sexta-feira, junho 12, 2009

Pela estrada afora

Ontem, deitada no escuro por conta de um transformador de rua estourado, pensei nas coisas que deixei de fazer. Eu me lembro como gostava de estudar no Parque Lage. Fazia de uma bolsa de palha um depositário de comidas e, lambuzada de repelente, levava minha esteira debaixo do braço para estender na grama e estudar. Lia parte da manhã, almoçava o farnelzinho, dormitada 20 minutos, acordava com os mosquitos, me lambuzava de repelente de novo e voltava a estudar até umas quatro da tarde, quando descia aquele friozinho anunciando que era hora de vestir a jaqueta e ir embora.

Por que não faço mais isso? Não sei. Como não sei o motivo de não caminhar pela Lagoa, ou ir a pé ao Centro nos domingos, para ouvir no Mosteiro de São Bento o coro gregoriano, ou mandar cartas aos amigos, ou tomar sorvete no Posto 10. Não sei. Coisas que caíram da minha bolsa de viagem pelo caminho e eu não notei.

Quem achar, favor devolver. Andam fazendo falta.

2 comentários:

Eleonora disse...

Acho que entendo o que vc está sentindo... alguma coisa ficou pra trás e anda fazendo muita falta. Eu tb estudava no Parque Lage, fazia tai-chi lá depois do colégio e até já comi daqueles frutos rosas que ficam caidos no chão... tem fosto de flor...

bjs

cris disse...

faz igual na história de joãozinho e maria: segue os pedacinhos de pão que você mesma deixou pelo caminho. vai catando tudo e botando de volta nos lugares onde eles deveriam estar. eu ando fazendo isso. vou te dizer, menina. que sensação boa. bjs