quarta-feira, junho 04, 2008

A culpa é dela



Quando era bebê, minha avó trocou a fralda de minha mãe antes de ela dormir, vestiu um lindo macacão francês de flanela (bordado à mão, fecho eclair de alumínio - um luxo nos anos da guerra) e... nada. "Por que essa menina chora tanto?" Mamadeira, dengo, colo, bolsa de água quente, cantigas de ninar, colo da avó (dela), colo do avô (idem), colo do pai (ibidem), bichinhos, papinhas, suco... nada. Oito horas ininterruptas de choro profundo, doloroso, sofrido. Às seis da manhã do dia seguinte, a fralda vaza e minha avó começa a trocar a filha. Ao abrir o macacão, o choro parou na hora: o zíper havia pego a pele do pescoço da minha mãe.
Até hoje ela tem, na linha da garganta, um quadradinho de pele saltado.

Aos quatro anos, vestida primorosamente como que para um baile, cabelos cacheados repletos de fitas de cetim, ela esperava sua vez de pegar o pão, junto com os três irmãos mais velhos, na fila por comida durante a guerra.

- Rá, mas ela não tem meisssssssssssssmo 55 anos. Eu tenho 67 anos e estudei com ela no Escola Normal. E ela era uma turma na minha frente!
Comentário feito (em alto e bom som) a jornalistas presentes a um jantar-homenagem para uma conhecida socióloga.

Eu tinha uns sete anos, minha mãe dirigia pela Rua Paissandu, no Flamengo, conosco no banco de trás do fusca (ela sempre dirigiu fusca; depois de seis cores diferentes, meu pai deu um ultimatum: ou escolhe outro carro ou não ajudo a comprar. Ela comprou uma Belina, lembra? Aquela banheira com hidromassagem atrás? Pois então). Saindo de uma garagem do nada, um Opala adentra calçada, rua e porta do carona. Ela sai do carro com cara de paisagem, o cara diz que a culpa é dela e emenda um "Sabe com quem está falando? Sou reitor da universidade tal!". Ela pede pra ver os documentos. Nós, mudos, no banco de trás. Ele saca a carteira do bolso e começa a abri-la. Ela, num movimento além do olho humano, arranca a dita do cujo, corre pro fusca e, saindo em disparada (sob nossa salva de palmas), grita pela janela: "Só devolvo depois que você pagar o prejuízo!".
Ele pagou.

Andando pelo centro do Rio, fazendo compras no Saara. Loja estalando de nova. Ela entra e começa a escolher coisas. Na hora de pagar, espalma a mão aberta no colo, faz cara de sonsa e manda um "Vou ter desconto, não é? Afinal, sou freguesa antiga!"

Ela vem:
- ... e sua irmã então comprou e mandou para ele. Você não acha que ela está certa, não é?
- [...?]
- Afinal de contas ele deixou bem claro que ...
E vai-se embora. Minha mãe aperfeiçoou a um nível jamais imaginado de requinte e sofisticação a antiga e nobre arte de falar sozinha - com os outros.

Se o arroz tem a cebola picada normal, meu pai quem fez; se é picado miudinho, foi minha irmã; eu ralo a cebola. Se ao abrir a panela você achar uma cebola cortada em dois (sim, em dois), a culpa é da minha mãe.

Barbantes, sacolas de plástico e de papel (a mais velha é das Casas da Banha, perfeitamente preservada), cremes hidratantes vencidos em 1987, arames de embalagem de pão, jornais velhos, caixas de papelão & similares (de todos os tamanhos, incluindo as de mudança), cortes de tecidos comprados nos anos 70, roupas que eu imaginava doadas aos pobres na década de 80, papéis de presente usados, fitas idem, cadernos/livros preparatórios para o vestibular (1985), estoque de material escolar comprado quando eu estava no primário (circa 1975).
Quando ela morrer, vou precisar de uns três acres no São João Batista, se ela quiser levar isso tudo.

Na foto, minha mãe com um vestido tão adorado e usado, mas tão que, nas palavras da minha avó, "caiu do corpo de cansaço".

terça-feira, junho 03, 2008

Domestic Idol



Meu primeiro CD vai arrasar.
Se quiser saber como faz, vai que a Renata explica. Tô com preguiça.

Ele foi



David Cook levou. E como eu sou tiete (eita palavra velha) da hora (ui!) baixei e fiz um CD com todas as músicas que ele cantou no AI7.

Não estressa: isso dá e passa.

Batente

Hora do almoço pra mim se resume nos 60 minutos em que eu encontro (literalmente) meio mundo. Escrevo em espanhol, em inglês, em português (incluindo o de Portugal; ok, é uma questão de escolha de palavras, mas eu me esforço).

Aí eu volto para o telefone pra falar com gente que não está a fim de ouvir o que absolutamente ele (ou ela, o que é pior) não vai entender.

Prazer, assessora de imprensa.

Falha nossa

Modem novo, quadril ok, almofada pra sentar diladinho em mode on.
Voltamos à programação normal.

quinta-feira, maio 15, 2008

Por aqui



Caí da escada no feriadão e quase rachei a bacia em dois. Ando devagar, porque dói se for rapidinho. Ficar sentada mais do que 15 minutos é tortura e subir escada só em caso de extremíssima necessidade - pra entrar em casa, por exemplo.

Trabalhando aos bocadinhos (porque meu modem foi pro espaço) e ouvindo Black Eyed Peas.

Me aguardem, plizi.

(E David Cook? Vai pras cabeças ou não vai? Porque de cabeças ele entende, né? :o)

quinta-feira, abril 17, 2008

Prazeres

Sentada no ônibus, o olhar vai para um lado, o pensamento para o outro e os dois se encontram na calçada oposta, encantados por descobrir que os cães vadios olham cuidadosamente para os dois lados antes de atravessar a rua.

quarta-feira, abril 16, 2008

Linha tênue

Eu jurei que não ia falar disso, porque minha vida anda tão cansativa que eu resolvi fazer do Breviário meu espaço de futilidades - mas vamos lá.

Roberto Cabrini foi preso com dez (ou 15, já li os dois) papelotes de cocaína. Disse que estava fazendo matéria. O homem podia estar fazendo a maior reportagem da vida dele. Ou levando a cocaína para um amigo às portas da morte que precisava da droga para sobreviver a um vírus alienígena. Ou ser viciado. A polícia pode ser corrupta, corrompida, negligente, ineficiente, ausente, o que for.

Nada disso importa. Cocaína é droga ilícita, e ter em seu poder papelotes de cocaína é crime. Ponto final. Cadeia, julgamento, condenação ou absolvição. Isso me lembra muito o caso Tim Lopes, morto porque foi fazer matéria numa favela sinistra para confirmar a denúncia de bailes funk envolvendo menores.

Jornalista se acha acima do bem e do mal. Acha que pode apurar crimes e se sair bem. Não, não pode. Corre risco de vida como qualquer um. Pode ser preso por infringir a lei como qualquer um. E eu sei: trabalhei em redação de jornal grande por quase 10 anos, cobrindo cidade. Já caí nesse erro e quase fui morta numa subida de morro. Repórter (principalmente que cobre cidade) acha que o crachá, principalmente de jornal importante, é salvo-conduto pra tudo, colete a prova de balas. Não é.

Primeira infância

Um amigo está refazendo e eliminando posts de oito anos atrás. Sei lá - eu não chego a dizer que ele é maluco ou paranóico (ele diz que é, mas aí é com ele), mas me dá uma sensação de estar reescrevendo meus cadernos do primário.

Cristalina



Eu não gosto de vodca, a não ser a Absolut (Steve McQueen é meu rei e nada me faltará) e a Smirnoff.

Viu? É por isso.

Paraíso perdido

Yohji Yamamoto para Adidas:



Adidas Y-3 Tokoko.



Adidas Y-3 Shoulderbag.



Adidas Y-3 Shochi.



Adidas Y-3 Bisento.



Adidas Y-3 Field Baby - pro Theo, lógico.

Morri.

PS.: Se você é rico e quer ser meu Príncipe Encantado (taxista tá ok, viu ?), bom, eu quero o Look 51. E esquece o que eu disse aí embaixo.

Encantada



Meu príncipe encantado não precisa me dar jóias; não precisa abrir conta na loja da Puma ou da Adidas. Não precisa me levar pra jantar em restaurantes (caros ou baratos), nem ao cinema ou ao teatro.

Meu príncipe encantado não tem que me mandar flores ou chocolates. Não precisa me mandar os melhores livros da Travessa ou os clássicos da Modern Sound.

Para ser meu Príncipe Encantado basta aparecer do nada, encostar no meio-fio, saltar do carro e tirar dos meus ombros/das minhas mãos todas as sacolas e os embrulhos e as bolsas, enfiar tudo na mala do carro, abrir a porta, me botar lá dentro bem confortável e dizer: "Fecha os olhos que, quando chegar na sua casa com as crianças eu te chamo. E não se preocupe, que eu levo tudo pra dentro, ok?"

segunda-feira, abril 14, 2008

Lendo



Emprestado. Aceito doações.

...

O problema é que eu não tenho mais... paciência.
Sabe como é?
Pois é. Isso.
Sem paciência.

...

