desde 1998. Depois de quase dez anos, nós não nos falávamos muito, ultimamente. Vocês sabem como é, não? A gente se promete a toda hora: "Puxa, hoje vou mandar pelo menos um e-mail pro Fulano, faz tanto tempo que a gente não se fala!" E de noite, eu me lembrava: "Não mandei o e-mail pro Fulano. Amanhã de manhã eu mando, sem falta!"
Amanhã, amanhã e amanhã. Na próxima semana, depois que eu terminar esse trabalho imenso, no próximo fim de semana, nas férias, depois, depois, depois - e eu tenho certeza que ele fazia a mesma coisa. Agora ele morreu e eu finalmente não preciso mais me preocupar em mandar nada pra ele, nem ligar nem me lembrar dele. Só da tristeza abissal por ter desperdiçado tanta coisa boa que poderíamos ter compartilhado.
Se você gosta de alguém perca um tempo para escrever um e-mail, dar um telefonema, lembrar de lembrar-se dessa pessoa. É tão fácil, simples e tão importante.
Amanhã, amanhã e amanhã. Na próxima semana, depois que eu terminar esse trabalho imenso, no próximo fim de semana, nas férias, depois, depois, depois - e eu tenho certeza que ele fazia a mesma coisa. Agora ele morreu e eu finalmente não preciso mais me preocupar em mandar nada pra ele, nem ligar nem me lembrar dele. Só da tristeza abissal por ter desperdiçado tanta coisa boa que poderíamos ter compartilhado.
Se você gosta de alguém perca um tempo para escrever um e-mail, dar um telefonema, lembrar de lembrar-se dessa pessoa. É tão fácil, simples e tão importante.
quinta-feira, julho 19, 2007
Ouh my God...
| You Are 16% Girly |
![]() Um... you're a guy, right? If not, you're the most boyish girl in the world. And for you, that's probably the ultimate compliment. |
Dorzinha
Hoje fui buscar meu presente de aniversário: um celular novo. Juntei promoções, bônus, vales e mais créditos e o meu aparelho novo, que custa quase mil reais, saiu por meros R$ 16.
Mesmo com toda essa economia, mesmo sendo a única coisa que eu vou ganhar (porque, como sempre, vou estar dura e lesa até mesmo pra levar as meninas pra tomar um mero sorvete na esquina) eu ainda me sinto imensamente culpada por ter gasto esse dinheiro comigo. Mesmo sendo R$ 16.
Mesmo com toda essa economia, mesmo sendo a única coisa que eu vou ganhar (porque, como sempre, vou estar dura e lesa até mesmo pra levar as meninas pra tomar um mero sorvete na esquina) eu ainda me sinto imensamente culpada por ter gasto esse dinheiro comigo. Mesmo sendo R$ 16.
quinta-feira, julho 12, 2007
Eu confesso que...
... comi na noite passada 25 brigadeiros. Levando-se em conta que eu enrolei 500, até que não foi muito, né?
quarta-feira, julho 11, 2007
Ainda este mês
sexta-feira, julho 06, 2007
Há seis anos - adendo
"Mamãe, você escreveu o meu nome na etiqueta da merendeira? E se eu esquecer num banco do prantenário?
"Planetário, Catatau."
"Do planetário? Eu vou passar fome, mamãe."
"Não vai não. Já botei seu nome, filha. Aqui, ó."
"Bota aí, mamãe, depois do meu nome: 'Uma menina de seis anos'. Bota, mãe. Por favor. Mãe? Pára de rir, mamãe! PÁ-RA!"
:o)
"Planetário, Catatau."
"Do planetário? Eu vou passar fome, mamãe."
"Não vai não. Já botei seu nome, filha. Aqui, ó."
"Bota aí, mamãe, depois do meu nome: 'Uma menina de seis anos'. Bota, mãe. Por favor. Mãe? Pára de rir, mamãe! PÁ-RA!"
