Uma das coisas que eu mais gosto é ver um homem dirigir. É claro que eu tenho que estar envolvida com ele (não, eu não persigo motoristas de táxi). Mas é um sentimento meio assim, de me sentir segura, sabe? Eu sou a mocinha na garupa do cavalo branco, nós dois cavalgando em direção ao pôr do sol.
Ridículo.
terça-feira, agosto 03, 2010
quinta-feira, julho 29, 2010
Papier Chocolatier

Na papelaria, escolhendo material:
- Cadê sua irmã?
- Sei lá, ela estava ali naquele cantinho, com aquele caderno que cheira a chocolate. Ali, tá vendo? Atrás das agendas, bem no cantinho, no meio das pastas de elástico.
[...]
- CATATAU!
- Ui, mãe!
- Mas o que você está fazendo?
- Er... Nada, mãe.
- Como nada?
- Nada, mãe, eu só estava... bem... vendo esses cadernos.
- Vendo? Você estava LAMBENDO as capas!
*suspiro*
quarta-feira, julho 21, 2010
Primavera outonal
44.
Vamos ver... 44x2=88
É, dá pra dizer que estou na metade da vida. Ainda.
Então tá, né?
Viva eu.
Vamos ver... 44x2=88
É, dá pra dizer que estou na metade da vida. Ainda.
Então tá, né?
Viva eu.
terça-feira, julho 20, 2010
segunda-feira, julho 05, 2010
Há nove anos

Acordar de bom humor é um dom, seja verão calorento ou inverno frio e chuvoso. É um dom rir e fazer um vagão inteiro, superlotado e calorento, rir também – com ela, não dela. Avaliar a situação com apenas um olhar gordinho; guardar, de centavo em centavo, R$ 300 em quatro meses; saber quando pedir e quando calar. Abençoada com a destreza em enrolar qualquer um para pedir mais – ou conseguir menos quando convém. É um talento descobrir o que pode ser feito com paciência, e o que deve ganhar prontidão. Quando fazer beicinho e bater pé, quando revirar os olhos e pedir “por favor” com voz de coelhinho perdido na floresta fria e escura.
É um dom ser Catatau. E uma graça infinita eu ser mãe dela.
Feliz aniversario, querida.
terça-feira, junho 29, 2010
Figuração
Eu queria muito saber onde a Colgate arranja tanto dentista gato. Deve ser por isso que eles dão só o número do registro no Conselho - jamais o estado. Porque aí, né? Vai ter gente querendo provar a pasta de dentes ali, na boca do dentis... quer dizer, do caixa.
Euzinha inclusa.
Euzinha inclusa.
quarta-feira, junho 23, 2010
Pra frente, Brasil!
- Mãe, tem um repórter no meio do campo!
- Peraí, tô terminando de fazer a pipoca!
- Mãe, vem logo! O homem tá correndo atrás dos jogadores e ninguém quer falar com ele!
- Mas o jogo não começou?
- Começou, e o cara tá correndo atrás de todo mundo! De microfone no ouvido, sabe? Que nem a moça do Disney Channel? E todo mundo fugindo dele, coitado. Ninguém quer dar entrevista - mas também precisa ser na hora do jogo?
- Cheguei! Cadê o homem?
- Ali, mamãe. Tá vendo?
- Não, não tô vendo nada! Meu Deus, cadê esse repórter que invadiu o campo? Ninguém fez nada? Cadê ele?
- A-li, mamãe. Tá cega?
- Onde, Gizuizcristim?
- ALI!!!!
E então eu vi. O juiz.
- Peraí, tô terminando de fazer a pipoca!
- Mãe, vem logo! O homem tá correndo atrás dos jogadores e ninguém quer falar com ele!
- Mas o jogo não começou?
- Começou, e o cara tá correndo atrás de todo mundo! De microfone no ouvido, sabe? Que nem a moça do Disney Channel? E todo mundo fugindo dele, coitado. Ninguém quer dar entrevista - mas também precisa ser na hora do jogo?
- Cheguei! Cadê o homem?
- Ali, mamãe. Tá vendo?
- Não, não tô vendo nada! Meu Deus, cadê esse repórter que invadiu o campo? Ninguém fez nada? Cadê ele?
- A-li, mamãe. Tá cega?
- Onde, Gizuizcristim?
- ALI!!!!