De tanto que as pessoas escrevem "advinhar", que mais um pouco e "adivinhar" vai virar erro.

sexta-feira, abril 11, 2008

Notas sobre El baile

Cada vez que me levanto para sair em viagem sinto uma necessidade irresistível de ficar em casa. Como se cada viagem significasse o fim de uma etapa de minha vida, convertida numa perda irreparável. Não importa se viajo por prazer. Essa sensação - mistura de fracasso, melancolia e nostalgia antecipada - me acompanha sempre.

No caminho para o aeroporto de Torrejón vou lendo "El País" e "Les Inrocks". E sinto uma repentina e urgente necessidade de ler todos os livros que aparecem resenhados no suplemento literário "Babelia" ("El asombroso viaje de Pomponio Flato", de Eduardo Mendoza, "Dios no es bueno" de Christopher Hitchens... etc.), ver todos os espetáculos recomendados, comprar todos os discos que me atraem à primeira vista no "Les Inrocks", escutá-los todos, e selecionar os que me seduzem de imediato.
Cada vez que tomo o caminho para um aeroporto creio que estou abandonando minha própria vida, e que me vou à deriva.


"Mi filosofia del desplazamiento", 4 de abril de 2008 - Pedro Almodóvar agora tem um blog.

...

Em relação ao quesito "expectativa", reconheço que sou ainda uma menina que, depois do acontecido, espera um "Mas que legal!" - e murcha quando ele não vem.

quinta-feira, abril 10, 2008

Foi-se

Envelhecer - no sentido de acumular anos - é um processo externo; cada dia tenho mais certeza disso.

Hoje, saindo de uma reunião na Praia do Flamengo, vi que o Giotto acabou. Pra quem não sabe (quase todo mundo): o Giotto era um restaurante italiano acanhado, mais velho que o tempo e que servia uma massa fresca divina. Foram muitos os domingos que meu pai encostou o opala vinho (de capota marfim) ali e, rapidinho, enquanto ficávamos no carro com minha mãe, pedia talharim, nhoque e massa de lasanha para minha avó preparar no almoço. O cheiro da farinha de trigo é uma das muitas marcas que ficaram da minha infância.

Pois o Giotto acabou. Assim como a Wilsonking, oficina mecânica e concessionária de carros Volkswagen que foi inaugurada um ano depois que meus avós nasceram (o slogan, pintado num muro, dizia: "Desde 1911, com você!"). Agora será um megacondomínio, estilo pombal. Como os sobrados da Rua da Passagem, que cedem lugar para os mais sujos e medonhos prédios da Zona Sul do Rio. Como a padaria em frente ao prédio dos meus pais - Flor de Laranjeiras (por que as padarias são sempre "flores"?), que virou uma lanchonete de cores chocantes para onde o povo, bêbado, ruma de madrugada. Como a quitanda Tirrênia, que ficava no comecinho da Rua Marquês de Abrantes, cujo dono, um português mal-educado que só, cobrava as frutas por quilate. Mas que frutas eram... Dignas de capa de revista.

A infância, a juventude da gente vai ficando então guardada no clichê da memória; volta quando contamos aos filhos "Mamãe vinha aqui todo domingo comprar macarrão feito pelo próprio cozinheiro."

Eu sempre choro quando isso acontece. Deve ser a idade.

Prazeres

Lavar o cabelo e deixar secar ao sol.

quarta-feira, abril 09, 2008

Everyday a sunny day

Ahn? Que horas são? Ahhh, cinco e quinze, já! Droga, dormi de roupa de novo. Não arrumei nada. Sem camisetas do uniforme. Nem calças. Nem meias. É só pensar com calma. Raciocinar. Passar camisetas e calças. Meias atrás da geladeira pra acabar de secar, ok. Cinco e meia. Credo, não arrumei as mochilas. Seis horas. Bora, povo, pra fora da cama! Tá quente o mingau, filha. Assopra que esfria. Outra fatia de bolo? Você já tá na terceira!

Banho, vai! ALGUÉM tem que ir tomar banho primeiro. Tá, então vai você e você escova os dentes. Na frente da pia, filha! Pára de mastigar a escova! Hein? Vestido? Que vestido? Não sei se vai dar pra fazer em casa de festa. Tá do avesso. Já vou, tô fazendo meu café! Já vou! JÁ V-O-U!!!!!!!!!!!

Esse. Não, esse, filha, esse. Esse. Esse. ESSE! É, esse. Veste logo. Não faço idéia onde está sua pasta. Não estou ouvindo nada, tô tentando tomar banho! Tô saiiiindo! Já vou amarrar, deixa eu me enxugar, um minuto! Se você quer arco, vai logo trocar.

Onde está? Sei lá! Então volta e pega, rápido! Já vou segurar, deixa eu trocar minha blusa que tá do avesso. Ai, Jesus, tranquei a porta? Tranquei ou não tranquei? Peraí, vou ver se tranquei a porta. Não, foi o cachorro que pulou. Deixa, filha, eu limpo na casa da vovó. Cuidado quando saltar. Você deixou o guarda-chuva no banco, pega aí. Olha o sinal. Pra frente, filha. Olha pra frente. OLHA PRA FRENTE! Quaaaaase você pisou. Não, não sujou. Beijo, te amo, boa aula. Alô? Mas eu ACABEI de te deixar na escola. Não, não pode comer na cantina. E pára de ligar a cobrar pro meu celular. Não, hoje não dá. Beijo. Beijo. BEIJO! Vou desligar. Tchau. Tá, também te amo. Desliga, filha. Por favor. Não, o natal tá longe. Tchau. Também te amo. Beijo. Tchau. Tchau, filha, desliga. Desliga!


Sobreviver até as oito da manhã. Uma vitória.
Bom-dia.

Breve



Num cinema perto de você.

quinta-feira, abril 03, 2008

No travesseiro




"Eu te amo muito. Você estará no meu coração. Pra mim você é um anjo e um cavalo e uma égua pulando em pedras.
Seus olhos parece [sic] um bolo de sorvete seus cabelos parecem uma rosa numa planta. Eu me divirto muito!

Zé Colméia"

...

Hoje, procurando no Orkut por colegas de colégio, me deparei com páginas de antigos colegas de jornal. Alguns com mais de 500 amigos. Meu ex-marido tem quase 400 amigos.
Como uma pessoa tem meio milhar de amigos? É uma competição pra ver quem tem mais amigos? Eu recebo pelo menos uma vez por semana convite para adicionar gente que, se falei ao telefone uma vez nos últimos seis anos, foi muito. Como vou adicionar essa criatura como "amigo"? Sequer é mais meu conhecido!

Não há henna que esconda meus cabelos brancos.

* E o mais engraçado é descobrir, na página de uma antiga chefe, os elogios de três ex-colegas de trabalho - as três demitidas por ela e que saíram falando cobras e jacarés (o que fazem ainda hoje). As três estão entre as primeiras fãs da dita.

É por isso que euzinha, o outro lado da dicotomia Marlene/Emilinha, não tenho página no Orkut.

quarta-feira, abril 02, 2008

AI extra neurônios



Meu candidato favorito é David Cook. Mas a cabeça dele é, assim...
Agoniante.

Festa de debutante



A primeira mensagem de correio electrónico (e-mail) indesejado foi escrita a 1 de Maio de 1978 e distribuída no dia 3. As reacções negativas não se fizeram esperar, mas, quase 30 anos depois, o spam generalizou-se. Agora, foi apresentada a maior queixa judicial contra os spammers.

O termo spam surgiu em 1937 como marca de carne enlatada, nos Estados Unidos. Em 1970, num episódio da série humorística inglesa Monty Python's Flying Circus, um casal cai do céu para tomar o pequeno-almoço num café mas qualquer prato proposto pela empregada tem sempre a tal carne enlatada. A mulher recusa-se a comer e quer outra coisa. Pelo meio, um grupo de vikings interrompe-os várias vezes com o refrão "Spam, spam, spam". O termo é referido 132 vezes num episódio de apenas três minutos e meio, segundo conta a Wikipédia, e até os créditos finais do episódio - disponível nalguns sítios Web de vídeo - incluem dezenas de vezes o mesmo termo.

Era o suficiente para enjoar o spam mas a ligação entre o nonsense britânico e o correio electrónico indesejado não foi linear. A única relação é ficar-se farto de algo que não se quer.

Oito anos depois, quando o primórdio da Internet se chamava ARPAnet (a ARPA foi o braço militar para a investigação e desenvolvimento nos EUA e dinamizadora da criação da rede informática entre militares e sistema científico), Gary Thuerk, um publicitário da empresa Digital Equipment Corporation (DEC) enviou a 3 de Maio uma mensagem para todos os endereços de correio electrónico da ARPAnet da costa oeste dos país (ver em www.templetons.com/brad/spamreact.html). A empresa acabara de apresentar o novo computador DEC-20 na costa leste e pretendia convidar os interessados para a apresentação na Califórnia.

"Nessa altura, existia uma listagem impressa de todos na Arpanet que eles usaram como fonte para a lista", explica Brad Templeton, actual presidente da Electronic Frontier Foundation e que compilou um historial sobre as origens do spam.

No caso DEC, como a rede só podia ser usada para fins científicos e educativos, Thuerk levou um puxão de orelhas, apesar de considerar que não estava a fazer nada de errado, e o spam desapareceu durante 15 anos.