:o)
quinta-feira, julho 05, 2007
Há seis anos

Exatamente como você ri - aquela risada gordinha, que começa lá no fundo do peito e se espalha por todo o seu corpinho, sai pela boca e pelos olhos e lembra, em cada nota, o riso de um bebê - está o dia hoje: ensolarado, feliz. Assim que acordou, você pulou da cama e começou a dançar, fingindo não ouvir o mau humor matutino da sua irmã: "Seis anos, seis anos, hoje eu tenho seis anos...!"
Seis anos. Passou tão rápido! Desde a gravidez tão perturbada até o pacotinho de dedos rechonchudos (e não é à toa que sua avó chama você de "neném furinho" até hoje :o) e unhas já compridas, prenunciando a preguiça que você tem de fazer as coisas - até nascer. Mas quando faz... é uma delícia de se ver. Porque o que muitas vezes se pensa como preguiça é, na verdade, paciência. De colorir cada pedacinho, de montar o mesmo quebra-cabeças vezes sem conta, cada vez começando de um canto diferente do desenho.
Para comer - um dos seus mais refinados prazeres - com o dedo mindinho esticado. Toda a comida separada, nada se tocando, cada sabor sem misturança com o sabor vizinho: primeiro os legumes, depois a carne, adiante o arroz com feijão ("Ahhhhhhh, eu não vou - NÃO VOU! - comer feijão com caroço! Odeio casquinha de feijão grudada na boca. O-DEI-O!"). Uma hora e dez minutos depois, você delicadamente limpa os lábios, bebe o suco e pede, miando: "Mamãe, e a sobremesa?" Porque refeição sem sobremesa não é refeição: é apenas... comer.
Como Zé Colméia é uma mestra aplicada, você está desenhando à perfeição - e, Deus perdoe essa mãe - melhor que sua irmã. Seus desenhos não são apressados, nervosos. São lentos, cuidadosamente bem-acabados. Os detalhes contam, você sabe. Por isso você termina uma festa exatamente como começou: impecável, fivelas no lugar, anel no dedo carnudinho e cabelos em ordem. Dá a mão à sua descabelada, suada e amarrotada irmã e lá vamos nós, eu e Zé Colméia como um barco tentando vencer esse rio tão turbulento que tem sido nossas vidas, mas sempre com a certeza de ter, no escuro, o farol morno e carinhoso do seus olhos para nos guiar.
Feliz aniversário, Catatau. Você tem muitos sonhos e o dom de fazer com que eles se realizem, de uma maneira ou de outra - qualquer que seja a roupa, por baixo da pele você sempre vai carregar um vestido de princesa.
quarta-feira, julho 04, 2007
Muito trabalho...
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36%
... e nenhum saco pra fazer...
Mingle2 - Online Dating
36%
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... e nenhum saco pra fazer...
Thunder!
É uma sensação absolutamente poderosa a que se sente quando você mesma mete a tesoura no seu cabelo. É, assim, revigorante.
O destino em suas mãos. Entende esse lance?
Pois é.
O destino em suas mãos. Entende esse lance?
Pois é.
terça-feira, julho 03, 2007
...
Você já teve a sensação de ser sugada pelos olhos de alguém para dentro dessa pessoa e instantaneamente voltar ao mesmo lugar onde estava, o coração aos pulos?
Eu vivi isso ontem. E descobri o significado da cor que os americanos chamam de "hazel".
Estranho, muito esquisito.
Eu vivi isso ontem. E descobri o significado da cor que os americanos chamam de "hazel".
Estranho, muito esquisito.
segunda-feira, julho 02, 2007
Nas bandeirinhas
Sábado foi a festa junina das meninas. Nossa, como Catatau AMA festa junina. E como ela comeu, e dançou, e pulou e se divertiu. Quadrilha e comilança é com ela mesma.
