sexta-feira, agosto 29, 2008

Über







Por US$ 1400 você leva o ursinho do Karl Lagerfeld. Dá medo mas é fashion, baby.

quinta-feira, agosto 28, 2008

Déjà vu



Morar junto não é morar na mesma casa. Casar não é trocar alianças, assinar na linha pontinhada um papel igualzinho para 20 casais apertados na sala do cartório. Ter filhos não é procriar. Ser marido e mulher não é só figura jurídica. Dizer "desculpe" não deve ser ato falho. Dizer todo dia "Eu te amo" não pode ser uma maneira de você, repetindo a frase sem parar, acreditar naquilo que não é mais verdade.

Desfiz um casamento de quase dez anos. Ele foi um namorado maravilhoso, um péssimo marido. Dez anos de uma solidão profunda, em que a pior conseqüência foi que eu esqueci como se ri. Esqueci como achar graça na vida, como dar uma gargalhada quando tudo está a caminho do cemitério, o carro fúnebre esperando, todo mundo de preto e o padre fazendo cara feia porque a missa vai atrasar. E eu não me decido se pérolas combinam ou se batatas fritas acompanham.

Lembrei dos bilhetes apaixonados que eu costumava, teimosamente, espalhar pela casa, pelos bolsos das camisas, pela mochila, pela cama. Das festas de aniversário preparadas de surpresa, dos presentes sem motivo algum. Das comidas diferentes, das camisetas com os desenhos das crianças no Dia dos Pais. Dos partos solitários, dos beijos roubados que - esperança boba, a minha - nunca me foram devolvidos.

A vida economizando, a casa bonita que ficou guardada nas caixas de mudança e que dali jamais saíram. Aniversários de casamento como outro dia qualquer.

Eu sinto falta somente de uma pessoa que me faça rir. Não precisa chamar meu corpo no meio da noite, não precisa levar minhas compras, acariciar meus cabelos, me ligar no meio do dia pra perguntar “Tá viva?”, fechar meus olhos para a dor ou me deixar ficar com o controle remoto.

Eu preciso voltar a rir da vida. E é urgente.
Pra ontem.

Fundo do poço










- Sozinho, e com essa roupa ridícula. *Suspiro*



Fonte: Flick; via Favoritos.

quarta-feira, agosto 27, 2008

Um caixa cheinha!




What Your Taste in Chocolate Says About You



You are sophisticated, modern, and high class.
Your taste is refined, but you are not picky.
You are often the first to try something new.
You are a whimsical person prone to daydreaming.
Artistic and creative, you're always in the middle of a project.
While you are an inspiration to others, you can come off as flaky.
You love to be the center of attention. You enjoy entertaining your friends.
You feel lost when no one is interested in you... You're too interesting to be ignored.

Achados & perdidos



Aqui chove como castigo de Deus. Muito. Estia um pouco e eu corro a tirar a roupa do varal, antes que o vento úmido molhe tudo outra vez. E torna a chover. Cada pingo estala nos vidros com uma força que forma como que rodelas de abacaxi nas janelas.

Quando estiar novamente alimento os cachorros. Enquanto isso, as meninas botam cinco anos de brinquedos, quinquilharias, enfeites de cabelo, roupas de boneca, lápis e gizes de cera, revistas e bichos de pelúcia por toda a casa. Não há mais chão visível. Tropeça-se em Pollys, Barbies, peças de quebra-cabeças e tijolinhos de Lego. Valha-me Deus.

Estou esperando as compras do supermercado que fiz ontem pela internet. Aproveito a ilha de paz que todo momento de caos proporciona para cerzir as meias das meninas, pregar botões e consertar estragos nos uniformes do colégio. E, enquanto faço isso, penso em ti.

A quem eu escrevi isso? Não me lembro. Só pela data do arquivo, sei que já faz muito tempo.

terça-feira, agosto 26, 2008

...



Faz tempo que eu não ganho flores.
Me faz uma certa falta, sabe?

E não me pergunte o porquê: isso sempre acontece quando eu visito a Vivianne. Fico no desejo de ganhar flores e me vem à lembrança cheiro de orvalho. Vai entender.

...

Às vezes, a gente fica assim meio que de saco cheio do mundo em geral e das pessoas em particular. Porque todo mundo tem a solução para os nossos problemas, né não? É tudo tããããooo simples que eu tenho até vergonha de dizer "Não é bem assim".

"Como não? Não é? Mas é claro que é! Olha, eu sei que você não tem família no Rio, que são duas meninas, que você é frila, que isso e aqui, mas... É claro que dá! Basta você se esforçar!"

Lembrando um colega de jornal: "Pessoas que dão palpites irrelevantes e levianos na vida dos outros morrerão numa agonia lenta e dolorosa."

sexta-feira, agosto 22, 2008

A quoi ça sert l'amour



Para que serve o amor?

Para que serve o amor?
A gente conta todos os dias
Incessantemente histórias
Sobre para que serve amar

O amor não se explica
É uma coisa assim
Que vem não se sabe de onde
E te pega de uma vez

Eu, eu escutei dizer
Que o amor faz sofrer
Que o amor faz chorar
Para que serve amar?

