sexta-feira, junho 22, 2012

O que não nos mata...

... nos fortalece. Há meia hora voltei do supermercado carregada. Sozinha na calçada, fui me desviando do pessoal arrumado, cheiroso e fashion indo para o cinema, beber, namorar. E eu abaixei a cabeça e segui. Houve um tempo que isso doía, e muito, Hoje, não. Porque, infelizmente, a gente se acostuma. A achar que mãe é assexuada. Que dona-de-casa dorme cedo, se depila e faz as unhas em ocasiões especiais e só compra roupa quando necessário. Compra de impulso, só para os filhos. O dinheiro guardado é para gastar com coisas úteis, em emergências, no futuro. Porque, sejamos francos, virando o cabo dos 45 anos, o futuro não é tão comprido, tão longo assim. Não é tão promissor.

O que não nos mata nos fortalece. Eu hoje comprei um perfume para mim. Vagabundo, pequeno, comum, entre tantos vagabundos, pequenos e comuns expostos naquela prateleira do supermercado. Mas é meu. Meu supérfluo. Minha besteira, meu dinheiro jogado fora - mas um dinheiro que jamais foi tão bem empregado, em toda a minha vida.

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