terça-feira, julho 03, 2012

...

Tem momentos na vida que realmente tudo é (tem que ser), como diz a música, me, myself and I. Mas quem é mãe sabe como é dureza largar velhos hábitos e admitir que, ora bolas, você ainda é um ser humano.

segunda-feira, julho 02, 2012

Vício Maldito



Como eu disse lá no site da Simone, estamos as três viciadas em Once upon a time. Fizemos uma maratona lá em casa (cada uma no seu notebook) e vimos toda a primeira temporada. Depois, fizemos algumas considerações e fechamos que:

* Nós amamos Mr. Gold!
* David faz tanta m. que agora a gente só chama o coitado de Príncipe Charmento (quando ele é o David).
* Chapeuzinho Vermelho é ídola da Catatau ("Mesmo ela se vestindo que nem uma piriguete!").
* Sentimos pena de Regina. A vida sacaneou a pobre tanto que ela agora sacaneia todo mundo.
* Emma é quem queremos ser quando crescermos.

Que coisa horrível de se fazer com crianças inocentes e altamente impressionáveis.

O momento é tudo

Qual a hora certa de deixar a filha voltar sozinha da escola? Andar de ônibus? Ir ao shopping sozinha com as amigas? Pra fazer a cópia da chave de casa? Deixar voltar mais tarde de uma festa? Depilar as pernas? Usar salto? Estender o horário de dormir? Contar coisas sobre o seu passado? Dividir (muitas) incertezas sobre o futuro? Parar de comprar tanto cor-de-rosa?

Ando tão perdida...

sexta-feira, junho 22, 2012

O que não nos mata...

... nos fortalece. Há meia hora voltei do supermercado carregada. Sozinha na calçada, fui me desviando do pessoal arrumado, cheiroso e fashion indo para o cinema, beber, namorar. E eu abaixei a cabeça e segui. Houve um tempo que isso doía, e muito, Hoje, não. Porque, infelizmente, a gente se acostuma. A achar que mãe é assexuada. Que dona-de-casa dorme cedo, se depila e faz as unhas em ocasiões especiais e só compra roupa quando necessário. Compra de impulso, só para os filhos. O dinheiro guardado é para gastar com coisas úteis, em emergências, no futuro. Porque, sejamos francos, virando o cabo dos 45 anos, o futuro não é tão comprido, tão longo assim. Não é tão promissor.

O que não nos mata nos fortalece. Eu hoje comprei um perfume para mim. Vagabundo, pequeno, comum, entre tantos vagabundos, pequenos e comuns expostos naquela prateleira do supermercado. Mas é meu. Meu supérfluo. Minha besteira, meu dinheiro jogado fora - mas um dinheiro que jamais foi tão bem empregado, em toda a minha vida.

quarta-feira, junho 20, 2012

Há 13 anos




Ela odeia (ou "Vaza, mãe"):

Tomar café da manhã;
Roupa apertada/piniquenta/curta (aka minissaia e qualquer-coisa-de-lastex);
Dormir cedo;
Que falem mal de Crepúsculo e de todos os envolvidos, sejam atores/equipe técnica ou qualquer um que esteja a pelo menos 245 passos de separação do casal Robsten;
Creme de milho;
Matemática;
Usar aparelho.

Ela ama (ou "Que mico, mãe!"):

Brincar de Barbie, Polly, Littlest Pet Shop (mas tem vergonha);
Sair pra passear pela casa empurrando carrinho de boneca com a irmã (mas tem vergonha);
Sentar no meu colo pra ganhar um monte de beijos (mas tem vergonha);
Quando eu falo bem alto o seu apelido (mas tem vergonha);
Ver as fotos de quando era bebê (mas tem vergonha);
Que eu arrume a mochila e borde seu nome nas bolsas, nas necessaires, nas bolsas com material da ginástica (mas tem vergonha);
Que eu lembre como ela é linda e fofa e cheirosa e meiguinha (mas tem vergonha).

Os 13 melhores anos da minha vida. Parabéns, minha flor. Mesmo sendo agora Maria para o mundo, você ainda é - e sempre será - minha Zé Colméia.

quarta-feira, junho 13, 2012

A Deus pertence

O que é preciso fazer. Às vezes só em pensar você se sente esmagada - a palavra é essa, esmagada - pela lista de tarefas. Mesmo que esteja de olhos fechados, deitada na cama, no escuro, e são 3h17m da madrugada e você não consegue dormir porque a lista de coisas a fazer não termina. E se o dia tivesse 60 horas ainda sim a lista não ia diminuir.