O amor, serve pra quê?
Para nos dar alegria
com lágrimas nos olhos
É triste e maravilho

No entanto, dizem sempre
Que o amor decepciona
Que há um dos dois
Que nunca está contente

Mesmo quando o perdemos
O amor que conhecemos
Nos deixa um gosto de mel
O amor é eterno

Tudo isso é muito lindo
Mas quando acaba
Não lhe resta nada
Além de uma enorme dor

Tudo o que agora
Que lhe parece "rasgável"
Amanhã, será para você
Uma lembrança de alegria

Em resumo, eu entendi
Que sem amor na vida
Sem essas alegrias, essas dores
Nós vivemos para nada

Mas sim, me escute
Cada vez mais eu acredito
E eu acreditarei pra sempre
Que é pra isso que serve o amor

Mas você, você é o último
Mas você, você é o primeiro
Antes de você não havia nada
Com você eu estou bem

Era você quem eu queria
Era de você que eu precisava
Eu te amarei pra sempre
É para isso que serve o amor.

(Cantado no original por Edith Piaf e Theo Sarapo. "A quoi ça sert l'amour" - realisateur: Louis Clichy, estudio Cube)

Dica incomparável do Hiro, que compartilha comigo, mesmo que em épocas diferentes, o mesmo lugar da infância.

quinta-feira, agosto 21, 2008

Pra lá da Martinica

"Por outro lado, eu realmente não consigo me importar com o que os outros falam de mim. Ontem eu estava comendo bolo na recepção e um pouco de geléia pingou no mouse. Ato contínuo, peguei o mouse e lambi a geléia. Quando terminei, vi que um hóspede tinha acompanhado a cena toda.

A princípio eu me preocupei, tipos, que bosta, ele vai achar que eu sou porca e vai contar para a mulher e eles vão me chamar de Gerente Porca e oh meu deus, o que eu faço - mas essa preocupação não durou nem cinco minutos.

Primeiro que amanhã eles vão embora, grandes chances de nunca mais encontrar essas pessoas na vida, que me importa se elas acham que eu sou porca ou não? Segundo que eu sou porca, então não faz muito sentido me incomodar com pessoas falando sobre isso. Se não quisesse ser conhecida como porca, não lamberia mouses em público. Aliás, não lamberia mouses. Ponto."

Sabe, eu amo essa mulher. Sério. De paixão.
Minha ídola.

quarta-feira, agosto 20, 2008

& outros bichos

A quem interessar possa, George Orwell (ele mesmo, o escritor) tem um blog.

segunda-feira, agosto 18, 2008

...

Dinheiro, dívidas, estresse, velhice, desemprego, doença, calor. Nada, absolutamente nada importa quando, num quartinho de hospital, você segue a linha do soro, sobe pela mão miúda largada no lençol, pousa os olhos no rostinho da sua filha - abatido, lábios descorados, olhos fundos refletindo uma dor profunda que pede alívio a você - e, sentindo a mais devoradora solidão, ora:

"Que ela fique boa".

Sim, ela ficou. Finalmente. A todos que me mandaram carinho, o meu muito obrigada.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Apologize



I'm holding on your rope,
Got me ten feet off the ground
I'm hearing what you say but I just can't make a sound
You tell me that you need me
Then you go and cut me down, but wait
You tell me that you're sorry
Didn't think I'd turn around, and say...

It's too late to apologize, it's too late
I said it's too late to apologize, it's too late

I'd take another chance, take a fall
Take a shot for you
And I need you like a heart needs a beat
But it's nothing new
I loved you with a fire red
Now it's turning blue, and you say...
"Sorry" like the angel heaven let me think was you
But I'm afraid...

It's too late to apologize, it's too late
I said it's too late to apologize, it's too late

It's too late to apologize, it's too late
I said it's too late to apologize, it's too late
It's too late to apologize, yeah
I said it's too late to apologize, yeah
I'm holding on your rope, got me ten feet off the ground...



Algumas coisas são imperdoáveis. E não têm volta.

sexta-feira, agosto 08, 2008

Noturno



Sempre durmo de madrugada - se pudesse, viveria sempre ali, quando as ruas estão vazias e dormem os cães, a poeira sobre os móveis e as folhas nas árvores. Escuta-se um alfinete gritar "Ah!" antes de cair no chão. É nessa hora, em que eu desligo a TV e apago todas as luzes, que vou andar pela casa. Eu não enxergo bem no escuro, então espero os olhos se acostumarem e a pele começar a detectar móveis e paredes para ir à cozinha, passear pelo terraço ou andar pelos quartos.

Minha última parada é sempre o quarto das meninas. Abro mais ou fecho bem a janela, desenrosco as cobertas da confusão de braços e pernas, ajeito os travesseiros, recolho a pobre boneca que, empurrada por uma das 857.595.004 de suas irmãs que dividem com ela uma almofada, acaba no chão.

E me sento na beira da cama e acaricio minhas filhas. A Catatau não resisto fazer cosquinhas, porque adoro o risinho de covinhas que ela me dá, de olhos fechados, e um "Pára, mãe!" que quer dizer "Mais um pouquinho, por favor." Mas ela só recebe. Com Zé Colméia é diferente. Mesmo dormindo, ela acaricia minhas mãos e meus braços, procura no escuro do sono o meu rosto. E naquele momento é aquela que vive dentro de mim quem fala. Suzana sussurra para elas todos os desejos, todas as ambições, todo o belo futuro que ela almeja para ambas. Desfia recordações, fala de gente que amou e deixou pra trás no corredor do passado ou simplesmente na memória, nomes guardados entre os remédios horríveis da infância e as flores que cheirou no dia de sua primeira comunhão.

Esse ritual ela faz todas as noites, porque quem se levanta de manhã é a outra, aquela que carrega nos ombros a responsabilidade de fazer dos sonhos de Suzana, realidade.

Banho de reis

Acabei de descobrir que minha banheira vale R$ 5.500. Nossa, tô podendo.

Lembretes









Porque ele só desenha em post-its.

...