E então eu vi. O juiz.
segunda-feira, junho 21, 2010
Há 11 anos

Onze anos é uma vida. A vida de Zé Colméia. “Mamãe, escreve na minha agenda por favor que eu estou no inferno astral”. Ela aprendeu a desculpa perfeita para o mau humor cavalar que a acometeu nos últimos dias. “Insuportável” não descreve a figurinha nem no geral, quanto mais nos detalhes.
Porque, sabe, ela odeia Copa do Mundo. Porque teve jogo no dia do aniversário dela – e zero de possibilidade de eu levá-la a um restaurante, como ela tanto queria. “Filha, mas tem a festa na escola, na próxima sexta-feira.” “Mãe, tem JOGO na próxima sexta”. “Então a gente faz na segunda. Ou na terça”. “Ai, Jesus, o Brasil vai jogar na segunda ou na terça. ODEIO COPA DO MUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUNDO!”
E assim foi. O jantar de comemoração foi no sábado, ela e a família do pai. Então eu levei ela e Catatau ao salão, pela primeira vez na vida, pra fazer as unhas. Catatau ia num vestido balonê lindo, lavanda, com uma rosa delicada no peito. Para complementar o visual, meia fina branca de bolinhas, sapato princesa cor de rosa e unhas preto-e-pink – uma preta, uma pink; uma preta, uma pink. Zé Colméia, num look chic-adulta, foi de chemisier azul marinho de pois – e unhas pink-com-brilho em cima (sim, mãos para batalhar na noite, que Deus me perdoe). Completando, bolsa-carteira rosa-pink da Barbie e sapatos idem. Um looshoo.
Divertiram-se as duas. Muito. Baldes. Foram dormir rindo às gargalhadas. De manhã cedo, os olhos de minha pequena cintilaram - como não o fizeram com as dúzias de pacotes recebidos na véspera - ao abrir meu presente: o primeiro sutiã*.
Felicidades, filha. Mamãe te ama de-mais!
* Experimentado em 0,0087 segundos e retirado aos gritos de “Ai, que coisa horrível, como aperta, pinica, coça, incomoda, tiiiirrrrrrraaaaaaaaggggggggggggoooooooooorrrraaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!
quinta-feira, junho 10, 2010
Amor estatístico*
sexta-feira, junho 04, 2010
...
E o monitor do meu computador finou-se.
Juntou-se ao micro-ondas, às lâmpadas do exterior de casa, ao aspirador de pó, ao chuveiro elétrico. Botou a mãozinha no coração e, sem nem um miado, apagou-se.
Estou numa lan house. Doida de vontade de trocar a foto aí de cima. Mas não dá pra botar o nome do blog.
*suspiro*
Juntou-se ao micro-ondas, às lâmpadas do exterior de casa, ao aspirador de pó, ao chuveiro elétrico. Botou a mãozinha no coração e, sem nem um miado, apagou-se.
Estou numa lan house. Doida de vontade de trocar a foto aí de cima. Mas não dá pra botar o nome do blog.
*suspiro*
sexta-feira, maio 21, 2010
Apocalipto
A lista de desgraças atuais inclui:
Vazamento gigante não localizado (indicativo: caixa d'água de mil litros que se esvazia, sem ninguém em casa, em 12 horas)
Chuveiro elétrico pifado
Pia do banheiro descolada do mármore (interditada)
Duas tomadas em curto
Ferro elétrico liga-não-quer-ligar
Minha empregada. Ela voltou.
Aquela que traz destruição só de entrar num recinto.
Aquela que destrói as asas das xícaras só de usá-las.
Que racha pratos num simples raspar de garfo (sim, meninos, eu vi)
Que trinca vidros de janelas ao aspergir-lhes álcool
Im-pres-si-o-nan-te.
Vazamento gigante não localizado (indicativo: caixa d'água de mil litros que se esvazia, sem ninguém em casa, em 12 horas)
Chuveiro elétrico pifado
Pia do banheiro descolada do mármore (interditada)
Duas tomadas em curto
Ferro elétrico liga-não-quer-ligar
Minha empregada. Ela voltou.
Aquela que traz destruição só de entrar num recinto.
Aquela que destrói as asas das xícaras só de usá-las.
Que racha pratos num simples raspar de garfo (sim, meninos, eu vi)
Que trinca vidros de janelas ao aspergir-lhes álcool
Im-pres-si-o-nan-te.
No início
Catatau está doente. Dor de garganta, muita febre, dor de estômago.
Cuidar dela - Deus me perdoe - é uma das coisas mais gostosas de se fazer (não, não gosto de ver minha pequena sofrendo. Quero mais que ela fique boa). Porque ela sofre da Síndrome do Ninho - quando está ferida, doente, magoada, quer colo de mãe.