No final de Março de 1993, Richard Depew tentou integrar alguma moderação nos newsgroups (fóruns temáticos electrónicos onde todos podiam escrever), para evitar que se publicassem textos que nada tinham a ver com o tópico principal. Por engano, acabou por enviar 200 mensagens para os administradores destes grupos e surgiu pela primeira vez o termo spam ligado às novas tecnologias.

A generalização do termo prossegui em 1994 quando, em Janeiro, os newsgroups receberam uma mensagem a anunciar a chegada em breve de Jesus. Mas as principais reacções e debates ocorreram em Abril quando dois advogados, Cantor e Siegel, colocaram em simultâneo uma mesma mensagem publicitária em mais de 6000 newsgroups. O caso deu que falar por se questionar a legitimidade do feito mas também a liberdade de expressão. Podiam eles expressarem-se, mesmo sob forma comercial, na Internet? E, em termos de privacidade, porquê ser obrigado a receber coisas que não se querem?

Desde então, as coisas só pioraram. Em Novembro de 2006, calculava-se que o nível de spam atingia os 80 por cento em todo o correio electrónico. "No início do ano, viam-se 50 mil mensagens de spam por dia, agora são 100 mil", explicava John Levine, presidente da consultora Taughannock Networks e co-presidente do Anti-Spam Research Group da Internet Research Task Force. [...]

Pedro Fonseca, Diário de Notícias
(publicado em 6 de maio de 2007)

terça-feira, abril 01, 2008

Literalmente

Às vezes eu sinto como se estivesse falando sozinha.

segunda-feira, março 31, 2008

Ao persistirem os sintomas



Às 3 horas de uma manhã de fevereiro de 1976, houve um terremoto na Guatemala. Morreram 23 mil pessoas e 75 mil ficaram feridas. O mundo espantou-se, apertaram-se as mãos e despejou-se auxílio sobre os centro-americanos atingidos.

A Organização das Nações Unidas para o Socorro a Desastres (Undro), a Cooperativa para o Socorro Americano em Todo o Mundo (Care), o Serviço Católico de Socorro (CRS), e o Escritório Norte-Americano de Assistência a Desastres no Exterior (Ofda) atingiram-nos como mísseis intercontinentais. A Care o e CRS levaram rapidamente 25 mil toneladas de alimentos aos guatemaltecos. Eles não precisavam de comida. O milho produzido localmente perdeu um terço do valor. Os fazendeiros locais foram arruinados.

Cento e cinqüenta toneladas de remédios chegaram instantaneamente, incluindo anticoncepcionais, alguns misteriosos tabletes produzidos em 1934, tranqüilizantes, remédios para diminuição da pressão arterial e variadas amostras para médicos americanos. Três farmacêuticos guatemaltecos tentaram separá-los, mas depois de três meses cavaram um buraco e enterraram tudo.

Os médicos chegaram em aviões lotados, com hospitais pré-fabricados. Ninguém falava espanhol. Os médicos e as enfermeiras locais estavam atacando vorazmente o trabalho, e em uma semana seus hospitais estavam operando normalmente. O hospital americano foi montado de qualquer maneira e cuidou de pacientes a um custo de US$ 70 mil, cada.

...

Os South Downs mergulham no Canal da Mancha em Beachy Head, um penhasco escarpado em 180 metros de altura, puro gesso, brilhando ao sol como o sorriso de uma atriz. [...] As pessoas já pulavam de Beachy Head antes de Santo Agostinho ter chegado à costa em Thanet para converter os anglo-saxões em 596. [...] Assim como outras atividades ao ar livre bem divulgadas, os participantes recentemente aumentaram [de 4 em média em 1965] de forma contínua. Em 1971, foram dez; em 1976, 16; e 12 em 1979. [...]

Mas o terrível registro estacionou brilhantemente. Desde 1975 a taxa de suicídios em Beachy Head caiu para a metade. Isso foi conseguido sem nenhuma obra elaborada, nenhuma vigilância complicada, e nenhuma despesa pública adicional. Apenas mudaram o médico-legista local.

O novo homem precisava de maior persuasão para aceitar que seus pacientes pretenderam pular. Os bebedores de uísque, por exemplo, receberam o benefício de não estarem em condições de decidir claramente uma coisa ou outra. Das 20 mortes registradas em Beachy Head no período entre 1965 e 1969, 65% eram suicidas. Das 65 mortes em 1975-79, apenas 32% o eram, uma queda de 33% em dez anos.

Isso representa um avanço sensacional na medicina preventiva. [...] Felizmente para a humanidade, o princípio de Beachy Head está sendo adotado em outros campos da medicina. Esse método, por exemplo, já erradicou a cólera de vários pequenos países tropicais, anotando-se nos atestados que a causa da morte foi diarréia de verão. [...] Qualquer causa de morte é uma questão de opinião honesta.

Richard Gordon, "Os grandes desastres da medicina"
Editora Ediouro, 1997.

Pós-postergar

De uns tempos pra cá - talvez por conta do tratamento que eu estou fazendo - venho sofrendo da chamada Síndrome do Depois. É uma das piores coisas tornar-se vítima dessa doença. Ela acaba com o seu dia, com as suas finanças, os seus relacionamentos, com a sua vida.

"Vou terminar esse trabalho, mas só depois de..."; "Vou começar hoje a organizar minhas contas, mas só depois de..."; "Mãe, você pode brincar um pouco de boneca comigo? Brinco, mas depois."; "O banco vai fechar em 15 minutos, a conta vence hoje; então vou sair já, já, mas preciso fazer isso e depois eu saio - é rapidinho!"; "Você pode parar um pouco de ver TV e conversar comigo? Posso, depois que começar o anúncio."

Depois. Eu, que sempre fui a mulher do "antes" sinto meus neurônios lentamente morrerem numa maré inexorável de "depois". Estou me forçando para começar logo a cura. Enfrente o dia de hoje, faça uma tarefa de cada vez.

sexta-feira, março 28, 2008

quinta-feira, março 27, 2008

terça-feira, março 25, 2008

Salve-me quem puder

Bom, gente. É isso. Aí do lado vocês vão ver uma primeira lista de livros à venda. São queridos, cheirosinhos, mas meu coração só vai sangrar um pouquinho com essa perda necessária. Sintam-se à vontade pra comprar bastante! Ainda tenho outros títulos para incluir, mas na Páscoa não deu pra vencer a gripe e mexer naquela porção mais distante de estante.

A quem interessar possa, tenho uns (poucos) livros de culinária, de arte/design e infantis. A gerência agradece o interesse :o)

quinta-feira, março 20, 2008

We have bananas... in Buenos Aires



* Fuçando o site do escritório aqui no Rio da Biblioteca do Congresso, fui lá no site de busca para ver se o livro de um amigo/autor muito querido estava lá. E vi como existe ainda aquela visão antropologicamente distorcida (ou sei lá o quê; só sei que me incomodou) de que só que interessa em matéria de literatura (ficção/não ficção) nacional tem a ver com negros/mulatas/miscigenação ou o que quer que seja sobre a raça negra:

Note: Supports Keyword searches in Portuguese only.
? Truncates: Negr? --> Finds negro, negra, negritude, etc
.

* Do site da CIA:

Brazil

Religion: Roman Catholic (nominal) 73.6%, Protestant 15.4%, Spiritualist 1.3%, Bantu/voodoo 0.3%, other 1.8%, unspecified 0.2%, none 7.4% (2000 census)

Languages: Portuguese (official), Spanish, English, French

(E atualize o Favoritos do seu filhote: a CIA tem kid's page!)

De olhos secos



A estupidez sempre rende boas fotos.

quarta-feira, março 19, 2008

...com o que deseja



Eu sempre fiquei meio ressabiada quando me diziam "ele é SUPER gente boa". Mas eu sempre quis namorar alguém que curtisse Jornada nas Estrelas.
Estou começando a mudar de idéia.

Batom na cueca



Acho que foi o primeiro post que eu escrevi no blog do Demian: um arsenal de desculpas por chegar atrasado.

Aqui, meu amigo, especialmente para você:

Meu álibi: você tem a desculpa, nós temos a prova.

...

Criei mais dois blogs pra mim - ambos ainda fechados. Porque quando o negócio aperta sempre são meus livros que me salvam.

Falando em livros, depois do feriado vou postar aqui a lista dos livros à venda. Quem ainda tiver dinheiro nesse fim de mês, habilite-se. Aberto a negociações :o)

terça-feira, março 18, 2008

Ouvindo



Fresh, Sly & the Family Stone.

...

Muita gente dando tempo nos seus respectivos blogs.
E eu vou me sentindo assim, meio que solitária.
Todo dia de manhã ganhar um pedacinho da vida das pessoas. Torcer, compartilhar, ficar triste, pensar sobre.
Hábito. Mania. Dá e passa?

segunda-feira, março 17, 2008

O Imperador



Carta do dia: Assumindo o poder sobre a própria vida

O conselho emitido pelo Tarot vem através da imagem do arcano IV, chamado “O Imperador”, cuja imagem nos revela uma figura masculina solidamente colocada, irradiando poder e autoridade. O pedido do arcano IV é o da importância de reconhecer a própria força e não depender demais de ninguém. Sempre que dependemos do outro, o outro pode falhar conosco eventualmente e qualquer felicidade excessivamente buscada fora de nós é absolutamente temporária. Procure, neste momento, cultivar a referência do seu próprio poder pessoal e não se deixe levar demais pelos conselhos alheios. Reconheça, em si, a autoridade para comandar sua própria vida.