Há dias, toneladas de roupas e sapatos estão deixando suas zonas de conforto para tomarem o rumo de asilos, orfanatos, igrejas e bazares beneficentes - ainda desmontando móveis e jogando fora um passado que já faz um tempinho começou a cheirar mal.

Um dia eu disse que meus 42 anos seriam renovadores. Assim seja.

quinta-feira, agosto 07, 2008

Um dia após o outro...

CTU meio às moscas. O pessoal está na China, fazendo a segurança das olímpiadas e eu não posso mais entrar lá (na China). Damn it.

Os churrascos da família Bauer não são mais os mesmos. Graem era um canalha, mas mandava bem na picanha.

Teri (RIP) deixou a Kim cair de cabeça duas vezes quando ela era bebê. True story.

Kim pergunta via MSN se tudo bem fazer bronzeamento artificial depois de comer milho ("Ele vira pipoca no estômago?")

Kim diz que o lance do milho era "zoeira" e pergunta se eu acho que ela é tão burra assim. Eu não respondi.

Pausa para o café. Como o médico mandou pegar leve, não vou passar dos 2,5 litros, hoje.

Damn it, parece que tem mesmo MAIS UM TRAIDOR aqui na CTU, aka o lugar com o pior departamento de RH do mundo.

Yes! Funcionário do Mês! Toma essa, Nadia!



Sério, hoje a CTU está cheirando a cadáver.

Ok, a CTU estava cheirando a cadáver porque tinha um guardinha de segurança morto no duto de ventilação. Odeio segunda-feira.

O RH me inscreveu num seminário nesse finde: "Torturei Meu Colega de Trabalho Inocente. E Agora, Como Manter a Relação?".

Adoro colocar a mão no bolso e encontrar uma arma que eu tinha esquecido que tinha.

E vou passar o fim de semana inteiro usando meus crocs verde-exército, que se dane.

... e você descobre que Jack Bauer está no Twitter.

terça-feira, agosto 05, 2008

Em frente



Sábado de chuva. Seis da tarde, lusco-fusco (meu coração prefere essa hora; meu cérebro, o alvorecer. Vai entender uma coisa dessas). A TV sai do ar por alguns momentos e eu me vejo refletida na tela. Estou sentada na cama, a tábua de passar roupas aberta. Um cesto gigantesco vomita o trabalho acumulado das sem-empregada, título de sócia-honorária desde maio deste ano.

Uma camiseta velha, dois números maior do que eu. Chinelos que viram dias melhores, meias idem. Um short que foi, no fim do milênio, uma calça. Cabelos presos de qualquer maneira, óculos, unhas sem esmalte e sem trato. O quarto escuro, silêncio, o frio do fim da tarde.

Olho para a camiseta da Catatau aberta à minha frente, o ferro quente na mão direita enquanto a esquerda alisa os babados delicados acima da estampa de Barbie. Vem uma lágrima, outra, e mais outra. De repente, estou me vendo há 15 anos, toda ambição profissional. Àquela hora, há 15 anos, eu estaria bebendo um chope, me arrumando para começar o sábado com cinema e jantar, vendo se há cerveja suficiente em casa para o pessoal que está chegando para a festa, antecipando o gosto de ver minha matéria publicada ou ansiando o momento de começar a apurar outra.

Voando vertiginosamente para trás, num mergulho que ajuda a tirar o fôlego já tão escasso no meio dos soluços, me vi de pé na encruzilhada em que me foi dito: "Escolha". E eu escolhi.

Por mais que as pessoas digam "Não faça isso, é um erro que você só vai perceber no futuro", há quase dez anos vivo em função das minhas filhas. Vivo por elas, para elas. Parei de investir na minha carreira como jornalista, que me roubaria tempo de ser mãe. Trabalho 16 horas por dia como frila, e parei de procurar um emprego fixo que me dê o plano de saúde que não tenho e benefícios dos quais não usufruo (como depósito no INSS para a minha aposentadoria, 13º e FGTS) porque não achei um trabalho que pague o salário de quem vá buscá-las na escola, levá-las ao médico ou ficar em casa com elas enquanto eu não chego.

Economizo tostões, reluto em comprar o que seja para mim para que jamais eu tenha que dizer não ao que é básico e essencial à sua infância - e não estou falando de roupas de grife ou brinquedos da Mattel. Penso nelas quando alguém se aproxima - e por experiência (de escassez exponencial), a menção da palavra "filhas" transforma o interesse em compromissos urgentes bem longe dali. Entre ele e elas, sempre escolherei a elas.

E assim esse processo, que vem lenta e inexoravelmente se instalando nos últimos três, quatro anos, teve sua conclusão no sábado. Envelhecida, num sábado à tarde passando as roupas das meninas, como faço há um punhado de sábados, já. A tristeza de me sentir tão pouco mulher, tão pouco desejada apresentou-se. Ela está lá, conformada, em silêncio. Como eu, ao guardar nas gavetas as camisetas mornas e perfumadas, ao acomodar os vestidos com cuidado nos cabides.

Esvaziou-se o cesto, o ferro esfriou, o sinal do satélite voltou. A noite veio e eu só acendi as luzes muito tarde. Jantei, dei de comer aos cachorros, li um trecho de um livro de que não lembro mais e fui dormir às nove. O sábado terminou, o domingo veio e foi embora, mas antes trouxe minhas meninas de volta.

Eu escolhi. E, apesar de toda a tristeza e a solidão, não me arrependo.

segunda-feira, julho 28, 2008

Teve, mas acabou

Dia 21 de julho veio e largou na minha porta mais um ano. Tão indolor que nem senti. Tão sem importância que nem comemorei. Tão rápido que quase me esqueci.

42 anos. Tô velha.
Afe.

