
Faz tempo que eu procuro alguma coisa interessante para ler. Por ficção joguei a toalha faz tempo: já estava com varizes de ficar em pé na livraria pescando um trecho ali, um parágrafo acolá, em busca de algum peixe que fisgasse a mim. Até que me dei conta que, na verdade, procuro em água doce o que nada em pleno mar. Jamais pescaria nada que prestasse.
Não me lembro qual foi o último livro de ficção que li. Minto; lembro, sim: "Monte Verità", devorado em menos de duas horas. Mas assistindo um episódio de uma das minhas séries favoritas, me peguei discutindo com Zé Colméia (que é fã, também; dez anos de Umbral por viciar a menina) porque aquela série era legal e outros seriados, não.
"Bom, a história é doida mas é como se fosse de verdade, né? Quer dizer, você ACREDITA que é possível acontecer. Porque toda a história, todos os detalhes, os personagens, a história do povo, é tudo bem amarradinho, então não sobram perguntas pra se responder. Está ali, e eles lembram cinquenta episódios depois que o fulano fez isso - e as consequências aparecem então agora."
Pois é isso que eu estava procurando num livro de ficção. A história bem amarrada. O clímax/anticlímax. A vontade de ver aonde o autor me levaria. Pois eu não encontro mais isso. Todos os autores querem me arrastar praquele programa cinema/restaurante/motel/depois-te-ligo. Ninguém me convida pra ir ao circo, ou a um festival de balões, ou pra um churrasco de amigos em Magalhães Bastos. Não. Cinema/restaurante/motel/depois-te-ligo.
Então eu larguei ficção e comecei a olhar - de novo - pra não-ficção. Comecei a olhar para a minha estante, onde dormem inúmeras biografias que eu não terminei de ler (a de Mao Tsé-Tung foi a última). Meus livros de Carl Sagan, herói da minha infância e que chorei a saudade revendo "Contato" esses dias. Georges Duby, Eric Hobsbawn, Peter Singer, Jean Baudrillard, Roland Barthes (dele, apenas a introdução de "A câmara clara" é o que levarei comigo, porque a idéia contida em "vi os olhos que viram Napoleão" é uma das que me perturbam a cabecinha desde meus oito anos) e outros. E foi Michio Kaku e "A física do impossível" que me fisgaram com pouca linha e quase nenhuma isca na feira do livro ali do Largo do Machado.
Canela, orégano, salsinha, cravo, noz moscada. Estrelas, costumes, guerras, fotografia e o olhar do homem. Qualquer coisa, por mais boba que seja, muda o sabor e o rumo da vida.













