E como isso anda raro, hoje em dia.
Cuidar dela - Deus me perdoe - é uma das coisas mais gostosas de se fazer (não, não gosto de ver minha pequena sofrendo. Quero mais que ela fique boa). Porque ela sofre da Síndrome do Ninho - quando está ferida, doente, magoada, quer colo de mãe.
E como isso anda raro, hoje em dia.
...
Deixar um blog às moscas deveria ser crime.
Abandono de incapaz.
Preciso achar uma lanhouse perto do trabalho.
É urgente.
Abandono de incapaz.
Preciso achar uma lanhouse perto do trabalho.
É urgente.
quarta-feira, maio 05, 2010
O inferno é o limite
- Alô.
- Por favor, a Suzana?
- É ela.
- Ahn... Aqui é a Fulana, mãe da Sicraninha e do Beltraninho. Tudo bem? Seguinte: amanhã tem o almoço do Dia das Mães lá na escola, né? Sabe o que é? Eu marquei hora com uma mulher que é ma-ra-vi-lho-sa pra fazer a tinta - dizem que é ela que faz aquele louro da Global da Hora, sabe quem é? Daquela novela? Aí que ela só vai me atender na hora do almoço e será que não dá pra você não ir no almoço da escola? Porque aí a Sicraninha não vai chorar porque eu não vou - se você, que sempre vai, não for, aí ela vai fazer companhia pra [...] e aí elas ficam juntas no almoço, né? Já liguei para a mãe do X, da Y e do Z mas não consegui falar com elas. Então, você pode não ir ao almoço do Dia das Mães?"
Juro.
- Por favor, a Suzana?
- É ela.
- Ahn... Aqui é a Fulana, mãe da Sicraninha e do Beltraninho. Tudo bem? Seguinte: amanhã tem o almoço do Dia das Mães lá na escola, né? Sabe o que é? Eu marquei hora com uma mulher que é ma-ra-vi-lho-sa pra fazer a tinta - dizem que é ela que faz aquele louro da Global da Hora, sabe quem é? Daquela novela? Aí que ela só vai me atender na hora do almoço e será que não dá pra você não ir no almoço da escola? Porque aí a Sicraninha não vai chorar porque eu não vou - se você, que sempre vai, não for, aí ela vai fazer companhia pra [...] e aí elas ficam juntas no almoço, né? Já liguei para a mãe do X, da Y e do Z mas não consegui falar com elas. Então, você pode não ir ao almoço do Dia das Mães?"
Juro.
quinta-feira, abril 29, 2010
A caminho
Ser mãe é:
Fingir que está dormindo porque não está a fim de levantar e brincar de "Barbie vai às compras com Polly";
Deixar para jantar depois que os filhos dormem, pra não ter que ouvir "Você vai comer isso tudo - e não vai deixar nada pra gente?" (mesmo que seja aquele miojex básico, frio, de dois dias de geladeira);
Comer (escondido, óbvio) o restinho do ovo de chocolate de uma. E descobrir que a proprietária vai armar um escarcéu. Então tirar um pedaço mais ou menos do mesmo tamanho de outro ovo aberto e botar lá, em substituição. E fazer cara de paisagem quando a filha disser "Olha, esse pedaço não tem cocrante. Que esquisito!"
No caos-de-cada-dia, esquecer que enfurnou a faixa do quimono numa gaveta do armário (para não perdê-la no caos-do-dia-a-dia, veja só). E botar todo mundo pra procurar. E se irritar, descabelar-se, e achar a faixa, e morrer de vergonha do esquecimento - e acenar com a cabeça (humilhação suprema) quando a filha diz "Também a fulana enfurna tudo, né mãe", fazendo uma anotação mental de pedir perdão à empregada;
Enfiar o nariz naquele pescoço cheirando a suor e brincadeira quando o mundo lá fora parece muito, muito cruel.
Estou feliz, Angélica. Nenhuma criança mereceria uma mãe melhor do que você para acompanhá-la nesse mundo.
Fingir que está dormindo porque não está a fim de levantar e brincar de "Barbie vai às compras com Polly";
Deixar para jantar depois que os filhos dormem, pra não ter que ouvir "Você vai comer isso tudo - e não vai deixar nada pra gente?" (mesmo que seja aquele miojex básico, frio, de dois dias de geladeira);
Comer (escondido, óbvio) o restinho do ovo de chocolate de uma. E descobrir que a proprietária vai armar um escarcéu. Então tirar um pedaço mais ou menos do mesmo tamanho de outro ovo aberto e botar lá, em substituição. E fazer cara de paisagem quando a filha disser "Olha, esse pedaço não tem cocrante. Que esquisito!"