Sin olvidar de lo estômago, jamás!

(Catatau no bondinho do Pão de Açúcar):

- Mãe, que montanha é essa?
- Pão-de-açúcar.
(...)
- Mãe, onde é a montanha Algodão Doce?

Fim dos tempos é...

... seu ex-marido (aquele que não perde a oportunidade de te sacanear) mandar por e-mail convite para você participar da comunidade virtual de amigos dele.

Oi?

sábado, julho 05, 2008

Há sete anos



- Mamãe, posso comer mais um docinho?
- Só mais um, filha, você comeu três, já. Vai ficar com dor de barriga.
- [...]
- Tia C, posso comer mais um docinho?
- Claro, querida, olha aqui.
- [Nhoc, nhoc, nhoc] Fulana, posso pegar mais um docinho?
- Ué, cadê a sua mãe? Ah, sim, pode sim. Abre a mão.
- [Nhoc, nhoc, nhoc] Por favor, a senhora pode me passar mais um docinho daquele ali?
- Nossa, que gracinha que você é! Toma, abre a mãozinha, assim. Bom, né?
- [Nhoc, nhoc, nhoc] Dá licença de eu pegar mais um doce? Obrigada!
- [Nhoc, nhoc, nhoc] Peraí, moço! Abaixa a bandeja, por favor, que eu não alcanço! Ah, obrigada.
- [Nhoc, nhoc, nhoc] Oi, Beltrano, você pode pedir pra sua mãe mais um docinho? Os que tavam nas bandejas acabaram. Acho que tem mais na cozinha, né?

Alguém tem que ser retirado do recinto: a comida ou Catatau. E ela achou, com aquele jeito gordinho e fofo, uma maneira de, sem que eu veja, conseguir mais um docinho aqui, mais uma comidinha acolá. Mas tudo tem um preço: ela começou a perceber que a gastrite que desenvolveu comendo porcarias na casa do pai cobra um preço alto a cada comilança. Então, o jeito foi tornar-se uma gastrônoma de primeira - só come o que vale a pena ser comido.

Tudo bem que, de vez em quando, aquele amendoim vagabundo tem vez mas... Fazer o quê? A vida é cheia de surpresas, e uma dama não comenta que a irmã ainda tropeça na hora de amarrar o sapato e ela, não. Que a mãe enfia um Sonho de Valsa inteirinho na boca, e ela não. Que ela tinha piolhos - cedidos gentilmente pela amiguinha do lado, que mantém a sangue tipo A um verdadeiro criadouro na cabeça. Fina como ela é, Catatau passa Kwell no cabelo e a inspetora comenta que a cabeça dela está com um delicioso aroma de lavanda. E, pior, está mesmo.

A paixão da hora são fadas. Sininho na cabeça, outras fadas correndo por fora. Porque magia nunca faltará na vida da minha Catatau. Ela é capaz de ver uma luz maravilhosa sobre o pátio da escola quando estamos com os sapatos em estado pré-mingau em plena tempestade. Ou dizer que meu colo é tão quentinho que ela se sente dentro de um ninho, rindo pra ela mesma ao se imaginar um passarinho - mesmo que as entranhas estejam sendo devoradas pela dor da gastrite.

Ela começou a ler e a escrever esse ano. E um novo mundo se abriu para ela. Em seus olhos não existe mais aquela pureza que a ignorância intocada das crianças que ainda não foram alfabetizadas têm. Ela, de um dia para o outro, cresceu. Entrou no mundo civilizado das letras, dos livros, da escrita. Chegou ressabiada, e ainda não se sente confortável para abandonar de vez a risada de bebê que não deixa um cidadão sério no vagão do metrô, ou as mãos cheias de furinhos que passam com maestria o gloss depois do almoço ("Porque mãe, você sabe, quem não tem brilho não tem nada"). Ainda bem.

Eu olho minha caçula e não canso de me lembrar que, pressionada pelo meu ex-marido, quase ela foi-se antes mesmo de chegar. Olho a elegância surpreendente com que ela dá estrelas e maneja a fita como ninguém nos treinos de ginástica rítmica e penso quão acolhedor seria o mundo se cada família tivesse sua Catatau. Se cada casa dispusesse de uma garotinha doce, gulosa, generosa, sorridente, carinhosa - com a luz cálida e imensamente feliz da minha menina.

Feliz aniversário, querida.

...

Minha vida é um eterno plano b.

quinta-feira, julho 03, 2008

No bat words

































Nunca vi um filme com tantos cartazes de divulgação - um mais bacana que o outro. Não, não me conta nada. Não quero saber. Não quero ler nada, nem ver trailer nenhum, nem escutar nenhum comentário sobre o filme. Quero ser absolutamente surpreendida. Lálálálálálálálá!!!! Não tô te ouvindo! Lálálálálálálá!!!

terça-feira, julho 01, 2008

Olympia



Em 1972, Bruce Kennedy estava em Munique integrando a delegação da Rodésia que iria disputar os Jogos Olímpicos. Às vésperas da festa de abertura, Kennedy e seus companheiros receberam a notícia: por causa da política de segregação racial adotada no país, a Rodésia estava expulsa dos Jogos Olímpicos de Munique. "Haverá uma outra oportunidade", pensou Kennedy, um lançador de dardo de razoável talento.

Em 1976 repetiu-se a cena do mesmo quadro: Kennedy treinou e se preparou para os Jogos de Montreal, classificou-se na seletiva, mas dessa vez nem chegou a viajar. A Rodésia estava excluída do movimento olímpico.

