quarta-feira, abril 29, 2009

Fotógrafos XIII - Paul Strand



Burying ground, Vermont, 1946



Mullen, Maine, 1927



Young boy, Gondeville, Charente, France, 1951



Tir A'Mhurain, South Uist, Hebrides, 1954



Katie Morag Morrison, South Uist, Hebrides, 1954



Ewan MacLead, South Uist, Hebrides, 1954



Lusetti Family, Luzzara, Italy, 1953



Post mistress and daughter, Luzzara, Italy, 1953



Wall Street, New York, 1915



Blind woman, New York, 1917

Olhar direto: fotografias de Paul Strand
Instituto Moreira Salles: Rua Marquês de São Vicente 476, Gávea, Rio de Janeiro. Tel: (21) 3284-7400.

Exposição: terça a domingo, das 13h às 20h. Entrada Franca.
Filmes: sessões todas as quintas e domingos de maio, às 16h.
Dias 7, 10, 21 e 24 de maio: "Redes", de Fred Zinnemann; "Manhatta", de Paul Strand e Charles Sheeler
Dias 14, 17, 28, 31 de maio: "Native Land", de Leo Hurwitz e Paul Strand; "Manhatta", de Paul Strand e Charles Sheeler

terça-feira, abril 28, 2009

Declarei

O ano de 2008 passou pago pelo meu FGTS (finalmente retirado) e a ajuda dos meus pais, plus o que eu ganhei das editoras. Que, aliás, foi tão pouco que o IR recolhido na fonte foi de R$ 185. A Receita Federal, vendo a periclitância, bondosamente vai me restituir R$ 114.

Tô mais feliz que pinto no lixo.

segunda-feira, abril 27, 2009

As tiranias da intimidade



Para entendermos por que O declínio do homem público já se tornou uma espécie de clássico da sociologia contemporânea, basta olharmos à nossa volta. Basta ver que um país com o Brasil tem, por exemplo, muito mais poetas do que leitores de poesia. Do advogado ao médico, à dona-de-casa e até ao cineasta, passando, é claro, pela atriz, todos escrevem - e empurram-nos - seus poeminhas. Por que será que é mais fácil escrever poesia do que ler poesia, fazer arte do que ver arte - paradoxo que só pode implicar rebaixamento de qualidade? É que no mundo do "eu me amo", do narcisismo desvairado, a privatização da existência assumiu proporções tais que o eu constantemente invade o já tão depauperado espaço do outro. Ser outro hoje em dia é duro, nesse bulevar de vitrines do ego.

Muito justamente, Richard Sennett se cansou dessa mania de jogarem o coração - sangrando ou não - sobre a mesa. Para ele, os principais males da sociedade, do narcisismo clínico à apatia política, resultam no declínio da vida pública, uma vez que as pessoas só podem ser sociabilizáveis quando possuem algum resguardo uma das outras. Ou seja, para que haja interação eficaz entre elas, são imprescindíveis algumas formas ritualísticas de comportamento, tais como as que havia no século XVIII, onde, efetivamente, existia um equilíbrio entre a geografia pública e privada.

Cobrindo mais de duzentos anos de história cultural, política e social, e englobando a moda, os escritos de Diderot e Balzac, os estilos de Liszt e Paganini (e as respostas de suas audiências), o comportamento das massas revolucionárias, o caso Dreyfus e a carreira de Richard Nixon, O declínio do homem público concentra-se precisamente as razões pelas quais, a partir de um dado momento, aquele equilíbrio - no fim das contas tão necessário à nossa sobrevivência psíquica - deixou de existir.

Richard Sennett, "O declínio do homem público" (orelhas)
Companhia das Letra, 1989


Um livro sen-sa-ci-o-nal, esgotado (claro) que você acha em sebos por preços variando entre R$ 95 a R$ 250. Não empresto o meu nem pra Jesus se atualizar.

Desespero é...

Recolher e limpar do chão da cozinha todo o detergente de pia que vazou do frasco espatifado.

Ver a máquina de lavar a) vomitar espuma sem parar; b) sair andando enquanto centrifuga 9,7 toneladas a mais de roupa que o recomendado pelo fabricante; c) enguiçar antes de começar a enxaguar as 10 toneladas de toalhas e lençóis que você enfiou lá dentro; d) todas as opções acima.

Fazer o cachorro parar de mastigar aquele rato morto.

Tirar em 0.000967 milésimos de segundo a roupa alva, perfumada e seca do varal antes que o temporal encharque e suje tudo de novo.

Alcançar o inseticida sem fazer movimentos bruscos.

Consertar a descarga da privada antes que ela esvazie toda a caixa d'água do prédio.

Fazer aquela compra monstra numa madrugada de feriado e depois de tudo passado, empacotado, embalado e ensacado, procurar a carteira e descobrir que deixou a dita em outra bolsa. Na casa da sua mãe. Que mora em Friburgo.

quarta-feira, abril 22, 2009

Seu amor de volta em três dias



Zé Colméia agora é consultora sentimental. Atende de segunda a sexta, em duas sessões: das 9h30m às 10h e das 15h às 15h30 (aka hora do recreio). Basta procurá-la no pátio da escola, com sua pastinha onde se lê:

"Problemas com o namorado? Fale comigo que eu resolvo pra você."

Preço especial para professores e funcionários.

sexta-feira, abril 17, 2009

Oração matutina



If you love books like I do then this is perfect for you: BibliOdyssey

Pouco lisonjeiros de minha pessoa

Estou sofrendo um sério problema com a simetria do tempo. Assim: ponho o despertador para as 5h15m. Então ele toca e eu meto um "soneca" nele - que eu não sei desprogramar e reprogramar - e o alarme dispara depois de 8 minutos. Então, toca às 5h23m - e eu penso "Puxa, vou dormir até às 5h25m" e ferro no sono para ser acordada às 5h31m - "Vou pular da cama às 5h35m" - e fica nessa empatação até depois das seis, quando eu já estou atrasada e saio de casa com um banho de gato e café-da-manhã de passarinho. Sério, isso. Falta to-tal de vergonha na cara.