Zé Colméia parece aquelas velhinhas viciadas em jogo, perdidas em Las Vegas. O negócio dela é ter fichas pra ganhar brindes nas barracas. Pescaria, argola, nariz do palhaço. Ano passado eu me lembro que tinha uma brincadeira horrível, mas com prêmios ótimos: tinha que enfiar a mão num balde de água escura e pegar uma coisa escorreguenta que ficava no fundo. Ela gastou todas as fichas dela ali: sozinha, limpou a barraca dos prêmios.
Eu adoro festa junina, também. E esse ano, minha filmadora movida a gás funcionando, gravei as meninas dançando quadrilha. E como eu comi: churrasco, salsichão, queijo coalho, coraçãozinho, frango, canjica, quentão. Passei o domingo em jejum. Mas já me deu saudade, porque agora só ano que vem.
:o(
Zé Colméia parece aquelas velhinhas viciadas em jogo, perdidas em Las Vegas. O negócio dela é ter fichas pra ganhar brindes nas barracas. Pescaria, argola, nariz do palhaço. Ano passado eu me lembro que tinha uma brincadeira horrível, mas com prêmios ótimos: tinha que enfiar a mão num balde de água escura e pegar uma coisa escorreguenta que ficava no fundo. Ela gastou todas as fichas dela ali: sozinha, limpou a barraca dos prêmios.
Eu adoro festa junina, também. E esse ano, minha filmadora movida a gás funcionando, gravei as meninas dançando quadrilha. E como eu comi: churrasco, salsichão, queijo coalho, coraçãozinho, frango, canjica, quentão. Passei o domingo em jejum. Mas já me deu saudade, porque agora só ano que vem.
:o(
sexta-feira, junho 29, 2007
Daft hands
quinta-feira, junho 28, 2007
... vale por duas
"- Peraí! Peraí! Deixa eu pegar a câmera de vídeo! ... Pronto! Pode falar!
- Tá bom, eu primeiro: mamãe, eu prometo que você vai poder sair comigo e com o meu namorado (mesmo que ele não seja mais o Gugu) quando a gente for passear.
(Até de mão dada, Catatau?)
- Até de mão dada! Vamos ao cinema, ao teatro, andar de bicicleta, ao McDonald's. Você sempre vai comigo, tá mamãe? Sempre. Eu PRO-ME-TO!
( E você, Zé Colméia?)
-Ah, mãe, tá bom! Eu prometo que quando viajar com o meu marido (que pra viajar tem que ser marido, né mãe?) eu prometo que quando a gente for visitar o país da Cinderela e da Bela Adormecida e do Peter Pan e do Corcunda de Notre Dame eu vou levar você. Já pensou, mamãe? A gente vai ficar num hotel e a gente pede uma cama enorrrrme e a gente pode dormir todo mundo junto, né? Numa cama grandona! Vai ser muito legal, né mamãe?"
É assim que se faz. Aprendam.
- Tá bom, eu primeiro: mamãe, eu prometo que você vai poder sair comigo e com o meu namorado (mesmo que ele não seja mais o Gugu) quando a gente for passear.
(Até de mão dada, Catatau?)
- Até de mão dada! Vamos ao cinema, ao teatro, andar de bicicleta, ao McDonald's. Você sempre vai comigo, tá mamãe? Sempre. Eu PRO-ME-TO!
( E você, Zé Colméia?)
-Ah, mãe, tá bom! Eu prometo que quando viajar com o meu marido (que pra viajar tem que ser marido, né mãe?) eu prometo que quando a gente for visitar o país da Cinderela e da Bela Adormecida e do Peter Pan e do Corcunda de Notre Dame eu vou levar você. Já pensou, mamãe? A gente vai ficar num hotel e a gente pede uma cama enorrrrme e a gente pode dormir todo mundo junto, né? Numa cama grandona! Vai ser muito legal, né mamãe?"