Em 1977 Kennedy se mudou para os Estados Unidos. Três anos mais tarde, já naturalizado cidadão americano, classificou-se com um dos três dardistas da delegação. Pela terceira vez o destino impediu-o de participar dos Jogos, dessa vez porque os americanos resolveram boicotar os Jogos em Moscou.

Bruce Kennedy adiou seu sonho, mas não desistiu. No dia em que começaram as competições de atletismo das Olimpíadas de Los Angeles, ele estava no Coliseum. Era o porteiro do estádio.

Maurício Cardoso, "De Atenas a Atlanta - 100 anos de Olimpíadas"
Editora Scretta, 1996

segunda-feira, junho 30, 2008

...

Sabe, eu nunca pedi nada aqui, mas às vezes a gente tem que deixar o orgulho de lado.
Se você trabalha na secretaria estadual de Saúde ou conhece alguém que trabalha: o câncer do meu pai voltou e o medicamento que ele tem que tomar (Zoladex LA 10.8) custa R$ 1412,00 a caixa. O estado fornece o medicamento, mas é preciso cerca de dois meses de espera até chegarem as primeiras ampolas. Aos 73 anos, acredito que procurar uma cadeira confortável não seja o bastante.

O procedimento: passar por um hospital da rede pública para obter o número de prontuário. Levar todos os exames que se tem. Explicar a situação e pedir 4 vias para Solicitação de Medicamentos Especiais (SME - eles têm no hospital) indicando a quantidade necessária de ampolas, uma receita pra cada mês que será utilizado e um laudo médico explicando o seu caso para justificar o medicamento. Separar seus documentos: identidade, CPF e comprovante de residência com cópias. Juntar com as vias SME, as receitas e o laudo e levar na Rua México 128/4º andar, no centro do Rio. (atendimento de segunda a quarta das 9h às 11h). Eles retêm os documentos por quinze dias e marcam o retorno, cujo atendimento é de 11h às 15h. O medicamento é liberado (SE o pedido for aprovado) em 30/45 dias.

Dicas e informações serão bem-vindas.
Obrigada de coração.

sábado, junho 28, 2008

Das 9h às 18h



Argola, quadrilha, pescaria, mão no balde, quadrilha, escorrega, quadrilha, pula-pula, prisão, correio-do-amor, quadrilha.

Espetinho de carne, espetinho de frango, paçoca, salsichão, queijo coalho, paçoca, farofa, canjica, cocada preta, cocada branca, milho verde, pipoca, cachorro quente (com batata pálida), quebra-queixo, queijadinha, cuscuz, tapioca com coco, paçoca, bolo de milho, paçoca, bolo de laranja com goiabada. Ah, e paçoca.

Festa junina. Tô podre.

Anh, oi, as meninas? Que... meninas?
Ah, sim, AQUELAS meninas. As minhas filhas.
Sim, as meninas se divertiram e comeram, também.
Eu acho.

quinta-feira, junho 26, 2008

Cínica ternurinha



O moleque é até bonitinho, e você faz charminho pra ele - vocês estão no primário (é, sou do tempo do primário. Whatever). Mas ele começa a ficar grudento e acaba virando um maaaala, tadinho. Um saco.

Aí você termina o colégio e ele lá. Grudado. O cara então desiste, sai da sua vida e você, anos depois, fica pensando a injustiça que é não ter o dom da premonição lá entre os cromossomos 26 e 38. A gente pode até ser cínica mas a vida é tããão injusta, né não?

Quem é o guri? Adivinha.

quarta-feira, junho 25, 2008

...



Se meus olhos te incomodam quando te olho de frente, não me importo de arrancá-los e amar-te cegamente.

Mário Sá-Carneiro

(in "Diário de um fescenino", p. 248
Rubem Fonseca, Companhia das Letras, 2003)

terça-feira, junho 24, 2008

Sempre



É natural que tenhas medo que te apanhem. A guerra continua tão estranha. Dum dia para o outro, já não sabemos que esperar. Tomamos os comprimidos, como todos os outros, só que o efeito é o contrário do que pretendemos. Nós queríamos ser felizes.
Ninguém nos acompanha nisto. A noite desce como um pano. As pessoas desaparecem, como se fossem para casa. Não temos maneira de saber o que está certo.

Dou-te as flores de onde vim, que vieram comigo, que atravessaram o mundo não se sabe bem porquê. Os teus olhos continuam iguais. É preciso insistir. Não fazemos diferença um do outro. Percorremos distâncias enormes, junto dos faróis e dos comboios, com a música muito alta, sem dizer nada que nos interesse. Não nos conhecemos. Nunca seremos interessantes. O carro precipita-se em vez de nós. A paisagem substitui as nossas caras.

Eu gostaria tanto de amar-te. Quando te tomo nos meus pensamentos, vai a noite escura ao largo da gente e das árvores, e eu penso que a minha alma te pertence. Pudera eu, meu amor, ou lá o que és, que pudesse pertencer a alguém.

Miguel Esteves Cardoso, "O amor é fodido"
Assírio & Alvim Editora, Lisboa, 1994.

...

Tem dias em que a gente precisa muito conversar. Só isso, conversar antes que dê a louca e dispamos a pele e deixemos a alma passear em dor por aí.
O MSN ligado e vazio, nenhum palavra nas caixas de comentários, e-mails de dias atrás e um pudor fenomenal de passar a mão no telefone e ligar para alguém.

Deus me salve da autopiedade.

segunda-feira, junho 23, 2008

Instinto assassino

Você deseja do fundo de sua alminha que alguém, em algum lugar, faleça em dor lenta e muito sofrimento quando:

* Tosta o dorso da mão no forno e, enquanto sente uma gigabolha se formar, encontra no armário do banheiro a caixa do remédio contra queimaduras. Vazia.

