segunda-feira, março 10, 2008

I wanna be a rockstar



I'm through with standin' in line
To clubs I'll never get in
It's like the bottom of the ninth
And I'm never gonna win
This life hasn't turned out
Quite the way I want it to be
(Tell me what you want)

I want a brand new house
On an episode of Cribs
And a bathroom I can play baseball in
And a king size tub big enough
For ten plus me
(Yeah, so tell what you need)

I'll need a credit card that's got no limit
And a big black jet with a bedroom in it
Gonna join the mile high club
At thirty-seven thousand feet
(Been there done that)

I want a new tour bus full of old guitars
My own star on Hollywood Boulevard
Somewhere between Cher and
James Dean is fine for me
(So how you gonna do it?)

I'm gonna trade this life
for fortune and fame
I'd even cut my hair
and change my name

'Cause we all just wanna be big rockstars
And live in hilltop houses driving fifteen cars
The girls come easy and the drugs come cheap
We'll all stay skinny 'cause we just won't eat
And we'll hang out in the coolest bars
In the VIP with the movie stars
Every good gold digger's
Gonna wind up there
Every Playboy bunny
With her bleach blonde hair
And well...

Hey, hey, I wanna be a rockstar
Hey, hey, I wanna be a rockstar

I wanna be great like Elvis without the tassels
Hire eight body guards that love to beat up assholes
Sign a couple autographs
So I can eat my meals for free
(I'll have the quesadilla, ha ha)

I'm gonna dress my ass
With the latest fashion
Get a front door key to the Playboy mansion
Gonna date a centerfold that loves to
Blow my money for me
(So how you gonna do it?)

I'm gonna trade this life
For fortune and fame
I'd even cut my hair
And change my name

'Cause we all just wanna be big rockstars and
Live in hilltop houses driving fifteen cars
The girls come easy and the drugs come cheap
We'll all stay skinny 'cause we just won't eat
And we'll hang out in the coolest bars
In the VIP with the movie stars
Every good gold digger's
Gonna wind up there
Every Playboy bunny
With her bleach blonde hair
And we'll hide out in the private rooms
With the latest dictionary of
Today's who's who
They'll get you anything
with that evil smile
Everybody's got a
Drug dealer on speed dial, well
Hey, hey, I wanna be a rockstar

I'm gonna sing those songs
That offend the censors
Gonna pop my pills
From a Pez dispenser

Get washed-up singers writing all my songs
Lip synch 'em every night so I don't get 'em wrong

Well we all just wanna be big rockstars
And live in hilltop houses driving fifteen cars
The girls come easy and the drugs come cheap
We'll all stay skinny 'cause we just won't eat
And we'll hang out in the coolest bars
In the VIP with the movie stars
Every good gold digger's
Gonna wind up there
Every Playboy bunny
With her bleach blond hair
And we'll hide out in the private rooms
With the latest dictionary and
Today's who's who
They'll get you anything
with that evil smile
Everybody's got a
Drug dealer on speed dial,well

Hey, hey, I wanna be a rockstar
Hey, hey, I wanna be a rockstar



Porção aborrecente - larguei meus Coltranes da vida e agora a-dou-ro Nickelback. Tirando as drogas e as louras da Playboy, tô dentro.

sexta-feira, março 07, 2008

Onde está Alfred?



As aparições de Hitchcock em seus filmes.

Via Alessandro Martins, em seu Livros & Afins.

sábado, março 01, 2008

Urucubaca

Pra depois não dizerem que é drama, no espaço de três dias pifaram:

microondas
máquina de lavar roupas (de novo)
geladeira
fogão
aspirador de pó

Pede-se por gentileza ao sapo que está, nesse momento, saboreando um papelzinho com meu nome escrito: cuspa fora.
Por favor.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Eu invejo...

Quem carrega sua própria trilha sonora, por todo o dia.
Quem pinta as unhas dos pés com esmero.
Quem fica bem usando sandálias.
Quem tem paciência para brincar com os filhos.
Quem precisa de poucas horas de sono a cada noite.
Quem se conforma.
Quem não espera por nada - nada, mesmo; nem lá no fundinho do mais remoto canto do coração.
Quem compra um livro cada vez que entra numa livraria.
Quem sabe quem é quem no mundo da música hoje.
Quem se atualiza, sempre.
Quem freqüenta a Modern Sound. E compra coisas lá.
Quem sempre sabe a diferença entre.

Noves dentro



Esse é o meu bisavô. Ele vive numa caixa de madeira debaixo da terra. Não fala muito e também cheira mal - mas é muito animado pra se brincar num tanquinho de areia.

Roubei da .

Noves fora

Catatau na sala de aula, fazendo a página de rosto do seu caderno de Estudos Sociais; o tema era "Sua família". A professora vai conferindo os trabalhinhos. Na folha do caderno, caprichosamente colorido, Catatau desenhou uma casa e, na frente, três figuras femininas: uma mais alta, uma mais baixa e, de mãos dadas com essa, uma pequenininha.

- Não está faltando ninguém nesse desenho?
- Não, ué. Tem a mamãe, a [...] e eu.
- Você tem certeza? Não está faltando ninguém da sua família?
- Hum... É, tá sim.
[...]
- Pronto, agora acabei. Não tá faltando ninguém.

E na janela da casa desenhada, a professora viu... minha mãe e meu pai, acenando para nós.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Protocolando*



Listen, baby
Ain't no mountain high
Ain't no valley low
Ain't no river wide enough, baby

If you need me, call me
No matter where you are
No matter how far
Just call my name
I'll be there in a hurry
You don't have to worry

'Cause baby,
There ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough
To keep me from getting to you

Remember the day
I set you free
I told you
You could always count on me
From that day on I made a vow
I'll be there when you want me
Some way, some how

'Cause baby,
There ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough
To keep me from getting to you

Oh no darling
No wind no rain
No winter cold can stop me, baby
No, no darling can't stop me, baby
'Cause you are my own
If you're ever in trouble
I'll be there on the double
Just send for me oh baby.

My love is alive
Way down in my heart
Although we are miles apart
If you ever need a helping hand
I'll be there on the double
As fast as I can

Don't you know that
There ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough
To keep me from getting to you

Don't you know that
There ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough




* Que esse desejo se realize - e isso vale pra mim, também :o)

Horizonte de eventos

Dois amigos que moram no exterior me mandaram coisas, ambos na mesma época: primeira semana de dezembro. O dos Estados Unidos me enviou um CD que me dei de Natal; o outro, que mora sei-lá-onde da África, onde é veterinário-aprendiz numa reserva selvagem, achou um livrinho maravilhoso de lendas africanas em inglês e mandou para as meninas.

O livro enviado das profundezas do ínicio dos tempos do berço da humanidade chegou perto do Natal. O CD vindo diretamente da contemporaneidade do moderno pró-século XXI ainda não deu as caras.

...

Quase a metade do dia se foi e eu não fiz absolutamente nada. Não tenho nada para fazer - nenhum trabalho, nada. Ouvindo pouca música e todos os meus nervos lenta e inexoravelmente se despedaçando só de lembrar nas contas a pagar a partir da semana que vem.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Anéis

Há pouco o dono do sebo veio buscar mais 150 livros.
Rapaz, como dói. Mesmo com a certeza que muitos deles eu jamais vou sequer abrir, doeu. Eu ainda salvei alguns, mas eu tive que deixar levarem todos. R$ 250 por livros novos, cheirando a livraria, ainda. Sem sequer dobra na capa.
Judas, prazer.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

...

Tem dias que eu, sei lá.
Não estou a fim.
E, pelo que eu estou vendo nos outros blogs, muita gente também não está.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

...

Desde que me separei, num momento tive que começar a me desfazer de coisas que para mim eram parte do que sou. Na semana passada vendi as minhas últimas jóias. Não tenho mais plano de saúde, e para continuar um tratamento caro tive que dar adeus à herança deixada pela minha avó paterna. Elas não foram as primeiras: para pagar a escola me desfiz, há alguns meses, do que minha avó materna me deixara.

Se há um aprendizado que eu jamais esquecerei - sendo a próxima ganhadora da megasena ou não - é que a gente chora e sente dor, mas o material é só isso: material. E não falo aqui da vertente espiritualista; falo de comida na mesa dos nossos filhos. Entre ter o que oferecer às minhas meninas no almoço e usar o colar de pérolas da minha avó, não há o que pensar.

Assim, já foram para a panela minhas jóias, meus livros antigos, CDs, DVDs, LPs, revistas em quadrinhos dos anos 70/80, aparelho de som, TVs, uma cama, dois colchões, antiguidades, roupas, sapatos, eletrodomésticos e miudezas sem conta. Hoje, um especialista veio buscar a coleção de moedas do meu avô - pagando, tenho certeza, uma ínfima parte do que ela realmente vale. Mas minhas filhas precisam comer.

E eu fiquei deprimida, claro. Chorei muito e me castiguei devorando um pote de sorvete de dois litros. E foi assim, com a garganta apertada e a boca cheia, que eu li, no blog de uma querida companheira de viagem - na web e na maternidade - que ela acabara de perder a mãe. Nessas horas, então, de nada valem moedas de prata do tempo do Império, pulseiras de ouro branco e platina, uma edição rara dos Lusíadas ou a coleção completa da obra de Billie Holiday.

Não valem nada, não adiantam pra nada, não significam coisa alguma. Não servem pra tapar o rombo imenso e dolorido que a gente sente quando alguém foi-se e nada podemos fazer.