Às vezes, eu me escondo das meninas - na boa, tem hora que torra aquela coisa de "ela começou, porque eu fiz e ela repetiu e você é boba, você que é feia, sua chata, vem sua bacalhuda".

Agora eu tenho um notebook. Presente do meu pai pra facilitar eu trabalhar em casa. Verde-folha leeendo de morrer. Zilhares de DVDs com filmes fantásticos e episódios das minhas séries preferidas para assistir nele com fone de ouvido, que é como eu gosto. Tudo ainda na caixa. A minha TV (herdada do meu avô) é megaplusgigaenorme. Que eu deixo no Climatempo para saber se em Macapá vai dar praia.
Há dias em que durmo por cima da colcha. Terça dormi com a roupa do corpo. Estou sofrendo do mais perigoso grau de cansaço - o do cérebro. Nada me anima. Nada me seduz. Pra você ver: na quinta antes do feriado estava eu na fila do supermercado quando Zé Colméia ligou pro meu celular perguntando qual o meu e-mail - o professor de música queria me mandar a nova versão de "Atirei o pau no gato" que ela e a irmã haviam composto e interpretado. Recitei o e-mail bem devagar. Cheguei segunda e havia a mensagem de um cara (que, eu suponho, era o ser apetecível que estava à minha frente na fila) que tinha me achado interessante.
Você respondeu?
Nem eu.

iVelhice

Tenho baixado CDs de Frank Sinatra, Ella Fitzgerald e Louis Armstrong para meu pai. Animadinho com as prendas, encomendou um CD Player novinho, cheio de bossa.

- Não toca nada!
- Como assim, pai?
- Não toca nada! NADA! Experimentei os CDs no aparelho de som da sua mãe e eles funcionam direitinho. Eu ponho no meu e necas! No visor aparece o número da música, o tempo correndo mas só silêncio.
- Puxa, pai, que chato! Novinho, né?
- Acabei de tirar da caixa.
- Às vezes pode ser problema nos fones de ouvido.
- Fones... de ouvido?
- É, nos fones. Você encaixou direitinho os fones?
- Er... Precisa dos fones pra ouvir, é?

Peninha...

quarta-feira, abril 15, 2009

Fotógrafos XII - Yevgeni Khaldei



Firefighting on an oil rig, 1957



Kyrgyz hunters, 1940



Soldier raising Soviet flag over Reichstag, May 2, 1945



Two elderly men sitting amid the ruins of Berlin, May 1945



Stacks of German helmets, May 9, 1944



Wilhelm Keitel on the stand at Nuremberg Trial, 1945-46

Sem óculos

Então. Você chega de uma viagem que deveria durar duas horas e meia - e levou quase cinco. "Podre" não definiria o estado semicoloidal que seu corpo agora apresenta. Bêbada de sono, se arrasta do sofá onde desabou há três horas, depois de enfiar suas filhas na cama. "Ah, que se dane. Vou dormir assim mesmo. Mas nem morta vou arrumar mochilas e separar uniformes. Ninguém morre se for dormir sem escovar os dentes. Ainda tenho que grunfmfgsmum..." E sai cambaleando em direção à cozinha para apagar as luzes da casa quando pisa descalça num camundongo seco e duro e morto de tanto comer Racumin. Depois disso até as malas eu desfiz.

Tá precisando de uma descarga de adrenalina para acordar?
Pisa descalça num rato morto. É tiro e queda.

* Mas eu não recomendo. Nem desejo ao meu pior inimigo. Minto. Desejo pro meu ex-marido. Ele tá merecendo.

segunda-feira, abril 06, 2009

Coração de chocolate

Pelo intefone: "O Francisco está subindo com uma caixa para a senhora."

E eu recebi com aquela cara de boba, of course. Porque ninguém me manda nada. Sério. E eu abri que nem se fosse dia de Natal. Tinha um embrulho prateado dentro. Eu abri com cuidado, o coração dando pulinhos. Dentro dele, uma caixa imensa de isopor. Dentro do isopor, uns pacotinhos de gel e, embaixo deles, um ovo de Páscoa. Das Meninas Superpoderosas.

Eu não vi o seu cartão. Vi, preso na caixa, a nota fiscal. E láááááá embaixo, bem embaixo mesmo, em letrinhas miúdas, tava escrito: "Enviado por".

Eu ri tanto! Disse: "Que fofa!" e ri mais um pouquinho. E então, quando estava dobrando o pacote prateado, vi o cartão pregado nele. E li e me senti a pessoa mais querida do mundo. Guardei o cartão com o coração morno (e ainda aos pulinhos) na minha agenda, para reler nos dias em que a gente leva aquela rasteira mesquinha da vida.

E então, do nada, a menina que vive tão encolhida e maltratada dentro de mim chorou. Muito, copiosamente. Porque percebeu que desde que há mais de três décadas ela não ganha ovo de Páscoa. Nem presente de Natal. E, muito raramente, de aniversário.

A menina chorou muito. Ainda fica, escrevendo isso, com os olhos rasos d'água, disfarçando para não parecer muito boba no meio da lan house. Mas está, acredite, imensamente feliz, como todas as meninas que ganham um presente devem se sentir.

Obrigada, Naomi.

* E, acredite: a bonequinha que veio dentro é a minha personagem: eu sou, no trio de meninas da minha casa, a Lindinha - Catatau é a Docinho e Zé Colméia, a Florzinha :o)

quinta-feira, abril 02, 2009

Símios etc

Depois de três anos de obras na fachada do prédio dos meus pais, chegou a hora (disse a morsa) de falar de outras coisas: de consertar os estragos dentro dos apartamentos, repor as venezianas, reinstalar os ar-condicionados. Então eu fui despejada do meu quarto/escritório. E eles quebraram uma das paredes todinha - de alto a baixo. E eu fiquei sem computador, sem impressora, sem internet, sem nada.