Saí da revista - em boa hora, porque ela não anda bem das pernas e era isso ou isso. O dinheiro ganho (não foi muito) já foi quase todo em roupa para as meninas (sutiãs, calcinhas, sapatos, calças compridas), no tratamento do cachorro, na troca inadiável do encanamento do banheiro. E então passo hoas debruçada sobre o orçamento familiar vendo o que é possível cortar, remanejar, adiar, desistir. Ver se é vantajoso levar o empréstimo pedido numa urgência médica para um banco com juros menores ou se gasto menos tirando as meninas do integral e fornecendo as refeições em casa.

Na outra planilha, o andamento do projeto. A seleção dos livros. O modelo do site. A estratégia de divulgação. A escolha dos textos das colunas. Os planos a curto, médio e longo prazo. Os anunciantes. A pergunta que não quer calar: o quanto ele tem que render pra eu, ao menos, fechar as contas no fim do mês.

segunda-feira, junho 04, 2012

Mão na massa

Começar um negócio é começar uma vida. É rearrumar a rotina, realocar prioridades. Mas mesmo nesse turbilhão de ideias, de coisas-a-fazer, mesmo nessa necessidade urgente de trocar pensamentos doidos com a minha sócia - sim, eu tenho uma sócia, tão sonhadora como eu e de um tal grau de maturidade e doçura que eu me sinto feliz por ter arrumado tempo pra responder àquela mensagem de ajuda pra um trabalho - eu sinto falta de ter alguém que me pergunte "E aí, o projeto está andando?".

Lista de livros, modelos de sites, relação de profissionais que preciso contatar. Meu armário está com cupins, o pedreiro me abandonou (e a mim, que fiz juras de amor eterno a ele, só sobraram sacos de areia) e a operação desapego continua furiosamente em andamento.

Quase 46 anos, e contando.

quinta-feira, maio 31, 2012

Decotes

Zé Colméia tem seios. Grandes seios que, absolutamente, não combinam com ela. Porque, veja bem, ela gostaria que eles fossem atarraxados, sabe? Aí poderia escolher usá-los ou não. Na escola - nada de seios na escola. Atrapalham, doem quando ela corre, e os meninos adoram dizer que ela usa enchimento no sutiã. "Eles vão ver, um dia eu me encho e levanto a camiseta e mostro pra eles!" Este tem sido o meu pesadelo mais recorrente: ela subindo a blusa no meio do pátio pra provar que ali é tudo natural - e os bispos da igreja metodista vendo tudo lá da pastoral. Oremos.

Enfim. Zé Colméia tem seios. Os sutiãs que eu comprei pra ela e nada são the same thing. Entonces (estamos trilingues hoje) lá fui procurar um modelo sem frescuras que impedisse que aquilo tudo furasse a camiseta da escola. Dos 45.490.572 tipos que a vendedora me mostrou, achei dois modelos - atenção: dois - que não eram de bojo forrado com enchimento para subir/empinar/crescer/massagear/impedir o decaimento dos seios. Dois modelos.

Igual aos xampus (você consegue comprar xampu que só lave o cabelo, sem efeitos 3D blue-ray? Eu, não) você não encontra sutiã que apenas sirva de porta-seios.

Eu estou ficando pra trás. E sem ninguém pra me dar uma carona.

sexta-feira, maio 18, 2012

Quarto do pânico

O que mais tem me impressionado nesses últimos dias é o quanto eu acumulei. Essa é a palavra: acumulei. Não joguei nada fora. As desculpas foram variadas, infinitas - criativa e largamente usadas nos últimos 15 anos da minha vida. "Depois eu vejo isso, quando tudo acalmar depois do casamento", "Eu posso precisar disso logo, logo", "Não dá pra fazer tudo ao mesmo tempo, com um bebê em casa", "Não dá pra separar nada do jeito que eu estou enjoando/inchando/ parindo", "Não tenho tempo nem pra comer com duas crianças tão pequenas e mais o emprego", "Não quero mexer nada, só deixar o divórcio passar", "Trabalhando feito uma condenada não quero nem pensar em arrumação nos fins de semana", "Quando as meninas forem mais crescidas eu encaro essa arrumação", "Tenho que perder só cinco quilos pra isso caber de novo", "Essas saias custaram uma fortuna, com certeza vão voltar à moda", "Eu não tenho ainda um orfanato que realmente esteja precisando dessas doações", "Não tenho quem leve toda essa louça embora", "Não quero me desfazer por enquanto dessa cama", "Não acho quem desmonte e aceite consertar essa casinha de madeira das meninas", "Não estou com saco de mexer nisso".