É assim que se faz. Aprendam.
segunda-feira, junho 25, 2007
sexta-feira, junho 22, 2007
quarta-feira, junho 20, 2007
Há oito anos

Foi um ano difícil pra você - não foi, querida? Eu sei que foi. Você estava sofrendo muito por dentro, o desenrolar do divórcio chamuscando seu coraçãozinho cada vez com mais força, mais voracidade. Mas você resistiu bravamente. A cara zangada, os gritos, a agressividade, aqueles "Eu ODEIO você!" cuspidos para mim e para sua irmã - tudo isso desaparecia quando o seu cachorrinho brabo, que tão ferido estava, se escondia na casinha e a menina assustada se enroscava nos braços da sua irmã para dormir e chamava baixinho "Mamãe? Pode ficar aqui comigo um pouquinho, por favor?"
Nesse ano que passou você chorou muito - e eu chorei com você. Nós discutimos, brigamos, nos abraçamos e tateamos através dessa escuridão tão negra, muitas vezes tendo como guia apenas a luz cálida do sorriso confiante e amoroso da sua irmã. Aprendemos muito, erramos bastante, mas nós duas crescemos e compreendemos que, infelizmente, não se pode viver sem dor - e que o segredo é não lutar e deixar que ela venha, faça seu serviço... e vá embora.
Precisamente às 19h30m do dia 20 de junho de 1999 você chegou. Revirou tudo, dividiu minha vida em dois, me deu o que sou hoje. Aos oito anos, você é uma menina esbelta, pequenina, de mãos delicadas e dedos longos, pele macia e gênio forte. Se diz moderna, adora coisas diferentes, mas no fundo ama rosa, flores e tudo o que é romântico. Sua dureza é sua armadura para enfrentar o que mais fere você.
Mas quando você se senta - em qualquer lugar que seja - com aquele caderno já tão despencado, seus lápis de cera em pedaços e uma imaginação que não cabe num universo, eu disfarço, paro de fazer o que quer que seja só pra olhar pra você. Porque eu sei que dali vai surgiu uma história encantadora, uma roupa maravilhosa (que sua madrinha vai querer produzir), um retrato, sua alma.
Já desisti de tentar mensurar o meu amor por você. Ele enche tudo o que conhecemos e o que ignoramos quando eu me deito ao seu lado, no escuro, e fico ouvindo sua respiração, seu coração finalmente relaxar e entregar-se. Feliz aniversário, querida Zé Colméia. Que tudo o que você deseja se realize - inclusive ter, um dia, o seu unicórnio.
segunda-feira, junho 18, 2007
Eu também confesso que...

... tenho vontade de rir (às vezes histericamente) quando:
* Ouço as palavras "repouso" e "absoluto" numa mesma frase;
* Vejo o terraço e as varandas que levei 1h10min para lavar sendo confeitados em menos de 10 segundos pelos cachorros;
* Descubro que aquela calça de tactel do uniforme que custou R$ 45 voltou do dia de estréia com uma cratera onde, de manhã, havia o lugar para o joelho;
* Começo a fazer um bolo e todos os ovos (da caixa comprada no dia anterior) estão podres;
* Dou uma bronca na Catatau e ela liga o modo "olha-como-eu-sou-fofa";
* Descubro que a alcatra tão fresquinha, tão limpinha e tão inédita lá em casa sumiu da tábua de carne em nanonésimos de segundo - e a porta da cozinha estava aberta. E os cachorros misteriosamente sumiram do mapa.
* Dou uma fulminada interrompida na Zé Colméia:
"Porque você bateu na sua irmã você está PROIBIDA de..."
"Te amo tanto, mamãe!"
"... mexer... no DVD..."
* Escuto pela trocentésima vez da mesma velhinha a quem eu agora devo respeito só porque ela é velhinha: "Mas quando vocês vão largar de besteira e reatar esse casamento, hein?"
(Mas já avisei pra minha mãe que, madrinha dela ou não, na próxima eu vou mandar, muito educadamente - é claro - a velhinha tomar naquele lugar. Se ela vai entender ou não, aí não é problema meu.)
Eu confesso que...