Dia da macaca. Eu estava com ela, ontem. E foi com ela que eu fui ao super. Nescau, latas de molho de tomate, biscoitos de polvilho, creme cracker (que eu pronuncio crim creiquer quando quero parecer esnobe e nojentinha - lembrem-se: dia da macaca) mais umas latinhas, mais uns pacotes de macarrão/biscoitos. Pois a compra ficou lá todinha. To-di-nha. Porque quando eu vi o empacotador tinha tascado as latas em cima dos biscoitos. E minhas compras são feitas seguindo uma lógica irrefutável, para depois serem depositadas na esteira do caixa da mesma forma: primeiro material de limpeza (embalagens pesadas primeiro, depois coisas mais leves, como Bombril e esponjas); lataria; garrafas; pacotes pesados (café, açúcar, feijão) mais miudezas (caldo de carne; temperos desidratados); utilidades (toalhas de papel, guardanapos, filme plástico, papel alumínio); biscoitos (primeiro os mais compactos, como cream crackers, e depois os mais delicados, como cookies e waffles); macarrão; pão; legumes e verduras; carnes; laticínios (manteiga, queijo Minas) e, por fim, congelados. É só a criatura que está arrumando as bolsas entender que latas amassam/quebram/esmigalham biscoitos.

Pois é. Quando eu começo a arrumar as coisas na esteira até a macaca finge que não me conhece.

sexta-feira, março 20, 2009

Pieguice Mode On



Quando a coisa fica feia e eu começo com aquela ladainha de ninguém-me-ama-ninguém-me-quer... Rapaz, é insuportável.
Nem eu me agüento.
Foi mal, povo.

Placebo

Em dias em que me bate aquela depressão profunda plus uma paralisia revoltante (mil reais a menos no seu orçamento e aquelas sutis ameaças de "evite o cancelamento do serviço/abastecimento realizando o quanto antes o pagamento da sua conta" fazem isso com você maravilhosamente bem) eu me deito no sofá do quarto, fecho os olhos e penso naquela sensação única que eu, um dia, já experimentei:

Comer melão ou melancia absurdamente gelados num dia de calor infernal;
Deslizar a mão num braço de homem, por baixo e por cima da manga da camisa;
Sentir a brisa de um fim de tarde depois de tomar banho, vinda da praia;
Deitar-se finalmente depois de um dia extremamente cansativo, o escuro caindo sobre o corpo como um lençol geladinho;
Abrir os olhos na rede e ver um passarinho pousado ali pertinho, examinando você atentamente;
Sentir cheiro de jarmim dançando embaixo do seu nariz, vindo do nada;
A sensação de acordar com alguém acariciando seus cabelos;
Abraçar alguém, pele contra pele, naquela hora em que se tem absoluta certeza que o mundo lá fora acabou-se e não há mais nada a fazer.

sexta-feira, março 13, 2009

...



I wanna go to bed
With arms around me
But wake up on my own
Pretend
That I'm still sleeping
Til' you go home

Oh
I can't look at you
This morning
I should probably have a sign
That says
'Leave right now or quicker'
You've overstayed your time

If I don't believe in love
Nothing will last for me
If I don't believe in love
Nothing is safe for me
When I don't believe in love
You're too close to me
And that's why
You have to leave

Maybe I slept peaceful
On your shoulder
Your arm warm around my side
But it's different now
It's morning
And I can't face your smile

The second that I feel
Your safe hands
Reaching out for mine
I slip away and out of sight
You've overstayed your time

If I don't believe in love
Nothing is good for me
If I don't believe in love
Nothing will last for me
If I don't believe in love
Nothing is new for me
Nothing is wrong for me
And nothing is real for me

If I don't believe in love
Nothing is good for me
If I don't believe in love
Nothing will last for me
When I don't believe in love
Nothing is new for me
Nothing is wrong for me
And nothing is real for me

If I don't believe in love
Why do you care for me?
When I don't believe in love
Nothing is real for me
If I don't believe in love
You're getting too close to me
And that's why you have to leave
And that's why you have to leave

If I don't believe in love
If I don't believe in love
If I don't believe in love
Nothing is left for me
If I don't believe in love
You're too good for me

quinta-feira, março 12, 2009

Dito pelo não dito



Acertar na mosca



Agasalhar o croquete



Chá de cadeira



Encher lingüiça



Marcando touca

Do "Pequeno dicionário ilustrado de expressões idiomáticas", de Marcelo Zocchio e Everton Ballardin.

Outras ilustrações aqui.

E a foto lá de baixo é "Chorando sobre o leite derramado" :o)

...

... e vamos ser sinceros: é impressionante a minha capacidade de escrever absolutamente nada de interessante quando absolutamente nada de interessante acontece na minha vida.

Casamata



As delícias

Ter um monte de cachorros;

Não ter vizinhos em cima pulando corda às duas da manhã;

Não pagar pela água desperdiçada dos outros;

Ter um jardim/horta/pomar;

Poder quarar e secar suas roupas ao sol;

Ter quintal pra brincar;

Deitar na rede na varanda sem ter que tirar dela as guimbas de cigarros jogadas pelos vizinhos;

Tomar banho de mangueira em dia de calor.

As dores

Recolher você mesma todos os bichos que os cachorros trucidam, incluindo um lagarto de 30cm deixado na porta da cozinha - e que você, obviamente, pisou descalça, no escuro (não esqueçamos do rato que só foi encontrado seguindo-se o cheiro de carniça mais do que podre. CSI rules!)