Conselho: Seja mais independente neste momento.


A gente leva uns chutes na bunda até de tarô online. Feia a coisa.

sexta-feira, março 14, 2008

1+1



Ela sempre lia o blog dele. Acabou se apaixonando pelo que ele escrevia - e, quem sabe, por ele também? Resolveu ligar para o trabalho dele. Tentou algumas vezes (desligava quando ele atendia) até que tomou coragem e se apresentou. Confessou a admiração. Ele ficou encantado (e estendeu o adjetivo a ela, chamando-a de "encantadora") e então, entre os dois, iniciou-se aquela fase preciosa de se conhecer, "curtindo a tal sensação há muito esquecida, de se interessar por alguém." Já saíram, ele já cafungou no pescoço dela, ela adorou.

Então, cadeia simples de eventos: ela gostou, ligou, ele gostou, saiu com ela, se interessaram, estão juntos se descobrindo. Simples assim. Nada de medos & receios & mal-entendidos. Doeu? Não. Fez mal? Não. Matou? Sim - um montão de gente, de inveja, including me. :o)

...



Se você tem uma filha, compre a edição em português e dê de presente pra ela. E chorem juntas.

Upgrade



O passado termina sempre por parecer belo, perfeito, desejável, inatingível. Acho que é porque, à época, não estávamos equipados com o mais moderno de nossa percepção - também conhecido como "experiência".

Chuviscando

As coisas se acumulam dentro da gente mas, quando chega a hora de botar tudo pra fora, não sai nada. Nadinha. Compor posts inteiros sobre o que eu assisto da minha janela. Da minha compulsão por mastigar gelo quando o enjôo bate em ondas cada vez mais tsunâmicas. Dos livros que eu estou lendo e daqueles que venho me despedindo lenta e inexoravelmente, enquanto eles se encaminham para a caixa "a vender".

Das polêmicas nos outros blogs ("Sou espírito-de-porco, mesmo? Será que jamais vou concordar com alguém? Por que me irrito tanto quando, na janelinha de comentários, todo mundo concorda com aberrações porque partiram do dono da casa? O que eu ganho botando lenha na fogueira? Calorzinho extra?"): aborto, células-tronco, brasileiro condenado à morte na Indonésia por tráfico de drogas, educação, animais. Chove baldes e eu continuo morrendo de frio - por dentro e por fora.

Meu cabelo anda lindo de morrer. Cheio, macio, brilhante. Cabelo certo na hora errada.

Queria ter um trecho bonito, instigante, interessante de livro idem para postar. Nada. Estou lendo minha última (3 anos) compra na Travessa: quatro volumes da coleção "Artes do livro". O da vez é "O design do livro".

Ontem sonhei que recebia um beijo - daqueles que começam um namoro. O primeiro. Aquele que a gente experimenta um monte de sensações. Foi macio, leve, quente. Acordei como quando nos acordam com um beijo. Eu poderia jurar, sob pena de morte, que foi real - que é impossível eu ter criado uma sensação como aquela.

O apartamento do meu avô está à venda. Agora é rezar para que apareçam compradores. Que comprem.

quarta-feira, março 12, 2008

Fotógrafos IV - Irving Penn



Miles Davis, by Irving Penn.

O coelho e o gato curioso



- Olá, Coelho.
- Bom-dia, Gato.
- Você se chama Botelho?
- Botelho? Não...
- Achei que todo coelho se chamava Botelho.
- Sou Naftalina, o coelho branco.
- E sua prima amarela?
- Amaralina.
- E sua prima vermelha?
- Hemoglobina.
- E sua prima azul?
- Gasolina.
- E sua prima verde?
- Clorofila.
- E sua prima cor de laranja?
- Laranja-lima
- E sua prima roxa?
- Márcia Jones.
- Márcia Jones?
- É, ela é roqueira.

Gilles Eduar, "Diálogos interessantíssimos"
Companhia das Letrinhas, 2003.

segunda-feira, março 10, 2008

Presente adiantado

Lilypie 1st Birthday Ticker

Deixa de preguiça, mulher!

I wanna be a rockstar



I'm through with standin' in line
To clubs I'll never get in
It's like the bottom of the ninth
And I'm never gonna win
This life hasn't turned out
Quite the way I want it to be
(Tell me what you want)

I want a brand new house
On an episode of Cribs
And a bathroom I can play baseball in
And a king size tub big enough
For ten plus me
(Yeah, so tell what you need)

I'll need a credit card that's got no limit
And a big black jet with a bedroom in it
Gonna join the mile high club
At thirty-seven thousand feet
(Been there done that)

I want a new tour bus full of old guitars
My own star on Hollywood Boulevard
Somewhere between Cher and
James Dean is fine for me
(So how you gonna do it?)

I'm gonna trade this life
for fortune and fame
I'd even cut my hair
and change my name

'Cause we all just wanna be big rockstars
And live in hilltop houses driving fifteen cars
The girls come easy and the drugs come cheap
We'll all stay skinny 'cause we just won't eat
And we'll hang out in the coolest bars
In the VIP with the movie stars
Every good gold digger's
Gonna wind up there
Every Playboy bunny
With her bleach blonde hair
And well...

Hey, hey, I wanna be a rockstar
Hey, hey, I wanna be a rockstar

I wanna be great like Elvis without the tassels
Hire eight body guards that love to beat up assholes
Sign a couple autographs
So I can eat my meals for free
(I'll have the quesadilla, ha ha)

I'm gonna dress my ass
With the latest fashion
Get a front door key to the Playboy mansion
Gonna date a centerfold that loves to
Blow my money for me
(So how you gonna do it?)

I'm gonna trade this life
For fortune and fame
I'd even cut my hair
And change my name

'Cause we all just wanna be big rockstars and
Live in hilltop houses driving fifteen cars
The girls come easy and the drugs come cheap
We'll all stay skinny 'cause we just won't eat
And we'll hang out in the coolest bars
In the VIP with the movie stars
Every good gold digger's
Gonna wind up there
Every Playboy bunny
With her bleach blonde hair
And we'll hide out in the private rooms
With the latest dictionary of
Today's who's who
They'll get you anything
with that evil smile
Everybody's got a
Drug dealer on speed dial, well
Hey, hey, I wanna be a rockstar

I'm gonna sing those songs
That offend the censors
Gonna pop my pills
From a Pez dispenser

Get washed-up singers writing all my songs
Lip synch 'em every night so I don't get 'em wrong

Well we all just wanna be big rockstars
And live in hilltop houses driving fifteen cars
The girls come easy and the drugs come cheap
We'll all stay skinny 'cause we just won't eat
And we'll hang out in the coolest bars
In the VIP with the movie stars
Every good gold digger's
Gonna wind up there
Every Playboy bunny
With her bleach blond hair
And we'll hide out in the private rooms
With the latest dictionary and
Today's who's who
They'll get you anything
with that evil smile
Everybody's got a
Drug dealer on speed dial,well

Hey, hey, I wanna be a rockstar
Hey, hey, I wanna be a rockstar



Porção aborrecente - larguei meus Coltranes da vida e agora a-dou-ro Nickelback. Tirando as drogas e as louras da Playboy, tô dentro.

sexta-feira, março 07, 2008

Onde está Alfred?



As aparições de Hitchcock em seus filmes.

Via Alessandro Martins, em seu Livros & Afins.

sábado, março 01, 2008

Urucubaca

Pra depois não dizerem que é drama, no espaço de três dias pifaram:

microondas
máquina de lavar roupas (de novo)
geladeira
fogão
aspirador de pó

Pede-se por gentileza ao sapo que está, nesse momento, saboreando um papelzinho com meu nome escrito: cuspa fora.
Por favor.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Eu invejo...

Quem carrega sua própria trilha sonora, por todo o dia.
Quem pinta as unhas dos pés com esmero.
Quem fica bem usando sandálias.
Quem tem paciência para brincar com os filhos.
Quem precisa de poucas horas de sono a cada noite.
Quem se conforma.
Quem não espera por nada - nada, mesmo; nem lá no fundinho do mais remoto canto do coração.
Quem compra um livro cada vez que entra numa livraria.
Quem sabe quem é quem no mundo da música hoje.
Quem se atualiza, sempre.
Quem freqüenta a Modern Sound. E compra coisas lá.
Quem sempre sabe a diferença entre.

Noves dentro



Esse é o meu bisavô. Ele vive numa caixa de madeira debaixo da terra. Não fala muito e também cheira mal - mas é muito animado pra se brincar num tanquinho de areia.

Roubei da .

Noves fora

Catatau na sala de aula, fazendo a página de rosto do seu caderno de Estudos Sociais; o tema era "Sua família". A professora vai conferindo os trabalhinhos. Na folha do caderno, caprichosamente colorido, Catatau desenhou uma casa e, na frente, três figuras femininas: uma mais alta, uma mais baixa e, de mãos dadas com essa, uma pequenininha.

- Não está faltando ninguém nesse desenho?
- Não, ué. Tem a mamãe, a [...] e eu.
- Você tem certeza? Não está faltando ninguém da sua família?
- Hum... É, tá sim.
[...]
- Pronto, agora acabei. Não tá faltando ninguém.