* Prepara tudo para assistir ao último capítulo da última temporada da série que você jamais perdeu nenhum episódio - e falta luz nos 15 minutos finais.

* Enrola, enrola, enrola pra tomar banho e lavar o cabelo porque está um frio desgraçado - e falta luz nos primeiros 15 segundos de chuveiro, e o cabelo imundo já tá encharcado, metade cheio de xampu.

* Chega em casa morta de fome, sonhando com aquelas duas últimas fatias de rosbife que você escondeu láááá no fundo da geladeira - mas alguém foi mais esperto que você.

* Faz compra do mês e, na hora de pagar, descobre que seu cartão de débito ficou na outra bolsa. E você tem exatos R$ 0,74. E não pode tirar dinheiro porque os bancos já fecharam.

* Depois de uma viagem de quatro dias de carro, vomitando o cérebro, a barriga de 17 meses de gravidez pesando um absurdo, descobre que a passadeira comeu a única coisa que faz passar seu enjôo - os caquis maravilhosamente maduros que sua mãe colhera nos estertores da estação e tinha deixado na sua casa. E a &%$@#*&+%$ ainda te diz depois: "Ai, que caquis maravilhosos! É por isso que fazem passar o seu enjôo! Cortei tudinho, botei numa bacia e fui comendo e passando a roupa, comendo e passando a roupa..."

* Começa a fazer o bolo, todos os ingredientes na mesa, e se dá conta que a caixa de ovos não está tão cheia assim - sua empregada comeu todos de uma vez. E deixou só um. E o bolo leva dois. E você já misturou toda a massa. E é domingo à noite. E seu vizinho não está em casa. O que não faz diferença, porque ele não gosta de ovo.

* Você trabalhou quatro dias seguidos, madrugada adentro. Às quatro da manhã do quinto dia liga para a cooperativa de táxi e a operadora manda um "BOM-DIA!!!!!!!!!!!!!!" direto no seu cérebro, torpedeando o que restava do seu humor. Que de bom já não tinha mais nada.

* Com duas filhas pequenas, pede arrego e contrata uma empregada. Ao sair de manhã, a casa pós-tsunami, dá instruções à dita de como gosta que o banheiro seja lavado - e você descobre ao chegar em casa à noite, com duas crianças famintas e um marido relaxado, que foi exatamente o que ela fez. Lavou o banheiro como você queria. E não fez mais nada.

* Por exigência do (possível) novo cliente, você tem que marcar a reunião num lugar tipo divisa entre Poconé e Pariangaba. Chove tonéis industriais, e você torra um quarto do dinheiro que não tem em dois táxis, que é pra não chegar (muito) atrasada. Espera 40 minutos no lugar combinado, liga para a criatura que está esperando e ela manda um "Pois é, vamos ter que remarcar".

* Faz de tudo pro cara te notar - até macumba - e nada, e 15 anos depois encontra com ele e ouve o dito confessar que arrastava um trem por você. Devia ter se jogado na frente, pra deixar de ser burro [e cego].

sexta-feira, junho 20, 2008

Há nove anos



- Batata pálida, mãe.
- Ãhn? O quê?
- Batata pálida, mãe. Não esquece da batata pálida.
- [...]
- Alô, mãe? Batata pálida! Pra botar no cachorro-quente! Acorda, mãe! Tá dormindo?

Batata palha. E ela não tem a menor paciência comigo. Nem com o mundo. Muita pressa. Muita. "Mastiga!" "Ouh, ouh, você aí, volta e escova isso direito!" "Peraí, a calça tá aberta!" "Auhn... Seis e meia, filha, tenha dó. Me deixa dormir, hoje é sábadzzzzz..."

O corpinho comprido e miúdo não tem como ganhar mais algumas carninhas, como a irmã. Puro Osso, é esse o apelido que a professora botou dela, mesmo comendo colinas de arroz, feijão, carne e salada. Tudo bem misturado num cimento que só sai do prato para a boca a bordo de uma colher. De preferência, manejada como uma pá. Os cabelos eternamente despenteados, uma juba incontrolável, a mochila eviscerada pelos corredores da escola mostrando as tripas sem pudor: bonequinhas, bichinhos, copos descartáveis, pedaços de argila seca, canetas sem tampa, tampas sem canetas, casaco virado do avesso e uma resma de papel nos sabores folhas picotadas, folhas amassadas, folhas dobradas, folhas coladas, folhas rasgadas & folhas sem-forma-definida. E mais um livro tirado na biblioteca, que é de lei. Ah, e o caderno das princesas. Para anotações diversas. "Mãe, fala com a diretora que eu fui ontem no refeitório e só tinha cremicraque (sic). Eu não gosto de cremicraque, mãe. Mãe, eu tô passando fome. Fala com a diretora."

Vivendo num inferno astral há pelo menos duas semanas, minha Pucca achou seu personagem perfeito, plena de encantos orientais pelos quais essa menina anda fascinada - cada vez mais, a cada dia. Porque a menininha é meiga, carinhosa, adora animais, mas maltrata impiedosamente quem ela ama de paixão - depois do soco, do grito, do empurrão, vem a voz macia, as mãos idem acariciando qualquer pedaço de pele à mostra, a voz doce e sentida de quem quer muito, mas muito mesmo pedir perdão mas simplesmente não sabe como. Então, em vez de simplesmente deixar a boca cuspir o protocolar "Desculpe", só consegue expressar seu arrependimento pelo coração, deixando-o falar sem usar a voz.