Recolher as 34.7 toneladas de cocô deixadas diariamente pelos cachorros - que comem num dia mais do que suas filhas e você, num trimestre;

Conviver com pombos que escolheram justamente a viga em cima da sua jardineira de amores-perfeitos como conversadeira/cagadeira;

Não ter ninguém a não ser você mesma para xingar quando a conta d'água vem maior do que a dos Banhos de Pompéia;

Ver que o quintal com pomar e casinha rosa de madeira com janelinhas enfeitadas com jardineiras e varandinha com vista para o Dedo de Deus é preterida todo fim de semana pelo novo & emocionante episódio de Charles e Lola;

Deitar na rede da varanda e escutar seu vizinho de baixo ouvir Rush aos berros, o vizinho do lado meter um Roberto Carlos no volume 10 e o vizinho do outro lado agitar o churrascão de sábado com os novos sucessos do Grupo Divã (com a participação de Reinaldo, aka o Príncipe do Pagode). E sem poder chamar o síndico.

terça-feira, março 10, 2009

Inexorável



Zé Colméia é teimosa. Muitas vezes, quer porque quer mudar o que não pode ser mudado. Quando quebra alguma coisa, nem sonha que a coisa não voltará a ser como antes de quebrada. Insiste, por exemplo, que o sol deve nascer mais cedo. Ou então, faz de tudo para mudar alguém, em vez de aceitá-la como ela é. Aceitar; essa palavra não existe no dicionário dela. Então, eu conto a ela uma história. Nada sobre formigas ou flores, nem tampouco elefantes cinzas que querem ser quadriculados ou a lua que não quer mais trabalhar à noite. Não, eu conto a história (real) da Bebel:

Bebel era uma moça inteligente, talentosa, bonita, alegre. Tinha um marido (importado) apaixonado por ela e um emprego muito fascinante, num hotel muito famoso - tão famoso que era conhecido no mundo todo! Reis e rainhas se hospedavam lá, assim como estrelas do rock e atores de nariz em pé.

Enfim. Bebel era quase feliz. "Quase" porque Bebel tinha uma grande mágoa: sempre que tiravam uma foto do grupo de funcionários, ela não aparecia no retrato. Porque, você sabe, Bebel era pequena. Baixinha - ou, como gostava de dizer, petite, mignon. E seus colegas eram mulheres voluptuosas, e os homens todos muito alto e corpulentos. E quando vinha a foto, cadê Bebel? Um cotovelo aqui, o topo de uma cabeça acolá.

Então convidaram um jornalista famoso para escrever um livro sobre a história do hotel - que, além de ser mais famoso do que o jornalista, era muito mais velho também. O livro traria uma foto de toda a equipe do hotel - e Bebel achou ali a sua grande oportunidade! Passou meses falando que, quando fossem bater o retrato, ELA estaria na frente, na primeira fila, bem no meio do grupo! Todo mundo prometeu: o miolo da primeira fila seria dela.

Na véspera da foto, Bebel comprou roupa e sapatos novos. No dia, fez cabelo e maquiagem. Na hora da foto lá estava ela, no centro da primeira fila, de corte de cabelo novo e argolas de ouro refletindo a luz que vinha da piscina do hotel. Correndinho, ainda foi lá olhar no visor da máquina do fotógrafo. Sim! Ela estava lá, bem na frente, bem nítida, bem visível! Finalmente, ela apareceria numa foto pra todo mundo ver!

E o livro ficou pronto. A festa de lançamento foi fenomenal. A nata da sociedade brasileira. Palmas das mãos suando, Bebel pega o livro e o abre, para ver a sua foto. Sim, ali está Bebel. Podemos reconhecer as argolas de ouro - uma na página da esquerda, a outra na página da direita, e Bebel sumida na dobra do livro.

Fotógrafos XI - John Dominis (2)



Actor Steve McQueen and wife Nellie at home



Actor Steve McQueen and wife taking sulfur bath at home



Actor Steve McQueen at home with wife



Actor Steve McQueen at home with wife

...

Respondendo à Lola, que postou nos comentários, e a quem me escreveu:

Não, gente, eu não vou falar do meu câncer. É uma história comprida, cheia de madrugadas vomitando, biópsias doloridas, noites insones pensando no futuro das meninas, muito medo e solidão. Mas (espero eu) já passou.

Uma das coisas que eu mais odeio na vida é que tenham pena de mim. Que me encoragem, que me dêem apoio, tudo bem. Mas eu aprendi que "câncer" na boca de uns acaba por provocar um imediato "Coitada!" na dos outros. Por isso eu não escrevi nada aqui. Por isso poucas pessoas souberam - apenas três. Não contei nem mesmo aos meus pais, porque meu pai já tem o dele com que se preocupar.

Assim sendo, falemos de coisas boas, do vestido laranja de hibiscos que eu estou usando, da estréia de "Jornada nas Estrelas" em maio, dos nossos filhos, do verão.

:o)

terça-feira, março 03, 2009

Anos dourados



Cena 1
Eu - grávida de quatro meses, hormônios em franca revolução - e meu ex, deitadinhos e encolhidos vendo um filme romantiquinho debaixo de cobertores.

- Mozinho [irc!], você confia em mim, não é?
- Claro, que pergunta.
- Mesmo?
- Claro que confio! Por quê?
- Ah, eu tava pensando... Eu podia envenenar você que você nem ia desconfiar, né?
-[...]
- Porque, olha só, sou eu que faço a sua comida. O seu café. Eu que fiz esse chá que você bebeu todinho. Virou tudo e nem perguntou o porquê de ele estar amargo. Não perguntou pra não me magoar, né?
- Er... é.
- Então. Pode ser veneno, né? Pelas brigas medonhas da semana passada. E você tá bebendo e comendo tudinho, sem questionar o gosto. Confiança, então.
- [...]
- Hum... Filme legal, né? Quer mais um biscoito? Eu que fiz.