E na janela da casa desenhada, a professora viu... minha mãe e meu pai, acenando para nós.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Protocolando*



Listen, baby
Ain't no mountain high
Ain't no valley low
Ain't no river wide enough, baby

If you need me, call me
No matter where you are
No matter how far
Just call my name
I'll be there in a hurry
You don't have to worry

'Cause baby,
There ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough
To keep me from getting to you

Remember the day
I set you free
I told you
You could always count on me
From that day on I made a vow
I'll be there when you want me
Some way, some how

'Cause baby,
There ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough
To keep me from getting to you

Oh no darling
No wind no rain
No winter cold can stop me, baby
No, no darling can't stop me, baby
'Cause you are my own
If you're ever in trouble
I'll be there on the double
Just send for me oh baby.

My love is alive
Way down in my heart
Although we are miles apart
If you ever need a helping hand
I'll be there on the double
As fast as I can

Don't you know that
There ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough
To keep me from getting to you

Don't you know that
There ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough




* Que esse desejo se realize - e isso vale pra mim, também :o)

Horizonte de eventos

Dois amigos que moram no exterior me mandaram coisas, ambos na mesma época: primeira semana de dezembro. O dos Estados Unidos me enviou um CD que me dei de Natal; o outro, que mora sei-lá-onde da África, onde é veterinário-aprendiz numa reserva selvagem, achou um livrinho maravilhoso de lendas africanas em inglês e mandou para as meninas.

O livro enviado das profundezas do ínicio dos tempos do berço da humanidade chegou perto do Natal. O CD vindo diretamente da contemporaneidade do moderno pró-século XXI ainda não deu as caras.

...

Quase a metade do dia se foi e eu não fiz absolutamente nada. Não tenho nada para fazer - nenhum trabalho, nada. Ouvindo pouca música e todos os meus nervos lenta e inexoravelmente se despedaçando só de lembrar nas contas a pagar a partir da semana que vem.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Anéis

Há pouco o dono do sebo veio buscar mais 150 livros.
Rapaz, como dói. Mesmo com a certeza que muitos deles eu jamais vou sequer abrir, doeu. Eu ainda salvei alguns, mas eu tive que deixar levarem todos. R$ 250 por livros novos, cheirando a livraria, ainda. Sem sequer dobra na capa.
Judas, prazer.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

...

Tem dias que eu, sei lá.
Não estou a fim.
E, pelo que eu estou vendo nos outros blogs, muita gente também não está.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

...

Desde que me separei, num momento tive que começar a me desfazer de coisas que para mim eram parte do que sou. Na semana passada vendi as minhas últimas jóias. Não tenho mais plano de saúde, e para continuar um tratamento caro tive que dar adeus à herança deixada pela minha avó paterna. Elas não foram as primeiras: para pagar a escola me desfiz, há alguns meses, do que minha avó materna me deixara.

Se há um aprendizado que eu jamais esquecerei - sendo a próxima ganhadora da megasena ou não - é que a gente chora e sente dor, mas o material é só isso: material. E não falo aqui da vertente espiritualista; falo de comida na mesa dos nossos filhos. Entre ter o que oferecer às minhas meninas no almoço e usar o colar de pérolas da minha avó, não há o que pensar.

Assim, já foram para a panela minhas jóias, meus livros antigos, CDs, DVDs, LPs, revistas em quadrinhos dos anos 70/80, aparelho de som, TVs, uma cama, dois colchões, antiguidades, roupas, sapatos, eletrodomésticos e miudezas sem conta. Hoje, um especialista veio buscar a coleção de moedas do meu avô - pagando, tenho certeza, uma ínfima parte do que ela realmente vale. Mas minhas filhas precisam comer.

E eu fiquei deprimida, claro. Chorei muito e me castiguei devorando um pote de sorvete de dois litros. E foi assim, com a garganta apertada e a boca cheia, que eu li, no blog de uma querida companheira de viagem - na web e na maternidade - que ela acabara de perder a mãe. Nessas horas, então, de nada valem moedas de prata do tempo do Império, pulseiras de ouro branco e platina, uma edição rara dos Lusíadas ou a coleção completa da obra de Billie Holiday.

Não valem nada, não adiantam pra nada, não significam coisa alguma. Não servem pra tapar o rombo imenso e dolorido que a gente sente quando alguém foi-se e nada podemos fazer.

Eu não sei o que dizer, Angélica. Aliás, comecei a escrever qualquer coisa nesse post pensando ainda como dizer o quanto eu sinto - e o quanto essa frase ("Eu sinto muito") é vazia. Eu sempre explico às meninas a cadeia natural da vida - vão-se os avós, depois os pais e então elas mesmas, mas aí elas já terão seus próprios netos para repetir a seqüência. Sua mãe conheceu sua filha - assim como minhas pequenas conheceram os avós, e por isso eu me regozijo. Mas sei que nada disso aplaca a dor ou dá importância ao que está à nossa volta. Nesse mar de escuridão fria que nos envolve, apenas uma luzinha mostra o caminho para voltar: nossos filhos.

Então, querida, que Joana ilumine sua volta. Estamos aqui, afinal de contas, por causa deles. E, provavelmente, sua mãe sabia disso. Todas as mães sabem.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Rabugice

Sexta-feira: depois de um dia de trabalho, tento chegar em casa via Túnel Santa Bárbara e encontro um congestionamento de 3.485.855.059.9,98 quilômetros - gente indo viajar, carros alegóricos chegando, preparativos do sambódromo. Aí corto caminho ali pelo meio do Morro da Coroa (sim, desespero é isso) e encontro o Largo das Neves fechado de tantos carros estacionados - em cima das calçadas, em cima dos trilhos do bonde. E um bloco não-identificado cheio de bêbados.

Tento pela Lapa: os bêbados e os blocos não-identificados já estão esparramados antes do Passeio Público. E um percurso que eu faço em 10 minutos a R$ 10 me custou, com as meninas, uma hora e 40 minutos e R$ 50.

Odeio carnaval.

...

Só uma mãe pode entender quão lógico e real é entrar numa papelaria (a escolhida depois de uma longa e cuidadosa pesquisa de preços) e gastar R$ 240 em canetas e lápis. Só isso: canetas e lápis.

Muffia



Roubei da Naomi.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Viver é



Perder três quilos em uma semana. E odiar isso.

Ter tantos cabelos brancos quanto possível.

Ver como os homens mais velhos e os mais novos reparam em você. Mas nunca os da sua idade. Esses estão ocupados olhando as meninas de 18 anos.

Descobrir que tem exatos 20 anos em roupas no seu armário. Incluindo uma camiseta do Police no Brasil - a primeira vez - e uma do lançamento do 386.

Levar um olhar 43 de um cara extremamente palatável no meio da testa. E tropeçar nas próprias pernas e se estabacar na escada. Na frente dele. E soltando um "Uia!" pra completar.

Começar a associar cheiro de chuva recém-caída com solidão.

Querer desesperadamente transar. E o único amigo disponível que poderia quebrar o teu galho - aquele amigo lindo, maravilhoso, carinhoso, que te acompanha nas maiores roubadas, que mora a dois bairros de distância... Bom, ele tem namorado. Que também é lindo.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

De passagem




Sem trabalho, meio que de cama, as meninas na casa do pai. Dias inteiros deitada na cama, repassando minha vida de trás pra frente, fazendo zilhares de perguntas - algumas com respostas reluzentemente óbvias, outras ainda sem resposta.

E, entre coisas sérias e outras nem tanto, penso porque os homens insistem em usar uma aliança no polegar*. E como a origem de tudo se perde e, assim mesmo, sem pai nem mãe, entram em nossa vida exatamente como a carta escondida no conto de Poe - como precisava ficar oculta, lá estava ela, à vista de todos.

Alan Turing, reconhecido pai da computação moderna, ajudou os Aliados a derrotar o Eixo durante a Segunda Guerra Mundial. Sua medalha foi-lhe pregada no peito pela patrulha dos Bons Costumes, e nela se lia "homossexual". No início dos anos 50 foi humilhado em público, impedido de acompanhar estudos sobre computadores, julgado por "vícios impróprios" e condenado a terapias a base de estrogênio, o que equivalia a castração química e que teve o humilhante efeito secundário de lhe fazer crescer seios. Aos 41 anos cometeu suicídio comendo uma maçã envenenada. O que tem isso a ver? Me diga então qual o símbolo original dos computadores MacIntosh/Apple.

* O anel no polegar era usado pelas mulheres nobres romanas - e só pelas mulheres. Usar o anel nesse dedo indicava que aquela mulher era nobre, tinha muito dinheiro, era bem casada e comandava um exército de servos.
Bem masculino.

sábado, janeiro 26, 2008

Para menores



E aí você tem que explicar como que aquela maluca de cabelo laranja se esfregando naqueles caras - que sua filha viu rapidamente antes que você apertasse freneticamente o controle remoto pra trocar de canal - é a mesma que escreveu o tão-adorado-e-manuseado-e-suspirado "As rosas inglesas".
Mundo muito doido, esse. Não tenho mais idade pra isso, não.

I can make it alone



Are you ready to jump?
Get ready to jump
Don't ever look back oh baby
Yes, I'm ready to jump
Just take my hand
get ready to jump

terça-feira, janeiro 22, 2008

A melhor hora do dia


What time of day are you?