O quarto onde eu montei meu escritório na casa dos meus pais agora vive trancado. Ele guarda atrás da porta 15 anos de total e absoluta inércia sobre o que fazer com o que não me serve mais - objetos, roupas, sapatos, móveis, louças, eletrodomésticos,  lembranças, objetivos, desejos acumulados e que eu não sei nem por onde começar a me desfazer.

quinta-feira, maio 17, 2012

Daqui a pouco

Querer fazer é uma coisa. Ter a ideia, todos os detalhes na cabeça, a evolução natural do negócio até aquela loja ali na galeria - eu passo por ela quase todo dia, e as meninas já falam "olha mãe, ninguém alugou ainda" (quando o cartaz de "aluga-se" uma vez sumiu da vitrine, as duas olharam pra mim com cara de pêsames, e eu juro que o beicinho da Catatau deu aquela tremida básica de canceriana) - então, tudo no seu cérebro, menos como começar.

Bom, vai ser um site, óbvio. A única ferramenta que eu conheço é esse blogspot que vos fala. Eu quero fazer no Wordpress, e depois, quando (e se) o negócio decolar, migrar para um site com domínio pago etc e tal. Os conformes. Mas fazer todo o layout, procurar as imagens, colocar os textos, dividir as seções. Montar a coisa. Pensar que, se der certo, eu vou ter que dar adeus à vida de assalariada. Porque as duas coisas eu não vou conseguir fazer. E ter que vender o produto - o site e a ideia dele - pra conseguir que ele seja rentável.

Medo. Muito, MUITO medo. Eu nunca fiz nada pra mim dessa envergadura. Mas ao mesmo tempo eu faço em dois meses 46 anos. Não tenho casa própria, não tenho dinheiro guardado. Se eu morrer amanhã meus pais vão ter que pagar meu enterro. Vou deixar dívidas de herança para as minhas filhas. Não me relaciono com ninguém já quase uma década. O que diabos eu estou esperando pra realizar um sonho meu?

"Eu não sei", sempre diz sorrindo o diabo da procrastinação.

terça-feira, maio 15, 2012

Miss Hyde

Como é possível - você, que já passou por isso, me explica por favor - que aquela menina linda, rechonchuda, que amava o Urso da Casa Azul, adorava vestidos blusas calças shorts macacões sapatos bolsas casacos tudo cor-de-rosa e acordava sorrindo pra vida virou essa criatura monstr..., digo, adolescente petulante arrogante desbocada adoradora de Crepúsculo?

Socorro - é sério. Socorro.

segunda-feira, maio 14, 2012

Demorô

As coisas mudam; eu mudei. E isso deve acontecer com todo mundo, porque não deve ser somente eu - pelamordedeus. Já tem muito tempo - e bota tempo nisso - que eu quero ter prazer no trabalho mais do que ganhar dinheiro. Eu quero realizar alguma coisa. Se eu ganhar dinheiro com isso, oba oba.

Esta semana vou começar a fazer a página. Vai ser pra ler, pra refletir, e não pra ganhar dinheiro - provavelmente pra ganhar dinheiro eu vou ter que ter um sócio ou uma sócia que saiba fazer isso, porque eu não sei. Por um tempo, provavelmente outros vão faturar. Eu sei tornar reais os sonhos. Eu sei planejar, eu sei discutir, eu sei desenhar e arrumar. Infelizmente, eu não sei fazer sonhos renderem dinheiro. Mas mesmo que eu jamais ganhe um tostão com ele, ele vai se realizar. Demorando um mês ou um ano, você vai receber convite virtual pra ir lá e palpitar.

Saudades docês.

terça-feira, abril 03, 2012

Um novo dia

Muitas mudanças. Ainda não sei se para o bem ou para o mal. Só sei que jamais estive tão cheia de energia e expectativa quanto ao meu futuro. E tempo pra escrever? Tempo eu tenho, não tenho é internet. Thanks, Virtua.

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

Miudezas

Velhinhos de Ipanema não são como os outros velhinhos. Não, de jeito nenhum. Eles têm apuro em se vestir. Têm sorrisos luminosos, olhos brilhantes, e são extremamente cavalheiros. Dão passagem, abrem portas, dizem "por gentileza, senhorita" mesmo que você esteja com uma barriga de 13 meses de gravidez.
Eu amo os velhinhos de Ipanema - as velhinhas, porém, usam muita sombra azul. Uma pena.