Eu não sei o que dizer, Angélica. Aliás, comecei a escrever qualquer coisa nesse post pensando ainda como dizer o quanto eu sinto - e o quanto essa frase ("Eu sinto muito") é vazia. Eu sempre explico às meninas a cadeia natural da vida - vão-se os avós, depois os pais e então elas mesmas, mas aí elas já terão seus próprios netos para repetir a seqüência. Sua mãe conheceu sua filha - assim como minhas pequenas conheceram os avós, e por isso eu me regozijo. Mas sei que nada disso aplaca a dor ou dá importância ao que está à nossa volta. Nesse mar de escuridão fria que nos envolve, apenas uma luzinha mostra o caminho para voltar: nossos filhos.

Então, querida, que Joana ilumine sua volta. Estamos aqui, afinal de contas, por causa deles. E, provavelmente, sua mãe sabia disso. Todas as mães sabem.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Rabugice

Sexta-feira: depois de um dia de trabalho, tento chegar em casa via Túnel Santa Bárbara e encontro um congestionamento de 3.485.855.059.9,98 quilômetros - gente indo viajar, carros alegóricos chegando, preparativos do sambódromo. Aí corto caminho ali pelo meio do Morro da Coroa (sim, desespero é isso) e encontro o Largo das Neves fechado de tantos carros estacionados - em cima das calçadas, em cima dos trilhos do bonde. E um bloco não-identificado cheio de bêbados.

Tento pela Lapa: os bêbados e os blocos não-identificados já estão esparramados antes do Passeio Público. E um percurso que eu faço em 10 minutos a R$ 10 me custou, com as meninas, uma hora e 40 minutos e R$ 50.

Odeio carnaval.

...

Só uma mãe pode entender quão lógico e real é entrar numa papelaria (a escolhida depois de uma longa e cuidadosa pesquisa de preços) e gastar R$ 240 em canetas e lápis. Só isso: canetas e lápis.

Muffia



Roubei da Naomi.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Viver é



Perder três quilos em uma semana. E odiar isso.

Ter tantos cabelos brancos quanto possível.

Ver como os homens mais velhos e os mais novos reparam em você. Mas nunca os da sua idade. Esses estão ocupados olhando as meninas de 18 anos.

Descobrir que tem exatos 20 anos em roupas no seu armário. Incluindo uma camiseta do Police no Brasil - a primeira vez - e uma do lançamento do 386.

Levar um olhar 43 de um cara extremamente palatável no meio da testa. E tropeçar nas próprias pernas e se estabacar na escada. Na frente dele. E soltando um "Uia!" pra completar.

Começar a associar cheiro de chuva recém-caída com solidão.

Querer desesperadamente transar. E o único amigo disponível que poderia quebrar o teu galho - aquele amigo lindo, maravilhoso, carinhoso, que te acompanha nas maiores roubadas, que mora a dois bairros de distância... Bom, ele tem namorado. Que também é lindo.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

De passagem




Sem trabalho, meio que de cama, as meninas na casa do pai. Dias inteiros deitada na cama, repassando minha vida de trás pra frente, fazendo zilhares de perguntas - algumas com respostas reluzentemente óbvias, outras ainda sem resposta.

E, entre coisas sérias e outras nem tanto, penso porque os homens insistem em usar uma aliança no polegar*. E como a origem de tudo se perde e, assim mesmo, sem pai nem mãe, entram em nossa vida exatamente como a carta escondida no conto de Poe - como precisava ficar oculta, lá estava ela, à vista de todos.

Alan Turing, reconhecido pai da computação moderna, ajudou os Aliados a derrotar o Eixo durante a Segunda Guerra Mundial. Sua medalha foi-lhe pregada no peito pela patrulha dos Bons Costumes, e nela se lia "homossexual". No início dos anos 50 foi humilhado em público, impedido de acompanhar estudos sobre computadores, julgado por "vícios impróprios" e condenado a terapias a base de estrogênio, o que equivalia a castração química e que teve o humilhante efeito secundário de lhe fazer crescer seios. Aos 41 anos cometeu suicídio comendo uma maçã envenenada. O que tem isso a ver? Me diga então qual o símbolo original dos computadores MacIntosh/Apple.

* O anel no polegar era usado pelas mulheres nobres romanas - e só pelas mulheres. Usar o anel nesse dedo indicava que aquela mulher era nobre, tinha muito dinheiro, era bem casada e comandava um exército de servos.
Bem masculino.

sábado, janeiro 26, 2008

Para menores



E aí você tem que explicar como que aquela maluca de cabelo laranja se esfregando naqueles caras - que sua filha viu rapidamente antes que você apertasse freneticamente o controle remoto pra trocar de canal - é a mesma que escreveu o tão-adorado-e-manuseado-e-suspirado "As rosas inglesas".
Mundo muito doido, esse. Não tenho mais idade pra isso, não.

I can make it alone



Are you ready to jump?
Get ready to jump
Don't ever look back oh baby
Yes, I'm ready to jump
Just take my hand
get ready to jump

terça-feira, janeiro 22, 2008

A melhor hora do dia


What time of day are you?

You're the time of day right around sunrise, when the sky is still a pale bluish gray. The streets are empty, and the grass and leaves are a little bit sparkly with dew. You are the sound of a few chirpy birds outside the window. You are quiet, peaceful, and contemplative. If you move slowly, it's not because you're lazy – it's because you know there's no reason to rush. You move like a relaxed cat, pausing for deep stretches that make your muscles feel alive. You are long sips of tea or coffee (out of a mug that's held with both hands) that slowly warm your insides just as the sun is brightening the sky.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Cambrianamente



Passei minha tenra infância sem:

TV a cores
Videocassete
DVD
CD
TV a cabo (e com três canais abertos)
Microondas
MP3
Computador
Calculadora
Qualquer-coisa digital
Máquina de lavar louça
Revelação de filmes 24 horas
Banco 24 horas
Cartão de débito
Amaciante de roupas
Esmalte de secagem rápida
Telefone celular

Vi o Brasil ser campeão do mundo a primeira vez. E o homem pisar na Lua.
Às vezes, "mesoproterozóico" é a palavra que me vem à mente.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

V1c10 Mald1t0



Preciso urgentemente de alguém rico, bonito e perfumado que se encante com minha beleza estonteante, minha mente brilhante e meu corpinho colossal pra me tirar de casa à noite. Pensei que estava livre depois que "24" acabou...
Rá. Que ilusão.
E aí junta o vício maldito com a invenção do demo - e lá estou eu baixando todos os episódios que é pra estourar minha cota de banda larga.

Cruz3s.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

...



Ao meu pai Xangô,
eu peço na benção de Oxalá
que atenda às minhas palavras
e ouça meu coração por amor a Orumilá

Ao meu pai Xangô,
eu peço a sua misericórdia
e proteção para minha vida.

Ao meu pai Xangô,
eu peço que seja digno
de carregar em minha vida
a sua proteção,
a sua benevolência
e sua força.

Ao meu pai Xangô,
eu peço que abra os meus caminhos
e afaste de minha alma,
de meu corpo e de meu espírito
os inimigos que me desejam o mal.

Ao meu pai Xangô,
pela minha verdadeira fé e devoção.
eu peço que ouça minhas palavras
e que eu seja digno de seu perdão.

Porque mesmos nos piores momentos eu pude contar com a proteção dele. Se é racional ou não, não sei; só sei que fez com que eu me levantasse todas as vezes em que caí.

Avante

Muitas vezes Zé Colméia me disse que queria trocar de escola por causa das constantes brigas com os coleguinhas e as advertências que ela tomou. Eu sempre disse a ela que podia não adiantar: muitas vezes o que está errado está dentro de nós - mudar de lugar só faz o problema trocar de endereço, mas ele permanece.

Tenho pensado seriamente em procurar emprego em outros estados. Mandei currículo até para empresas do sul do país. Mas aí vem a dúvida: muitas vezes o que está errado está dentro de nós - mudar de lugar só faz o problema trocar de endereço, mas ele permanece.

Ladies and gentlemen



Eu nunca me escutei tanto como agora. Depois de gritar inutilmente por meses, finalmente eu me fiz ouvir. É muito esquisito quando você começa a prestar atenção ao que você está falando. E as perguntas são desconcertantes:

* Por que você não faz em vez de pensar em fazer?
* Por que você chora pelas coisas mais esquisitas, como encher os olhos d'água ao ver uma mesa feita à mão - tudo bem que ela é linda, mas precisa chorar?
* Por que a foto da mãe do seu amigo - ela, que morreu há três anos, era absolutamente linda - causa tanto impacto em você?
* Qual é o seu objetivo real este ano?
* Qual o significado de botar tantos significados em acontecimentos que são, no fim, absolutamente sem significado? Nada vai mudar porque você diz "Eu vou ligar para a sicrana se aquele pombo branco voar".
* Por que você adia fazer coisas dolorosas, inconvenientes, difíceis, desgastantes, até o limite do prazo?
* Por que você não toma definitivamente as rédeas da sua vida? É a SUA vida - ganhar na loteria não vai mudar o fato de ela ser SUA.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

...

Sou do tempo em que até os pijamas tinham ombreiras.
Credo.

Por aí

Almoço na casa de uma maravilhosa amiga. Nove pessoas à mesa: eu e as meninas; uma outra amiga (grávida) e a filha pequena dela; a filha da anfitriã com o marido e a filha dele; a aniversariante. Oito mulheres (nove, se contar o bebê na barriga) e um homem. Todos os adultos presentes desfizeram seus casamentos. Todos menos eu estão ou estiveram em segundos, terceiros ou quartos relacionamentos. Alguma coisa errada aí, mas não consegui descobrir o quê.