You're the time of day right around sunrise, when the sky is still a pale bluish gray. The streets are empty, and the grass and leaves are a little bit sparkly with dew. You are the sound of a few chirpy birds outside the window. You are quiet, peaceful, and contemplative. If you move slowly, it's not because you're lazy – it's because you know there's no reason to rush. You move like a relaxed cat, pausing for deep stretches that make your muscles feel alive. You are long sips of tea or coffee (out of a mug that's held with both hands) that slowly warm your insides just as the sun is brightening the sky.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Cambrianamente



Passei minha tenra infância sem:

TV a cores
Videocassete
DVD
CD
TV a cabo (e com três canais abertos)
Microondas
MP3
Computador
Calculadora
Qualquer-coisa digital
Máquina de lavar louça
Revelação de filmes 24 horas
Banco 24 horas
Cartão de débito
Amaciante de roupas
Esmalte de secagem rápida
Telefone celular

Vi o Brasil ser campeão do mundo a primeira vez. E o homem pisar na Lua.
Às vezes, "mesoproterozóico" é a palavra que me vem à mente.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

V1c10 Mald1t0



Preciso urgentemente de alguém rico, bonito e perfumado que se encante com minha beleza estonteante, minha mente brilhante e meu corpinho colossal pra me tirar de casa à noite. Pensei que estava livre depois que "24" acabou...
Rá. Que ilusão.
E aí junta o vício maldito com a invenção do demo - e lá estou eu baixando todos os episódios que é pra estourar minha cota de banda larga.

Cruz3s.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

...



Ao meu pai Xangô,
eu peço na benção de Oxalá
que atenda às minhas palavras
e ouça meu coração por amor a Orumilá

Ao meu pai Xangô,
eu peço a sua misericórdia
e proteção para minha vida.

Ao meu pai Xangô,
eu peço que seja digno
de carregar em minha vida
a sua proteção,
a sua benevolência
e sua força.

Ao meu pai Xangô,
eu peço que abra os meus caminhos
e afaste de minha alma,
de meu corpo e de meu espírito
os inimigos que me desejam o mal.

Ao meu pai Xangô,
pela minha verdadeira fé e devoção.
eu peço que ouça minhas palavras
e que eu seja digno de seu perdão.

Porque mesmos nos piores momentos eu pude contar com a proteção dele. Se é racional ou não, não sei; só sei que fez com que eu me levantasse todas as vezes em que caí.

Avante

Muitas vezes Zé Colméia me disse que queria trocar de escola por causa das constantes brigas com os coleguinhas e as advertências que ela tomou. Eu sempre disse a ela que podia não adiantar: muitas vezes o que está errado está dentro de nós - mudar de lugar só faz o problema trocar de endereço, mas ele permanece.

Tenho pensado seriamente em procurar emprego em outros estados. Mandei currículo até para empresas do sul do país. Mas aí vem a dúvida: muitas vezes o que está errado está dentro de nós - mudar de lugar só faz o problema trocar de endereço, mas ele permanece.

Ladies and gentlemen



Eu nunca me escutei tanto como agora. Depois de gritar inutilmente por meses, finalmente eu me fiz ouvir. É muito esquisito quando você começa a prestar atenção ao que você está falando. E as perguntas são desconcertantes:

* Por que você não faz em vez de pensar em fazer?
* Por que você chora pelas coisas mais esquisitas, como encher os olhos d'água ao ver uma mesa feita à mão - tudo bem que ela é linda, mas precisa chorar?
* Por que a foto da mãe do seu amigo - ela, que morreu há três anos, era absolutamente linda - causa tanto impacto em você?
* Qual é o seu objetivo real este ano?
* Qual o significado de botar tantos significados em acontecimentos que são, no fim, absolutamente sem significado? Nada vai mudar porque você diz "Eu vou ligar para a sicrana se aquele pombo branco voar".
* Por que você adia fazer coisas dolorosas, inconvenientes, difíceis, desgastantes, até o limite do prazo?
* Por que você não toma definitivamente as rédeas da sua vida? É a SUA vida - ganhar na loteria não vai mudar o fato de ela ser SUA.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

...

Sou do tempo em que até os pijamas tinham ombreiras.
Credo.

Por aí

Almoço na casa de uma maravilhosa amiga. Nove pessoas à mesa: eu e as meninas; uma outra amiga (grávida) e a filha pequena dela; a filha da anfitriã com o marido e a filha dele; a aniversariante. Oito mulheres (nove, se contar o bebê na barriga) e um homem. Todos os adultos presentes desfizeram seus casamentos. Todos menos eu estão ou estiveram em segundos, terceiros ou quartos relacionamentos. Alguma coisa errada aí, mas não consegui descobrir o quê.

Comprei minha agenda 2008. Até o momento, o ano é uma incógnita.

Como nada é fácil, na minha insônia habitual me dei conta que não poderei ter emprego de carteira assinada até meados de junho. O porquê: o pai deixou um rombo de quase R$ 21 mil na escola das meninas, débito eu que terei que saldar ou não poderei matricular as duas para este ano (sim, até o momento elas não estão matriculadas em lugar nenhum - motivo nº 8475e/4 para eu não dormir). Como a negociação é na base do cartão de crédito (que não tenho) ou cheques pré-datados (que não tenho), pedi à direção que fizesse uma negociação especial: eu quito tudo em junho, quando puder retirar meu FGTS retido (sim, já são três anos desempregada). Mas não poderei sacar o dinheiro se estiver empregada - e não poderei assim saldar a dívida. Não é emocionante?

Não consigo parar de mastigar gelo. Não faço isso desde que fiquei grávida. Não, não estou grávida. Se estiver, encaminhe seu pedido de milagre por e-mail.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

BTW

Oi, você aí da Catho online que passeou por aqui:

Rola te mandar meu currículo?
:o)

Pra frente

Eu pensei muito no que postar aqui esse ano. Quer dizer, ultimamente as pessoas vêm aqui e só lêem desgraças. E fazendo um balanço, me lembrei da primeira vez em que pisei num consultório de terapia - o que, confesso, me afugentou pra sempre de QUALQUER consultório de QUALQUER terapeuta/psicólogo/analista.

Eu e meu ex fomos lá porque a minha então enteada, filha dele do primeiro casamento, foi pega roubando na escola. Marquei a hora (sim, foi a besta aqui que foi à escola da menina conversar com a diretora; quem pegou a lista de terapeutas recomendados; ligou pra todos e, pasmem, decidiu qual parecia o melhor. Eu, não o pai ou a mãe. Eu, depois de a escola ligar PRA MIM como último recurso, já que nem o pai nem a mãe da menina haviam se coçado, três meses depois do roubo).

Enfim. Marquei a hora e fomos lá para a primeira consulta, eu e meu ex. Conversa aqui e ali, me abri na consulta. Falei o que me incomodava, a maneira como o pai tratava a menina (que eu adoro de paixão), passando a mão na cabeça dela quando ela fazia birra, urrava e esperneava e quebrava coisas e rabiscava tudo em vez de impor limites, a interferência da mãe dela no meu casamento, "despejando" (essa é a exata palavra do que ela fazia com a menina) a filha na nossa casa sempre que queria viajar ou sair à noite etc e tal.

O pai obviamente ficou muito incomodado com a minha franqueza, principalmente porque ele não podia usar o habitual "Sua burra, não é nada disso" na frente da terapeuta. Qual não foi minha surpresa quando a dita vira-se e diz "Você devia cuidar do que diz e não usar essa franqueza crua".

Como? Estamos lá tentando resolver um problema sério - uma menina de 8 anos roubando na escola e sendo pega por TODA a turma na hora em que pilhava a carteira da professora - e tentando descobrir tudo o que a levou a fazer isso (incluindo aí meu comportamento) e eu não devo ser franca? Não devo falar o que me incomoda, o que acontece, o que me chateia, o que está atravessado na garganta?

Não, não pode. Fere os sentimentos do fulano relapso sentado na poltrona ao lado.

Bom, essa divagação toda me leva ao ponto seguinte que parece não ter nada a ver com o que eu escrevi acima. E que é sobre as pessoas que me conhecem... e que me conhecem.

Cris me conhece. Rita me conhece. Assim como Marco, Laerte, Marieta e Pedro, além de outros que aportaram por aqui. Esses sabem quem eu sou, como eu sou; muitas vezes tenho vergonha do que escrevo porque sei que eles vão ler. Pra eles eu sou "Suzana" na tela do computador, mas outra quando eles se lembram da pessoa - eu.

Zé, Solange, Renata, Marília, Ana, Lili, Kattie, Deborah, Maura, Luis, e tantos outros gostam da Suzana. A Suzana Elvas, que escreve aqui muito do que jamais abriria a boca para relatar. Eles, que esbarrariam em mim na rua e jamais saberiam que sou eu, me conhecem como ninguém mais. Porque eles sabem apenas do que vai no meu coração, na minha alma. Não sabem como minha voz é, como me comporto, que cara faço quando rio ou me sinto constrangida. Desconhecem a máscara social que visto até mesmo quando estou me divertindo, bebendo um chope, sentada em silêncio no cinema.

Juliana, Anne, Fernando, Paulo, Ivone, Gisela, Marcela, Peter, Jeremy, Samara, Teresa, André, Luana e outros sabem de mim - alguns faz anos - e não fazem a menor idéia do que escrevo aqui. Do que eu sinto, do que eu penso, do que eu quero. Pra eles, eu sou outra que não Suzana - com ou sem aspas.