...sei todas as músicas das Cheetah Girls de cor. E do High School Musical também. E nas festas infantis eu danço com as meninas as coreografias que ensaiamos em casa.
Ah, sim, muito exibida. Demais da conta.
Mais olha aqui as minhas rugas de preocupação...
Ah, sim, muito exibida. Demais da conta.
Mais olha aqui as minhas rugas de preocupação...
quinta-feira, junho 14, 2007
Por algum lugar
quarta-feira, junho 13, 2007
Bem-vindo ao novo século
Eu tenho 40 anos, já em vias de fazer 41. Preparo originais para grandes e médias editoras. Atualmente, estou escrevendo, por encomenda, quatro livros de não-ficção.
Fui repórter, chefe de reportagem e editora de um grande e de um médio jornal. Já trabalhei numa grande produtora de filmes, vídeos e comerciais; já chefiei a criação de dois megaportais na internet.
Já fui assessora de imprensa de uma multinacional de bebidas, de uma rede de resorts, de uma cervejaria, de um mega laboratório farmacêutico - todos ao mesmo tempo.
Sei planejar, escrever, montar e editar um site, uma revista ou um jornal - de que tamanho (e tiragem) for. Faço edição de som e imagens - vídeo, filme, fotos.
Sei cozinhar o trivial e o refinado. Cozinho para dois ou para duzentos. Planejo eventos - de qualquer tipo, mesmo que seja preciso (como já foi uma vez) conseguir botar um veleiro para navegar bem no miolo de Minas Gerais.
Estudo, pesquiso, me atualizo. Uso a maioria das geringonças modernas - seja que máquina ou programa for. Danço flamenco e canto o erudito. Na vida já tive aulas de helicóptero e saxofone. Sei fazer culturas biológicas em placas de Petri ou análises num espectrômetro de massas; entendo perfeitamente bulas de remédios e tenho um diploma da Cruz Vermelha dizendo que sou apta (com louvor) a ressucitar cardíacos, afogados e acidentados.
Cursei duas faculdades. Falo e escrevo bem, além do meu idioma, francês e espanhol. Falo e escrevo razoavelmente bem (porque aprendi sozinha) inglês. Tenho pós-graduação pela Fundação Getúlio Vargas e três mil livros.
Sou legal, né? Contemporânea, atualizada, up to date. Só que há um mês comecei com uma tosse chatinha. No começo seca, depois não mais. Tomei litros de xarope, fiz horas de nebulização. E a tosse chatinha, lá no fundo do pulmão, não foi embora. Na sexta, tive um acesso tão violento que tossi quase literalmente até desmaiar. Já sentindo vertigens, larguei o trabalho e corri para uma clínica-hospital, do outro lado da rua. Depois de me cutucar e auscultar, perguntar até os hábitos alimentares dos primeiros australopithecus que usaram meu sobrenome e fotografar meus pulmões, o médico foi taxativo: tuberculose.
"Ah, mas não se preocupe. Isso matava antigamente, no tempo do José de Alencar, viu? Hoje tem tratamento rápido e você vai ficar nova!"
Bom ser atendida por um médico letrado que leu José de Alencar - tão moderna e culta eu sou, a tísica. Deus, até a palavra é velha.
Fui repórter, chefe de reportagem e editora de um grande e de um médio jornal. Já trabalhei numa grande produtora de filmes, vídeos e comerciais; já chefiei a criação de dois megaportais na internet.
Já fui assessora de imprensa de uma multinacional de bebidas, de uma rede de resorts, de uma cervejaria, de um mega laboratório farmacêutico - todos ao mesmo tempo.
Sei planejar, escrever, montar e editar um site, uma revista ou um jornal - de que tamanho (e tiragem) for. Faço edição de som e imagens - vídeo, filme, fotos.
Sei cozinhar o trivial e o refinado. Cozinho para dois ou para duzentos. Planejo eventos - de qualquer tipo, mesmo que seja preciso (como já foi uma vez) conseguir botar um veleiro para navegar bem no miolo de Minas Gerais.