Comprei minha agenda 2008. Até o momento, o ano é uma incógnita.

Como nada é fácil, na minha insônia habitual me dei conta que não poderei ter emprego de carteira assinada até meados de junho. O porquê: o pai deixou um rombo de quase R$ 21 mil na escola das meninas, débito eu que terei que saldar ou não poderei matricular as duas para este ano (sim, até o momento elas não estão matriculadas em lugar nenhum - motivo nº 8475e/4 para eu não dormir). Como a negociação é na base do cartão de crédito (que não tenho) ou cheques pré-datados (que não tenho), pedi à direção que fizesse uma negociação especial: eu quito tudo em junho, quando puder retirar meu FGTS retido (sim, já são três anos desempregada). Mas não poderei sacar o dinheiro se estiver empregada - e não poderei assim saldar a dívida. Não é emocionante?

Não consigo parar de mastigar gelo. Não faço isso desde que fiquei grávida. Não, não estou grávida. Se estiver, encaminhe seu pedido de milagre por e-mail.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

BTW

Oi, você aí da Catho online que passeou por aqui:

Rola te mandar meu currículo?
:o)

Pra frente

Eu pensei muito no que postar aqui esse ano. Quer dizer, ultimamente as pessoas vêm aqui e só lêem desgraças. E fazendo um balanço, me lembrei da primeira vez em que pisei num consultório de terapia - o que, confesso, me afugentou pra sempre de QUALQUER consultório de QUALQUER terapeuta/psicólogo/analista.

Eu e meu ex fomos lá porque a minha então enteada, filha dele do primeiro casamento, foi pega roubando na escola. Marquei a hora (sim, foi a besta aqui que foi à escola da menina conversar com a diretora; quem pegou a lista de terapeutas recomendados; ligou pra todos e, pasmem, decidiu qual parecia o melhor. Eu, não o pai ou a mãe. Eu, depois de a escola ligar PRA MIM como último recurso, já que nem o pai nem a mãe da menina haviam se coçado, três meses depois do roubo).

Enfim. Marquei a hora e fomos lá para a primeira consulta, eu e meu ex. Conversa aqui e ali, me abri na consulta. Falei o que me incomodava, a maneira como o pai tratava a menina (que eu adoro de paixão), passando a mão na cabeça dela quando ela fazia birra, urrava e esperneava e quebrava coisas e rabiscava tudo em vez de impor limites, a interferência da mãe dela no meu casamento, "despejando" (essa é a exata palavra do que ela fazia com a menina) a filha na nossa casa sempre que queria viajar ou sair à noite etc e tal.

O pai obviamente ficou muito incomodado com a minha franqueza, principalmente porque ele não podia usar o habitual "Sua burra, não é nada disso" na frente da terapeuta. Qual não foi minha surpresa quando a dita vira-se e diz "Você devia cuidar do que diz e não usar essa franqueza crua".

Como? Estamos lá tentando resolver um problema sério - uma menina de 8 anos roubando na escola e sendo pega por TODA a turma na hora em que pilhava a carteira da professora - e tentando descobrir tudo o que a levou a fazer isso (incluindo aí meu comportamento) e eu não devo ser franca? Não devo falar o que me incomoda, o que acontece, o que me chateia, o que está atravessado na garganta?

Não, não pode. Fere os sentimentos do fulano relapso sentado na poltrona ao lado.

Bom, essa divagação toda me leva ao ponto seguinte que parece não ter nada a ver com o que eu escrevi acima. E que é sobre as pessoas que me conhecem... e que me conhecem.

Cris me conhece. Rita me conhece. Assim como Marco, Laerte, Marieta e Pedro, além de outros que aportaram por aqui. Esses sabem quem eu sou, como eu sou; muitas vezes tenho vergonha do que escrevo porque sei que eles vão ler. Pra eles eu sou "Suzana" na tela do computador, mas outra quando eles se lembram da pessoa - eu.

Zé, Solange, Renata, Marília, Ana, Lili, Kattie, Deborah, Maura, Luis, e tantos outros gostam da Suzana. A Suzana Elvas, que escreve aqui muito do que jamais abriria a boca para relatar. Eles, que esbarrariam em mim na rua e jamais saberiam que sou eu, me conhecem como ninguém mais. Porque eles sabem apenas do que vai no meu coração, na minha alma. Não sabem como minha voz é, como me comporto, que cara faço quando rio ou me sinto constrangida. Desconhecem a máscara social que visto até mesmo quando estou me divertindo, bebendo um chope, sentada em silêncio no cinema.

Juliana, Anne, Fernando, Paulo, Ivone, Gisela, Marcela, Peter, Jeremy, Samara, Teresa, André, Luana e outros sabem de mim - alguns faz anos - e não fazem a menor idéia do que escrevo aqui. Do que eu sinto, do que eu penso, do que eu quero. Pra eles, eu sou outra que não Suzana - com ou sem aspas.

Juntando os dois lados do vestido: esse blog é da Suzana, não da outra. Porque se eu tiver que deixar de falar das coisas que me incomodam, das minhas tristezas (que espero 2008 economize na mão) e das minhas aflições, Suzana não terá mais razão de existir.

...

A novidade do meu ex é deixar as meninas trancadas no carro (sem ar-condicionado, que é pra não gastar) enquanto ele vai ao supermercado.

Não é show? E eu só escuto na minha cabeça aquela idiota do Ministério Público, apressadíssima para um compromisso e querendo encerrar logo a audiência, dizendo o quanto eu era estressada e preocupada à toa, e ressaltando a importância do pai na vida das crianças.

domingo, dezembro 30, 2007

80

Calor. Muito calor. Dei banho nos cachorros - e eles agradeceram.

Sozinha em casa, meninas com o pai. A casa fica muito silenciosa, mas ele não consegue jamais deixar a irritação de lado quando as meninas me ligam 18 vezes ao dia para conversar, fofocar, pedir conselhos ou avisar que se machucaram. Dependência: palavra inexistente no dicionário das mães.

Ceia de Ano-Novo: tudo velho, sem idéia do que fazer.

Como assim Robert Palmer morreu?

"As cem melhores canções dos anos 80". Sim, vamos esfregar na cara o quanto todos estamos ficando velhos. Aquele som inovador do REM agora é clássico. Todo som novo que eu descobri é clássico. Menos eu - eu não virei um clássico. "Fight the power"; "What I like about you" (The Romantics; como uma banda pode se chamar assim?), "Love shack", "Kiss"! Prince com três músicas; Mr. Nelson rules! Michael Jackson é o clássico dos clássicos, junto com Rufus & Chaka Khan, The Cure, Echo & The Bunnymen (não, eles não estão na lista. Mas Katrina and The Waves estão!) e outros.



Um dia eu quis ser como Paula Abdul dançando para Arsenio Hall em "Straight Up" A dinossaura tenta explicar à amiga de 16 anos nomes como Poison, Whitesnake, AC/DC, Joan Jett, Young MC, Bruce Springsteen (sim, The Boss), Rick James, Depeche Mode, INXS ("I need you tonight/ 'Cause I'm not sleeping/ There's something about you girl/That makes me sweat" - a conversa mais mole que eu já ouvi na boca de um homem bonito :o) e outros - e porque eu achava absolutamente lindo o dono do mullet mais poderoso dos anos 80: Bono Vox. VH1, I love you.

Eu gostei dos anos 80. As mulheres tinham o direito de serem gordinhas (vide Madonna e as meninas do Go-Go's) e de usar o cabelo crespo (e, ironia, quem não tinha armava o seu com laquê).

Sempre fazia aquela continha básica na calculadora: quantos anos eu teria no anos 2000. E ficava hor-ro-ri-za-da com o resultado: 34 anos. Não conseguia nem por bula papal me imaginar com mais de 30. Rá... Rá rá.

Digressão filosófica: Jim Kerr (Simple Minds) cantando "Mandela days" me fez pensar no vazio existencial (ugh) que tenho sentido faz tempo. Quer dizer, minha juventude assistiu grandes eventos. Quando eu tinha meus 20 anos o mundo lutava contra "inimigos" claros, por assim dizer: Mandela sob prisão perpétua e o apartheid; a fome da África; a abertura do regime político no Brasil; idem para Argentina e outros países latino-americanos; a Alemanha dividida; Ronald Reagan e sua "Guerra nas Estrelas"; a União Soviética que ainda mantinha Sakarov exilado em sua própria casa, em Gorki; a frente pela libertação de Rudolf Hess, o último e único prisioneiro de guerra alemão em Spandau. O mundo mudou muito ou eu não estou mais prestando a menor atenção nele.

Você sabe que está ficando velha quando o cara que você queria casar tá ficando careca (btw, eu vi os pais dele... hum... namorarem e se casarem. Eu vi essa criatura nascer. Estive praticamente na concepção do dito cujo!) e você torce fervorosamente para que a banda que você gostava faça uma reunion tour. TDUD, I love you.



Está tudo muito confuso, hoje.

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Por último

Uma das coisas que minha avó dizia era que, se você não tem nada de bom a dizer, não diga nada. Faz tempo que tenho pensado em mudar o status do meu Breviário para que só eu possa ler. Porque faz tempo que eu não tenho nada de bom para dizer. E as pessoas, quando lêem o que eu escrevo, também não têm o que dizer. Dizer o quê?