Às vezes eu me pego pensando o que realmente causou o meu divórcio. Não sei...

Fotógrafos XI - John Dominis (1)



Entertainer Frank Sinatra shaving his face in a mirror.



Actress Angie Dickinson's lower half straddling a million dollars in fake money.



Actor Dustin Hoffman sleeping in brass bed.

Obviedades



Cheiro que dá um upgrade no meu dia: café recém-coado. Cheiro que acaba com o meu dia: desodorante vencido.

Já são quatro dias que eu estou dormindo na cama das meninas/sofá do meu quarto. E eu só volto pra minha cama quando eu tiver CERTEZA que a lagartixa que estava passeando entre os meus lençóis mudou-se.

Eu adoraria que houvesse uma gigantesca empresa que pagasse salário de mãe. Aí eu poderia me perder na Caçula comprando tecidos e passamanarias e botões e enfeites e linhas e fitas para usar com minhas filhas. E depois passear na Kalunga e comprar todos aqueles papéis e canetas e clips coloridos e caixas de papelão decoradas para organizar os desenhos das meninas. Eu adoraria.

E aí eu leio no jornal que o Ministério Público vai abrir concurso para promotor de Justiça no Rio. Salário inicial: R$ 19 mil. Eu não consigo sequer VISUALIZAR R$ 19 mil mensais. Quanto mais ganhar. Ou sonhar em.

Hoje apareceu um pingo pingando no teto do banheiro no apartamento dos meus pais. E eu não quero avisar o porteiro porque ele vai querer subir pra ver. E o apartamento tá uma bagunça. E eu estou com preguiça de arrumar. Aliás, eu estou com preguiça, period.

Eu queria jacintos e tulipas no meu jardim.

segunda-feira, março 02, 2009

Elas

Pra quem me perguntou sobre a minha banda de rock, a origem do nome tá num post de 2007:

"Inspirada na Cris e insuflada pelo meu mau humor, inauguro aqui a série "Eu odeio":

... velhinhas que atrapalham a passagem. Esse seria o nome da minha banda de rock, se eu formasse uma. Sabe? Imagina: a velhinha, ainda sacudida e fofinha, entra no ônibus cheia de sacolas de todos os tamanhos (e sempre tem uma de O Boticário, pode reparar. Nova ou usada, sempre tem uma). Inúmeros cavalheiros e cavalheiras oferecem o lugar. Ela não quer: "Vou saltar logo!" E sorri e se ajeita perto da porta com um milhar de sacolinhas pelos pés, caindo pelo corredor, por sobre o pobre que está no banco onde ela se segura. Ah, a velhinha é gordinha. Não goooorda: fofa.

Bom, ela fica ali, o ônibus vai enchendo e ela atrapalhando quem entra e quem sai - todo mundo se espremendo pra não amassar a Velhinha & seus Pacotes (ótimo nome pra outra banda. Mangue beat. Anota aí.). Aí ela pede ao gentil jovem cheio de cadernos e livros e mochila pesada & precariamente equilibrado ao lado dela que ele puxe a cordinha do sinal que ela vai descer. Vai andando, pedindo licencinha entre sorrisos - atrás dela tem um mooonte de gente também se preparando pra descer, naquele movimento de troca de lugar das massas em ônibus cheio. Ela faz que desce mas não desce, se vira pro motorista e pergunta: "Tem um ponto mais perto do lugar tal?" O motorista responde: "Tem, sim". "Ah, então eu vou descer lá."

E volta pro lugar, e o motorista fecha a porta e já começa a partir antes de ouvir os gritos da turba que quer descer mas não pode - porque no caminho tem uma Velhinha que Atrapalha a Passagem.

Eu odeio Velhinhas que Atrapalham a Passagem."

Sumidouro



Dez dias em casa. Calor infernal. Noites não-dormidas e coisas mal-resolvidas.

Porque quando o médico disse "É câncer" a vida mudou de foco. É sério; o que antes era teleobjetiva passou a ser grande angular. Meu objetivo primário e urgente foi a vida das meninas. Patrimônio não tenho nenhum, mas dívidas são o fim, não os meios. Consegui pagar quase todas elas. Botei meus documentos em ordem. Abracei e beijei muito mais do que o habitual. Escrevi cartas. Vi e revi cada foto. Tentei uma conversa com meu ex-marido para aproximá-lo mais das filhas. Passei o Ano Novo fora. Deixei instruções. Comprei uma agenda para planejar o dia seguinte e viver precisamente o hoje.

Aí meu câncer foi embora e, se eu fizer tudo certinho, ele não deve mais voltar. Mas o prognóstico a curto e médio prazo é sombrio - porque eu vou ter que reaprender a viver. Simplesmente apaguei da minha vida a figura de um possível outro e o modo-de-fazer. Pra que namorado? Pra que procurar emprego fixo? Pra que fazer planos? O futuro não era mais amanhã; ele simplesmente não era.

Agora eu tenho que voltar a me preocupar em pagar o meu INSS; em fazer uma poupança; em juntar dinheiro para a mítica casa própria; tenho que voltar a perder o sono por não ter emprego fixo, não ter patrimônio. Em ter que conviver socialmente, vestir a máscara de manhã para tirá-la à noite. Passar o fio dental religiosamente duas vezes ao dia, mesmo estando com vontade de dormir com a roupa que vim da rua. Parar de comer banana com a produção mensal brasileira de Nutella. Desligar a televisão quando só estiver passando Televendas Polishop e encarar o fato de que meu corpo PRECISA que eu durma. Em me esforçar profissionalmente e não apenas fazer o básico para pagar as contas do mês.