Estudo, pesquiso, me atualizo. Uso a maioria das geringonças modernas - seja que máquina ou programa for. Danço flamenco e canto o erudito. Na vida já tive aulas de helicóptero e saxofone. Sei fazer culturas biológicas em placas de Petri ou análises num espectrômetro de massas; entendo perfeitamente bulas de remédios e tenho um diploma da Cruz Vermelha dizendo que sou apta (com louvor) a ressucitar cardíacos, afogados e acidentados.
Cursei duas faculdades. Falo e escrevo bem, além do meu idioma, francês e espanhol. Falo e escrevo razoavelmente bem (porque aprendi sozinha) inglês. Tenho pós-graduação pela Fundação Getúlio Vargas e três mil livros.
Sou legal, né? Contemporânea, atualizada, up to date. Só que há um mês comecei com uma tosse chatinha. No começo seca, depois não mais. Tomei litros de xarope, fiz horas de nebulização. E a tosse chatinha, lá no fundo do pulmão, não foi embora. Na sexta, tive um acesso tão violento que tossi quase literalmente até desmaiar. Já sentindo vertigens, larguei o trabalho e corri para uma clínica-hospital, do outro lado da rua. Depois de me cutucar e auscultar, perguntar até os hábitos alimentares dos primeiros australopithecus que usaram meu sobrenome e fotografar meus pulmões, o médico foi taxativo: tuberculose.
"Ah, mas não se preocupe. Isso matava antigamente, no tempo do José de Alencar, viu? Hoje tem tratamento rápido e você vai ficar nova!"
Bom ser atendida por um médico letrado que leu José de Alencar - tão moderna e culta eu sou, a tísica. Deus, até a palavra é velha.
quarta-feira, junho 06, 2007
No meio do dia
Tem momentos na vida em que parece que você precisa sentar... e esperar. Em que o "E daí?" parece ser a resposta pra tudo. "Não consigo pagar minhas dívidas". E daí? "Não tenho nenhum ânimo para trabalhar". E daí? "Queria tanto voltar a fazer minhas aulas de canto, dançar novamente flamenco." E daí? "Preciso arrumar minha casa, organizar meus livros, limpar meus armários." E daí? "Preciso me sentir vulnerável, pedir ajuda quando for preciso, parar de bancar a orgulhosa, entregar os pontos, admitir algumas derrotas, mostrar-me falível". E daí?
"Minha saúde anda falhando demais". E daí? "Preciso entender se realmente gosto do que faço". E daí? "Preciso ganhar dinheiro com algo que me dê prazer." E daí?
Preciso simplesmente parar. PRECISO. Mas a culpa pelas contas atrasadas, pelas responsabilidades não cumpridas sempre aparece pra dizer: "E daí que você precisa parar? Você acha que alguém se importa com o que você PRECISA? Não, porque você TEM QUE. É isso que suas filhas esperam, seus clientes esperam, seus pais esperam. Todos esperam que você FAÇA. E daí que você precisa sumir e reavaliar tudo o que você tem feito, vivido, sentido? E daí?"
E daí?
"Minha saúde anda falhando demais". E daí? "Preciso entender se realmente gosto do que faço". E daí? "Preciso ganhar dinheiro com algo que me dê prazer." E daí?
Preciso simplesmente parar. PRECISO. Mas a culpa pelas contas atrasadas, pelas responsabilidades não cumpridas sempre aparece pra dizer: "E daí que você precisa parar? Você acha que alguém se importa com o que você PRECISA? Não, porque você TEM QUE. É isso que suas filhas esperam, seus clientes esperam, seus pais esperam. Todos esperam que você FAÇA. E daí que você precisa sumir e reavaliar tudo o que você tem feito, vivido, sentido? E daí?"
E daí?
segunda-feira, junho 04, 2007
Ouvindo por aí
Adoro quando no meio da música tem um solo de gaita. Rock, bem entendido. Ou R&B.
Adoro.
Adoro.
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