Passei o Natal sozinha - as meninas foram para a casa do pai. Nunca tinha passado o Natal sem elas. E como doeu. Não montei a árvore, não pendurei a guirlanda na porta, não botei as meias vermelhas na janela. Nunca imaginei que me sentiria tão profundamente triste como me senti.

Como estou sem dinheiro, comprei duas camisolas de uma vizinha, embrulhei os livros que sobraram ainda do tempo em que eu ainda recebia livros infantis, duas bolsinhas compradas em camelô e foi isso. E sentia muito medo de elas não gostarem de nada, de acharem tudo insignificante perto do que ganhariam na casa do pai.

Elas voltaram ontem carregadas de presentes. Cada uma segurando a sua Miracle Baby - R$ 300 reais cada - muitos brinquedos, roupas, vestidos, walkie talkie da Xuxa, bichinhos que ronronam e andam. Tudo jogado nas sacolas das lojas dos outros presentes trocados na casa do pai: Cantão, Sacada, Imaginarium, M. Officer, Osklen.

Dei os meus presentes, esperando que elas gostassem; Catatau me abraçou e disse que era a camisola mais linda que ela já tinha visto; Zé Colméia despejou tudo da sua bolsa antiga e encheu a nova.

E foram dormir. E eu dormi abraçada com elas, pensando e pedindo que 2008 seja melhor. Seja de menos dor, mais comida e descanso, mais alegrias e menos preocupações.

Hoje de manhã, tomando banho para ir trabalhar, tudo subiu de uma maneira tão brutal que vomitei na banheira. Tremia inteira de tanto ódio, de tanta amargura pela lembrança dele dizendo à juíza que ele mal ganhava para viver. E as sacolas dos presentes. E as duas bonecas a R$ 600. E eu chorei até meus olhos secarem embaixo do chuveiro. E eu desejei que ele morresse, e eu odiei o Natal. E odiei minha vida, tudo o que eu vivo hoje. Odiei, odiei, odiei.

Porque eu pedi de Natal, quando estava sozinha na minha cama, ouvindo os vizinhos comemorarem e rirem e desejarem-se paz, que eu não odiasse mais. Que eu tivesse apenas coisas boas e alegres e cheias de otimismo para escrever aqui. Que eu pudesse lidar melhor com a incapacidade de trabalhar mais, de arranjar um emprego decente que me desse um plano de saúde, dinheiro para alimentar minhas filhas corretamente, para não dever mais nada a ninguém, que me desse novamente satisfação, que me desse a oportunidade para ser disponível para alguém.

Que eu pudesse recuperar na alma os anos que eu deixei pra trás. Que eu pudesse ser novamente a mulher que eu era, que achava coisas boas em tudo, que raramente achava motivo para chorar. Que não maldizia ninguém, que era batalhadora, briguenta, forte, vivaz.

Eu não quero escrever mais isso aqui. Eu quero desejar Feliz Natal e próspero Ano Novo como todo mundo. Não quero odiar meu ex-marido por ele fazer o que faz. Não quero mais me sentir incomodada com a felicidade dos outros. Com o riso dos outros. Com a paz dos outros.

Eu quero a minha própria paz.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Adriana

Adriana Lisboa é uma mulher excepcional: além de grande escritora, é uma tradutora esplêndida e uma amiga de coração reluzente. Há anos deixei a editora que era a dela, mas ainda mantemos (pouco) contato. Ela me mandou isso, e espero que sensibilize vocês como tocou a mim:

"Amigos e amigas,

Uma amiga nossa, Vera Alves, que morou nos Estados Unidos durante quarenta anos e agora está de volta ao Brasil (em Florianópolis), mandou a notícia abaixo:

'Dou aula de inglês para meninos na minha vizinhança que são de famílias pobres e são vítimas do ensino falho da escola pública. Com isso, acabou ampliando para português, e tudo mais, onde vejo falhas. Comecei um clube de leitura, que no momento só envolve 3 crianças, mas um dia por semana nos reunimos para ler. Cada uma lê um capitulo, comentamos o que foi lido para verificar o entendimento, e está indo bem. Uma menina foi pela primeira vez na biblioteca e tirou um livro para ler! fiquei tão feliz. Tínhamos lido a 'Bolsa amarela' da Lygia Bojunga, e ela foi atrás da 'Casa da Madrinha'... Não é maravilhoso? Estou com esse projeto com os livros infanto-juvenis que tenho. Livros são caros e não estou podendo comprar. Pegar livros no centro fica difícil porque viajo de ônibus. Tudo dando certo antes que acabem meus livros, já vou ter um carro... Comecei também uma campanha de reciclagem na minha rua e está começando a funcionar.'

Vera está fazendo isso porque sim. Não está ganhando nada – nem está pedindo nada. Mas resolvi escrever pra vocês: se acharem que podem contribuir com livros infanto-juvenis para esse projeto dela, solicitando exemplares junto a suas editoras ou doando livros usados em bom estado, por favor escrevam pra ela: alves.vera@gmail.com

Agradeço em nome da Vera, e em nome desses pequenos leitores."

Tenho muitos livros infantis em casa que as meninas não lêem mais. Quantos desses livrinhos a gente não ganha naqueles saquinhos de brindes de festas infantis?
Quem aqui do Rio quiser colaborar por favor me avise que eu vou buscar os livros; faço um pacote só e mando para Floripa. Quem estiver em outras cidades... Bom, qualquer ajuda é bem-vinda!

Ouvindo



Anita O' Day. Que voz.

Inícios e fins

Uma das coisas que eu mais faço (aliás, faço mais do que o habitual) é pensar no passado. Eu sou canceriana, e acredito que possa descontar aí a minha mania de sempre pensar e repensar o passado, imaginar caminhos outros que não os que eu escolhi, jogar mentalmente com as infinitas possibilidades que se apresentaram. Não, jamais me arrependi do que eu fiz - mesmo me casar, porque se não fosse meu ex minhas filhas não seriam assim tão especiais. Não seriam o que são.

Estava eu pensando em ritos de passagem. Porque agora eu venho sozinha trabalhar de manhã - as meninas estão de férias. Então eu sento no ônibus e venho pensando. Ritos de passagem. Há sempre acontecimentos que, parece, encerram uma etapa da nossa vida. Às vezes é uma frase, às vezes uma situação.

Eu me lembro quando minha infância de encerrou. Eu tinha uns 12 anos. Morávamos em Mogi das Cruzes, interior de São Paulo. Meu pai trabalhava em outra cidade, e precisava ir receber um dinheiro extra na capital. "Por que você não vai hoje, pai?" "Porque eu tenho R$ 18 e a passagem de ônibus custa R$ 23." "Pega mais no banco." "Não há mais o que pegar. O dinheiro acabou."

O dinheiro acabou. Salário. Contas. Despesas. O dinheiro acabou. Alô, responsabilidades.

Sentada em frente ao computador na minha sala, na editora em que eu trabalhava, me dividia entre pilhas de livros para examinar, uma lista de autores para contactar, jornalistas esperando respostas, eu correndo pra dar tempo de pegar Catatau na creche e levá-la ao pediatra, voltar ao trabalho e depois, às sete da noite, correr para a FGV para o curso que graciosamente a publisher da editora tinha conseguido para mim. Entra a mensagem do meu ex: "Você não disse que ia escrever a coluna pra mim hoje?" "Não posso, estou atolada de trabalho. Por que você não escreve?" "Porque você se comprometeu, sua inútil." Me lembro até hoje da posição da mensagem na tela. A dor que eu senti na hora - e que eu sinto ainda hoje, e que agua meus olhos nesse exato momento.

Ali, naqueles segundos que eu levei para ler essa frase, meu casamento acabou.

"Oi Helena!" E aí a pessoa piscou os olhos, se desculpou e sorriu: "Desculpe, achei que era a sua mãe." Minha mãe, com seus 68 anos. E eu me olhei no espelho do elevador e vi que estava vestindo o mesmo tipo de roupa que a minha mãe. Uma mulher de 40 anos vestindo-se como uma de 68 anos.

Não, sou muito muito nova pra me enterrar assim. Muito nova pra aceitar que a vida é "deixa pra lá", é "não vale a pena". Muito nova pra ser um zero à esquerda, "uma inútil".

...

Dessa vez foi apenas um dia e meio sentindo pena de mim: estou ficando rápida em engolir o sapo.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Cintilante

R$ 25 mil em dívidas, uma tuberculose que não se curou, muita solidão, noites de insônia, dias engolindo em seco, nunca nenhum almoço, choro escondido no chuveiro, privações, brigas, impotência, quase nenhuma paz de espírito: tudo sumiu naquele exato momento em que, no meio da nuvem de lágrimas que não consegui controlar, Catatau sorriu pra mim, vestida de branco, tiara de strass na cabeça, anel reluzente no dedo gordinho e diplominha na mão, na frente de sua turma.

Minha pequena se formou. Eu chorei muito, porque a felicidade em Catatau não é uma experiência solitária, egoísta, pessoal: minha filha tem o dom de fazer com que todos vejam que ela está feliz e, como por encanto, todos se sintam felizes também.

E ela sempre faz isso, mesmo inconscientemente. Ela foi Maria no peça de Natal. Contrita e com olhar humilde, vestiu seu manto pobre e surrado. "Cumpra-se em mim a vontade de Deus", disse ela, tentando ser grave naquela voz esganiçada dos seus seis anos, ao saber pelo anjo que seria mãe do filho de Deus, olhando para o céu e levantando as mãos.