Como as meninas estão com o pai, comecei a trocar o dia pela noite. Tenho um horário livre, então chego à revista ao meio-dia e agora, nove da noite, ainda estou na redação. Todo mundo foi embora. A noite pra mim sempre foi melhor do que o dia. Meu trabalho rende mais; o que eu amo fica mais atraente à noite, e a sensação que eu estou sozinha no mundo é preciosa. Noites têm cheiro diferente. Sou uma criatura lunar, dizem os astrólogos sobre os cancerianos.

Meu golden retriever de 14 anos está cego de um dos olhos, e mal enxerga do outro. Demora a subir as ancas quando se levanta, mas com que orgulho ele empina as orelhas e late quando sente uma sombra diferente, um cheiro que não é o meu. Levei-o ao veterinário; quando chegamos, foi como se um alto-falante anunciasse Elvis is in the building. Ele é grande, musculoso (está pesando 52 quilos!), dourado, lustroso. Ele é majestoso, o meu gato laranja.

Ouço um recado que as meninas deixaram na caixa postal do meu celular. Não reconheço a voz das duas. Em um mês já não reconheço a voz das minhas filhas. Alguém pode por gentileza cutucar o motorneiro e pedir que ele pare o bonde que eu quero descer e voltar à estação? Lá, onde as duas eram meninas que amavam sapatos de bichinhos, vestidos de pregas e muito cor-de-rosa? Pode voltar, por favor? Eu esqueci uma coisa no banco - a infância delas!

Queria muito me apaixonar de novo. Mas ao mesmo tempo penso na canseira que isso provoca. O relacionamento que pressupõe confiar no outro, e aprender a aceitar, a acertar e errar, a lidar com outra vida. E sinto uma onda tão grande de medo que me apavoro e, igual a uma galinha, volto a ciscar em volta do meu engradadinho.
Lealdade, fidelidade, confiança, certeza, amor. De mão beijada não dá.

quinta-feira, janeiro 26, 2012

...

Num dos prédios que desabaram hoje no Centro do Rio ficava o nosso escritório de contabilidade. A revista perdeu toda a sua documentação fiscal. O gerente financeiro conseguiu ligar para um dos celulares da empresa - do filho do casal que é dono do escritório - e, depois disso, ninguém conseguiu mais trabalhar: não dava para esquecer a voz do rapaz dizendo "Não sei onde está minha mãe!"

quarta-feira, janeiro 25, 2012

De volta para o futuro



Pra escrever num blog a gente tem que começar a pensar em forma de post. Pensar pra se adequar a uma ferramenta de convívio social. Parece doideira, mas não é. E a maneira como eu me sinto chegando a essa conclusão é mais doida ainda. Porque meu celular de quatro anos atrás só faz e recebe chamadas. Só. Não tem câmera, bluetooth, internet, filmadora, conexão com redes sociais, gravador, comando de voz. Não tem nem capa nem lavadora de pratos via download na página do fabricante. Não roda Android, muito menos C3PO.

Aplicativos são, para mim, tão familiares como o Códice de Dresden - pra você ver que não basta fazer esquema com desenhos coloridos. Não entendo quem quer smartphone e não consegue nem migrar a agenda de um telefone pro outro (né dona Cris?). Sou daquelas que lêem manual de instrução e bula de remédio frente-e-verso, incluindo as letras miúdas do rótulos de xampu.

Eu me sinto ficando pra trás, dando tchauzinho (só de dedinho, porque estamos já nos 45 do segundo tempo, com um pé na prorrogação) pra quem já anda em velocidade de dobra. Funcionou, tá lindo. Não precisa complicar.

Estou entrando na fase em que o cérebro progride e o corpo declina. O pensamento não acompanha a paciência, e vice-versa. Os neurônios vão, mas o resto das células ficam. É um descolamento esquisito, que só quem está nessa dimensão percebe.

Tô voando, eu sei.

terça-feira, janeiro 24, 2012

Fim do expediente

Faz tempo. Muito tempo. Mas o trabalho anda muito (graças!), as meninas estão viajando com o pai e o pedreiro botou meu banheiro abaixo, mas por uma boa causa: trocar um encanamento de cem anos. E o melhor: eu posso pagar!

Aê. A vida vai andando, e parece que 2012 vai ser um bom ano. Ninguém me disse, ninguém me contou, mas eu estou com a sensação que. As contas continuam chegando, as meninas continuam crescendo, eu continuo envelhecendo, meus pais, meus cachorros, a casa. Ficando velha sem paciência, com a pachorra de gastar as viagens de metrô analisando e me perguntando se um dia sobrará homem sobre a terra que NÃO se depile. Que deixe os braços com aqueles cabelos negros enroscando deliciosamente em volta da pulseira do relógio.