Preciso descobrir como lidar com a minha vida, já que ela voltou. E, pelo jeito, para ficar.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Verão da minha vida



Eu sonhei que fazia amor com um homem maravilhoso na piscina de um lugar paradisíaco. Perdi a hora. E cheguei atrasada à escola.

Atravessando a praça, fui engolida pelo cheiro de pão recém-assado. Ouvi quando começaram a tocar um violino no segundo andar do prédio. Fechei os olhos. E atropelei um cachorrinho.

Quase chegando ao apartamento dos meus pais, senti meu cabelo pelo meio das costas, e olhei por sobre o ombro, para admirar, vaidosa e orgulhosa, o tom acobreado que se acende quando o sol bate nele. E dei um encontrão num poste.

Fui ao médico hoje. E soube que venci meu câncer.

Aproveite a vida, a todo minuto.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

É Pulitzer!



Minha carreira meteórica rumo ao estrelado não se resumirá à fundação da banda de rock "Velhinhas que atrapalham a passagem". Depois de um casamento e diária convivência com outros pais na escola das meninas, resumi meus quase dez anos de pesquisas no "Manual do pai perfeito", cujos direitos estou negociando. Esse revolucionário título mostrará o que, há séculos, fundamenta o escopo masculino na criação da prole.
Aqui está para vocês, meus 16 fãs, em primeira mão, todo o conteúdo desse extraordinário livro.

"Péra que mamãe já vem."
"Olhalí a mamãe te chamando!"

Em breve, nas boas livrarias.

Com destinatário



Meu querido amigo;

A vida continua, a fila anda, a novela acaba, as crianças crescem e tudo acaba se resolvendo, mesmo que você simplesmente jogue a colcha em cima da cama e finja que os lençóis não estão amarrotados e embolados por baixo. Enfim.

Minha vida está um caos, e os dias acabam antes que eu possa piscar meia dúzia de vezes. Alguns compromissos vão simplesmente pulando de página na agenda sem que eu consiga cumpri-los. Isso me lembra a passagem de um livro de memórias, em que o autor conta o quanto se sentiu solidário com a mulher cuja lista ele achou, perdida no chão do elevador. Ele próprio, um aficionado por listas, não pôde deixar de admirar aquela que escreveu de maneira meio torta, as letras espremidas, entre Levar o cão para vacinar e Encapar os livros das crianças, um Dar à luz.

Desde junho não tenho mais empregada (desisti de me iludir que posso pagar por uma; e sim, eu arrumo às vezes a cama daquele jeito) e então meus dias começam antes do sol, lavando o terraço, e terminam depois da lua, passando roupa. No intervalo, trabalho, sou dona-de-casa e tento ser um bocadinho mais vaidosa. Promessa de Ano Novo: não saio mais de casa sem rímel e lentes de contato, mas o legal é que eu consigo - veja só você que vitória! - pentear o cabelo e tomar um banho de mais de 6.35 segundos!

E ainda tenho os livros. Quanto ao do Thomas Mann, estava na minha estante, mas te mando também. Porque eu preciso aceitar (sim, esse é o meu ano de aceitação!) que eu detesto "A montanha mágica". Que esse livro me dá sono. E que não consigo agüentar três páginas de diálogos em francês - pra mim, é esnobismo demais.

Beijos

Suzana

P.S.: Porque eu publiquei isso aqui e não te respondi por Gmail. Bom, meu Gmail não abre mais; quando abre não faz nada porque meu computador tem menos de 2 Giga de memória de tanto filme/música/fotos arquivadas. Tenho que ir numa lan para abri-lo. E também porque você é um dos poucos que me inspira o bastante para que eu escreva e sinta vontade de deixar registrado aqui no Breviário. Com foto e tudo.

Vocabulário do demo

"Sabor cheddar/churrasco"
"Hot Paprica"
"Com molho barbecue"
"Experimente a versão bacon/calabresa/chilli"
"Maxi amendoim"
"Extra queijo"
"Com pedaços inteiros de morango!"

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

...



Procurando uma foto de Catatau para ela levar para uma aula sobre genealogia, passei a tarde sentada folheando os álbuns das meninas. E como eu senti meu coração pesado ao perceber que, em todas as fotografias pré-divórcio, minha pequena Zé Colméia tinha o sorriso mais brilhante que uma criança é capaz de ter. E como, em todas as imagens feitas desde que o pai saiu de casa, seus olhos pingam tristeza sempre que ela mira a lente.

E eu chorei muito, por nós duas.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Roubado

Tem gente que é tão, mas tão interessante, que faz você preferir desfragmentar o HD.

Eu amo esse homem. Juro.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Atrasados

Eu fiz dieta nessa férias: fiquei sem acessar o computador, e agora tenho e-mails me desejando feliz Natal - Natal! - ainda por responder. Mas eu chego lá.
Viu, Marco? Güentaí que eu vou te responder. Espero que ainda este ano :o)

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Invenções do demo

Ovinhos de amendoim. Inocentes e branquinhos e chocrantes, pedindo - implorando - pra você levar um mísero pacotinho. Que tem 345.867.756.980.345 calorias (ou 120.000,43% das necessidades diárias do-que-quer-que-seja, segundo a Organização Mundial de Saúde) por saquinho.

Ai, por que eu comi isso, POR QUÊ???
Porque é uma delícia.
Eu disse. Do demo. Só pode ser.

Entonces

* As meninas voltaram para a escola. Meus pais têm dois novos hobbies - reconstruir a casa e falar no telefone (sim, agora eles têm telefone em casa). Então.

* Estou indo a todos os médicos que não fui nos últimos oito anos. Ou seja, desde que pari Catatau (e meu pai me deu de presente um seguro-saúde. Unimed. Recomendo a lot). Ontem foi a vez do dentista.