O manto escorregou, os braços ficaram nus - e a platéia riu baixinho (que é pra ela não ficar sentida; e dali de cima eu vi que ela sorriu) ao ver a pobre Maria, no casebre onde morava, usando um rico bracelete de "diamantes" - porque minha filha pode ser pobre, limpinha e humilde, mas imagina se não ia botar um brilho na sua formatura! Como ela mesma diz, "Mãe, se você não tem brilho você não tem nada!"

A gente, nessas horas, tem certeza de que vive pra isso.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Ao infinito

Catatau se forma essa semana. Jamais imaginei a dimensão do orgulho dela em deixar a pré-escola (o chamado Ensino Básico) e entrar no Ensino Fundamental. Na cabeça dela - e apesar de todas as suas dobrinhas, furinhos e risadas de bebê - ela agora é, definitivamente, uma menina crescida, que já assina o nome, tem sua "chamadinha" (como ela chama sua carteira de identidade) e sabe dar o laço no sapato e fazer rabo-de-cavalo sozinha.
"Tô crescendo, mamãe!"
É, filha, eu sei. Pena que isso dói à beça em mim...

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Empregos

"Empresa situada em Realengo seleciona SECRETÁRIA com as seguintes características:

Ser do Signo de Capricornio, virgem ou Leão
Ser Dinâmica
Até 35 anos
Nivel superior ou cursando, preferêncialmente do Curso de Administração
Ótimos conhecimentos em Word e Excel.
Salário: R$ 500,00"

Puxa, sou canceriana...

terça-feira, dezembro 04, 2007

...

Chega uma hora na vida da gente em que a vontade é entregar os pontos. Dizer "cansei" e deixar a maré nos puxar para o fundo, mandar alguém tomar conta, desistir. Depois de perder minha afilhada de maneira estúpida, Zé Colméia está suspensa da escola por dois dias, por ter agredido um inspetor com uma tesoura. A escola sugere "com veemência" que ela faça terapia. Catatau fala de uma maneira que ninguém entende, e para o próximo ano terá que fazer fonoaudiologia. Ambas precisam urgentemente ir ao dentista, e a editora que me contratou para dar consultoria - e que me exigiu full time - acaba de me comunicar que o pagamento do próximo dia 5 (ou seja, amanhã) é o último. Posso então contar em receber R$ 0 em janeiro. R$ 0 no mês em que as crianças estão de férias em casa, comendo e gastando o dia inteiro. R$ 0 no mês das listas de material escolar, dos uniformes. Mês parado no mercado editorial, sem nada pra fazer. R$ 0 num mês sem trabalho.

Eu já cansei de contar as vezes em que eu caí e me levantei. Já perdi nas lembranças quando almocei pela última vez, uma refeição decente, não pão com margarina e água - quando tenho dinheiro para o pão e a margarina, e gasto sem pensar em quantas passagens de ônibus esse mesmo valor pode pagar. Já esqueci quando comprei alguma coisa boa para mim, sem sentir culpa. Quando dormi tranqüila à noite com as contas pagas. Quando tive dinheiro para uma emergência. Quando sentei e tomei um chope. Quando, com centavos no bolso, não enganei o trocador de ônibus dizendo que peguei a linha errada - fazendo isso umas quatro vezes para tornar menos penoso o caminho até o lugar onde eu receberia dinheiro. Não me lembro o exato momento em que deixei a vergonha e o pudor de lado e comecei a achar isso normal, aceitável, justificável.

Já me esqueci da última vez em que atendi o telefone sem medo de ser alguém me cobrando dinheiro. Quando pude comprar alguma bobagem para as minhas filhas. Quando deixei que comessem quantos biscoitos quisessem. Quando levei as duas para comer fora sem me arrepender amargamente depois. Quando pensei em me tornar interessante para o mundo e deixar de ser a sexualmente morta que sou hoje.

Não me lembro mais quando mandei consertar alguma coisa quebrada, quando marquei uma consulta médica e fui, sem precisar me preocupar se teria dinheiro para o remédio depois. Já me esqueci quando foi a última vez em que não pensei em dinheiro, dívidas, o futuro imediato das meninas ou como sobreviver à próxima semana, ao próximo mês.

Já me esqueci quando foi isso. Ouvindo a pessoa do outro lado dizendo "Não precisamos mais dos seus serviços" me lembrei da cara de desolação de uma conhecida da minha mãe, ao saber que eu estava desempregada: "Seus pais não criaram você para essa vida." Naquele dia, inexplicavelmente, sem razão, senti vergonha, uma imensa e devoradora vergonha de ser o que eu sou.

quinta-feira, novembro 29, 2007

Azedo humor



Roubei daqui.

Sin perder la ternura jamás



[...] Se aparecerei ou não novamente nas páginas da revista enquanto você estiver por aí, não me preocupa. O que PREOCUPA é que, com tantos jornalistas brilhantes como há no Brasil, foi a você que "Veja" escolheu para ser "editor de internacional".

Jon Lee Anderson

Eu já fui repórter; sofri a ditadura da chamada "reco" (apelido carinhoso para "reportagem recomendada"); como assessora de imprensa me vi diversas vezes frente ao muro onde se lê "temos um milhão e meio de assinantes". Por isso, confesso que senti um certo júbilo brioso ao ler o post do Alexandre Maron sobre a capa (e matéria) polêmica sobre Che Guevara na "Veja", de quase 15 dias atrás:

"A revista publicou uma capa algumas semanas atrás tão alucinada e histérica que até eu que nunca fui fã de Che Guevara fiquei chocado. Aliás, a Veja simplesmente tomou por hábito chamar as pessoas de fedorentas e sujismundas, como se esse tipo de qualificação fosse discussão para a maior revista semanal do Brasil. O título da "reportagem" (assim, com aspas) é “Há quarenta anos morria o homem e nascia a farsa”. Aproveite para ver uma reportagem da mesma "Veja" feita dez anos atrás [grifo meu: assinada pela Dorrit Harazim. O nome da Repórter (com "R" maiúsculo) fala por si. Pra quem não sabe, Dorrit é - ou era - mulher do Elio Gaspari.]. Diz muito a respeito do que a revista se tornou.

Começa quando Pedro Doria mostra a carta de Lee Anderson para Diogo Schelp, da Veja.

Em seguida, surgem a resposta de Schelp e os gritos histéricos de Reinaldo Azevedo.

Logo surge a tréplica de Lee Anderson, demolidora.

O comentário de Doria, logo em seguida, é irretocável."

Larga de preguiça, pára de ler blog de fofoca e confere os links; é melhor do que as picuinhas do falecido PapelPobre :o)

* Pois é; um dos melhores jornalistas do mundo, autor da biografia do Che ("Che - Uma biografia" eu já li e é fantástica) e do livro "A queda de Bagdá", também imperdível, e repórter da "The New Yorker" nunca mais - nunca mais! - aparecerá na "Veja". Será que ele tá dormindo depois dessa? Comendo? Respirando? Coitado; jamais terá a oportunidade de abrilhantar seu currículo com uma participação nas páginas da revista que tem "um milhão e meio de assinantes". So...?

quarta-feira, novembro 28, 2007

Você sabe que algo deu errado...

... quando você visita a página dos seus amigos no Orkut e sente uma compulsão violenta de apagar todos os spams da página de recados - deles.

... ao ver sua filha mais velha se virar pra você e dizer (no seu tom de voz): "Eu não arrumei, não; só dei uma geral básica no quarto."

... ao ouvir sua filha mais nova dizer: "Tô chiquerésima!"

... ao descobrir que o estoque de biscoitos de chocolate da casa, programado pra durar um mês, sumiu em três dias.

... quando lava o cabelo depois de usar aquela henna carésima e importadíssima e o que escorre pelos seus ombros é igualzinho a água de salsicha.

segunda-feira, novembro 26, 2007

Perdi alguma coisa?




Alguém pode me dar uma explicação que traga paz ao meu coraçãozinho atormentado?
Por que os homens acham bonito, cool, atual, charmoso, moderno, elegante ou o que quer que seja tirar foto com aquele dedão fazendo "positivo" pra câmera?

Além do arco-íris

Com o pai ofertando generosamente um quinto do total de gastos das meninas (o que a juíza considerou justo "porque ele precisa viver" - as mães não precisam, aparentemente) chego à conclusão que, trabalhando 16 das 24 horas de um dia e na impossibilidade de comer e dormir ao mesmo tempo (o que me deixaria ainda umas duas horas por dia a trabalhar) tenho que arranjar um emprego fixo, urgentemente. Ou me casar com alguém que me ajude a sustentar as meninas.

Bom, já que eu estou sonhando, também queria um pônei.

sexta-feira, novembro 23, 2007

Por email



"Hã? Oi, como? Batom? Que batom?
Ah, ESSE batom... Nããããão, não fui eu!
Não mesmo. Não. Nem pensar. Eu tava ali. É, ali."

Obrigada, meu amigo. Só você pra me fazer rir.

quarta-feira, novembro 21, 2007

Depois

Uma pessoa muito querida se foi, e a nós que ficamos resta apenas pensar muito, sentir bastante, chorar e engolir a raiva, conformar-se. Ontem, conversando com a mãe da Carolina, ficamos horas ao telefone nos questionando quão inútil (não sei se essa é a melhor palavra) tornam-se os vestígios da existência de uma pessoa depois que ela se vai, materialmente falando.