No caos-de-cada-dia, esquecer que enfurnou a faixa do quimono numa gaveta do armário (para não perdê-la no caos-do-dia-a-dia, veja só). E botar todo mundo pra procurar. E se irritar, descabelar-se, e achar a faixa, e morrer de vergonha do esquecimento - e acenar com a cabeça (humilhação suprema) quando a filha diz "Também a fulana enfurna tudo, né mãe", fazendo uma anotação mental de pedir perdão à empregada;
Enfiar o nariz naquele pescoço cheirando a suor e brincadeira quando o mundo lá fora parece muito, muito cruel.
Estou feliz, Angélica. Nenhuma criança mereceria uma mãe melhor do que você para acompanhá-la nesse mundo.
quarta-feira, abril 28, 2010
Saudade
Acordei muito cedo com um torpedo da Cristiane. Sentei na cama, respondi e chorei. Porque a gente se põe no lugar do outro que está sofrendo, tenta sentir o que ele sente e pensar numa maneira de amenizar aquela dor que, no fim, é o que nos molda na vida, por mais clichê que pareça.
Dói mais ainda porque olhamos nossos pais e não percebemos que os dedos se entortaram - exatamente pelo caminho que os seus já anunciam - os cabelos embranqueceram, a pele tornou-se papel de seda. São nossos pais. Não podem simplesmente deixar de ser só porque nossos filhos experimentam o que é nosso, cobiçam nossa vida e nossas liberdades de dormir tarde e jantar amendoins. São nossos pais. Eles são - verbo que não se conjuga, jamais, no pretérito, mesmo que ele tenha sido perfeito.
Dói mais ainda porque olhamos nossos pais e não percebemos que os dedos se entortaram - exatamente pelo caminho que os seus já anunciam - os cabelos embranqueceram, a pele tornou-se papel de seda. São nossos pais. Não podem simplesmente deixar de ser só porque nossos filhos experimentam o que é nosso, cobiçam nossa vida e nossas liberdades de dormir tarde e jantar amendoins. São nossos pais. Eles são - verbo que não se conjuga, jamais, no pretérito, mesmo que ele tenha sido perfeito.
Nome aos bois
"Anônimo disse...
Pq essa vontade insaciavel de estar sempre com um homem??? Vc está numa outra estapa da vida. Não precisa de beijo na boca nao.
Vá criar suas filhas. É a melhor coisa que vc pode fazer.
Por enquanto vc pode exigir sexo casual, mas acho exagero em querer um relacionamento serio. Vc não é nenhuma adolescente!
Pra sexo casual, quiçá um namoro, eu te recomendo o chat do site uol.
É otimo!"
Repetindo: "Pq essa vontade insaciavel de estar sempre com um homem??? Vc está numa outra estapa da vida. Não precisa de beijo na boca nao. [...]
Por enquanto vc pode exigir sexo casual, mas acho exagero em querer um relacionamento serio. Vc não é nenhuma adolescente!"
Sexo casual. Você fica nua, física e psicologicamente, e alguém entra no seu corpo, física e psicologicamente. Pra mim isso jamais, em tempo algum, será casual.
Aí, como eu sou uma velha ranzinza e que leva uma vida mesquinha (como disse um outro sem nome), comentários não identificados serão deletados. Porque não assumir o que se diz é coisa de adolescente, e eu aposto que você não é um.
Pq essa vontade insaciavel de estar sempre com um homem??? Vc está numa outra estapa da vida. Não precisa de beijo na boca nao.
Vá criar suas filhas. É a melhor coisa que vc pode fazer.
Por enquanto vc pode exigir sexo casual, mas acho exagero em querer um relacionamento serio. Vc não é nenhuma adolescente!
Pra sexo casual, quiçá um namoro, eu te recomendo o chat do site uol.
É otimo!"
Repetindo: "Pq essa vontade insaciavel de estar sempre com um homem??? Vc está numa outra estapa da vida. Não precisa de beijo na boca nao. [...]
Por enquanto vc pode exigir sexo casual, mas acho exagero em querer um relacionamento serio. Vc não é nenhuma adolescente!"
Sexo casual. Você fica nua, física e psicologicamente, e alguém entra no seu corpo, física e psicologicamente. Pra mim isso jamais, em tempo algum, será casual.