Juntando os dois lados do vestido: esse blog é da Suzana, não da outra. Porque se eu tiver que deixar de falar das coisas que me incomodam, das minhas tristezas (que espero 2008 economize na mão) e das minhas aflições, Suzana não terá mais razão de existir.

...

A novidade do meu ex é deixar as meninas trancadas no carro (sem ar-condicionado, que é pra não gastar) enquanto ele vai ao supermercado.

Não é show? E eu só escuto na minha cabeça aquela idiota do Ministério Público, apressadíssima para um compromisso e querendo encerrar logo a audiência, dizendo o quanto eu era estressada e preocupada à toa, e ressaltando a importância do pai na vida das crianças.

domingo, dezembro 30, 2007

80

Calor. Muito calor. Dei banho nos cachorros - e eles agradeceram.

Sozinha em casa, meninas com o pai. A casa fica muito silenciosa, mas ele não consegue jamais deixar a irritação de lado quando as meninas me ligam 18 vezes ao dia para conversar, fofocar, pedir conselhos ou avisar que se machucaram. Dependência: palavra inexistente no dicionário das mães.

Ceia de Ano-Novo: tudo velho, sem idéia do que fazer.

Como assim Robert Palmer morreu?

"As cem melhores canções dos anos 80". Sim, vamos esfregar na cara o quanto todos estamos ficando velhos. Aquele som inovador do REM agora é clássico. Todo som novo que eu descobri é clássico. Menos eu - eu não virei um clássico. "Fight the power"; "What I like about you" (The Romantics; como uma banda pode se chamar assim?), "Love shack", "Kiss"! Prince com três músicas; Mr. Nelson rules! Michael Jackson é o clássico dos clássicos, junto com Rufus & Chaka Khan, The Cure, Echo & The Bunnymen (não, eles não estão na lista. Mas Katrina and The Waves estão!) e outros.



Um dia eu quis ser como Paula Abdul dançando para Arsenio Hall em "Straight Up" A dinossaura tenta explicar à amiga de 16 anos nomes como Poison, Whitesnake, AC/DC, Joan Jett, Young MC, Bruce Springsteen (sim, The Boss), Rick James, Depeche Mode, INXS ("I need you tonight/ 'Cause I'm not sleeping/ There's something about you girl/That makes me sweat" - a conversa mais mole que eu já ouvi na boca de um homem bonito :o) e outros - e porque eu achava absolutamente lindo o dono do mullet mais poderoso dos anos 80: Bono Vox. VH1, I love you.

Eu gostei dos anos 80. As mulheres tinham o direito de serem gordinhas (vide Madonna e as meninas do Go-Go's) e de usar o cabelo crespo (e, ironia, quem não tinha armava o seu com laquê).

Sempre fazia aquela continha básica na calculadora: quantos anos eu teria no anos 2000. E ficava hor-ro-ri-za-da com o resultado: 34 anos. Não conseguia nem por bula papal me imaginar com mais de 30. Rá... Rá rá.

Digressão filosófica: Jim Kerr (Simple Minds) cantando "Mandela days" me fez pensar no vazio existencial (ugh) que tenho sentido faz tempo. Quer dizer, minha juventude assistiu grandes eventos. Quando eu tinha meus 20 anos o mundo lutava contra "inimigos" claros, por assim dizer: Mandela sob prisão perpétua e o apartheid; a fome da África; a abertura do regime político no Brasil; idem para Argentina e outros países latino-americanos; a Alemanha dividida; Ronald Reagan e sua "Guerra nas Estrelas"; a União Soviética que ainda mantinha Sakarov exilado em sua própria casa, em Gorki; a frente pela libertação de Rudolf Hess, o último e único prisioneiro de guerra alemão em Spandau. O mundo mudou muito ou eu não estou mais prestando a menor atenção nele.

Você sabe que está ficando velha quando o cara que você queria casar tá ficando careca (btw, eu vi os pais dele... hum... namorarem e se casarem. Eu vi essa criatura nascer. Estive praticamente na concepção do dito cujo!) e você torce fervorosamente para que a banda que você gostava faça uma reunion tour. TDUD, I love you.



Está tudo muito confuso, hoje.

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Por último

Uma das coisas que minha avó dizia era que, se você não tem nada de bom a dizer, não diga nada. Faz tempo que tenho pensado em mudar o status do meu Breviário para que só eu possa ler. Porque faz tempo que eu não tenho nada de bom para dizer. E as pessoas, quando lêem o que eu escrevo, também não têm o que dizer. Dizer o quê?

Passei o Natal sozinha - as meninas foram para a casa do pai. Nunca tinha passado o Natal sem elas. E como doeu. Não montei a árvore, não pendurei a guirlanda na porta, não botei as meias vermelhas na janela. Nunca imaginei que me sentiria tão profundamente triste como me senti.

Como estou sem dinheiro, comprei duas camisolas de uma vizinha, embrulhei os livros que sobraram ainda do tempo em que eu ainda recebia livros infantis, duas bolsinhas compradas em camelô e foi isso. E sentia muito medo de elas não gostarem de nada, de acharem tudo insignificante perto do que ganhariam na casa do pai.

Elas voltaram ontem carregadas de presentes. Cada uma segurando a sua Miracle Baby - R$ 300 reais cada - muitos brinquedos, roupas, vestidos, walkie talkie da Xuxa, bichinhos que ronronam e andam. Tudo jogado nas sacolas das lojas dos outros presentes trocados na casa do pai: Cantão, Sacada, Imaginarium, M. Officer, Osklen.

Dei os meus presentes, esperando que elas gostassem; Catatau me abraçou e disse que era a camisola mais linda que ela já tinha visto; Zé Colméia despejou tudo da sua bolsa antiga e encheu a nova.

E foram dormir. E eu dormi abraçada com elas, pensando e pedindo que 2008 seja melhor. Seja de menos dor, mais comida e descanso, mais alegrias e menos preocupações.

Hoje de manhã, tomando banho para ir trabalhar, tudo subiu de uma maneira tão brutal que vomitei na banheira. Tremia inteira de tanto ódio, de tanta amargura pela lembrança dele dizendo à juíza que ele mal ganhava para viver. E as sacolas dos presentes. E as duas bonecas a R$ 600. E eu chorei até meus olhos secarem embaixo do chuveiro. E eu desejei que ele morresse, e eu odiei o Natal. E odiei minha vida, tudo o que eu vivo hoje. Odiei, odiei, odiei.

Porque eu pedi de Natal, quando estava sozinha na minha cama, ouvindo os vizinhos comemorarem e rirem e desejarem-se paz, que eu não odiasse mais. Que eu tivesse apenas coisas boas e alegres e cheias de otimismo para escrever aqui. Que eu pudesse lidar melhor com a incapacidade de trabalhar mais, de arranjar um emprego decente que me desse um plano de saúde, dinheiro para alimentar minhas filhas corretamente, para não dever mais nada a ninguém, que me desse novamente satisfação, que me desse a oportunidade para ser disponível para alguém.

Que eu pudesse recuperar na alma os anos que eu deixei pra trás. Que eu pudesse ser novamente a mulher que eu era, que achava coisas boas em tudo, que raramente achava motivo para chorar. Que não maldizia ninguém, que era batalhadora, briguenta, forte, vivaz.

Eu não quero escrever mais isso aqui. Eu quero desejar Feliz Natal e próspero Ano Novo como todo mundo. Não quero odiar meu ex-marido por ele fazer o que faz. Não quero mais me sentir incomodada com a felicidade dos outros. Com o riso dos outros. Com a paz dos outros.

Eu quero a minha própria paz.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Adriana

Adriana Lisboa é uma mulher excepcional: além de grande escritora, é uma tradutora esplêndida e uma amiga de coração reluzente. Há anos deixei a editora que era a dela, mas ainda mantemos (pouco) contato. Ela me mandou isso, e espero que sensibilize vocês como tocou a mim:

"Amigos e amigas,

Uma amiga nossa, Vera Alves, que morou nos Estados Unidos durante quarenta anos e agora está de volta ao Brasil (em Florianópolis), mandou a notícia abaixo:

'Dou aula de inglês para meninos na minha vizinhança que são de famílias pobres e são vítimas do ensino falho da escola pública. Com isso, acabou ampliando para português, e tudo mais, onde vejo falhas. Comecei um clube de leitura, que no momento só envolve 3 crianças, mas um dia por semana nos reunimos para ler. Cada uma lê um capitulo, comentamos o que foi lido para verificar o entendimento, e está indo bem. Uma menina foi pela primeira vez na biblioteca e tirou um livro para ler! fiquei tão feliz. Tínhamos lido a 'Bolsa amarela' da Lygia Bojunga, e ela foi atrás da 'Casa da Madrinha'... Não é maravilhoso? Estou com esse projeto com os livros infanto-juvenis que tenho. Livros são caros e não estou podendo comprar. Pegar livros no centro fica difícil porque viajo de ônibus. Tudo dando certo antes que acabem meus livros, já vou ter um carro... Comecei também uma campanha de reciclagem na minha rua e está começando a funcionar.'

