quinta-feira, fevereiro 16, 2006

O outro lado do reverso da meia-medalha

Ler Sidney Sheldon é uma descoberta. O homem literalmente mudou a minha vida. Achei que isso já tinha acontecido quando fui obrigada a ler Paulo Coelho (sim, a gente pode ser OBRIGADA a isso), mas me enganei. Sidney Sheldon é um gênio. Só isso explicaria como livros com histórias tão sem pé nem cabeça e ridículas podem fazer o homem um multimiliardário.
Tem de tudo:

* Presidente americano que vai ver a amante numa cabana fora de Washington - e ninguém descobre, porque ele vai com UM agente de segurança. O homem mais poderoso do planeta sai para trepar no meio da noite com um agente de segurança. Leia de novo: um agente de segurança. O chefe de gabinete faz isso sem NENHUM agente de segurança. A Casa Branca é The Mother Joan's House: todo mundo entra e sai a hora que quiser.
* Empresária gostosa-maravilhosa (que não tinha um tostão furado no começo da história) compra cadeias de televisão, rádios e jornais nos Estados Unidos para se vingar do homem que a deixou no altar - e que por acaso virou o presidente americano. Ela vira a Magnata da Imprensa - em dois anos.
* Mocinha de 19 anos sem ter onde cair morta (serve refeições numa pensão de mineiros) convence um empresário e um banqueiro a emprestarem-lhe US$ 6 milhões (seis milhões de dólares - e ela não é Steve Austin, o Homem Biônico);
* Mocinha gostosinha que vai (injustamente) para a cadeia acaba ganhando o perdão do governador porque salvou de afogamento a filha do diretor da penitenciária perdida no meio do nada, num estado tipo Wyoming (seu ato heróico é capa da People, da Time, do NYTimes e Washington Post. Por favor, vá beber água para não se engasgar de rir). Adendo: ela acha que é inocente, mesmo tendo metido um balaço num mafioso. Ela é acusada TAMBÉM de roubar um quadro, coisa que ela não fez. Mas enfiou um balaço, sim, no homem.

E por aí vai. A lista de sandices é complementada por uma obcecada fixação que Sidney Sheldon tem pelo Brasil. A empresária que anda solenemente para a lei de controle de imprensa nos EUA (no fim do livro ela tem mais veículos de comunicação que Murdoch e Ted Turner juntos) compra jornais, TVs e rádios em outros países, incluindo o Brasil; um político abandona a família para se encontrar com o amante... no Brasil. Um advogado da máfia que entrega os chefões ao FBI quer nova identidade, mas não precisa de mais nada: vai para sua fazenda... no Brasil. A mocinha trapaceira diz que o suposto marido não foi ao baile porque está tomando conta de suas propriedades... no Brasil. No final, ela foge com outro trambiqueiro - para o Brasil.
Tem uma que é o ó: essa mesma mocinha, querendo se vingar de um bandidão, arma para cima do sujeito para ele ficar sujo com o capo de tutti capi: faz com que pensem que ele está fugindo, com dinheiro desviado, para o Brasil. A prova: chega um telegrama para ele, confirmando sua reserva da suíte presidencial do Rio Othon Palace, Praia de Copacabana, Rio de Janeiro.
E vem assinado pelo gerente: J. Montalband!
Tem nome mais tropical-Zé Carioca do que esse?
Estou adorando. Recomendo.

Um comentário:

Cris disse...

ahuahuhaua, sidney sheldon realmente é o ó, mas quem disse que a gente não precisa de diversão barata de vez em quando? melhor que isso só harry potter e paulo coelho. beijo