Aí, como eu sou uma velha ranzinza e que leva uma vida mesquinha (como disse um outro sem nome), comentários não identificados serão deletados. Porque não assumir o que se diz é coisa de adolescente, e eu aposto que você não é um.
sábado, abril 17, 2010
...
O mundo gira, a Lusitana roda.
O casamento acaba, os cacos continuam debaixo do tapete pedindo cola ou o lixo definitivo, mas a gente bota a energia pra não deixar o mato invadir o canteiro, as paredes descascarem, os filhos desandarem.
A gente tem câncer, mas lá vem o bilhetinho na agenda avisando que tem apresentação sobre a chegada da primavera ("Contamos com você lá!"), a ração dos cachorros chega ao fim e as contas continuam a aparecer debaixo da porta impreterivelmente quando não temos mais dinheiro para pagá-las. Nossas roupas acabam - mas se continuam novas alguém herda tudo e um dia vai dizer: "Isso está tão puído!"
Choramos quando perdemos alguém, e na casa em frente ouvimos o parabéns pra você cantado e ip-ip-hurrado. Sentimos o coração afundar ao saber que "...infelizmente não posso ficar com você" enquanto alguém puxa a sua manga para avisar que acabou o papel higiênico no banheiro.
A vida segue. E eu quero amar de novo.
Por favor.
O casamento acaba, os cacos continuam debaixo do tapete pedindo cola ou o lixo definitivo, mas a gente bota a energia pra não deixar o mato invadir o canteiro, as paredes descascarem, os filhos desandarem.
A gente tem câncer, mas lá vem o bilhetinho na agenda avisando que tem apresentação sobre a chegada da primavera ("Contamos com você lá!"), a ração dos cachorros chega ao fim e as contas continuam a aparecer debaixo da porta impreterivelmente quando não temos mais dinheiro para pagá-las. Nossas roupas acabam - mas se continuam novas alguém herda tudo e um dia vai dizer: "Isso está tão puído!"
Choramos quando perdemos alguém, e na casa em frente ouvimos o parabéns pra você cantado e ip-ip-hurrado. Sentimos o coração afundar ao saber que "...infelizmente não posso ficar com você" enquanto alguém puxa a sua manga para avisar que acabou o papel higiênico no banheiro.
A vida segue. E eu quero amar de novo.
Por favor.
quarta-feira, abril 14, 2010
...
Minha advogada ligou para avisar que o juiz não aceitou a denúncia do Ministério Público e decidiu arquivar o processo criminal contra o meu vizinho pela morte da minha cadela.
Então a gente continua assim: janelas eternamente fechadas, sussurrando pelos cantos, com medo de ir ao banheiro e sem viajar, que é para os cachorros não ficarem sozinhos.
Sério, estou cansada. De ficar sozinha, se não ter pra quem dizer "Olha, faz voz bem grossa, uma cara bem feia, vai lá e resolve pra mim, porque eu sou frágil e delicada." Estou cansada de procurar analista pra criança, conversar com professora, segurar a sanidade mental dos outros em detrimento da minha.
Uma vez, uma vez só eu queria que alguém se responsabilizasse por mim. Mesmo que eu estivesse em cima do telhado, cacarejando ao vento.
Só uma vez, pra variar.
Então a gente continua assim: janelas eternamente fechadas, sussurrando pelos cantos, com medo de ir ao banheiro e sem viajar, que é para os cachorros não ficarem sozinhos.
Sério, estou cansada. De ficar sozinha, se não ter pra quem dizer "Olha, faz voz bem grossa, uma cara bem feia, vai lá e resolve pra mim, porque eu sou frágil e delicada." Estou cansada de procurar analista pra criança, conversar com professora, segurar a sanidade mental dos outros em detrimento da minha.
Uma vez, uma vez só eu queria que alguém se responsabilizasse por mim. Mesmo que eu estivesse em cima do telhado, cacarejando ao vento.
Só uma vez, pra variar.
sábado, abril 10, 2010
Ponte aérea
Tem gente que acha puro glamour aquela profissão em que se dá um pulinho em São Paulo umas três vezes por semana. Eu não, baby. Detesto sair de casa, vá dizer de cidade, de estado. Tô fora.
