sexta-feira, dezembro 18, 2009

Alvorada



Sentada à mesa do café, estava conversando aquela prosa sonolenta de todos os dias com Zé Colméia. Então, mexendo a xícara de café e ouvindo-a contar uma história muito complicada sobre o castigo que uma amiguinha levou por ficar em prova final (sim, ainda existe isso) parei a colher no ar e olhei para cima, para minha filha. E foi como se eu a estivesse vendo pela primeira vez.

Ela falava e gesticulava. Os olhos grandes, o cabelo desgrenhado, os dedos finos nas mãos pequenas. Era a minha filha. E não era. O cadenciamento da voz mudou; agora ela fala meio que correndo, à moda dos adolescentes. As gírias estão ali, ainda empregadas de maneira tosca - são as colagens do que ela ouve da meia-irmã de 18 anos. O tom meio agressivo de quem se julga portadora de toda a sabedoria do mundo, a certeza sedimentada por longos 10 anos de vida. O rosto que está se afinando, a voz rascante que não se tornará redonda jamais. Era ela e não era.

É duro acordar pra vida assim.

domingo, dezembro 13, 2009

No seu caderninho

Plizi, marquem em suas agendas/avisem suas secretárias/ponham despertador:
De 19 a 22 de janeiro.
São Paulo.
Euzinha.
Sem desculpas, viu dona Marília?

Eu prometo



Deixar as coisas para trás, é o meu lema para o ano de 2010. Eu já falei das minhas metas. Então. Essa é uma. E das grandes e inegociáveis. Não serviu, incomodou, não tem jeito? Tchau, a fila andou. Existem outros problemas e probleminhas à frente. Ali, depois do bebedouro, tá encostado um problemão à espera de uma solução - e sem rima pobre, por favor.

Eu guardo coisas para usar "um dia". Empurro tudo para o fim de semana, o feriado prolongado, a folga, para fazer nas férias. Encosto aquela dor de cabeça no cantinho do fundo da nuca para resolver quando tiver tempo. Mas tempo é uma coisa que eu não tenho sobrando - e, francamente, aos 43 do segundo tempo (literalmente) eu não vou gastá-lo pra resolver o que, veja bem meu bem, não tem conserto.

Viviane cansou de me chamar. Cristiane também. Viviane e Cristiane (rima rica, essa. Vou deixar passar) moram ali do lado e mandavam e-mail "Vamos tomar um chope, almoçar, fofocar, viver?" "Não dá, tenho que consertar um monte de coisas na minha existência esse fim de semana. Fica para a próxima." A próxima não chegou, claro. E Viviane & Cristiane deixaram eu & meus problemas se resolverem, esperando quem sabe eu dizer "AGORA eu posso. Vamos?"

Vamos.

quarta-feira, dezembro 09, 2009

terça-feira, dezembro 01, 2009

Boca do caixa

Depois de cinco anos, não há prazer maior do que receber o contracheque com saldo suficiente para viver o mês.

Mesmo que eu tenha me matado de trabalhar nesses últimos 30 dias.