Vera está fazendo isso porque sim. Não está ganhando nada – nem está pedindo nada. Mas resolvi escrever pra vocês: se acharem que podem contribuir com livros infanto-juvenis para esse projeto dela, solicitando exemplares junto a suas editoras ou doando livros usados em bom estado, por favor escrevam pra ela: alves.vera@gmail.com

Agradeço em nome da Vera, e em nome desses pequenos leitores."

Tenho muitos livros infantis em casa que as meninas não lêem mais. Quantos desses livrinhos a gente não ganha naqueles saquinhos de brindes de festas infantis?
Quem aqui do Rio quiser colaborar por favor me avise que eu vou buscar os livros; faço um pacote só e mando para Floripa. Quem estiver em outras cidades... Bom, qualquer ajuda é bem-vinda!

Ouvindo



Anita O' Day. Que voz.

Inícios e fins

Uma das coisas que eu mais faço (aliás, faço mais do que o habitual) é pensar no passado. Eu sou canceriana, e acredito que possa descontar aí a minha mania de sempre pensar e repensar o passado, imaginar caminhos outros que não os que eu escolhi, jogar mentalmente com as infinitas possibilidades que se apresentaram. Não, jamais me arrependi do que eu fiz - mesmo me casar, porque se não fosse meu ex minhas filhas não seriam assim tão especiais. Não seriam o que são.

Estava eu pensando em ritos de passagem. Porque agora eu venho sozinha trabalhar de manhã - as meninas estão de férias. Então eu sento no ônibus e venho pensando. Ritos de passagem. Há sempre acontecimentos que, parece, encerram uma etapa da nossa vida. Às vezes é uma frase, às vezes uma situação.

Eu me lembro quando minha infância de encerrou. Eu tinha uns 12 anos. Morávamos em Mogi das Cruzes, interior de São Paulo. Meu pai trabalhava em outra cidade, e precisava ir receber um dinheiro extra na capital. "Por que você não vai hoje, pai?" "Porque eu tenho R$ 18 e a passagem de ônibus custa R$ 23." "Pega mais no banco." "Não há mais o que pegar. O dinheiro acabou."

O dinheiro acabou. Salário. Contas. Despesas. O dinheiro acabou. Alô, responsabilidades.

Sentada em frente ao computador na minha sala, na editora em que eu trabalhava, me dividia entre pilhas de livros para examinar, uma lista de autores para contactar, jornalistas esperando respostas, eu correndo pra dar tempo de pegar Catatau na creche e levá-la ao pediatra, voltar ao trabalho e depois, às sete da noite, correr para a FGV para o curso que graciosamente a publisher da editora tinha conseguido para mim. Entra a mensagem do meu ex: "Você não disse que ia escrever a coluna pra mim hoje?" "Não posso, estou atolada de trabalho. Por que você não escreve?" "Porque você se comprometeu, sua inútil." Me lembro até hoje da posição da mensagem na tela. A dor que eu senti na hora - e que eu sinto ainda hoje, e que agua meus olhos nesse exato momento.

Ali, naqueles segundos que eu levei para ler essa frase, meu casamento acabou.

"Oi Helena!" E aí a pessoa piscou os olhos, se desculpou e sorriu: "Desculpe, achei que era a sua mãe." Minha mãe, com seus 68 anos. E eu me olhei no espelho do elevador e vi que estava vestindo o mesmo tipo de roupa que a minha mãe. Uma mulher de 40 anos vestindo-se como uma de 68 anos.

Não, sou muito muito nova pra me enterrar assim. Muito nova pra aceitar que a vida é "deixa pra lá", é "não vale a pena". Muito nova pra ser um zero à esquerda, "uma inútil".

...

Dessa vez foi apenas um dia e meio sentindo pena de mim: estou ficando rápida em engolir o sapo.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Cintilante

R$ 25 mil em dívidas, uma tuberculose que não se curou, muita solidão, noites de insônia, dias engolindo em seco, nunca nenhum almoço, choro escondido no chuveiro, privações, brigas, impotência, quase nenhuma paz de espírito: tudo sumiu naquele exato momento em que, no meio da nuvem de lágrimas que não consegui controlar, Catatau sorriu pra mim, vestida de branco, tiara de strass na cabeça, anel reluzente no dedo gordinho e diplominha na mão, na frente de sua turma.

Minha pequena se formou. Eu chorei muito, porque a felicidade em Catatau não é uma experiência solitária, egoísta, pessoal: minha filha tem o dom de fazer com que todos vejam que ela está feliz e, como por encanto, todos se sintam felizes também.

E ela sempre faz isso, mesmo inconscientemente. Ela foi Maria no peça de Natal. Contrita e com olhar humilde, vestiu seu manto pobre e surrado. "Cumpra-se em mim a vontade de Deus", disse ela, tentando ser grave naquela voz esganiçada dos seus seis anos, ao saber pelo anjo que seria mãe do filho de Deus, olhando para o céu e levantando as mãos.

O manto escorregou, os braços ficaram nus - e a platéia riu baixinho (que é pra ela não ficar sentida; e dali de cima eu vi que ela sorriu) ao ver a pobre Maria, no casebre onde morava, usando um rico bracelete de "diamantes" - porque minha filha pode ser pobre, limpinha e humilde, mas imagina se não ia botar um brilho na sua formatura! Como ela mesma diz, "Mãe, se você não tem brilho você não tem nada!"

A gente, nessas horas, tem certeza de que vive pra isso.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Ao infinito

Catatau se forma essa semana. Jamais imaginei a dimensão do orgulho dela em deixar a pré-escola (o chamado Ensino Básico) e entrar no Ensino Fundamental. Na cabeça dela - e apesar de todas as suas dobrinhas, furinhos e risadas de bebê - ela agora é, definitivamente, uma menina crescida, que já assina o nome, tem sua "chamadinha" (como ela chama sua carteira de identidade) e sabe dar o laço no sapato e fazer rabo-de-cavalo sozinha.
"Tô crescendo, mamãe!"
É, filha, eu sei. Pena que isso dói à beça em mim...

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Empregos

"Empresa situada em Realengo seleciona SECRETÁRIA com as seguintes características:

Ser do Signo de Capricornio, virgem ou Leão
Ser Dinâmica
Até 35 anos
Nivel superior ou cursando, preferêncialmente do Curso de Administração
Ótimos conhecimentos em Word e Excel.
Salário: R$ 500,00"

Puxa, sou canceriana...

terça-feira, dezembro 04, 2007

...

Chega uma hora na vida da gente em que a vontade é entregar os pontos. Dizer "cansei" e deixar a maré nos puxar para o fundo, mandar alguém tomar conta, desistir. Depois de perder minha afilhada de maneira estúpida, Zé Colméia está suspensa da escola por dois dias, por ter agredido um inspetor com uma tesoura. A escola sugere "com veemência" que ela faça terapia. Catatau fala de uma maneira que ninguém entende, e para o próximo ano terá que fazer fonoaudiologia. Ambas precisam urgentemente ir ao dentista, e a editora que me contratou para dar consultoria - e que me exigiu full time - acaba de me comunicar que o pagamento do próximo dia 5 (ou seja, amanhã) é o último. Posso então contar em receber R$ 0 em janeiro. R$ 0 no mês em que as crianças estão de férias em casa, comendo e gastando o dia inteiro. R$ 0 no mês das listas de material escolar, dos uniformes. Mês parado no mercado editorial, sem nada pra fazer. R$ 0 num mês sem trabalho.

Eu já cansei de contar as vezes em que eu caí e me levantei. Já perdi nas lembranças quando almocei pela última vez, uma refeição decente, não pão com margarina e água - quando tenho dinheiro para o pão e a margarina, e gasto sem pensar em quantas passagens de ônibus esse mesmo valor pode pagar. Já esqueci quando comprei alguma coisa boa para mim, sem sentir culpa. Quando dormi tranqüila à noite com as contas pagas. Quando tive dinheiro para uma emergência. Quando sentei e tomei um chope. Quando, com centavos no bolso, não enganei o trocador de ônibus dizendo que peguei a linha errada - fazendo isso umas quatro vezes para tornar menos penoso o caminho até o lugar onde eu receberia dinheiro. Não me lembro o exato momento em que deixei a vergonha e o pudor de lado e comecei a achar isso normal, aceitável, justificável.

Já me esqueci da última vez em que atendi o telefone sem medo de ser alguém me cobrando dinheiro. Quando pude comprar alguma bobagem para as minhas filhas. Quando deixei que comessem quantos biscoitos quisessem. Quando levei as duas para comer fora sem me arrepender amargamente depois. Quando pensei em me tornar interessante para o mundo e deixar de ser a sexualmente morta que sou hoje.

Não me lembro mais quando mandei consertar alguma coisa quebrada, quando marquei uma consulta médica e fui, sem precisar me preocupar se teria dinheiro para o remédio depois. Já me esqueci quando foi a última vez em que não pensei em dinheiro, dívidas, o futuro imediato das meninas ou como sobreviver à próxima semana, ao próximo mês.

Já me esqueci quando foi isso. Ouvindo a pessoa do outro lado dizendo "Não precisamos mais dos seus serviços" me lembrei da cara de desolação de uma conhecida da minha mãe, ao saber que eu estava desempregada: "Seus pais não criaram você para essa vida." Naquele dia, inexplicavelmente, sem razão, senti vergonha, uma imensa e devoradora vergonha de ser o que eu sou.