"A senhora não tem nada, a não ser essas obturações que... nossa! São antigas, né?" "São de quando eu tinha 12 anos e usei aparelho." "Então vamos trocar por resina, fica mais natural." Claro, ela TINHA que fazer alguma coisa pra compensar a consulta. Depois de dar uma limpeza geral à procura de tártaro (inexistente) foi mexer nas obturações. Uma tinha uma cárie pequenina por baixo. E ela então deu uma anestesia. Como a consulta estava assim meio sem clima, resolvi agitar um bocadinho aquela manhã tão insossa: desmaiei, mostrei tintim por tintim, no chão do consultório, toda a minha reverência por um café-da-manhã bem fornido, tive tonturas, suei frio, tudo bem ai-meus-sais. Troca de duas obturações e fechar uma reles cárie vagabunda: quatro horas. Você leu certo - QUA-TRO HO-RAS. Sim, prefiro sentir dor do que tomar injeção (por mim, minhas duas cesarianas teriam sido a seco. Mas a minha obstetra insistiu na anestesia, veja você).

* "Mãe, o que ele quis dizer com 'Ela ainda é virgem?' Porque ou ela é de Virgem ou não é, né? A gente não pode trocar de signo, pode? O que ele quis dizer, hein?" Aí eu fiz o que toda mãe centrada, responsável e cuidadosa com o crescimento psicológico sadio dos filhos faz nessa situação:

1 - Rezei pro telefone tocar.
2 - Não funcionou. Então, fingi que não ouvi.
3 - Não funcionou. Então, fingi que não tinha entendido.
4 - Não funcionou. Então, eu disse: "Bom, ele estava se referindo a ... Ai, Jesus, esqueci o lasanha no forno!" e bati em retirada ("Lembrete nº 23.673.345/0987-N: pensar numa explicação lógica e adequada à idade de Zé Colméia sobre virgindade & assuntos correlatos. Atenção: Zodíaco não cola mais")

* Caipira pobre que é caipira pobre, quando vê um sapato fofo e na promoção da Pontapé da Rua do Ouvidor, compra logo as quatro cores disponíveis. Mesmo que uma delas seja cenoura (não, não é laranja nem cor-de-abóbora. É cenoura, carrot, tá lá na etiqueta e na dor lancinante no fundo do olho).

* Ontem eu me surpreendi ao constatar que há exatos 30 meses não dou um beijo na boca. *Suspiro* Vou ter que voltar a treinar na laranja.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Tudo de novo

Catatau vai usar um livro da Cambridge University Press. Custa R$ 104,70. Só o livro texto. Sem contar o livro de atividades, o CD-ROM e o Progress Diary. Eu sou covarde. Eu não tive coragem de perguntar quanto custa o pacote inteiro. Eu vou ter que empenhar a Catatau pra comprar o material de inglês dela.

Tenho 958.494.340.398,5 cadernos para encapar (o 0,5 é meio ofício). À escolha, 123.980.345 estampas de Contact que nenhuma das duas consegue se decidir ("Mas você não acha que Sininho tá meio assim passado?" "Nãããão, porque esse é de fundo azul, e o do ano passado era roxo." "Mas eu prefiro das Princesas..." "Mas a cara da Bela tá tão esquisita!!!" "Então eu quero o da Marie." "Ah, não, EU escolhi o da Marie!" "E daí? Eu também não posso ter?" "NÃO! Não pode! MÃÃÃÃÃÃÃEEEEE!")

Tenho 675.876.233 livros para encapar. À escolha, 123.980.345 estampas de Contact que nenhuma das duas consegue se decidir (vide acima).

Tenho 1.059.170.216.631,5 coisas para colar etiquetas. À escolha, 145 tipos de etiquetas que nenhuma das duas consegue se decidir (vide acima).

Ainda falta repor os uniformes (e costurar etiquetas em todos) e comprar um par de tênis. Isso com o dedo mindinho do pé mal colado e no meio da reforma do telhado da minha casa.

Oi, meu nome é Suzana e você está assistindo "Volta às Aulas Freak Show".

quarta-feira, janeiro 21, 2009

...

Trovão é só barulho. Trovão é só barulho. Trovão é só barulho. Trovão é só barulho. Trovão é só barulho. Trovão é só barulho. Trovão é só barulho. Trovão é só barulho. Trovão é só barulho. Trovão é só barulho. Trovão é só barulho. Trovão é só barulho. Trovão é só barulho. Trovão é só barulho. Trovão é só barulho. Trovão é só barulho. Trovão é só barulho. Trovão é só barulho. Trovão é só barulho. Trovão é só barulho. Trovão é só barulho. Trovão é só barulho. Trovão é só barulho. Trovão é só barulho. Trovão é só barulho. Trovão é só barulho. Trovão é só barulho. Trovão é só barulho. Trovão é só barulho. Trovão é só barulho. Trovão é só barulho. Trovão é só barulho. Trovão é só barulho.

Ai...!

terça-feira, janeiro 20, 2009

Nesta fria manhã em Washington



Quando os apresentadores da GloboNews vão aprender que "Speaker" NÃO é porta-voz? Que em lugar nenhum do mundo alguém seria maluco de pôr o porta-voz como TERCEIRO na linha de sucessão presidencial? Doeu.

"E aí vemos a comediante Whoopi Goldberg... Hum... Acho que não."

"Logo atrás de Michelle Obama podemos ver o diretor Steve Spielberg. Hum... Acho que não."

"Entrando atrás do secretário Whatever podemos ver o ex-presidente Bill Clinton. Agora vemos o juiz da Suprema Corte Whatever II, o ex-secretário Whatever III e... Hum... Agora podemos ver Bill Clinton."

Puxa vida, todas as ex-primeiras damas (só uso sem hífen; primeira dama é título, não é cargo) acompanhando seus maridinhos poderosos (a-mei a boina caramelo spice do Jimmy Carter; ele virou um velho fofo) mas Barbara Bush nãããooo! O Busho que está atrás dela que se vire naquele andar de pingüim. Poderosa que é poderosa deixa o velho pra trás - e os mariners que segurem se o caco tropeçar na bengala e cair da escada, na frente de uma dúzia de convidados e 3,5 bilhões de espectadores.