Ela me disse que na segunda, de volta do cemitério, entrou no quarto da filha e começou a separar as coisas dela. Fazer logo antes que o arrependimento batesse e ela decidisse ficar com tudo, transformar o quarto naquele lugar "do jeito que ela deixou antes de ir para o hospital". Não consigo nem imaginar a dor.

Ela contou que abriu gavetas e armários e não arrumou nada; ficou horas revirando cada caixa, olhando cada envelope, revista, saquinho, embalagem de plástico. Lendo pilhas de bilhetes, separando tíquetes de cinema e teatro. Descobrindo segredos da adolescente que a filha era. Tentando entender a utilidade de pulseiras de plástico, embalagens de filmes cheias de contas coloridas, recortes de receitas rasgados, pastas cheias de trabalhos escolares de anos.

"Pra que ela guardou isso tudo?" Oito pastas com recortes e impressões feitas via web da banda de rock preferida dela. Cadernos anotados com telefones sem nome, blocos com endereços sem identificação, rabiscos urgentes sublinhados e marcados com caneta vermelha.

Guardar para um dia usar. Porque jogar fora aquelas notas de supermercado pode ser uma insensatez. Os postais sem nome, as figurinhas de um álbum que não existe mais. Telefones de anos, adesivos de disquetes que estão fora de linha, etiquetas amareladas. Receitas que a vida não terá duração suficiente para ver sair do forno ou deixar a panela.

"Eu não sei o que jogar fora, se devo jogar fora. Não significam absolutamente nada para mim, mas deviam ser muito importantes para ela, porque estavam juntos num envelope ou dentro de uma caixa de sapatos. O que eu faço?"

E ela chorava, como se mandar para um aterro sanitário os guardados preciosos da filha diminuíssem o imenso amor que uma sentia pela outra. "Sabe o que eu mais penso agora? A tristeza que ela deve estar sentindo em imaginar que eu estou jogando fora tudo o que ela guardou com tanto carinho. O que é uma doideira, como é doideira a aflição que eu senti quando o enterro acabou e eu não queria sair de perto da sepultura, imaginando que logo ia ser noite e ela ia ficar sozinha ali, no escuro, sem ninguém a fazer companhia para ela."

segunda-feira, novembro 19, 2007

...



Como a gente perde alguém com quem falamos todo santo dia por e-mail, através de cartas ou encomendas contendo bobagens como um álbum de figurinhas sem nada colado e todos os cromos a colar - e nenhum repetido?

Como a gente perde uma risada torta, engasgada?

Como a gente perde uma fã ardorosa, maluca, esganiçada, fã de um cantor envelhecido 30 anos que não canta mais?

Como a gente perde uma companhia sempre alegre, sempre divertida, sempre invulnerável às centenas de rasteiras que a vida lhe deu?

Não sei. Sem chorar, sem acreditar, sem pensar muito. Apenas sentindo que o cérebro se recusa a processar a imformação, contando ao corpo e ao consciente que ela foi viajar, que não vai poder falar comigo por muito muito muito tempo mas que, quando eu menos esperar, ela volta. Lendo e relendo uma das últimas cartas que me escreveu, contando todas as senhas da internet, os segredos, as datas importantes para ela e para a mãe, para quem deve presentes, CDs gravados, o que prometeu ao namorado, que fim dar à sua coleção de traquitanas ligadas à sua banda de rock preferida, quem ficará com cada boneca, cada bijuteria, cada peça de roupa, cada bobagem guardada.

Desde sábado eu só me pergunto como a gente perde uma menina tão maravilhosamente lutadora como Carol. Qual a receita, a bula, o memorando, o manual de instruções. Como vou lidar com a dor quando ela chegar. Como vou encarar a mãe dela. Como vou responder ao último e-mail que ela me mandou.

sexta-feira, novembro 16, 2007

Além

Tem uma hora na vida que aprendemos da pior maneira uma porção de novas palavras e outros sentidos para velhos termos: taquipnéia, microtrombose, alcalose respiratória, hiperbilirrubinemia, bradiquinina, catecolaminas, hipoperfusão, fator Hageman, azotemia, hiperventilar.

Orar.

terça-feira, novembro 13, 2007

...



- Que mais você tinha para aprender?
- Bem, havia o mistério... o Mistério, antigo e moderno, mais Mareografia... Arrastamento, Esticamento e Desmaiar em Espirais. (de "Alice no País das Maravilhas").


"A criança de Escorpião adorará o carnaval, filmes de monstros na televisão, histórias de ficção científica e de fantasmas. Adorará também o sexo oposto. Ele respeita profundamente o círculo da família. Venha a ser o que for, ele será o melhor no campo que escolheu. O jovem de Escorpião é bastante decidido para conseguir o que quer, e tem força suficiente para segurar o que obteve. Mas não deixe que sua auto-confiança impeça que ele receba o seu apoio.
Essa é uma criança estranha e encantadora, que tem provavelmente um grande destino e muitas milhas a andar antes de atingi-lo. Acompanhe-o enquanto ele precisar de você, e depois deixe-o sozinho. Ele regressará são e salvo com qualquer que seja o prêmio que busca.
Plutão lhe dá uma grande coragem, força e inteligência, mas compete a você dar-lhe o que ele mais precisa: um exemplo diário de como amar... e ser amado."

Querido você já é. Bem-vindo seja, Theodoro.:o)

... sai pelo outro

O problema maior não é o barulho do aspirador, da enceradeira ou de todas as torneiras dos dois banheiros abertas jorrando água doidamente porque os dois têm que ficar de molho com muito sabão em pó e mais água sanitária e toda a espécie de detergente líquido ou em pó que possa existir no supermercado, ou ainda dos pedreiros arrebentando a fachada do prédio e retirando todo o reboco numa chuvarada de pastilhas e pedras que parecem estar caindo na minha cabeça enquanto a broca que eles usam entra pela janela até o interior dos meus miolos, mas sim o fato de que como ela vem somente de quinze em quinze dias são praticamente duas semanas em que fatos palpitantes aconteceram na vida dela, e é preciso que ela reporte tudo, tintim por tintim, para alguém que mostre o menor interesse em conhecer todos os detalhes da complicada cirurgia por que a filha dela teve que passar e cujo nome ela não se lembra bem - apenas que começou de manhã e terminou quase de noitinha, e o médico disse que em dois dias ela se levantava mas em menos de 12 horas a filha dela, que é muito forte porque comeu tutano cru quando era criança, levantou e começou a arrumar a casa - ou quem sabe tomar conhecimento da labuta e o peso que é agora que o cunhado morreu cuidar do sobrinho do irmão da sogra da ex-cunhada, que deixou escrito que queria que ela ficasse com o guri - que, na verdade, não vale nada e dorme o dia inteirinho quando não está grudado na televisão ou brigando com o Fernando, que agora voltou pra casa porque se separou da Sônia que não valia nada, porque pegou dinheiro emprestado do pai e não pagou nada porque usou para pagar as dívidas do amante e não tem mais onde dormir porque o garoto tomou posse do quarto que agora está novo em folha porque o marceneiro foi lá e deu um jeito nas camas, mas não cobrou nada a mais do que tinha pedido depois que perdeu a madeira que tinha comprado no churrasco que a Rosa resolveu dar mesmo com todo mundo dizendo que ia chover muito - mas a Rosa não escutblábláblá e hfiyeke djfehqpudf hjfhfakd,ofifjweww ddfudpsfod...

Dia de faxineira.

Fotógrafos III - Robert Doisneau



Un regard oblique,1948



Un regard oblique [1],1948



Un regard oblique [2],1948

segunda-feira, novembro 12, 2007

All your love in your eyes




I covered you in roses
Like the stars at night
I covered you in love
Like a blanket on a cold winter's night
I covered you with joy
To make your lifetime big and bright

...



Eu tenho esse blog faz bastante tempo. Aqui eu compartilhei minhas dores e alegrias, dividi conquistas e perdas. Fiz bons amigos e é a eles que eu peço ajuda. Eu tenho um vício que, no começo, não era bem um vício porque não me custava tanto dinheiro mas que agora está destruindo, aos poucos, a minha saúde, minhas noites de sono. Fui apresentada a ele quando estava frágil, ainda doída pelo divórcio e pela pedreira de responsabilidades, compromissos e dívidas que eu teria que enfrentar todos os dias.

Quem me introduziu nele foi uma grande amiga, também separada, quatro filhos, jornada de trabalho de 18 horas por dia. No princípio era somente nos fins de semana, quando eu estava sozinha. Depois, passou a ser quase semanal, senão diário.

A primeira vez em que, perto da meia-noite, me vi sem aquele pó branco mágico fiquei em pânico. As meninas dormiam, e eu nervosa, já suando o desespero que estava por vir. Liguei para uma outra amiga (viciada como eu) e pedi um pouquinho só. Pode mandar de táxi? Eu te pago sem falta amanhã. Claro, ela disse, me perguntando se eu estava bem. Eu ficaria.

A segunda vez foi pior, porque chovia muito, e não havia como ir numa daquelas biroscas do Morro dos Prazeres para conseguir pó. Liguei para outra amiga (a que me introduziu nesse vício maldito) e pedi pelo amor de Deus que me mandasse uma dose só. Ela só tinha um pouco, o suficiente para uma única vez. Mas foi a salvação: quando abri a caixinha e vi o pó branco no fundo só consegui respirar fundo e antecipar o prazer que viria, aquela transformação mágica de que só ele é capaz - fazer do mundo num lugar mais quente, cheiroso, acolhedor.