Enfim. Quinta de manhã desovei as meninas na escola às sete da manhã e fui pro Santos Dumont. Atrasada, lógico - pra ida e pra volta. Um frio do cão, chuva que nem aqui, pousei no Rio às nove da noite. O que eu aprendi nesse dia:
* Refeições são patrocinadas. "Bom dia, blábláblá as comissárias a seguir estarão servindo um café da manhã com a saborosa linha ETC E TAL, mais saúde e sabor para o seu dia." E aquele suspiro coletivo e resignado de "Que merda!" e as moçoilas distribuindo uma caixinha com as coisas com mais saúde e sabor. De repente, um cheiro de peixe no ar. E o homem de cabelo ensebado, oleoso e untuoso na poltrona à minha frente levanta-se e, segurando uma lata de atum no azeite com a mão esquerda, abre o bagageiro com a direita e saca da bolsa, sob os olhos apavorados do povo, um garfo.
* Estou lançando uma campanha para que todas - TODAS - as companhias de cosmético do planeta pensem seriamente em banir a sombra azul de suas cartelas de cores. Porque, assim, sombra azul cintilante às sete da manhã é cafona, minha senhora. A não ser que a senhora tenha sido contratada para dar susto nos passageiros que estão cag... ignorando a comissária enquanto ela encena a pantomima narrada "E as máscaras cairão do teto", um clássico da aviação civil há meio século.
* Um frio de rachar. E o avião cheio de mulher de sandália de salto, minissaia e casaco com gola de pele (oi?). Como diria Renata, supercoerente.
* "Boa noite! Quem fala é o Comandante T (Tapado?) que dá a vocês as boas-vindas neste vôo TAM. Tá friozinho, né? Pois então não vou me desculpar pelo aquecimento da cabine, que vai durar um tempinho enquanto aguardamos autorização para decolar. Enquanto isso, que tal dar 'oi' para o seu companheiro de assento? Oi para o seu companheiro de assento! Cariocas e paulistas unidos pela chuva!"
Sílvio Santos. Lombardi. Túmulo. Pulos. Muitos pulos.
* "Estamos iniciando procedimento de descida. Enfrentaremos alguma turbulência, mas nada que ponha em risco a integridade do avião, apenas algum desconforto" diz o comandante, enquanto as comissárias, com cara de apavoradas, desembestam em alta velocidade pelo corredor.
Enfim. Quinta de manhã desovei as meninas na escola às sete da manhã e fui pro Santos Dumont. Atrasada, lógico - pra ida e pra volta. Um frio do cão, chuva que nem aqui, pousei no Rio às nove da noite. O que eu aprendi nesse dia:
* Refeições são patrocinadas. "Bom dia, blábláblá as comissárias a seguir estarão servindo um café da manhã com a saborosa linha ETC E TAL, mais saúde e sabor para o seu dia." E aquele suspiro coletivo e resignado de "Que merda!" e as moçoilas distribuindo uma caixinha com as coisas com mais saúde e sabor. De repente, um cheiro de peixe no ar. E o homem de cabelo ensebado, oleoso e untuoso na poltrona à minha frente levanta-se e, segurando uma lata de atum no azeite com a mão esquerda, abre o bagageiro com a direita e saca da bolsa, sob os olhos apavorados do povo, um garfo.
* Estou lançando uma campanha para que todas - TODAS - as companhias de cosmético do planeta pensem seriamente em banir a sombra azul de suas cartelas de cores. Porque, assim, sombra azul cintilante às sete da manhã é cafona, minha senhora. A não ser que a senhora tenha sido contratada para dar susto nos passageiros que estão cag... ignorando a comissária enquanto ela encena a pantomima narrada "E as máscaras cairão do teto", um clássico da aviação civil há meio século.
* Um frio de rachar. E o avião cheio de mulher de sandália de salto, minissaia e casaco com gola de pele (oi?). Como diria Renata, supercoerente.
* "Boa noite! Quem fala é o Comandante T (Tapado?) que dá a vocês as boas-vindas neste vôo TAM. Tá friozinho, né? Pois então não vou me desculpar pelo aquecimento da cabine, que vai durar um tempinho enquanto aguardamos autorização para decolar. Enquanto isso, que tal dar 'oi' para o seu companheiro de assento? Oi para o seu companheiro de assento! Cariocas e paulistas unidos pela chuva!"
Sílvio Santos. Lombardi. Túmulo. Pulos. Muitos pulos.
* "Estamos iniciando procedimento de descida. Enfrentaremos alguma turbulência, mas nada que ponha em risco a integridade do avião, apenas algum desconforto" diz o comandante, enquanto as comissárias, com cara de apavoradas, desembestam em alta velocidade pelo corredor.
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