Talvez eu vá a Nova York em março, ou a Madri em fevereiro. Mas eu queria mesmo era ir pra Friburgo, ver meus pais. Ou viajar com as meninas para o sul - cê me espera, Dita?

Então. É isso. Todo mundo da revista foi embora, e eu estou triste porque não vou mais poder baixar minhas séries pra assistir em casa comendo Pringles sabor vulcão ardido. Já está ficando escuro e eu vou começar o caminho pro meu morro - criticando as roupas do mulherio no metrô, ensinando pela enésima vez pra algum turista pra que lado fica a Praia de Ipanema e pensando em como eu sou uma mulher de sorte e, hoje, feliz.

quinta-feira, dezembro 29, 2011

O exato momento



Catatau ligou exatamente às 12h10m, a voz bem fininha. "Voz de coelhinho atrás da moita", como eu digo a ela, e ela ri fofa, quente, macia, feliz, riso do meu bebê. Catatau sempre foi a-menina-que-adora-brincar-que-é-mulher. Sempre muito feminina, sempre cheirosa, sempre arrumada, sempre cuidada. As brincadeiras jamais incluíram violência, armas, subir em árvores, girar feio doida até cair de pernas abertas no meio do pátio da escola (aka Zé Colméia). A roupa sempre impecável, os cabelos escovados/arrumados, o perfume e o gloss na bolsa, a medição do salto para comprovar que, sim, esse ano eu estou usando sapatos mais altos do que no ano passado.

Catatau ligou exatamente às 12h10n, a voz bem fininha. "Mamãe, fiquei menstruada! E não estou com cólica nem com nada!". Depois dos seios, minha Joaninha tão redonda e cheirando a manhã botou o outro pé na adolescência. E eu, trocando emails com o distribuidor das revistas em São Paulo, com o telefone fixo na outra mão e o caderno de anotações aberto no colo, parei os minutos para sentir uma alegria imensa e uma tristeza incomparável pelo tempo que não volta mais, por aquilo que, se não aproveitei, não mais terei como recuperar. Terminou. E acabou de começar.

segunda-feira, dezembro 26, 2011

Dividir e multiplicar



Esta é a última semana do ano. Eu estou sozinha aqui na redação da revista. Eu & minhas listas, eu & minhas resoluções, eu & EU. Pensando como foi o ano, o que eu quero fazer em 2012 - você sabe, antes de o mundo acabar no próximo Natal :)

Então. Zé Colméia passou por um triz, Catatau passou direito. Zé Colméia ainda insiste em andar pelada pela casa (dentro e fora,) Catatau escolheu um sapato de salto (saltinho, vai) vermelho de verniz chiquerésimo pra usar na ceia de Natal na casa do pai. Minhas meninas que já não estão assim tão meninas.

Eu passei o Natal sozinha. Minha ceia foi um panetone com suco de manga. Era pra ser vinho verde, mas eu esqueci. Deixei de lembrar um monte de coisas, mas não me saía da cabeça meu pai segurando o choro ao telefone dizendo que o aparelho deles estava mudo e que ali, no meio da estrada poerenta, ele me abençoava e me desejava o melhor dos natais, o melhor dos revéillons, o melhor.

Meu cachorro mais novo fez 10 anos no dia de Natal. Dez anos. A caçulinha. Meu querido golden já avança para os 14 anos, com saúde e todos os dentes na boca. Ainda late alucinada e dolorosamente quando me vê calçar os sapatos para sair, e se esfrega em mim qual um gigantesco gato laranja quando chego em casa.

Sem água, sem as meninas, sem ceia de Natal, sem árvore, sem presentes, mas cheia de gratidão por terminar o ano com saúde, com meus pais vivos, com filhas saudáveis, com comida na mesa e um teto sobre a cabeça, com meus companheiros fiéis dormindo satisfeitos na cozinha, com meus amigos.

Bom 2012 pra você. Que o fim do próximo ano chegue assim: sem nada a pedir, com tudo por agradecer.

terça-feira, novembro 29, 2011

Seminovos

E então eu resolvi levar todos os brinquedos todas as roupas todos os sapatos das meninas para a casa da minha mãe. Tudo o que eu separei durante o ano, o que não serve mais, tudo o que não é mais brincado, vestido ou paramentado.
Só pra ter uma noção da altura da pilha: são 36 pares (pares) de sapatos. Quase 20 caixas de quebra-cabeças. Perto de 50 bonecas. Cerca de 35 bolsas. E por aí vai.

Impressionante como aquilo que era vital há um ano hoje em dia suscita um "Mas você tem certeza de que isso era meu??!?"

Oi, aborrecência. Tô chegando aí.