Ontem, plena madrugada, acordei para uma insônia cortante onde eu ouvia, ao fundo, o vício me chamando. Sem pó em casa - não, não vou ligar pra ninguém. Me enrolei num cobertor, antevendo os tremores e a paranóia que viria.

Chega. Não vou pedir pra mais ninguém que me mande fermento de táxi. E amanhã prometo procurar um Cozinheiros Notívagos Anônimos. Porque eu preciso largar esse vício maldito de fazer bolo no meio da noite de qualquer maneira.

quinta-feira, novembro 08, 2007

...

O pior sentimento que existe, maior do que a injustiça, a humilhação, o desrespeito, é a impotência.

terça-feira, novembro 06, 2007

Eu odeio...



Quem não tem a menor educação quando fala ao celular - dentro do elevador lotado, na mesa do restaurante, no teatro infantil (porque criança é de suma irrelevância, não é?), no cinema.

Quem acha que dar a alguém o número do seu celular faz desse ser o sócio majoritário da sua vida; ou seja, ele pode ligar a qualquer hora do dia e da noite se quiser. Ele não entende um "Agora não posso falar" - não consta no seu dicionário de alertas de simancol (se é que ele tem um).

segunda-feira, novembro 05, 2007

...

Essa história ainda não tem final feliz.

Um dia esbarrei sem querer numa moça muito franzina, com um bebê no colo. Não consegui esconder a cara de horror ao ver o rostinho desfigurado da menina, com uma fenda tão incrivelmente monstruosa que imediatamente pensei "Como ela consegue comer?". Ali surgiu uma amizade entre nós duas - e, depois, entre nós três. A mãe, uma baiana lutadora, conseguiu energia, força e dinheiro para operar a filha vezes sem conta. A filha, essa conseguiu energia, força e alegria em dose mais do que suficiente para se transformar numa adolescente feliz, de bem com a vida, estudiosa e sonhadora. Mesmo sem que quase ninguém entendesse o que ela fala, mesmo sorrindo um sorriso torto.

Virei madrinha dela. Temos as mesmas paixões, alguns gostos musicais em comum, a mesma mania de reclusão quando algo espeta demais, incomoda em demasia, dói além da conta. Quando vinha ao Rio, ela se hospedava comigo. "Vestibular" é a única idéia que está em sua cabeça - mais do que Carlos Henrique, o namorado que vê naquela boca cheia de cicatrizes a fonte das coisas mais bonitas e doces que uma jovem pode dizer.

Carolina é o nome dela. Carol está internada numa UTI de um hospital de Salvador desde sábado, quando teve uma parada cardíaca durante sua milésima cirurgia para correção da boca.

Carol é lutadora, e eu sei que ela vai sair dessa.

quinta-feira, novembro 01, 2007

Eu confesso que...

... sou viciada em cheiro de pasta rosa e creolina.

quarta-feira, outubro 31, 2007

Rio 354626374888,7 graus

Hum... Com licença... Oi?
Deus?
Dá pra fazer um pouco mais de calor? Sabe o que é, eu usei henna faz dois dias e como no começo ela escorre quando o cabelo está molhado... Bem, eu estou suando marrom dourado-avermelhado mas até agora só pingou atrás das orelhas. E ninguém está vendo. Dá pra aumentar a fornalha? Aí o suor escorre da testa e todo mundo pode ver a mulher que sua - ops, transpira. A mulher (Educada. Fina. Fashion. Essa sou eu.) que transpira colorido.
E dá pra ser pra hoje?
Valeu.

segunda-feira, outubro 29, 2007

Mais um dia

O encontro era megaüberplusimportante. Então, acordei de madrugada pra tomar um belo banho, escolher a roupa com cuidado (atenção para a blusa com ares japoneses adquirida num brechó "sou-antenada-sou-chique-E-sou-pão-dura" de cetim fosco verde), dar um upgrade na fachada e arrumar o cabelo - que está comprido o suficiente pra eu finalmente usar meu palito de laca vermelha pra prender um coque. No escuro consegui me arrumar e arrumar as meninas. Saímos amanhecendo de casa. Despejei meus tesouros sonolentos na escola e rumei pro Recreio.

O motorista do táxi me olhava pelo retrovisor de tempos em tempos, e minha auto-estima ia às alturas. "Puxa vida, tô bonita, tô maquiada, tô penteada e tô cheirosinha. Resumindo, tô podendo."

Saltei do carro, chequei a montação (nada esburacado, nada manchado de pasta de dentes, nada com fio puxado, nada do avesso, nenhuma bola-de-rímel-no-canto-do-olhos, dentes ok) e fui confiante. Atravessei uma enorme praça, entrei no prédio, esperei na fila do elevador e adentrei o dito de queixo em pé.

Meu andar era o último - o 28º. Sozinha, me virei para dar uma última ajeitada nas sobrancelhas - e descobri que estava com um pincel das meninas, de cabo vermelho e ainda grudado de tinta, a prender meu coque estiloso.

quinta-feira, outubro 25, 2007

Aliás

Tinha...



... mas acabou.



Roubei daqui, via Marinex - aquela que é à prova de choque e olho gordo.

quarta-feira, outubro 24, 2007

Pensamentos despenteados para dias de temporal*

Odeio luz artificial. Quando chove torrencialmente e não há santo que mande o sol faço tudo na penumbra. Têm coisas, momentos, dias que a gente não deve estragar com insignificâncias civilizadas, como luz elétrica.

Redescobrir músicas que não achávamos assim grande coisa (ouvíamos sem entendê-la) é a afirmação inegável que nos tornamos melhor com o passar dos anos (com raríssimas exceções, reconheço).

Eu tenho uma blusa (uma bata, para ser mais exata) que eu visto quando acho - acho, não tenho certeza - que engordei. É batata: é entrar no vagão do metrô e alguém dar lugar pra grávida. Assim sendo, há duas semanas azeitei esteira, halteres, supinos & remos. Eu, que nunca tive barriga, sinto-me frontalmente (com trocadilho e redundância) afrontada.

Descobrir livros de que ninguém ouviu falar é a afirmação inegável que a gente se torna mais seletivo com o passar dos anos (com raríssimas exceções, reconheço).

De todas as coisas boas que um bom namoro traz, uma única me faz uma falta atroz: aquele momento, milésimos de nanossegundos, que antecede um beijo terno.
Principalmente em dias assim, de temporal.

* Thanks, Nemo ;o)

terça-feira, outubro 23, 2007

Fúria e folia

Na praça aberta sou um colar de livres pensamentos...
Eu trabalho para o nada espalhado pelo chão.

I love rock 'n' roll





I saw him dancin' there by the record machine
I knew he must a been about seventeen
The beat was goin' strong
Playin' my favorite song
An' I could tell it wouldn't be long
Till he was with me, yeah me, singin'

I love rock n' roll
So put another dime in the jukebox, baby
I love rock n' roll
So come an' take your time an' dance with me

He smiled so I got up and' asked for his name
That don't matter, he said,
'Cause it's all the same

Said can I take you home where we can be alone

An' next we were movin' on
He was with me, yeah me

Next we were movin' on
He was with me, yeah me, singin'

I love rock n' roll
So put another dime in the jukebox, baby
I love rock n' roll
So come an' take your time an' dance with me

Said can I take you home where we can be alone

An we'll be movin' on
An' singin' that same old song
Yeah with me, singin'

I love rock n' roll
So put another dime in the jukebox, baby
I love rock n' roll
So come an' take your time an' dance with me

* Estou te esperando :o)

Spam nosso de cada dia*

Um dia quiseram ver quem era o melhor: o MacGyver, o Jack Bauer ou o Capitão Nascimento.

Chegaram pro MacGyver e falaram: "A gente soltou um coelho nessa floresta. Encontre-o mais rápido que os outros e você será considerado o melhor!" MacGyver pegou uma moeda de 5 centavos no chão, um graveto e uma pedra e entrou na floresta. Demorou 2 dias pra construir um detector de coelhos na floresta e voltou no terceiro dia com o coelho.

Daí chegaram pro Jack Bauer e falaram a mesma coisa. Ele entrou correndo na floresta, e 24 horas depois apareceu com o coelho. Durante a operação, desarmou 5 bombas nucleares, recuperou 10 armas químicas, escapou de um navio cargueiro e foi pra China matar 100 terroristas.

Pediram então para o Capitão Nascimento ir buscar o coelho. Se ele demorasse menos de 24 horas, seria o melhor. E ele respondeu:

- Tá de sacanagem comigo, 05? Ce tá de sacanagem comigo? Você acha que eu tenho um dia inteiro a perder com essa porra de coelho, 05? Tu é um mo-le-que! MO-LE-QUE, 05!!!
Virou para a floresta e gritou:
- Pede pra sair! Pede pra sair, cambada!

Em menos de cinco segundos, já tinham saído da floresta 300 coelhos, 20 jaguatiricas, 50 jacarés, Robin Hood, 1000 paca-tatu-cotia-não, o Shrek e uma preguiça correndo a 40 km por hora.

Daí ele gritou:
- 02, tem gente com medinho de sair da floresta, 02! Tem gente com medinho de sair da floresta, 02!!! 07, traz a "ponto 30".

Nisso, o Bin Laden saiu da floresta. Chorando.

* Peguei no blog da Rê que, junto com outra Re(nata), consegue espantar meu mau humor - porque, rapaz, nem eu estou me agüentando mais.

segunda-feira, outubro 22, 2007

...

Antigamente, planos profissionais frustrados botavam lenha na fogueira do meu empenho - um "não rolou" era suficiente para me fazer trabalhar em dobro e conquistar em triplo.