Essa é minha Zé Colméia. Nove anos desde que saí da maternidade com meu embrulhinho gorducho, os dedos longos chamando a atenção das enfermeiras. Nove anos de um aprendizado de vida imenso, que jamais poderei pagar a ela. Porque aprendi a duras penas que, independentemente de chamar alguém de "filha", o mais difícil no amor é dá-lo a quem parece que não o quer, que nos diz palavras ásperas, que nos faz perder horas de sono perguntando "Como isso aconteceu?". É o amor difícil, suado, batalhado, esmerilhado e talhado em brigas duras e reconciliações inesquecíveis. Polido e lapidado. Somos duas caminhando nessa estrada pedregosa, mas sempre de mãos dadas.

Cada bilhete, cada desenho, cada escultura de argila ou massinha eu tenho guardado - da camiseta onde eu pareço uma barata vermelho-amarronzada gigantesca ao cartão feito ontem, às dez da noite, a irmã já dormindo no sofá enquanto eu gravava os CDs das lembrancinhas - tudo me faz encher os olhos de lágrimas: "Mamãe, você é meu anjo. Nunca saia do meu lado."

Feliz aniversário, querida.

quinta-feira, junho 19, 2008

Bolso

Uma advogada está, via GloboOnline, respondendo dúvidas que os pais tenham sobre guarda compartilhada.

Todas - TODAS - as perguntas são sobre pensão alimentícia: ou seja, se o pai (das quase 15 perguntas, apenas uma é de uma mãe, e refere-se a até que idade seu filho tem direito à pensão) vai receber (que droga!) mais deveres, tem que ter uma vantagem, certo? Então: é diminuir a pensão. Afinal, se o guri vai lanchar na casa dele durante a semana, automaticamente a mensalidade escolar e o vidro do xarope vão baixar de preço, correto?

Não vi, nem ali nem nas caixas de comentários das matérias sobre a regulamentação da guarda compartilhada, um pai sequer (pai; não "um dos genitores". Pai, o cromossomo XY do casamento) perguntando como fica a questão da guarda legal da criança; se não será mais preciso autorização do ex-cônjuge para a criança viajar (ou será necessário permissão de ambos), como seus próprios filhos encararão essa partilha, se é preciso comunicar escola, médicos etc que agora o outro lado também apita na vida da criança.

Nada. Só falam da pensão.

terça-feira, junho 17, 2008

Por que eu amo crianças



 Uma menina estava conversando com a sua professora. A professora disse que era fisicamente impossível que uma baleia engula um ser humano porque, apesar de ser um mamífero muito grande, a sua garganta é muito pequena.
A menina afirmou que Jonas foi engolido por uma baleia. Irritada, a professora repetiu que uma baleia não poderia engolir nenhum ser humano; era fisicamente impossível. A menina, então, disse:
- Quando eu morrer e for pro céu, vou perguntar a Jonas.
A professora lhe perguntou:
- E o que vai acontecer se Jonas tiver ido para o inferno?
A menina respondeu:
- Então é a senhora que vai perguntar.

Uma professora de creche observava as crianças de sua turma desenhando. Ocasionalmente passeava pela sala para ver os trabalhos de cada criança.
Quando chegou perto de uma menina que trabalhava intensamente, perguntou o que desenhava.
A menina respondeu:
- Estou desenhando Deus.
A professora parou e disse:
- Mas ninguém sabe como é Deus.
Sem piscar e sem levantar os olhos de seu desenho, a menina respondeu:
- Saberão dentro de um minuto.

Uma honesta menina de sete anos admitiu calmamente a seus pais que Luís Miguel havia lhe dado um beijo depois da aula.
- E como aconteceu isso? - perguntou a mãe assustada.
- Não foi fácil - admitiu a pequena senhorita - mas três meninas me ajudaram a segurá-lo.

Um dia, uma menina estava sentada observando sua mãe lavar os pratos na cozinha. De repente, percebeu que sua mãe tinha vários cabelos brancos que sobressaíam entre a sua cabeleira escura. Olhou para sua mãe e lhe perguntou:
- Porque você tem tantos cabelos brancos, mamãe?
A mãe respondeu:
- Bom, cada vez que você faz algo de ruim e me faz chorar ou me faz triste, um de meus cabelos fica branco.
A menina digeriu esta revelação por alguns instantes e logo disse:
- Mãe, por que TODOS os cabelos de minha avó são brancos?

Um menino de três anos foi com seu pai ver uma ninhada de gatinhos que haviam acabado de nascer. De volta a casa, contou com excitação para sua mãe que havia gatinhos e gatinhas.
- Como você soube disso? - perguntou a mãe.
- Papai os levantou e olhou por baixo - respondeu o menino. - Acho que ali estava a etiqueta.

Todas as crianças haviam saído na fotografia e a professora estava tentando persuadi-los a comprar uma cópia da foto do grupo.
- Imaginem que bonito será quando vocês forem grandes e todos digam "Ali está Catarina, é advogada", ou também "Este é o Miguel, agora ele é médico".
Ouviu-se uma vozinha vinda do fundo da sala:
- "E ali está a professora. Já morreu."

Pérolas colhidas pelo médico foniatra, jornalista e escritor Pedro Bloch em seu consultório.

...



Amo minhas filhas. Meus livros. Meu trabalho, meus amigos.
Mas adoraria amar de novo.

sexta-feira, junho 13, 2008

Depois da curva

As crianças acham que nós pais, adultos, gente grande, somos eternos. Estaremos sempre por aqui - umas vezes fazendo carinho e dando colo, muitas vezes enchendo o saco deles sobre a necessidade de limpar o nariz somente no banheiro ou comer balas o menos possível.