Michelle Obama. Tão bonita mas... que cabelo é aquele, mamãe? Que maquiagem a essa hora da manhã é aquela, vovó?

E lá se vai a filha de Bush, Jeena, de sainha prateada e calcinhas ao vento, subindo no helicóptero.

Adorei o locutor da GloboNews: "E agora a banda da Marinha toca o Hino Nacional". E o coro dos oficiais começa a cantar à capella.

Flávio Ribeiro. A primeira tradução simultânea decente em anos - depois de tirar o som de todas as cerimônias do Oscar da TNT.

Fox News. Acho que eles estavam sem microfone. Ou o repórter surdo. Porque gritar assim, sabe? Doeu II.

CNN. Reportagem de 20 minutos mostrando como Obama era, até esta semana, quase desconhecido no México. So...?

Aretha Franklin qual um bombom. Se houvesse eclipse o turbante dela já estava aceso.


Estava chovendo, eu com preguiça. Então até posse de presidente é programa.

sábado, janeiro 10, 2009

...



Eu amo a vida. Espero que ela me perdoe e volte a me amar, também.

sábado, dezembro 20, 2008

Quase ao fim



Em novembro, um deslizamento de terra matou um dos cachorros dos meus pais. Então, meu pai chamou a Prefeitura que foi lá, cutucou bem tudinho e disse que estava tudo ok. Não estava. Uma obra clandestina do único vizinho dos meus pais num raio de quilômetros desviou um curso d'água para a direção de uma imensa rocha. Nas chuvas que se seguiram, o terreno já fofo afundou de vez e a pedra rolou encosta abaixo. Meus pais não estavam em casa. A pedra bateu à porta da cozinha e levou metade da casa - só parou no ribeirão que dá as boas-vindas a quem chega ao sítio.

E então eu fiquei subindo e descendo a serra. Por quase dois meses. Larguei minha casa, meu trabalho e minhas filhas para ver meu pai completamente aturdido revirando, com a ponta da bengala, os restos enlameados de seu álbum de casamento. Seus documentos, diplomas, certificados. As fotos da infância dos seus filhos e netos. As fotos de infância de seus pais. Seus preciosos livros já sem as letras nas páginas amolecidas pela chuva.

Eu ouvi meu pai chorar por dentro. Um choro quente, desesperado, cheio de porquês. Minha mãe não esboçou nenhuma reação. Apagou-se como uma vela já no fim e só acordou no hospital, o rosto muito pálido refletindo o que fazer para recuperar o que foi perdido - em alguns casos, para sempre.

Com somente a roupa do corpo e nada mais, no meio daquele frio todo, meu pai olhou no fundo dos meus olhos e murmurou: "Que bom que você não estava aqui com as meninas. Que bom que nós não estávamos aqui. Que bom que você está aqui agora." Naquele momento, ganhei o único presente de Natal que esperei a minha vida inteira para receber: o amor do meu pai.

Que todos vocês ganhem, nesse fim de ano, o que mais almejaram a vida inteira - em tamanho, em intensidade, em eternidade.

Beijos meus e das meninas. Não sumam.

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Fotógrafos X - B&W Spider Awards



Tidet, by Chris Budgeon



Sweet dreams, by Ruud Peters



Geese in fly, by Ron Green

...



- Sinto que sempre conheci você.
- Eu também sinto isso.
- Sabe, eu mataria por você.
- [...]
- Você não?
- Essa é a diferença entre nós dois. Você mataria por mim. Eu me deixaria morrer por você.

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Sumário

Meu avô me dizia que, quando ele nasceu, tinha um nome grande que terminava pequeno: Paulinho. Aí ele cresceu, e na escola era chamado de "Paulo de Tal", entre outros Paulos. Formou-se e acabou virando "Excelentíssimo Sr. Juiz Dr. Paulo Fulano Beltrano de Tal e Qual". Casou e virou de novo "Paulo". Teve um filho, e daí virou "papai" e depois, "pai".

No fim da vida, gostava de dizer que tinha sido resumido a uma sílaba: "Vô". Mas que aquela sílaba, inversamente ao "Excelentíssimo Sr. Juiz Dr. Paulo Fulano Beltrano de Tal e Qual", encerrava um universo que transcendia a sua própria existência.

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Lembrete



Su, minha adorada;
[...] Você criou esse mundo que te parece mais rico e mais interessante. Mas a outra, a que você também é, caminha pra esse mundo toda vez que precisa. Me parece fascinante. Essa capacidade que vocês duas têm de se autoproteger e se refazer deve ser parte de teu processo de cura e de crescimento. Uma pessoa tão sensível, tão bela e tão profunda como você é, com teus poemas, tuas fotografias, tuas leituras, só sendo duas. Quer dizer, muitas, muitas. A mãe das meninas, a mulher que limpa o jardim depois das tormentas (literalmente também) e a maravilhosa Suzana Elvas que conhecemos nos blogs. Não pára, Su. Você ainda se considera fragmentada? Bem, um pouco somos todos. Mas nos momentos de plenitude somos todos os fragmentos juntos. Me parece que teu momento está chegando. E sem muitos medos de ficar no outro mundo. Nada disso. Eu te amo muito.

Nelly (La Mamacita da Lola)

Às vezes eu me pergunto "Ora bolas, pra que ter um blog? Já tenho tanta coisa pra fazer, e ainda tenho sempre que postar coisas interessantes ou aí aproveito pra chorar pitangas virtuais etc." Aí eu leio isso.
Do fundo do meu coração, obrigada pelo colo, D. Nelly. Eu estava precisando.