Hoje, um "não" me paralisa. E eu me vejo em pé, no meio do fogo, sem saber o que fazer - esperando que caia do céu a chuva providencial que, obviamente, não virá.

sexta-feira, outubro 19, 2007

...

Meu advogado ligou pra avisar que na primeira semana se novembro é a audiência de julgamento da pensão de alimentos para as meninas.

Sabe, é como um processo criminal, em que você conta, fala, narra o que aconteceu, conta mais uma vez, explica e tira centenas de cópias e elabora uma dúzia de dossiês provando que 2.654.384.647.897.004 despesas x 83.987.888.789.980 contas não dará jamais os R$ 300 pagos de pensão para duas meninas.

Cansa, desgasta, tira o sono e acaba gerando aquela vontade de jogar tudo pro alto e dizer "Já banquei até hoje, continuo bancando". Mas aí vem a lembrança dos fins de semana trabalhando feito uma condenada, os sapos engolidos a seco, os pagamentos atrasados (como já virou costume todos os meses, longe ficou o teórico dia 5 para o fictício recebimento da nota), os programas não realizados, as roupas não compradas, os livros e CDs deixados de lado. Os dias de andar até em casa, as mentirinhas contadas para as meninas quando a falta de dinheiro adia até mesmo o picolé na esquina. Eu lembro disso tudo e vejo o relógio novo no pulso, a calça diferente, o carro novo, as novidades que as meninas contam sobre a casa nova do pai no condomínio perto da praia.

Vingança e ressentimento jamais deveriam servir de incentivo para nada nem ninguém.

terça-feira, outubro 16, 2007

Eu odeio...

... publicidade em geral e publicitários em particular. Não tudo e todos, é óbvio. Mas não sei porque, sempre tenho a impressão que todos se consideram semideuses que sabem o que é melhor pra mim. Acreditando piamente que o que eles bolam é original e, pior, condizente com o mundo em que vivemos. E não, não estou falando das mulheres e homens maravilhosos dos sempre-iguais anúncios de perfumes Givenchy/Chloé/Carolina Herrera & similares.



Estou falando do Bernard chegando em casa e dizendo "A minha família não é diferente da sua: a gente também faz compras." Eu queria saber em que supermercado, porque sacolas de papel não são usadas no Brasil há 20 anos (aliás, personagens de anúncios que vão ao supermercado têm um que é só deles; ninguém chega em casa carregando sacolinhas de plástico vagabundo que de tão finas são usadas umas dentro das outras).



Estou falando daquela mãe que assiste, impávido colosso, o filho detonar uma camiseta pra fazer uma bandagem no pé enlameado da pobre menina que torceu o pé - se acontecesse na vida real, ela ia descer a encosta descabelada gritando "Mas que diabos ('diabos' se ela fosse uma mãe controlada; se mais normal fosse era 'merda', mesmo) você está fazendo com a sua camiseta?!??!??".



Estou falando de anúncios que não tem pé nem cabeça quando o assunto é o cliente, mas a assinatura da agência é de grife - e a gente faz um malabarismo mental pra ligar a história da lágrima com o cartão de crédito: a pessoa chora quando vai ao teatro e a lágrima só apareceu porque a pessoa conseguiu comprar o ingresso com o cartão de crédito?



Estou falando dos anúncios que mostram a mulher (leeenda) acordando e fazendo compras e passeando com a filha e indo pro trabalho (pasmem, ela é médica - e de hospital) e malhando numa esteira e saindo à noite pra jantar e emendando numa festa e chegando em casa ma-ra-vi-lho-sa porque toma a suplemento vitamínico X. O dia dela também deve tomar, porque ali não tem nem morta 24 horas. Pelo menos, não terrestres.

Só pra ficarmos em TV.

E se você vier me falar de conceito juro que bloqueio o seu IP!

As imagens eu peguei aqui - um blog muito legal onde você pode ver boa propaganda - sim, ela existe.

quinta-feira, outubro 11, 2007

Farra de madrugada

Quando criança, era esperar Papai Noel.
Quando pré-adolescente, era assistir è entrega do Oscar escondido.
Jovem, resumia-se a experimentar um barzinho novo a cada noite, usando a roupa comprada numa Yes, Brazil da vida pela manhã (Fórum de Ipanema, ever)
Adulta, era transar horas, tomar café da manhã e ir trabalhar sentindo que a calçada era a passarela da Victoria's Secret - cabelos e pele na capa da Vogue inglesa.
Hoje, é assar e confeitar dois bolos de chocolate até as quatro da manhã - e dormir em cima do teclado do computador.

Decadência, acho, é a palavra perfeita para esta ocasião.

Destino



"Todas nós somos princesas", disse Catatau
"E quando crescemos viramos rainhas", acrescentou Zé Colméia.
"E quando ficamos velhas?", perguntei eu.
"Aí seremos fadas", explicou uma. "Ou bruxas", completou a outra.

Espero que nada disso se perca (apenas fique guardado com carinho dentro delas) quando minhas filhas forem adolescentes de calças de cintura baixa, esmalte de uma cor inexistente na natureza e viciadas em algum cantor.

quarta-feira, outubro 10, 2007

Só um instante

Eu sempre te ouvi, sempre te amei. Sempre estive aí.
Mas, apesar de meu coração se recusar a admitir, eu nunca serei grande o bastante.
Isso é tudo o que tenho e te dou.
Mas para você, serei sempre seu antigo e pequeno,
Jamais amor.


Perdido nos meus guardados. É engraçado como doeu escrever isso - e aí você se lembra o quanto gostou dessa pessoa, mas alguma coisa se perdeu, acabou, ficou pelo caminho. Foi-se.
E é bom que assim seja.

segunda-feira, outubro 08, 2007

Fotógrafos II - Bruce Davidson



"Time of change" (a serie).



"Brooklin Gang" (a serie).



"Central Park" (a serie).

Logo ali



Uma das coisas que eu mais amava fazer era andar debaixo de temporais, principalmente para pensar num problema aparentemente sem solução (porque, como minha avó dizia, "sem solução, solucionado está"). E descobri que adoro ouvir músicas em que se pode ouvir o barulho da chuva caindo.

Ah, é. O fim do ano está chegando.
É.

N'alma




(Hoje de manhã) "Mãe, já te disse hoje que te amo demais?"

(Sábado, pelo telefone)"Nossa, quando te vi na rua... Jamais imaginei que você ia conseguir ficar mais bonita do que já era."

(Semana passada)"Pelos seus exames, seus pulmões estão ok. Mas olha lá, hein?"

(Por e-mail, há alguns meses)"Eu só queria dizer que, naquele dia, eu devia ter ficado. Terminar com você foi a maior merda que eu poderia ter feito na minha vida. Por causa do que eu fiz perdi você e a reboque, meus amigos e tudo de bom que eu vivi na faculdade. Poderia ter sido tudo diferente, não é? Um arrependimento que eu vou levar pro resto da vida."

quinta-feira, outubro 04, 2007

Eu confesso que...



... apaixonada®, usava uma twin-lens Rolleiflex 6x6 com filme Ilford 100 ASA pra fotografar a respiração dele nos momentos em que ele se perdia no mundo e se ausentava sem me perceber.

Copyright ® Elesbão

quarta-feira, outubro 03, 2007

Se você quer emocionar alguém...



... escreva uma carta (Australia Post)

Porque ainda existe (muita) vida inteligente no mundo da publicidade que consegue vender de maneira tão delicada um conceito antiquado como escrever cartas.

Ah, eu escrevo. Principalmente para as minhas filhas - elas têm sua própria caixa de correio, pregada na casinha de madeira na varanda.

Peguei aqui.

Eu odeio...

Inspirada na Cris e insuflada pelo meu mau humor, inauguro aqui a série "Eu odeio":

... velhinhas que atrapalham a passagem. Esse seria o nome da minha banda de rock, se eu formasse uma. Sabe? Imagina: a velhinha, ainda sacudida e fofinha, entra no ônibus cheia de sacolas de todos os tamanhos (e sempre tem uma de O Boticário, pode reparar. Nova ou usada, sempre tem uma). Inúmeros cavalheiros e cavalheiras oferecem o lugar. Ela não quer: "Vou saltar logo!" E sorri e se ajeita perto da porta com um milhar de sacolinhas pelos pés, caindo pelo corredor, por sobre o pobre que está no banco onde ela se segura. Ah, a velhinha é gordinha. Não goooorda: fofa.

Bom, ela fica ali, o ônibus vai enchendo e ela atrapalhando quem entra e quem sai - todo mundo se espremendo pra não amassar a Velhinha & seus Pacotes (ótimo nome pra outra banda de rock. Mangue beat. Anota aí.). Aí ela pede ao gentil jovem cheio de cadernos e livros e mochila pesada & precariamente equilibrado ao lado dela que ele puxe a cordinha do sinal que ela vai descer. Vai andando, pedindo licencinha entre sorrisos - atrás dela tem um mooonte de gente também se preparando pra descer, naquele movimento de troca de lugar das massas em ônibus cheio. Ela faz que desce mas não desce, se vira pro motorista e pergunta: "Tem um ponto mais perto do lugar tal?" O motorista responde: "Tem, sim". "Ah, então eu vou descer lá."

E volta pro lugar, e o motorista fecha a porta e já começa a partir antes de ouvir os gritos da turba que quer descer mas não pode - porque no caminho tem uma Velhinha que Atrapalha a Passagem.

Eu odeio Velhinhas que Atrapalham a Passagem.