Nós adultos sabemos que isso não acontece - pelo menos, comemos balas o quanto queremos, porque somos dimaior e ninguém tem nada a ver com isso. Mas o barulho de algo se estilhaçando do nada foi o que eu ouvi, dentro da minha cabeça, quando meu pai me ligou - eu estava no táxi com as meninas, quase à porta de casa - dizendo que minha mãe (que se sentira "esquisita", nas palavras dela, o dia inteiro) simplesmente ao se levantar desabara como um saco de batatas. "E eu estou sozinho aqui, não sei o que fazer." "Tô indo praí, pai. Interfona para o porteiro e pede que ele veja se no prédio tem algum médico." [Pisa fundo, moço, pelo amor de Deus].

Minha mãe deitada no chão, meu pai de pé ao lado dela, o olhar mais desamparado que jamais vi. Tentei levantá-la, minha coluna estalou, uma dor lancinante desceu pelas pernas, que se foda que eu preciso botar minha mãe na cama.

E eu troquei a roupa dela, encharcada de suor. Fui ao supermercado quase fechando comprar frutas, água de côco. Voltei, saí de novo, deixei as meninas na casa de uma amiguinha para passarem a noite, fui em casa para pegar roupas, os deveres da Zé Colméia, uniformes, alimentar os cachorros. E voltei ao apartamento dos meus pais - meia-noite cravado. "Pai, vai dormir." "E se sua mãe precisar de alguma coisa?" "Eu fico acordada, pai. Tenho que trabalhar. Vai dormir que qualquer coisa eu chamo você."

E me sentei no meu antigo quarto, o computador ligado, minha agenda aberta, a lista de coisas a fazer, gente pra ligar no dia seguinte, o livro ainda por revisar.

E eu chorei. De medo de perder minha mãe.

quarta-feira, junho 11, 2008

Sem noção é isso



Aí você faz essa brincadeirinha com seu namorado, e ele liga para o telefone que recebeu e quem atende é você - e se confirma a suspeita que seu bofe é um galinha, que cai na cantada de qualquer uma que dê a ele o telefone.
É ou não uma brilhante estratégia de marketing para divulgar a marca?
(Se estiver difícil de ler, clique na imagem que ela aumenta)

De la Mancha

Cheguei à pouco de uma reunião na escola das meninas. Escola grande, antiga, tradicional. No fim do ano passado, eles deram às meninas uma bolsa de 30%, com a condição que eu ajudasse a escola a conseguir mais matrículas e incrementar a programação cultural. Na segunda, houve uma outra reunião, dessa vez com os pais, para apresentar o novo diretor-geral (que deveria ter se feito conhecer em fevereiro - corre a piada que você tem que ter dons mediúnicos para vê-lo; os privilegiados que o conheceram obviamente têm). Como o homem mais uma vez não apareceu, as mães desfiaram o rosário de queixas de sempre - reclamações com fundamento, é preciso dizer.

Enfim. Hoje fui lá explicar que imagem é tudo, que os pais presentes à reunião são antigos e que não agüentam mais ouvir a ladainha de que é preciso "parceria entre colégio e pais" etc e tal. A escola está comemorando aniversário centenário e levei (pela enésima vez) sugestões a custo zero de atividades que gerariam mídia espontânea (o que ficaria ao meu encargo, já que a assessoria de imprensa da escola resume-se a ser paga para atualizar o site institucional, três vezes por semana).

Resposta: "Podemos até fazer isso, mas acho que não vai adiantar; acredito mais nos cartazes que pusemos nos ônibus das linhas da Zona Sul." Bom, o último levantamento que fiz de busdoor para linhas de ônibus que não eram concorridas dava uns mil reais para exibição mensal de dez cartazes (custando em média cem reais cada um). Um saco de sementes para as crianças plantarem o jardim comunitário sairia R$ 0,50 o saquinho. A materica no Globo Zona Sul sobre o jardim que, depois de plantado, será aberto para mães e seus bebês até dois anos (projeto meu) aos sábados, criando mais uma área de lazer segura, custaria quase R$ 14 mil, se o colégio pagasse pelo anúncio.

Aí eu calo a boca, agradeço e me retiro. Se eu vou tentar de novo? Sei lá.

sexta-feira, junho 06, 2008

Fotógrafos VI - Harry Benson (1)



Senador Robert F. Kennedy, The Ambassador Hotel, Los Angeles, June 6, 1968



Senador Robert F. Kennedy, The Ambassador Hotel, Los Angeles, June 6, 1968.



Ethel Kennedy standing over Robert F. Kennedy - The Ambassador Hotel, Los Angeles, June 6, 1968.



Robert F. Kennedy campaign worker, The Ambassador Hotel, Los Angeles, June 6, 1968.



The Ambassador Hotel kitchen, Los Angeles, June 6, 1968.



Robert F. Kennedy contact sheet, The Ambassador Hotel, Los Angeles, June 6, 1968.

Um bom repórter fotográfico trabalha armado - simplesmente aperta o botão da câmera quando as coisas acontecem, num ato quase reflexo. Harry Benson captou toda a comoção pelo assassinato, minutos antes, do então candidato ao governo americano Robert Kennedy, há exatos 40 anos. Depois, guardou o rolo do filme na meia e o substituiu por outro, vazio. Ele tinha medo que a CIA e o Serviço Secreto americano confiscassem sua máquina, na confusão que se seguiu.

A la carte



O que eu quero ganhar no próximo dia 12 taí nessa foto. Pode ser o vestido, o lugar, o beijo, o homem, a ocasião - tá valendo tudo.

Mas se não der (eu entendo; você tá trabalhando demais, eu sei) me contento com flores, ok?