segunda-feira, setembro 17, 2012

...

Um dia você acorda depois de um fim de semana sozinha e se espreguiça na cama gigantesca, grande para somente uma pessoa, e aí bate aquela solidão doída, que dá falta de ar e deixa as mãos geladas. Sai da cama e entra na correnteza da rotina, e faz tudo igual o dia inteiro, e tem as mesmas preocupações (dinheiro criança futuro) e então você pára no meio da rua e diz chega.

Chega.

Pois é. Chega. Você estufa o peito e diz é agora, não depois. Aí sua filha mais velha, que concordou em mudar, em dar uma chance à família, manda uma mensagem por celular mais do que desaforada - depois de enfiar a mão na cara da irmã. Sua caixa de correio te traz uma ordem de despejo (porque a dona da casa resolveu fazer uma reforma sem prazo pra terminar e, pelo visto, sem prazo pra começar, também) e sua vizinha te liga pra avisar que o cachorro, que quase não anda mais, caiu e está com as patas presas sob a grade da varanda. "Você pode vir o mais rapidamente possível? Ele está gritando praticamente desde as 8h da manhã."

Aí você faz o quê? Joga o limite do Chega mais pra frente. Empurra com a barriga, finge que não viu, aumenta a capacidade de memória e aperta reiniciar. Você faz isso de novo e de novo e de novo ("Mãe, você pode ver...", "Mãe, foi ela quem começou", "Filha, pode ver pra mim...", "A senhora pode comparecer...", "Você pode mandar o dinheiro...", "O prazo de 60 dias para desocupação do imóvel...") até o dia em que o sistema não volta. E aí?

E aí não sei. Espero não estar aqui pra ver.

Um comentário:

André T. disse...

que fase :(